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Professores

Título Código Dataordem crescente Descrição
Yara Wall (1935 - 2011) _

Um aneurisma foi a causa do falecimento de Yara Wall, ex-professora de Pedagogia da PUC-Rio. Aos 76 anos, a pedagoga era considerada por muitos uma mulher irreverente e agregadora.

A Profa. Emérita Maria Aparecida Mamed lembra de Yara como uma pessoa muito importante para o departamento e ressalta que a personalidade dela era muito marcante.

– Yara era amada por todos os departamentos porque ela sabia traduzir as necessidades de cada saber e o que ela podia oferecer em relação às práticas didáticas – afirma a professora.

Yara coordenou o curso de graduação de Pedagogia e deu aulas para vários professores que atuam hoje no Departamento de Educação. Na PUC-Rio, ela cursou mestrado em Educação e foi professora assistente durante 34 anos, até 2006.

A Profa. Maria Inês Marcondes, ex-aluna da pedagoga, hoje Coordenadora da Pós-Graduação, diz que Yara tinha uma maneira muito inovadora de dar aula e que agradava a todos.

– Ela sempre estava antenada e estudando os autores novos, trazendo novos questionamentos para a sala de aula. Quando fui aluna dela, achava muito interessante porque ela instigava muito bem o aluno – conta Maria Inês.

Para o Prof. Emérito José Carmello Carvalho, a presença de Yara foi essencial para a construção do departamento.

– Ela e outras professoras emblemáticas foram capazes de construir um departamento (de Educação) pequeno, mas de extrema importância.

Muitos professores do Departamento sentiram a morte dela, porque, segundo a Profa. Maria Rita Passeri, além de ser querida por todos, foi uma morte inesperada.

Luisa Paciullo e Júlia Morani
Publicado no Jornal da PUC no. 250, de 28/11/2011
Projeto Comunicar

Antonio Joaquim Macedo Soares (1948 - 2012) _

Professor do quadro complementar do Departamento de Artes & Design, o Prof. Antonio Joaquim era formado em Engenharia Mecânica pela PUC-Rio, em 1971, e tinha sob sua responsabilidade desde 1986 a disciplina de Desenho Geométrico. Era também sócio da empresa Marco Estudos e Projetos Ltda.

Segundo a repórter Alessandra Nascimento publicou no Jornal da PUC, “No curso de Design, ele tinha uma difícil tarefa, tornar o conteúdo da disciplina de Desenho Geométrico atrativo para os alunos. A Diretora do Departamento de Artes e Design, Luiza Novaes, afirma que ele exercia essa função com muita competência e dedicação. ‘Ele era um professor muito querido por todos, porque conseguia ensinar essa parte da matemática e torná-la mais próxima do aluno, de um jeito divertido e menos assustador. Ele tinha um espírito muito brincalhão, sempre muito sorridente e muito envolvido com o que fazia”, diz Luiza.

A essa mesma repórter, o filho do Professor, a quem Antonio Joaquim deu o apelido de Duda, deu um depoimento comovente sobre seu pai: “Eu resumo a vivência com o meu pai em uma única palavra: alegria.”

Seus colegas de Departamento, seus muitos amigos, seus alunos e sua família sempre se lembrarão dele com carinho e com gratidão.

José Guerchon (1946-2016) _

Um “embaixador da PUC-Rio”, como o consideravam os colegas, o Prof. José Guerchon faleceu aos 70 anos. Trabalhou no Departamento de Química da Universidade durante dez anos e como consultor, ligado ao Decanato do CTC, desde 2011. (consultor do Decanato do CTC) (24 de fevereiro de 2016)

Além de reconhecido como químico e educador, o professor era um grande colaborador no Departamento. Acreditava no padrão e no modelo de ensino da Universidade. Teve também como objetivo aprimorar os cursos de Química, tanto no Brasil quanto no exterior e, assim, atuou no desenvolvimento de materiais didáticos como softwares, museus virtuais e programas de rádio.

Formado em Química pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, com especialização em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas, trabalhou como professor na Escola Técnica de Química e em vários outros estabelecimentos da cidade. Na PUC-Rio, ajudou a reformular as práticas de laboratório de Química Geral e participou do Programa de Integração Universidade Escola e Sociedade (PIUES). Alinhado com as novas tendências, foi coordenador acadêmico do projeto Condigital da PUC-Rio.

O Prof. Ricardo Aucélio, do Departamento de Química, compartilhou momentos memoráveis ao lado do amigo José Guerchon e expressou sua admiração pelo modo sempre positivo e entusiasmado do mestre quanto aos assuntos relacionados ao ensino e aprendizagem e à sua capacidade de trabalho: “Ele sempre achava uma maneira diplomática de fazer as coisas funcionarem e é por isso que ele foi tão importante no funcionamento e no sucesso do Condigital. Ele fazia as pessoas se unirem, era um cara incrível”.

José Guerchon era casado, tinha uma filha e dois netos.

Geraldo Monteiro Sigaud (1954-2014) _

Carioca, o Professor Geraldo Sigaud graduou-se em Física na PUC-Rio, onde também fez o mestrado, em 1979, e o doutorado, em 1985. Concluiu o pós-doutorado no Institut Für Kerphysik, em Frankfurt, Alemanha, em 1991.

Respeitado por sua pesquisa na área de Física Atômica e Molecular, com ênfase em Processos de Colisão e Interações de Átomos e Moléculas, Sigaud era muito admirado pelos estudantes e, por esse motivo, incontáveis vezes foi paraninfo de turmas de formandos.

O Professor Welles Morgado, Diretor do Departamento de Física da PUC-Rio, assim registrou suas lembranças sobre o Professor Sigaud:

Ele era uma unanimidade entre os alunos como um professor excepcional, entusiasmado, às vezes severo, mas sempre admirado. Suas avaliações pelos estudantes eram invejáveis e por isso foi o único professor do Departamento, e um dos muito poucos da PUC-Rio, a ser destacado em recente avaliação interna da Universidade.

Sua atuação na formação profissional de jovens físicos, entre outros alunos, foi uma das razões das boas avaliações que nossos programas de graduação e pós-graduação tiveram ao longo dos anos. Sua versatilidade e a maneira como era capaz de transmitir o conhecimento vão deixar uma grande lacuna. Sua contribuição como professor merece, pois, ser respeitada e lembrada pela importância que teve para nossos programas e pela marca que deixa na história pessoal de tantos de nossos antigos e atuais alunos.

