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Título Código Dataordem crescente Descrição
Eneida do Rêgo Monteiro Bomfim (1925 - 2013) _

Morreu na noite do dia 08 de fevereiro a Profa. Eneida do Rêgo Monteiro Bomfim. Grande colaboradora da Administração Central da PUC-Rio e pesquisadora reconhecida na área de Letras, Eneida era, principalmente, um ser humano extraordinário.

Muito querida por colegas, funcionários e ex-alunos, a Profa. Eneida nos deixou nesse início de fevereiro e sua figura ao mesmo tempo doce e firme será sempre lembrada com carinho por todos os que tiveram o privilégio de trabalhar e conviver com ela.

Eneida era bacharel e licenciada em Letras Clássicas pela Universidade Santa Úrsula, mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Livre-docente em Língua portuguesa também pela PUC-Rio. Era Professora Emérita da PUC-Rio e, por muitos anos, atuou como professora do Departamento de Letras. Foi também por longos anos Decana do CTCH. Seus trabalhos em semântica e sintaxe e português arcaico fizeram dela uma pesquisadora reconhecida na área de Linguística Histórica.

Os inúmeros e-mails de professores e Departamentos de todos os Centros que circularam pela rede da PUC-Rio, alguns deles reproduzidos aqui, são testemunho do quanto Eneida era valorizada e querida pela comunidade acadêmica tanto por seu trabalho intelectual quanto por suas qualidades humanas e por sua capacidade de contribuir para o coletivo da PUC-Rio.

Nos últimos anos, já como Professora Emérita, Eneida se dedicava com entusiasmo a dar continuidade ao monumental Dicionário iniciado pelo Padre Magne.

Mensagens enviadas sobre a Profa. Eneida Bomfim:

"Prezados professores,
"Em nome do Departamento de Letras comunico com profundo pesar o falecimento da Professora Eneida do Rêgo Monteiro Bomfim.
"A vida profissional de Eneida foi com a PUC-Rio e ela era e continuará sendo a professora de todos como profissional e principalmente como exemplo de dedicação, seriedade, coerência ética e calor humano.
"Durante mais de uma década foi Decana do CTCH e como Professora Emérita prosseguiu pesquisando com a mesma dedicação e interesse exemplares. Neste momento de muita tristeza aqueles que tiveram a oportunidade de trabalhar junto a ela sentem orgulho e sabemos que sua história se expressará na vocação de todos.
"O Departamento de Letras se solidariza com os familiares neste momento difícil.”
Professor Karl Erik Schøllhammer
Diretor do Departamento de Letras

"Eneida foi uma das melhores e mais leais colaboradoras que tive, durante meus anos como Reitor. Sempre disposta, sempre alegre, sempre amiga.
"Professora de mão cheia e conciliadora por natureza. Verdadeiramente construtora da paz. Por isso, o melhor elogio é o da bem-aventurança correspondente: 'bem-aventurados os que constroem a paz, porque serão chamados filhos de Deus'.
"Que a filha de Deus descanse em paz!"
Professor Pe. Jesus Hortal Sanchez S.J.
Departamento de Teologia da PUC-Rio

"Prezados Professores
"Venho, em meu nome, e no de toda a Vice-Reitoria Acadêmica, manifestar profundos sentimentos e solidariedade aos familiares e amigos da Professora Eneida do Rêgo Monteiro Bomfim.
"Faço minhas as palavras dos colegas quanto à sua competência, caráter e dedicação à Universidade, alunos e professores, e à especial colaboração no âmbito do CTCH, em seus muitos anos de decania."
Professor José Ricardo Bergmann
Vice-Reitor Acadêmico da PUC-Rio

"Em meu nome e de todo o Centro de Teologia e Ciências Humanas, no qual a Professora Eneida do Rêgo Monteiro Bomfim exerceu destacada liderança, tendo sido, por largo período, estimada Decana, tanto por sua competência acadêmica e administrativa, quanto por sua delicadeza e atitudes éticas, apresento, neste momento de dor, a seus familiares, amigos e membros de nossa Universidade votos de condolências, unindo-nos a todos em oração."
Professor Paulo Fernando Carneiro de Andrade
Decano do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio

"Caríssimos
"Temos na nossa PUC pessoas doces, seres humanos excepcionais, mas poucos se igualam a nossa querida Eneida. Minha permanente força e equilíbrio nos anos que fomos companheiros nas reuniões de Reitoria.
"Com sua suavidade, sua candura, e por que não lembrar suas doces balinhas, que ajudavam a tranquilizar a todos nos momentos difíceis...
"Sua lembrança será, como Deus quer, eterna.
"Muitas saudades dessa pessoa maravilhosa."
Professor Luiz Roberto Cunha
Decano do Centro de Ciências Sociais da PUC-Rio

"Em nome do Centro Técnico Científico e em meu próprio, gostaria de expressar nosso pesar pelo falecimento da Professora Eneida do Rêgo Monteiro Bomfim, do Departamento de Letras. Eneida, com quem tive a oportunidade de trabalhar constantemente quando Decana do CTCH, além de extremamente competente era uma destas raras pessoas que conseguem combinar generosidade e delicadeza no trato pessoal com firmeza de princípios.
"Manifesto nossa solidariedade aos seus colegas e amigos da PUC-Rio e à sua família.”
Professor Luiz da Silva Mello
Decano do Centro Técnico-Científico da PUC-Rio

"Em meu nome e de toda a Coordenação Central de Pós-Graduação e Pesquisa, manifesto profundo pesar pela perda da excelente acadêmica, que tantos serviços prestou à PUC-Rio, da grande amiga e ser humano que foi a Professora Eneida, e solidariedade a seus familiares, em especial a sua filha Cristina, amigos e colegas."
Professor Paulo Cesar Duque Estrada
Coordenador Central de Pós-Graduação e Pesquisa

"Queridos amigos,
"Com muita tristeza e dor, comunico o falecimento na noite de hoje da nossa querida Eneida do Rêgo Monteiro Bomfim, Professora Emérita, ex-Decana do CTCH, pesquisadora exemplar e, principalmente, um dos melhores seres humanos que a PUC-Rio já conheceu. Saudade daquela que me recebeu de braços abertos no Departamento de Letras em 1982, e que foi uma das responsáveis por eu ter me tornado professor universitário."
Professor Júlio Diniz
Departamento de Letras

"Comparto seu pesar, Julinho, mesmo sabendo que sua vida foi apenas transformada."
Professora Eliana Yunes
Departamento de Letras

"Em nome de meus colegas do Departamento de Ciências Sociais faço coro às lindas palavras já escritas nesta lista sobre a colega Eneida, e que sua família encontre o conforto, na certeza de que ela já está em paz."
Professora Maria Sarah da Silva Telles
Diretora do Departamento de Ciências Socais

"Caros Colegas,
"Tive a oportunidade de conviver com Eneida muito proximamente durante a época em que ambas fomos decanas. Ser humano extraordinário, de uma generosidade ímpar, com quem muito aprendi.
"Deixo aqui o meu abraço carinhoso aos seus familiares, amigos e companheiros de PUC-Rio."
Professora Gisele Cittadino
Departamento de Direito

"Colegas e amigos,
"Não posso deixar de dar meu depoimento sobre o significado de Eneida em minha vida acadêmica.
"Minha primeira banca como doutor foi na UFRJ, de uma doutoranda orientada por Mônica Rector. Eneida estava na banca e me surpreendeu pela delicadeza e respeito de seus comentários, sobretudo o cuidado em acalmar a candidata naquele momento estressante, que todos conhecemos. Foi um exemplo para mim; marcou minha própria atitude em tantas outras bancas de que participei. Enquanto Decana, Eneida esteve especialmente atenta às necessidades do Departamento de Artes & Design, assistindo-nos,pari-passu, nos momentos da construção de nossa pós-graduação. Equipou boa parte da secretaria e disponibilizou-me, por exemplo, o computador em que hoje trabalho. Quando fui diretor do Departamento de Artes & Design, já não mais Decana, Eneida veio a mim oferecer sua colaboração para o que se fizesse necessário. Era um ser altruísta, exemplar!
"Querida Eneida, tenho grande orgulho em tê-la em minha jornada. Deus lhe tenha bem!"
Professor Luiz Antonio Luzio Coelho
Departamento de Artes & Design

"Queridos colegas e amigos,
"Expresso meu profundo pesar pelo falecimento de nossa querida Eneida.
"Amiga e conselheira em muitos momentos de minha carreira acadêmica. Incansável frente ao Decanato do CTCH, onde deixou uma marca de dedicação e competência.
"Que Deus lhe dê o descanso merecido.”
Professora Rita Maria de Souza Couto
Departamento de Artes & Design

“Querido Karl e colegas de Letras,
"Em meu nome pessoal e em nome do Núcleo de Memória quero manifestar nossa solidariedade e nosso pesar pela morte da Eneida.
"Todos nos lembramos dela com carinho e sabemos o quanto ela trabalhou pelo Departamento e pela PUC-Rio.
"Por favor, caso seja possível, transmita à família da Eneida nosso abraço cheio de carinho.”
Professora Margarida de Souza Neves e Núcleo de Memória da PUC-Rio

"Conheci a Professora Eneida, e manifesto os sentimentos aos familiares e desejo que o Senhor lhe conceda a recompensa dos justos.”
Professor Dom Paulo Cezar Costa
Departamento de Teologia

"É com pesar que recebemos a notícia da morte de Eneida. Unimo-nos a sua família e amigos na dor e na esperança da ressurreição."
Professora Maria Clara Bingemer
Departamento de Teologia

"Em meu nome e do Departamento de Educação manifesto meu carinho e pesar a toda sua família, em particular às filhas Inês e Cristina."
Professora Sonia Kramer
Diretora do Departamento de Educação

"Como diretora e coordenadora da Pós-Graduação em Educação nos anos 1990, venho manifestar a minha tristeza pela morte de Eneida. Foi uma pessoa extremamente compromissada com a excelência acadêmica de nossa universidade.
"Venho manifestar nossa solidariedade à família de nossa querida Eneida."
Professora Isabel Lelis
Departamento de Educação

"O Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem lamenta profundamente a perda da Professora Eneida – Professora Emérita, fundadora do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUC-Rio, para cujo crescimento e solidificação contribuiu enormemente como docente, pesquisadora e coordenadora, aliando sabedoria, solidariedade e generosidade com o ser humano. Ainda ativa no atual Programa de Estudos da Linguagem, deixa grande saudade entre colegas, funcionários e alunos. Que os valores que Eneida representa permaneçam orientando nossas ações."
Professora Letícia M. Sicuro Corrêa
Departamento de Letras

"Comunicamos por meio desta nosso pesar pelo falecimento da Professora Eneida. À família, amigos e colegas, os nossos melhores sentimentos."
Professor Welles Morgado
Diretor do Departamento de Física

"O Diretor do Departamento de Matemática, Professor Lorenzo J. Díaz, e o corpo docente do Departamento manifestam grande pesar pela perda da Professora Eneida do Rêgo Monteiro Bomfim, do Departamento de Letras."

"Mais uma vez cumpro a missão, como diretor do Departamento de Geografia, de enviar aos inúmeros amigos, ex-alunos, ex-colegas de trabalho e a todas as pessoas que tiveram a sorte de passar pela vida da Professora Eneida o nosso pesar pela perda de mais uma pessoa fundante da memória da PUC-Rio."
Professor Augusto César Pinheiro da Silva
Diretor do Departamento de Geografia

"Em nome do Departamento de Psicologia, expresso sinceros votos de pesar pelo falecimento da inesquecível Professora Eneida."
Professor J. Landeira-Fernandez
Diretor do Departamento de Psicologia

Hilton Ferreira Japiassu (1934-2015) _

Hilton Ferreira Japiassu nasceu em Carolina, no Maranhão, no dia 26 de março de 1934. Licenciado em Filosofia pela PUC-Rio em 1969, possuía Pós-Graduação em Filosofia pela Université des Sciences Sociales de Grenoble (1975) e Pós-Doutorado em Filosofia pela Université des Sciences Humaines de Estrasburgo, na França (1985). Foi Professor Associado nos cursos de Graduação e Pós-Graduação do Departamento de Filosofia da PUC-Rio (1975 a 1985) e, desde 1978, Professor Adjunto de Epistemologia e História das Ciências no Departamento de Filosofia da UFRJ. Orientou 20 dissertações de Mestrado e dez teses de Doutorado, participou de 40 bancas examinadoras de Pós-Graduação e foi pesquisador do CNPq de 1987 a 1996. Tradutor de mais de 15 livros de História da Filosofia, foi autor de inúmeros títulos sobre o tema. Faleceu em casa, no Rio de Janeiro, em 27 de abril, aos 81 anos, em decorrência de um infarto. (ex-professor do Departamento de Filosofia) (+27 de abril de 2015)

Japi, como era conhecido de todos, era frade da Casa São Tomás de Aquino e celebrava missa aos domingos na Capela Nossa Senhora das Graças, na favela Chapéu Mangueira, no Leme.