(Departamento de Física) (+31 de março de 2014)

Bernardo Jablonski (1952 - 2011) _

O Professor Bernardo Jablonski, do Departamento de Psicologia da PUC-Rio, faleceu na manhã do dia 28/10/2011, aos 59 anos. Bernardo também era ator, roteirista e diretor.

Alguns amigos da PUC-Rio compartilharam os textos publicados a seguir. E, ao final da página, a matéria publicada no Jornal da PUC.

Prof. J. Landeira-Fernandez, Departamento de Psicologia da PUC-Rio.

Colegas,

Estou em Belém, de forma que não poderei ir ao velório. Bernardo foi meu primeiro professor universitário, numa antiga disciplina chamada “Introdução à Psicologia”, quando entrei na PUC, em março de 1981. Alegre e criativo, era impossível não vibrar com suas aulas. Simplesmente apaixonante! Foi aí que teve início meu interesse pela área acadêmica. Mais tarde, descobri que Aroldo Rodrigues, seu mentor, e Octávio Leite, o meu, tinham muito em comum.

Tive oportunidade de interagir com Bernardo e sua equipe em alguns de seus projetos, realizando algumas análises estatísticas. Bernardo sempre teve grande admiração pela beleza da abordagem experimental e sua aplicação na psicologia. O seu livro “Psicologia Social”, em co-autoria com Aroldo, é um dos raros livros-texto adotados em praticamente todos os cursos de psicologia do país. Além de
pesquisador do CNPq, Bernardo transitava com grande competência no teatro e na televisão. A conjugação dessas diversas atividades trouxe, sem dúvida, grande visibilidade para o nosso Departamento.

É triste ter que dizer adeus aqui distante a um colega com quem tanto me identifiquei durante todos esses anos. As lembranças dos bons momentos que passamos juntos vão ajudar a preencher o vazio que ele deixa. Quero registrar meu profundo respeito e admiração por essa pessoa, que, por muito tempo, lutou de forma corajosa contra um câncer, sempre com bom humor, mas sem abrir mão da responsabilidade.

Valeu, Bernardo, foi um privilégio tê-lo conosco!!

Com todo carinho,
Landeira


Prof. Carlos Frederico Palmeira, Departamento de Matemática da PUC-Rio.

Bernardo, ator, psicólogo, professor, deixa boas lembranças. Seus livros, "A luta nas classes" e "O mestre contra-ataca", retratam com bastante humor essa relação, às vezes complicada, entre professores e alunos. Era curioso ligar a TV e ver um colega nesta outra atividade, tão diferente, mas também tão parecida.

Fica a lembrança e a saudade.

 

Bernardo Jablonski (1952-2011)

O professor Bernardo Jablonski, do Departamento de Psicologia da PUC-Rio, faleceu na manhã do dia 28 de outubro, aos 59 anos. Bernardo, que também era ator, roteirista e diretor, trabalhou em filmes como Tropa de Elite, interpretando um professor de Direito, e inúmeros programas na Rede Globo. Seu último trabalho foi como diretor da peça Queda Livre, ao lado de Fabiana Velor, em cartaz no Rio e como o personagem Aderbal, no programa Zorra Total, da TV Globo.

Bernardo era professor da PUC-Rio desde 1979, além de ter coordenado o curso de graduação por dois anos. Ele se destacou como pesquisador em áreas relacionadas à família e ao casamento e lançou livros como Até que a vida nos separe: a crise no casamento contemporâneo e Psicologia.

Segundo a Diretora do Departamento de Psicologia, professora Elizabeth Ribeiro, o professor tinha personalidade marcante e era muito querido pelos alunos e funcionários.

– Ele tinha uma relação muito afetuosa. O Bernardo era um professor muito engraçado, muito irônico e lidava bem com situações difíceis. Nunca vimos o Bernardo chateado, apesar de já estar num processo muito difícil da doença.

A reação dos alunos foi de muita tristeza e surpresa, pois as cirurgias eram constantes e, segundo a diretora, ele sempre voltava delas bem.

– Foi uma comoção enorme. Não suspendemos as aulas porque há uma orientação do departamento de não afastar as pessoas e sim de conversar. Ele era muito dedicado aos alunos e ao departamento – completou Elizabeth.

Em fevereiro de 2012, o professor completaria 14 anos de luta contra o câncer. Ele ficou quase um mês internado na Clínica São Vicente, na Gávea. O corpo foi velado no teatro Tablado, Lagoa.

Luisa Paciullo
Publicado no Jornal da PUC no.250, de 28/11/2011
Projeto Comunicar

Clarice Maria Abdalla Carneiro de Rezende (1961 - 2009) _

Sinônimo de competência, profissionalismo e dedicação, Clarice Abdalla morreu no dia 04/02/2009, aos 47 anos, devido a um infarto fulminante. Amigos, parentes e colegas de trabalho se reuniram na manhã de quinta-feira, na capela sete do cemitério São João Batista, em Botafogo, para prestar uma última homenagem à assessora de imprensa da PUC-Rio. A missa de corpo presente foi celebrada pelo reitor Padre Jesus Hortal, S.J., que ficou emocionado ao relembrar Clarice:

- Sentiremos o vácuo, a falta do bem que ela fez. Ela viverá na presença de nossa fé e em nossa lembrança. Nunca a vi de cara fechada, estava sempre sorridente e disposta a ajudar todos em sua caminhada. Sua obra não pode ser interrompida, não podemos deixar cair por terra tudo o que ela fez.

Como coordenadora dos núcleos de Assessoria de Imprensa, Rádio e Internet do Projeto Comunicar e professora do Departamento de Comunicação Social, Clarice era conhecida por ter um cuidado especial com seus estagiários.

- Ela nunca fez segredo de nada, sempre dava dicas para os alunos e isso os deixava confiantes. Com espírito leve e inovador, ficava orgulhosa quando os via bem colocados no mercado de trabalho. Essa é uma qualidade de professor, que requer não só conhecimento, mas um jeito especial de conduzir a vida profissional – lembra o professor Miguel Pereira, coordenador do Programa de Pós-graduação em Comunicação Social.

Para Fernando Ferreira, coordenador geral e um dos criadores do Comunicar, Clarice aliava competência e lealdade, de uma maneira dinâmica e disciplinada. Ela estava sempre em busca de novos meios de comunicação para atuar.

Orientador de Clarice no doutorado sobre Alceu Amoroso Lima, que ela fazia na PUC-Rio, Gilberto Mendonça Teles lembrou que era uma pessoa em quem se podia confiar. Também destacou o fato de que se dedicava integralmente a todos os seus projetos. Gilberto ainda relembrou os e-mails que trocavam, pelo menos duas vezes por semana, e os papos do cafezinho.