Segundo o teólogo Leonardo Boff:

A singularidade do Prof. Japiassu foi entreter um diálogo profundo com as várias ciências humanas com a intenção de compreender mais radicalmente o ser humano. Seu tema era mais que a interdisciplinaridade. Era a transdisciplinaridade, quer dizer, o que existe para além das próprias ciências e como todas elas devem convergir na compreensão do que seja a realidade, a sociedade, o mundo, e a vida e o ser que estão sempre para além de qualquer saber.

A Profa. Sonia Kramer (EDU) também relembrou o professor tão admirado:

Japi – como todos o chamavam – me ensinou que não há possibilidade para a ciência humana se ela não se pensa a si mesma, não se coloca em questão, se desumaniza. Li inúmeros de seus livros, que sempre me surpreendiam pela lucidez, pela erudição e principalmente pela cumplicidade com o homem e pela indignação com a desistência de pensar, a burocratização do conhecimento, que se torna cada vez mais instrumental. A dimensão machista da ciência, Pedagogia da incerteza, Nascimento e morte das ciências humanas, Introdução ao pensamento epistemológico, Psicanálise: ciência ou contraciência?, As paixões da ciência, Nem tudo é relativo: a questão da verdade, e tantos outros, me ajudaram a compreender a importância de perguntar, de pensar, de se indignar.

Isaac Kerstenetzky (1926 - 1991) _

Para dados biográficos e mais informações, ver o perfil do Prof. Isaac publicado no site do IBGE.

Texto do Prof. Augusto Sampaio, Vice-Reitor Comunitário da PUC-Rio.

Está cada vez mais difícil encontrar, nos campi universitários, professores como o Isaac.

Encontram-se, quase sempre, excelentes especialistas nas várias áreas de saber, muitos com reconhecimento internacional dos seus trabalhos, cada vez sabendo mais sobre menos coisas... Esta se perdendo, com rapidez, a perspectiva do educador, do professor mestre insigne na sua matéria, capaz, no entanto, de conversar e de opinar sobre assuntos vários com sabedoria, ponderação e visão interdisciplinar do processo histórico onde, inclusive, a universidade e sua especialidade estão inseridas. Às gerações mais jovens esta extirpe de mestres, em extinção, consegue instigar nas mentes ainda não poluídas por ideologias e pragmatismos, a beleza do conhecimento, do rigor do método científico, da prazerosa convivência das múltiplas formas do saber humano, na perspectiva de que o importante é promover a vida em geral e a pessoa humana em particular, com seus mistérios e suas belezas complexas, muito próprias.

Tal atitude deve ser o estilo de conduta de todos os professores, do físico e do sociólogo, do filósofo e do engenheiro, do teólogo e do administrador. Só assim uma juventude, sem referências e, por vezes, desorientada, encontrará tranqüilidade na confiança que naturalmente depositarão em homens e mulheres que reconhecem pela integridade de suas vidas dedicadas à educação, à pesquisa, ao diálogo cordial. A garotada reconhece os verdadeiros professores e os procuram ávida, como orientadores e exemplos para as suas vidas, que começam a dedicar à procura da verdade, que sabem existir mas a quem nunca foram apresentados com honestidade e competência. Professores moldam, conduzem, orientam a vida de seus alunos, tornam-se referências permanentes de comportamento acadêmico integro - missão nobre pela responsabilidade que lhe é cometida. Rapazes e moças, em contato com personalidades como essas, despertam com atitude pessoal distinta ou para a vida acadêmica ou tornando-se profissionais diferenciados pelo comportamento que adotam no dia a dia de suas atividades.

Muitos professores dos dias de hoje são, apenas, empregados de empresas que vendem cursos e diplomas - cumprem tarefas segundo esquemas e horários pré-estabelecidos pelos seus empregadores. Isaac Kertenetzky, não. Homem de saber enciclopédico, inteligência rápida, humor cáustico, paciência infinita, era antes de mais nada, amigo de seus alunos. Preocupava-se com cada um, angustiava-se com os dramas juvenis que lhe eram narrados. Alegrava-se com as pequenas conquistas dos seus discípulos - uma dissertação, uma conversa proveitosa, uma tese defendida com sucesso, um livro ou artigo publicado.