- Ela era única e deixou, repentinamente, um vazio difícil de preencher. É uma perda irreparável.

A lembrança de Clarice Abdalla como uma boa amiga também foi mencionada pelo cineasta e professor da PUC-Rio Sílvio Tendler. Ele ressaltou o entusiasmo que ela tinha com sua profissão e contou ter sofrido três perdas: a de uma aluna, a de uma amiga e a de uma colega de trabalho. A mesma paixão pela comunicação foi realçada pelo Pe. Marcos William, Vigário Episcopal para Comunicação Social da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

- Ela significava a própria comunicação e representou o elo entre a PUC-Rio e a Arquidiocese. Fez um belo trabalho, foi às bases e às comunidades. Almejamos olhar para frente e seguir seus conselhos, que criou o Portal da Arquidiocese. Espero que os alunos se espelhem em seu exemplo: fazer comunicação a serviço do povo.

Thiago Camara, ex-aluno da PUC-Rio e um dos integrantes do projeto, lembra que Clarice sempre o incentivou na carreira e na vida.

- O Portal é fruto do empenho dela. Ela incentivou a Arquidiocese a investir na comunicação. Desejo continuar seu legado, na comunicação e na evangelização.

Clarice começou sua carreira como produtora na rádio Jornal do Brasil. Ela fez parte do primeiro programa jornalístico da FM do país, oPanorama Brasil, da rádio Panorama. Ângela de Rego Monteiro a conheceu na redação do jornal O Globo e conta que trocavam muitos telefonemas.

- Ela foi uma jornalista, uma amiga e uma professora exemplar.

Sandra Korman, coordenadora do curso de Comunicação Social da PUC-Rio, disse que são nesses momentos difíceis que devemos refletir sobre a brevidade da vida e não deixar nada para amanhã:

- Clarice foi uma das pessoas mais respeitosas que já conheci. Ela teve uma trajetória de luz e fez um trabalho excelente como professora e profissional.

Bruna Santamarina e Tatiana Carvalho
Portal PUC-Rio Digital

Adilson José Curtius (1945 - 2012) _

O Prof. Adilson José Curtius faleceu aos 67 anos, por complicações devido à leucemia. Foi professor da PUC-Rio e da UFRRJ até 1994. Atualmente era professor titular voluntário da Universidade Federal de Santa Catarina.

Era graduado em engenharia química pela UFRGS, mestre em engenharia química pela Lehigh University e doutor em química analítica inorgânica pela PUC-Rio com pós-doutorado na Alemanha em 1986. Sua área de especialização era a espectrometria atômica. Desenvolveu métodos analíticos para a determinação de elementos traço em amostras geológicas (águas, solos, sedimentos, minérios, minerais), biológicas (sangue, urina, cabelo) e industriais (combustíveis, efluentes, ligas). O Professor Adilson era pesquisador 1 A do CNPq e membro da Academia Brasileira de Ciências.

Segundo a Sociedade Brasileira de Química, o Prof. Adilson era “um dos mais queridos cientistas brasileiros da área de espectrometria atômica e deixa um grande vazio, uma enorme tristeza, e uma saudade que ficará para sempre, deste que é o pai da espectrometria de absorção atômica em forno de grafite no Brasil e o criador do Encontro Nacional de Química Analítica.”

Empreendedor, competente e capaz de iniciativas inovadoras, o professor Adilson deixa saudades na PUC-Rio, na comunidade científica e nos muitos mestres e doutores que formou.

Frei Antônio Moser (1941-2016) _

Doutor em Teologia, com especialização em Moral, pela Academia Alfonsianum, em Roma, Frei Antônio Moser iniciou seus estudos de Filosofia e Teologia em Petrópolis e cursou a licenciatura em Teologia em Lyon, França. Durante 10 anos lecionou Teologia Patrística. (ex-professor do Departamento de Teologia) (+ 9 de março de 2016)

Na PUC-Rio, lecionou na graduação e na pós-graduação, e foi também professor convidado na Universidade Católica de Lisboa e na Universidade de Berkeley, na Califórnia. Autor de 25 livros, vários deles traduzidos, coautor e colaborador de vários outros, publicou inúmeros artigos para revistas nacionais e internacionais. Conferencista no Brasil e no exterior, são várias as pesquisas feitas sobre o seu trabalho e seus escritos envolvendo temas da teologia moral e ética da libertação.

Frei Antônio Moser construiu quinze comunidades de fé na Baixada Fluminense e em Petrópolis, Rio de Janeiro. Dentre elas, merecem destaque a Comunidade Menino Jesus de Praga e a Paróquia de Santa Clara. Foi Diretor-Presidente da Editora Vozes, professor de Teologia Moral e Bioética no Instituto Teológico Franciscano (ITF), em Petrópolis e pároco da Igreja de Santa Clara.

O Reitor Prof. Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J. enviou a seguinte nota à Comunidade Universitária:

Recebemos com tristeza a morte violenta de nosso teólogo e ex-professor do Departamento de Teologia da PUC-Rio, Frei Antônio Moser, este franciscano tão querido de todos nós, tanto por sua grande contribuição na reflexão teológica, como pelas suas qualidades humanas reconhecidas por todos os que tiveram o privilégio de conviver com ele. No momento em que precisamos tanto de pessoas que contribuam para uma sociedade mais justa e fraterna, a violência nos tira do convívio esta pessoa humana que sempre procurou defender os pobres e a ética do meio ambiente. Na certeza que toda a sua vida e obra ficará como um legado para a Igreja e para o mundo acadêmico, peçamos ao Senhor Deus que o receba no seu Reino, onde certamente estar intercedendo por todos que acreditam que a reconciliação possa vencer os conflitos e a paz supere a violência.

A Professora Margarida de Souza Neves, Coordenadora do Núcleo de Memória da PUC-Rio, assim comentou sobre mais essa perda causada pela violência que pune a todos:

Acho que são poucos os professores de hoje e de tempos passados cuja presença, a palavra e a atuação fossem tão opostas a qualquer tipo de violência ou desrespeito ao outro.  Lembro dele firme, corajoso e com opiniões inequívocas, mas sempre próximo, discreto e compreensivo.  A violência é sempre absurda, mas esse absurdo fica mais evidente quando atinge a alguém perto de nós, e alguém cuja vida esteve a serviço da ética, da solidariedade e dos mais pobres. 

Claudia Miranda (1967-2014) _

Professora da PUC-Rio desde 2004, Claudia Miranda era arquiteta e urbanista formada pela FAU/UFRJ, em 1991, com mestrado em Desenho Urbano pelo PROURB/UFRJ. Trabalhou nos escritórios LPC e Azul antes de fundar a MIRA Arquitetura, em 2000. Também lecionou na Escola de Design de Interiores da Universidade Cândido Mendes entre 1999 e 2007, e na FAU-UFRJ, entre 1994 e 1998. Foi membro do júri e vice-diretora Cultural do IAB/RJ em 1999.

Teve trabalhos publicados nas revistas Projeto, Casa Vogue, Casa Claudia, Finestra, Abitare, nos Catálogos da Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo e no Jornal O Globo. Recebeu os prêmios DECA – banheiro comercial em 2011 e do Concurso Morar Carioca em 2010.

Professora e Supervisora de Projeto IV do Curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio, Claudia Miranda foi “uma arquiteta completa, que procurou expandir o seu talento em todas as áreas, de projetos residenciais, comerciais e corporativos e, até mesmo, ensinando a arte da arquitetura na UFRJ, na PUC-Rio e na Universidade Cândido Mendes”, conforme assinala o site do IAB/RJ.

(Curso de Arquitetura e Urbanismo) (+13 de abril de 2014)

Helder Pessoa Camara (1909 - 1999) _

O Padre Helder Camara foi professor da PUC-Rio entre 1942 e 1963, e em 1991 recebeu o título de doutor Honoris Causa da Universidade.

A PUC-Rio desenvolveu um site para as comemorações do centenário de Dom Helder, em 2009.

Alceu Amoroso Lima (1893 - 1983) _

Os caminhos de Alceu Amoroso Lima

Crônica publicada no Jornal da PUC em 18/05/2012, Edição 255.

Ao percorrermos a documentação sobre o campus encontramos referências a Alceu Amoroso Lima em dois espaços físicos, ambos significativos se relacionados à sua trajetória pessoal e aos caminhos da memória inscritos na toponímia da Universidade. Um deles é a alameda central da Vila dos Diretórios. O outro, a pequena praça em frente à casa da Editora e da Agência PUC-Rio, ao lado da DAR.

Alceu Amoroso Lima foi um dos fundadores da PUC-Rio e professor titular de Literatura Brasileira até sua aposentadoria em 1963. Sua ligação com a Universidade decorre de sua liderança como intelectual católico desde os anos 1920 e de sua proximidade com o Pe. Leonel Franca S.J., primeiro reitor da PUC-Rio. Ambos atuaram na criação do Instituto Católico de Estudos Superiores em 1932 e, em 1940, foram indicados pelo Cardeal Leme para coordenar a comissão que elaborou o projeto das Faculdades Católicas.

Após a morte do Cardeal Leme em 1942, Alceu aos poucos afastou-se da atuação direta em entidades católicas, mas continuou a ser uma referência para o laicato católico brasileiro. Nessa condição, participou do Concílio Vaticano II, iniciado em 1962, e identificou-se com a atualização proposta pelo Papa João XXIII e pelos documentos do Concílio.

Nas colunas que, desde a juventude, publicou em diversos jornais, Alceu utilizava o pseudônimo Tristão de Athayde. Nelas tornou-se, nos anos de ditadura militar, voz e referência para os movimentos de resistência. Os universitários viam nele um interlocutor, e foi numerosas vezes escolhido para ser patrono de formandos na PUC-Rio e em universidades de todo o Brasil.

A iniciativa de homenagear Alceu dando seu nome a um dos espaços da PUC-Rio veio no contexto do primeiro projeto Memória da PUC-Rio, em 1986, e concretizou-se em julho de 1987. Explicitada em texto do então Reitor Pe. Laércio Dias de Moura S.J., implicava em “erigir marcos indeléveis” em reconhecimento a pessoas importantes na história da Universidade. O nome de Alceu Amoroso Lima foi dado “a uma das vias principais” do campus.

A Praça Alceu Amoroso Lima foi nomeada em 2002, mas não está registrada em nenhum dos mapas do campus a que tivemos acesso. Ver o nome de Alceu no endereço da Editora PUC-Rio parece acertado, dada a sua caudalosa produção literária.

Mesmo a alameda da Vila dos Diretórios só aparece com o nome de Alceu Amoroso Lima em um mapa produzido por ocasião da homenagem em 1987. Ao procurarmos hoje no campus a identificação na Vila dos Diretórios nos deparamos com uma placa em que se lê “Alameda Dra. Regina Feigl”, outra homenageada na mesma ocasião. Nos documentos do acervo da Reitoria, no entanto, a alameda Regina Feigl consta como a da entrada pela rua Marquês de São Vicente, na qual não há placa de identificação. 

Professor por longos anos da PUC-Rio e um de seus fundadores, Alceu Amoroso Lima empresta ainda seu nome à medalha que traz sua efígie e que desde 1993 a Universidade outorga aos que se destacam em sua atuação em defesa da ética e da cultura. E cabe lembrar que a revista acadêmica publicada pelo Departamento de Comunicação intitula-se Alceu.

Nomear a alameda da Vila dos Diretórios é adequado ao espírito inquieto, público e conectado com o seu tempo do Dr. Alceu. Nas palavras do Pe. Laércio no evento que marcou a nomeação deste espaço, Alceu “Estará assim vivo entre os alunos, no meio do burburinho de suas atividades”. 

Clóvis Gorgônio
Núcleo de Memória da PUC-Rio

Renata Cantanhede Amarantes (1970 - 2012) _

A Profa. Renata lecionava no Departamento de Comunicação Social e era subeditora do Núcleo de Jornalismo Impresso do Projeto Comunicar. Sua morte prematura e imprevista chocou colegas e alunos. Entre as muitas manifestações de pesar recebidas, o Núcleo de Memória selecionou a bela carta aberta enviada pelos ex-estagiários do Projeto Comunicar que trabalharam com ela.

“Carta aberta dos ex-estagiários

“A cena era relativamente comum: algum dos estagiários havia conseguido uma vaga em outro lugar 'lá fora' e ia se despedir do Jornal da PUC. Todos nós abraçávamos quem ia embora, genuinamente felizes por mais um passo alcançado na carreira do colega iniciante. É inevitável: o mercado costuma absorver com gosto quem passou pelo Projeto Comunicar. Quando esse estagiário resolvia dar tchau às chefes, abraçava uma emocionada Renata Cantanhede, que - não raro - estava com os olhos cheios de água.