Nasceu no Rio de Janeiro em agosto de 1926. Orgulhava-se de ter crescido em Vila Isabel, a terra de Noel Rosa e atribuía a este fato a sua sensibilidade musical. Estudou no Colégio Pedro II e formou-se pela antiga Universidade do Brasil, hoje a Federal do Rio de Janeiro, com 20 anos de idade. Foi aluno de Octávio Bulhões e Eugênio Gudin, que o conduziram para um mestrado na Universidade de McGuill, no Canadá, e logo em seguida para o Centro de Estudo Sociais de Haia. Voltando ao Brasil foi para a Fundação Getulio Vargas, para trabalhar no Centro de Contas Nacionais e lecionar na Escola de Pós-Graduação daquela Instituição.

Nestes mesmos anos, final dos anos de 1950, na PUC-RIO, o Pe. Fernando Bastos e Ávila S.J., fundava a Escola de Sociologia e Política que tinha, na sua estrutura, um Departamento de Economia. O Vice-Diretor era outro notável professor, Arthur Hehl Neiva, que convidou o Isaac para colaborar com a nova Escola que, pioneiramente, insistia, na sua proposta pedagógica, na necessidade de se tratar as ciências sociais de forma integrada - só assim o fenômeno social poderia ser melhor entendido. Era o que Isaac sonhara toda sua vida - aceitou na hora. Contava, rindo, que a única pergunta que lhe fora feita, pelo Professor Neiva, além do convite, era se vivia uma casamento estável... pois, na época, era um valor importante para uma Universidade Católica.

Foi Professor, Diretor do Departamento de Economia, colaborou com o professor Neiva na organização do sistema de créditos na escola de Sociologia, introduziu a idéia do ciclo básico, trouxe vários outros professores da FGV e do antigo BNDE para lecionarem economia, estatística, história econômica.

Em 1965, já seu aluno - uma turma de sete alunos - tínhamos aula na sua sala na Fundação, na verdade um pedaço de mesa de reuniões, antiga, perdida no meio de pilhas de revistas, livros, relatórios, todos lidos e anotados, muitas vezes fora do horário habitual, aos sábados pela manhã e à noite nos dias de semana. Foram momentos inesquecíveis de convivência e de aprendizado. Suas provas eram novidades - podíamos fazê-las com consulta a livros, ou ir até a biblioteca para uma pesquisa de última hora. Seus comentários, nas provas, eram verdadeiras cartas aconselhadoras, onde com extrema elegância e delicadeza apontava as "barbaridades" que muitas vezes eram escritas. Estava sempre disponível para conversar sobre tudo, inclusive sobre a sua matéria principal - Planejamento e Desenvolvimento Econômico. Até o final da sua vida, já adoentado, sua maior preocupação era não faltar a uma aula, chegar no horário, atender aos alunos, conversar.

Por sonhar com a possibilidade de forjar um Centro de Ciências Sociais, com real perspectiva interdisciplinar e nem sempre encontrar apoio para esta sua idéia, pelo desejo de radicalizar a convivência de especialistas dos vários ramos do estudo do homem vivendo em sociedade, acabou seus dias no Departamento de História, o grupo da PUC-RIO que mais estimulava a idéia da interdependência e a complementaridade das especialidades do saber social.

Escreveu pouco, muito pouco. Cada vez que pedíamos que colocasse aquelas conversas em forma de artigos, ou uma coletânea de artigos que pudesse se transformar em um livro dizia: "ah, outros já escreveram sobre isso, vocês é que não leram, eu já li isto, que acabei de falar, em algum lugar que não me lembro mais...".

Prof. Augusto Sampaio
Vice-Reitor Comunitário
Ex-aluno e amigo do Professor Isaac Kerstenetzky

Jürgen Walter Bernd Heye (1939 – 2011) _

Graduado em Tradução pela Dometschetschule Zürich (1963) e doutor em Linguística pela Georgetown University (1970), o Prof. Heye fez parte do quadro principal do Departamento de Letras desde 1972. Linguista de reconhecimento nacional e internacional formou gerações de mestres e doutores. Na PUC-Rio orientou 53 dissertações de mestrado e 8 teses de doutorado. Seus trabalhos de pesquisa têm ênfase em questões relativas ao Multilinguismo e Línguas de/em Contato. Sua produção acadêmica abarca, sobretudo, os seguintes temas: sociolinguística, bilinguismo, bilingualidade, línguas em contato, política e planificação linguística, diglossia e fonética.