“Logo a durona da Renata? Aquela que é tão rígida na hora de cobrar e de exigir o melhor de seus alunos e estagiários? Sim. Ela exigia porque sabia que seríamos capazes de fazer. E se não conseguíssemos, ela vinha para o nosso lado e nos fazia ser capazes. Explicava quantas vezes fossem necessárias. Nunca como chefe, sempre como professora. Aliás, gabaritada professora. Daquelas que explicam o porquê da regra gramatical como uma gramática falante, coisas que só uma Doutora em Letras poderia fazer.

“Muitas vezes ela também foi amiga. Sempre que o trabalho permitia, sentava conosco para rir e fazer piadas. E nas férias escolares, quando o ritmo é bem mais leve, disputava (e quase sempre vencia) as animadas partidas de ‘Perfil’ e ‘Stop’ que a gente organizava.

“As histórias, sua paixão, não ficavam só nos livros que lia e escrevia. Depois do lanche da tarde, chegava manso na redação com sua Coca-Cola e o típico olhar de Renata. Desconfiada e interessada, doida para saber o que os estagiários estavam aprontando. Antes de voltar às notinhas do PUC Urgente, havia tempo para o plágio que descobriu no último trabalho que passou em aula e a desculpa cara de pau do aluno fulano. O fulano, apesar de nossa insistência e para tristeza de todos, nunca tinha o nome revelado.

“Nossas experiências do Jornal da PUC vão nos marcar para sempre. E é indiscutível que as lições da Renata foram fundamentais para isso. Das reuniões de pauta às aulas de português. Na família Comunicar, a Renata era uma irmã mais velha. Jovem há mais tempo, tinha a expertise para nos ensinar os atalhos e ajudar a prevenir os erros. Quando entramos pela porta cinza do 4º andar pela primeira vez, estávamos crus. Saímos preparados para enfrentar os desafios que o mundo real nos apresentava. Talvez fosse essa mudança que a deixasse tão emocionada com a despedida. E agora, que dizemos adeus, nos emocionamos também. Afinal, nos damos conta que para toda nossa vida pessoal e profissional carregaremos um pouco da Renata conosco.”.

Elias Kallás (1936-2016) _

Sociólogo e Administrador Público formado pela Universidade Federal de Minas Gerais e pós-graduado em Sociologia do Trabalho pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, o Prof. Elias Kallás obteve todos os créditos do Programa de Mestrado em Sociologia das Relações Internacionais da PUC-Rio, e do Programa de Doutorado em Administração, Educação e Comunicação, da Universidade São Marcos, de São Paulo. (Ex-Vice-Reitor Administrativo e de Desenvolvimento) (+ 5 de abril de 2016) 

Com diversos cursos de especialização em estudos de alta gerência, realizados no Brasil e no Exterior, foi Vice-Reitor de Desenvolvimento da PUC-Rio além de Diretor Executivo Adjunto da Fundação Nacional Pró-Memória, do Ministério da Cultura; Executor, pelo lado brasileiro, do Projeto de Cooperação Técnica Internacional para a Consolidação do Pólo Tecnológico de Santa Rita do Sapucaí; Secretário Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, nos municípios de Pouso Alegre e Santa Rita do Sapucaí, MG; Membro do Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia do Governo do Estado de Minas Gerais, CONECIT; Presidente do Conselho de Desenvolvimento do Pólo Tecnológico de Santa Rita do Sapucaí e Vice-Presidente do Fórum Permanente da Rota Tecnológica do Sul de Minas Gerais.

Ao longo da carreira, Kallás foi professor do Centro de Ensino Superior em Gestão, Tecnologia e Educação, do Instituto Nacional de Telecomunicações, e da Universidade do Vale do Sapucaí. Além disso, foi diretor da IBM e secretário municipal de Ciência e Tecnologia entre 2005 e 2008. O Prof. Kallás faleceu aos 80 anos, na cidade de Pouso Alegre, Minas Gerais.

Alberto de Carvalho Peixoto de Azevedo (1933-2014) _

Graduado em Engenharia pelo ITA (1955), estudou no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e concluiu seu mestrado em Matemática em Harvard (1962). O doutorado em Matemática foi concluído em 1967 na Purdue University, EUA, sob orientação de Zariski e Abhyankar, e o pós-doutorado concluído em 1976 na Universität Erlangen-Nuremberg.

Após o doutorado, Alberto de Azevedo veio para a PUC-Rio na qual foi um dos fundadores do Departamento de Matemática, e onde foi diretor e coordenador da pós-graduação.

Teve atuação marcante no IMPA e no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Fez parte da primeira diretoria da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), de 1969 a 1971. Lá foi membro do Conselho Diretor por duas vezes e membro do Conselho Fiscal de 1980 a 1990. Era Membro da Academia Brasileira de Ciência desde 1971.

Em 2004, foi condecorado pelo governo brasileiro com a Ordem Nacional do Mérito Científico, na classe de Comendador.

(Departamento de Matemática) (+27 de junho de 2014)

Emanuel Bouzon (1933 - 2006) _

(* 08/01/1933, Manaus/AM; + 27/03/2006, Rio de Janeiro)

Estudou Filosofia na PUC-Rio, onde graduou-se em 1954. Cursou Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, Roma, ordenando-se padre em 1958. Estudou Ciências Bíblicas no Pontifício Instituto Bíblico, Roma, e Ciências Orientais no Instituto Oriental de Roma e especializou-se em Assiriologia, Egiptologia, Semitistica e História Antiga na Westfälische Wilhelms-Universität de Münster, Alemanha. Em 1988 concluiu o Pós-Doutorado. Foi um dos fundadores do Departamento de Teologia da PUC-Rio, universidade onde trabalhou por mais de quarenta anos. Foi, também, um dos tradutores da Bíblia de Jerusalém para o português.

 

Junito de Souza Brandão (1924 - 1995) _

As virtudes do Professor Junito Brandão

Crônica publicada no Jornal da PUC em 26/11/2012, Edição 264.

Na mitologia grega as virtudes dos heróis são definidas por conceitos que, entre outros significados, expressam qualidades, sabedoria, fraternidade e moral. A palavra aretê é a virtude da força e da coragem, logos é um conceito que remete à razão, linguagem e justa medida, e métis é uma forma de inteligência e sabedoria.

Nas salas de aula da PUC-Rio um professor destacou-se por suas virtudes, sabedoria e a justa medida para ensinar, desenvolver pesquisas e dedicar-se à publicação dos seus estudos sobre a cultura clássica. Nas palavras de Miriam Sutter, sua ex-aluna e atual professora da Universidade, Junito Brandão era um “amigo sábio e generoso”.

Junito de Souza Brandão (1924-1995) concluiu em 1948 o bacharelado em Letras Clássicas nas Faculdades Católicas e em seguida cursou Arqueologia, Epigrafia e História da Grécia na Universidade de Atenas. Lecionou na Faculdade de Filosofia e posteriormente no Departamento de Letras. Membro da Academia Brasileira de Filologia, publicou dicionários etimológicos, obras didáticas e livros sobre a cultura clássica. Sua biblioteca particular foi doada para a PUC-Rio e integra o acervo da Biblioteca Central.

No livro “Teatro Grego: origem e evolução”, publicado em 1980, Junito Brandão assinala que o teatro na Grécia “embriagou-se do belo para celebrar o homem”. Em 2006 a PUC-Rio inaugurou em sua homenagem no bosque do campus da Gávea o Espaço Cultural Professor Junito Brandão, um anfiteatro palco de encontros, debates e eventos multiculturais. De shows a peças de teatro, de oficinas a local para o diálogo, por cumprir funções análogas às do teatro grego, esse anfiteatro é lugar privilegiado da contemplação e da experiência, e lembra, através da palavra, “a presença de uma ausência”.

Eduardo Gonçalves
Pesquisador do Núcleo de Memória da PUC-Rio.

Klaus Paul Ernest Wagener (1930 - 2012) _

O Prof. Wagener foi, por longos anos, um dos artífices do Departamento de Química. Dele escreveu o Prof. Pércio Augusto Mardini Farias, seu colega de Departamento:

“Faleceu [...] o pesquisador Biofísico Alemão-Brasileiro, Professor Dr. Klaus Paul Ernest Wagener. O professor Klaus Wagener titulou-se em Física e Físico-Química pela Universidade de Goettingen na Alemanha. Foi pesquisador e chefe do laboratório de Química de Isotopos no Hahn-Meitner Institut em Berlim. Em 1968 tornou-se Diretor do Instituto de Físico Química do Centro de Pesquisas Nucleares (KFA) em Juelich e em 1969 Professor Titular de Biofísica da Universidade Tecnológica de Aachen. Em 1971 fez parte da missão diplomática alemã que visitou o Brasil. Posteriormente se transferiu para o Brasil e por 16 anos até 1999 quando se aposentou foi professor pesquisador do Departamento de Química da PUC-Rio.

“O Dr. Klaus foi um grande colaborador, apreciador e amigo do Pe. Leopoldo Hainberger S.J., fundador do Departamento de Química da PUC-Rio. O Dr. Klaus foi um dos primeiros orientadores do programa de Doutorado da pós-graduação do Departamento de Química da PUC-Rio. Foi o orientador do Dr. Henrique Antonio de Salles Andrade, com uma tese de doutorado sobre a poluição e seus efeitos na Lagoa Rodrigo de Freitas do Rio de Janeiro. Na época um importante jornal carioca publicou estes resultados com o comentário ‘Uma solução para a Lagoa Rodrigo de Freitas, sem aterro’. Esta tese é considerada uma das primeiras do Departamento de Química e também do Centro Técnico Científico da PUC-Rio.

“O Dr. Klaus foi também o orientador de vários químicos analíticos que se projetaram nacionalmente e internacionalmente, entre eles, o Prof. Dr. Adilson José Curtius e a Profa. Dra. Angela de Luca Rebello Wagener, atual Diretora do Departamento de Química, e sua esposa. O casal Klaus e Angela, ambos, professores Titulares do Departamento de Química, contribuíram fortemente para o desenvolvimento e a consolidação em alto nível da Química Analítica do Meio Ambiente no Brasil. Uma das patentes do Dr. Klaus, foi à criação de um ‘Sistema de agitação de fluxo vertical e baixo consumo de energia aplicada em fotobiorreatores para produção industrial de micro algas’.

“O Dr. Klaus sempre dizia que um bom pesquisador precisa de muita imaginação, fantasias e muita cultura, e assim procurava incentivar os novos doutores com temas da Termodinâmica na Físico-Química como ‘O Curso do Tempo é Reversível?’. Um tema onde o Curso Histórico da Ciência tinha um papel central. Infelizmente a Comunidade Científica e a Sociedade Alemã e Brasileira perde um grande Cientista, mas o seu legado de conhecimento já se encontra nas novas gerações de Cientistas Brasileiros.”

Francisco de Paula Sattamini Flarys (1922-2016) _

O Prof. Flarys começou sua carreira na PUC-Rio em 1953. Foi diretor da Escola Politécnica (EPUC) e do Instituto Tecnológico da PUC-Rio (ITUC) nos anos 1960. Engenheiro eletricista, formado pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), em 1951, e coronel da reserva do Exército, fez cursos de Engenharia Elétrica, na Universidade de Stanford (1956), e de Física, na Universidade de Pittsburgh (1967). (Departamento de Engenharia Elétrica) (+ 17 de maio de 2016)

No IME desde 1952, foi chefe da Seção de Medidas Elétricas da Divisão de Eletricidade e professor das cadeiras de Produção de Energia Elétrica, Máquinas Elétricas e Controles, entre 1957 e 1961. Na PUC-Rio, ensinou Complementos de Física, no curso de Matemática da Faculdade de Filosofia, e Física, Eletrotécnica, Máquinas Elétricas, e Técnica de Alta Tensão.

O atual Decano do CTC, Prof. Luiz da Silva Mello homenageou o professor, lembrando a todos em nota a sua importância para o Departamento de Engenharia Elétrica, o CTC e a PUC-Rio, Em sua atuação como professor e decano do CTC.

Sônia de Camargo (1928-2014) _

A Professora Emérita Sonia de Camargo foi fundamental para a implantação do curso de graduação em Relações Internacionais da PUC-Rio, primeiro do Brasil em sua área. Cientista política, fez graduação em Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (1964), mestrado em Ciência Política na Faculdad Latinoamericana de Ciencias Sociales (1972), doutorado em Ciência Política na Universidade de São Paulo (1981) e pós-doutorado na Asociación de Investigación y Especializacón En Temas Iberoamericanos (1990).

Professora da PUC-Rio desde 1977, a sua trajetória se mescla com a do Instituto de Relações Internacionais (IRI), criado em 1979, do qual foi diretora em duas oportunidades. Sonia de Camargo implementou também o doutorado em Relações Internacionais, pioneiro no país, e deixou a sua marca no nível de excelência alcançado pelo IRI, considerado um dos melhores do Brasil.