Foi um grande colaborador da PUC-Rio, tanto por sua produção acadêmica e docência quanto por sua participação na administração do Departamento de Letras e do CTCH assim como nos órgãos colegiados da Universidade que, com sua morte, perde um excelente professor, pesquisador reconhecido por seus pares e um grande amigo.

Será sempre lembrado por todos na Universidade como um homem de coração tão grande quanto sua incontestável inteligência.

Rosa Maria Sá Costa Ribeiro (? - 2013) _

O Departamento de História perdeu a Professora Rosa Maria Sá Costa Ribeiro, ex-aluna e professora do Curso de Especialização em História da Arte e da Arquitetura, muito querida por todos os que tiveram o privilégio de conviver com ela.

Rosa era Licenciada em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Mestre em História Social da Cultura pela PUC-Rio. Casada com Carlos Costa Ribeiro, por muitos anos professor e pesquisador do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rosa tinha profundos laços intelectuais e familiares com a PUC-Rio. Seu cunhado Paulo Costa Ribeiro é Professor Emérito do Departamento de Física. Outro cunhado seu, Sérgio Costa Ribeiro, já falecido, foi por muitos anos também professor do Departamento de Física. Alguns dos 9 irmãos de seu marido Carlos estudaram na PUC-Rio e muitos dos sobrinhos de Rosa e Carlos, também foram alunos da PUC-Rio. E foi no Departamento de História que Rosa encontrou alguns de seus principais interlocutores acadêmicos e o espaço para desenvolver sua especialização em História da Arte e seu mestrado e para atuar como docente e pesquisadora.

As pesquisas que desenvolveu sobre arquitetura colonial religiosa no Brasil são de grande importância. Entre eles, destacam-se os estudos sobre as ruinas do convento de São Boaventura (século XVII) em Itaboraí e sobre o Convento de Santo Antonio, no Largo da Carioca (Rio de Janeiro).

Rosa lutou por 11 anos contra um câncer. Em sua missa de sétimo dia na Igreja do Sagrado Coração, no campus da PUC-Rio, o número de amigos, companheiros de trabalho e familiares presentes dava a escala do quanto era querida. Ao final da missa, um de seus quatro netos leu um texto de Guimarães Rosa que a avó gostava de ler para ele e seu marido Carlos encontrou forças para ler um belíssimo texto que escreveu sobre aquela que dividiu com ele 47 anos de uma vida de muita felicidade, mas também de dores profundas que incluíram a perda trágica de um filho de 21 anos.

Algumas das mensagens de seus colegas do Departamento de História mostram o quanto Rosa era querida:

“Prezados colegas,
"Nesta hora só nos ocorrem lugares comuns. Mas a Rosa era, de fato, a delicadeza em pessoa!”
Professor Ronaldo Brito Fernandes
Departamento de História

“Quem teve a satisfação de conviver com ela deve ter ficado envolvido com a sua delicadeza como o Ronaldo. Eu acrescentaria a doçura no trato das coisas da vida e a grandeza de um sorriso temido e abrangente. As pessoas interessantes são difíceis de serem descritas. Fica a saudade.”
Professor Antonio Edmilson Martins Rodrigues
Departamento de História

Rosa será sempre lembrada com carinho por aqueles que a conheceram.

Antônio da Silva Pereira (1928-2015) _

O Padre Antônio da Silva Pereira, ex-professor do Departamento de Teologia, faleceu no dia 10 de maio de 2015. O sacerdote, que residia no Rio de Janeiro desde 1968, era natural da freguesia de Santa Bárbara, no concelho da Ribeira Grande, ilha de São Miguel, nos Açores, onde nasceu a 2 de janeiro de 1928.