Em agosto de 2012, a professora foi homenageada com o fotolivro Sonia de Camargo e a PUC-Rio, desenvolvido pela equipe do Decanato do Centro de Ciências Sociais com imagens, fotos e depoimentos de amigos e companheiros da Universidade. Na ocasião, o Reitor Professor Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J. expressou o grande orgulho de tê-la na Universidade:

O apreço e o amor que tem por esta casa sempre acompanhou sua trajetória. Com uma semente pequena, Sônia apostou no trabalho e, determinada, fez com que a semente crescesse e virasse uma árvore grande com muitos frutos. Só tenho a agradecer por sua dedicação.

(Departamento Instituto de Relações Internacionais) (+23 de julho de 2014)

Laércio Dias de Moura S.J. (1918 - 2012) _

O Padre Laércio faleceu no dia 18/04/2012, na Casa de Saúde da Companhia de Jesus em Belo Horizonte. Pe. Laércio foi Reitor da PUC-Rio de 1962 a 1970 e de 1982 a 1995.

Uma visita ao site dos 70 anos da PUC-Rio permite saber mais sobre ele e sobre o muito que fez para que hoje possamos ser o que somos.

O Núcleo de Memória da PUC-Rio tem eu seu acervo dois vídeos da comemoração, no ano de 1995, dos 50 anos de Companhia de Jesus do Pe. Laércio. Essa comemoração ocorreu no dia 01/02/1995.  

Rever esses vídeos agora é uma das maneiras de agradecer pelo muito que o Pe. Laércio fez pela PUC-Rio. É também uma forma de reviver um pouco daqueles tempos ao rever alguns de nós quase duas décadas mais jovens.  E, principalmente, é uma maneira de fazer ainda mais viva a lembrança do Pe. Laércio, e a de tantos outros que aparecem na filmagem e já não estão entre nós.

Para ver o Pe. Laércio contar, com seu humor mineiro característico, um pouco da vida dele, clique neste link (aproximadamente 10 minutos).

Para ver o vídeo da festa de comemoração, na antiga residência dos padres jesuítas da PUC-Rio, onde hoje é o Edifício Pe. Leonel Franca, clique neste link (aproximadamente 17 minutos).

As filmagens foram feitas por Antônio Albuquerque, por tantos anos fotógrafo da PUC-Rio e hoje membro da equipe do Núcleo de Memória.

Clique aqui para ver o obituário publicado no jornal O Globo de 25/04/2012.

Homilia do Prof. Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J., Reitor da PUC-Rio, na missa de 7º dia celebrada na Igreja do Sagrado Coração em memória do Pe. Laércio Dias de Moura S.J., ex-Reitor da PUC-Rio, no dia 25 de abril de 2012:

A Inesquecível Memória de um Grande Reitor

Depois de galgar os degraus da terrenalidade da existência, deixando rastros de seu amor e dedicação ao sacerdócio e à missão de 21 anos como reitor da PUC-Rio, partiu aos 93 anos de idade, em direção à eternidade, o nosso querido, estimado e inesquecível Pe. Laércio Dias de Moura SJ.

Plasmado pelas suas origens mineiras que lhe deram as habilidades para lidar politicamente com situações adversas, encontrando sempre saídas inteligentes e diplomáticas, agregando mais tarde a sua formação profissional em direito que lhe permitiu conhecer os meandros e os fundamentos do espírito das leis, Pe. Laércio teve o mérito de consagrar a sua vida à Companhia de Jesus, embebendo-a de uma formação humanística capaz de compreender as inquietações do ser humano e os desafios da sociedade. Reunir o ser mineiro, o ser advogado e o ser jesuíta, é um privilégio de poucos, sobretudo quando esta tríade é voltada para o desejo desinteressado de amar, servir e fazer o bem.

Na sua vida longeva de Reitor da PUC-Rio, depois de ocupar o cargo de Secretário Geral e Vice Reitor, Pe. Laércio experimentou concretamente as moções de consolação e desolação que estão nosExercícios Espirituais de Santo Inácio. Consolação no primeiro mandato de 8 anos como reitor (1962-1970), quando as circunstâncias externas,  o seu entusiasmo juvenil e o apoio da sociedade possibilitaram a criação de várias mediações que ainda hoje estão presentes em nossa instituição, como a reforma universitária que uniu os departamentos em centros; a criação das vice-reitorias; a reforma dos estatutos para adequá-los à Lei de Diretrizes e Bases; a criação da DAR, do RDC, do CETUC e dos primeiros cursos de pós-graduação; a inauguração dos edifícios Kennedy e Frings etc. Por outro lado, no seu segundo mandato de 11 anos como reitor (1982-1995) as desolações apareceram, condicionadas sobretudo pelas circunstâncias externas. Nesse período enfrentou agitações sociais e problemas econômicos que certamente não foram fáceis de serem administrados. Como nos períodos de desolação temos que buscar os mananciais acumulados no tempo da consolação, Pe. Laércio manteve o entusiasmo, a força interior e as habilidades humanas ao manter o espírito criativo e inovador. Embora enfrentando os problemas do dia-dia, continuou renovando e criando estruturas acadêmicas que até hoje prestam um serviço relevante à nossa Universidade, como a Fundação Padre Leonel Franca, o TecGraf, o Projeto Comunicar, o Neam, o Noap, o Centro Loyola, entre outros.

Embora mergulhado nas preocupações e buscas de soluções dos problemas da PUC-Rio, Pe. Laércio foi também um homem que encarnou o espírito do lema inscrito em nosso brasão institucional `Allis grave nil`, pois possuía asas para voar mais alto nos desafios da sociedade. Seu mérito e reconhecimento é notório nos inúmeros conselhos em que participou, como o Conselho dos Reitores do Brasil, os Conselhos Federal e Estadual de Educação, o Conselho do Plano Estratégico do Rio de Janeiro etc.

No entanto, os méritos do Pe. Laércio não consistem apenas na sua figura como reitor, mas também em sua vida como religioso e em seu pensamento humanístico. Nos seus livros, A dignidade da pessoa e os direitos humanos, A educação católica no Brasil e Construindo a cidadania, Pe. Laércio deixa claras as suas ideias sobre a ética do bem comum; sobre a importância da criação do Clube do Cidadão onde, no convívio cotidiano, as pessoas possam discutir e refletir sobre os problemas da sociedade moderna; sobre a importância da Declaração dos Direitos Humanos no século XX, sobre a integração da terceira idade na Universidade e a crítica que ele faz sobre a concepção das escolas como meras transmissoras das ciências e não como despertadoras das virtualidades humanas, além da falta de uma visão mais interdisciplinar que vai além do processo de disciplinas desconectadas. Certamente esta última visão profética foi inspiradora para os avanços que hoje temos da interdisciplinaridade na PUC-Rio.

Finalmente gostaríamos de sublinhar também a figura religiosa do Pe.Laércio, que sempre foi estimada e exaltada na Igreja e na Companhia de Jesus. Enumero apenas os seguintes traços:

1. Homem de oração e discernimento, fiel aos princípios e valores da fé, imbuído de um amor profundo por Cristo, pela Igreja e pela Companhia de Jesus.

2. Homem de disponibilidade, aberto para a missão e dotado de um desejo profundo de fazer o bem, na busca permanente do conhecimento da verdade suprema.

3. Homem interiormente maduro que soube abrir caminhos para outros e distanciar-se da missão na Universidade aos 76 anos, quando percebeu as fronteiras dos limites biológicos, recolhendo-se na vida comunitária para se dedicar à reflexão e a uma vida mais intensa de oração e meditação.

4. Homem que procurou viver até o final da existência a sublime arte de saber envelhecer, com aceitação, serenidade, sem murmurações e reclamações.

Por tudo isso, peçamos ao Senhor que lhe conceda o merecido descanso eterno numa das moradas dignas que certamente são reservadas para aqueles que foram fieis aos princípios e valores do Reino de Deus. Que diante de Deus o Pe. Laércio possa continuar intercedendo pela PUC-Rio, esta obra apostólica que ele tanto amou e dedicou durante a sua vida.

Pe. Josafá Carlos de Siqueira SJ
Reitor da PUC-Rio
25 de abril de 2012

Alguns amigos da PUC-Rio compartilharam as mensagens publicadas a seguir.

"Lamento comunicar que ontem, 18 de abril, de manhã, faleceu na Casa de Saúde da Companhia de Jesus em Belo Horizonte o Pe. Laércio Dias de Moura, S.J., que foi Reitor da PUC-Rio de 1962 a 1970 e de 1982 a 1995. No próximo dia 23 de abril faria 94 anos. Que descanse em paz e que Deus o acolha na sua glória!"
Pe. Francisco Ivern Simó, S.J.
Reitor em exercício

"Fiquei muito triste com o falecimento do pe. Laércio, com quem tive o prazer de conviver. Tinha por ele uma grande estima e admiração. Doutor em Direito Internacional Público, que teve como orientador o francês Charles Rousseau, sua tese abordava a possibilidade/necessidade de um tribunal de direitos humanos, que somente viria a concretizar-se muitos anos depois. Também foi um dos poucos brasileiros que apresentou tese após o tradicional curso na Academia de Direito Internacional da Haia. Era um homem doce e elegante no trato com as pessoas e extremamente culto. Grande Reitor!
"Costumava brincar dizendo que ele era portador de três grandes virtudes: mineiro, advogado e jesuíta. Ele retrucava dizendo que isso era quase a divina trindade...
"Sua vida e sua obra garantem a glória na vida eterna."
Prof. Gustavo Sénéchal de Goffredo
Assessor Jurídico da Reitoria e professor do Departamento de Direito da PUC-Rio

"O Departamento de Direito, através dos seus professores, funcionários e alunos, declara-se enlutado pelo falecimento do querido pe. Laércio Dias de Moura, antigo Reitor da PUC-Rio e Professor do Departamento de Direito, apresentando seus sentimentos de condolência para a família entristecida e para a Companhia de Jesus que perde um excelente e notável integrante, conhecido pela lhaneza no trato pessoal e eficiência na administração."
Prof. Francisco de Guimaraens
Diretor do Departamento de Direito da PUC-Rio

"Prezados colegas
"Hoje às 18h daremos Graças a Deus pela vida do nosso Padre Laércio Dias de Moura, aquele que foi Reitor da PUC-Rio durante o maior número de anos, até nossos dias. Tendo trabalhado junto a ele durante vários anos quero falar-lhes, especialmente aos mais jovens, sobre sua ação entre nós.
"Figura modelar, como Doutor em Direito e como Jesuíta, administrador de visão clara quanto ao ambiente universitário que propiciaria alcançarmos a Meta de Excelência que vem sendo a constante na gestão da Companhia de Jesus, a quem foi entregue a direção da primeira Universidade Católica criada no Brasil, Padre Laércio ousou instalar na PUC-Rio a Reforma Universitária que serviu de inspiração para a Lei brasileira de 1988, em sua primeira gestão.
"Na segunda vez que exerceu a Reitoria, enfrentou com doçura e firmeza a grave crise socioeconômica da PUC, com a retirada do financiamento do CTC por um órgão federal, fato que partiu o corpo docente da nossa Universidade, afetando-a como um todo. Em meio a essa crise, nomeou uma Vice-Reitora para Assuntos Universitários que exerceu o cargo entre 1984 e 1988, tendo sido a única mulher a participar regularmente das Reuniões de Reitoria, até hoje, e que recebeu dele total apoio em medidas extremas que precisou tomar.
"Embora homem das leis, Pe. Laércio acreditava nas mudanças pessoais que levam a grandes alterações políticas, daí seu último sonho ter sido a multiplicação de Clubes do Cidadão, especialmente junto a comunidades que necessitavam de grandes mudanças políticas para a melhoria de suas condições de vida.
"Deus permita, que, junto a Ele, nosso Padre Reitor, possa continuar, sempre nos inspirando com o seu exemplo.
"Fraternalmente,"
Prof. Hedy Silva Ramos de Vasconcellos
Professora Emérita do Departamento de Educação da PUC-Rio

"É com grande pesar que não poderei prestar esta última homenagem ao querido Reitor,  Padre Laércio Dias de Moura, por ter um compromisso  com o projeto MTENC-FINEP  que foi  marcado no ano passado em João Pessoa, Paraíba. Como gostaria de comparecer!
"Seu excelente trabalho como Reitor e administrador na PUC-Rio foi observado nas oportunidades que participei como membro eleito no Conselho Universitário.
"Além de tudo, ele foi um dos primeiros no Brasil que sempre apoiava e acreditava nas pesquisas sobre Bambu, Solo, e fibras vegetais (MTENC) e me pediu que preparasse o projeto da Igreja da PUC-Rio feito com MTENC, o que cheguei a fazer. Mas as crises na PUC-Rio não nos deixaram realizar este projeto além de outros que foram planejados.
"Meus sentimentos de condolência pela perda de pessoa tão virtuosa e querida, a sua família, amigos e colegas e à Companhia de Jesus."
Prof. Khosrow Ghavami
Departamento de Engenharia Civil da PUC-Rio

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