Doutorado em Direito Canônico, o sacerdote veio para o Brasil depois de ter desempenhado vários cargos na diocese e no seminário de Angra do Heroísmo, como Professor, Diretor Espiritual, Chanceler da Cúria Diocesana e Pároco. Foi também Diretor Espiritual do Colégio Português em Roma (1963 a 1967). No Brasil, foi Professor do Departamento de Teologia da PUC-Rio, Professor do Instituto Superior de Teologia dos Franciscanos em Petrópolis (1971 a 1980); Capelão do Instituto Social, das Irmãs da Sociedade das Filhas do Coração de Maria e Professor do Instituto Superior de Direito Canônico do Rio de Janeiro.

Pe. Pereira dedicou 40 anos de sua carreira ao Departamento de Teologia da PUC-Rio, ao lado dos Padres Manuel Bouzon e Alfonso Garcia Rubio, conforme nos conta a Profa. Tereza Cavalcanti (TEO). O sacerdote era especialista em Direito Canônico, e marcou a abertura eclesial em relação à participação dos leigos nas decisões da Igreja, tema que trabalhou em diversos artigos. Ao lado do Pe. Jesus Hortal S.J., auxiliou vários bispos que a ele recorreram para questões de Direito Eclesial e Direito Matrimonial.

O Pe. Jesus Hortal Sànchez S.J. assim se pronunciou sobre o antigo companheiro:

Conheci o Pe. Pereira em Roma, quando ele era espiritual no Colégio Português e nós dois estávamos cursando o Doutorado em Direito Canônico, na Universidade Gregoriana. Reencontrei-o alguns anos depois, quando ele já estava na PUC-Rio e eu na PUC-RS. A partir de 1986, quando fui transferido para o Rio de Janeiro, convivemos no Departamento de Teologia. Fomos sócios-fundadores da Sociedade Brasileira de Canonistas, fui eleito Presidente e ele Vice-Presidente da entidade. Extraordinariamente meticuloso na preparação de suas aulas e artigos, talvez por essa meticulosidade seu volume de publicações tenha sido relativamente pequeno. Colaborou ativamente na REB (Revista Eclesiástica Brasileira).

Era muito apreciado pelos alunos, não só na PUC-Rio, mas também no Instituto de Direito Canônico do Rio de Janeiro. Seu caráter sempre foi marcado pela seriedade. Apaixonado pela verdade, repelia com veemência as posições discordantes. De saúde delicada, era um modelo de moderação na comida. Suas pesquisas, mais do que no campo do Direito Canônico, se desenvolveram no da Eclesiologia. Conhecia profundamente o Concílio Vaticano II e gostava de discutir sobre os documentos conciliares, especialmente a Lumen Gentium. Lembro-me de uma vez em que os alunos do Instituto promoveram uma discussão, entre ele e mim, sobre um tema polêmico, sabendo que as nossas posições eram discordantes. A sessão foi animada em extremo e, no fim, cada um continuou na sua e todos amigos. Trabalhador incansável, não suportava que o interrompessem nos seus estudos. Era um homem piedoso, extremamente observante de suas obrigações religiosas.

Pe. Pereira residia há alguns anos na Casa do Padre Cardeal Câmara. Há alguns meses encontrava-se doente, tendo falecido no Hospital Quinta D’Or aos 87 anos de idade.

(ex-professor do Departamento de Teologia) (+10 de maio de 2015) 

Luiz Cesar Monnerat Tardin (1953 - 2011) _

O Prof. Luiz César Tardin (13/05/1953 - 05/03/2011) formou-se em Direito pela PUC-Rio em 1978 e obteve o título de mestre em Ciências Jurídicas também pela PUC-Rio em 1985. Em 2000 formou-se em Teologia na PUC-Rio. Além de professor de Cultura Religiosa, desempenhava várias funções na PUC-Rio, tais como as de Coordenador Central de Estágios, Coordenador Geral do Projeto Unicom, Coordenador do Núcleo UniTrabalho da PUC-Rio, Coordenador Geral da Revista Virtual da revista ERGON, Membro do conselho diretor do Centro Loyola de Fé e Cultura e Diretor Administrativo da Revista Atualidade Teológica. Era ainda o representante da PUC-Rio no Conselho da Cidade do município do Rio de Janeiro na Câmara Trabalho e Emprego.

Depoimentos de amigos e ex-alunos do Professor Tardin:

A falta que faz o Prof. Luiz Cesar Monnerat Tardin

Caros Colegas, Professoras e Professores da PUC,

Diante da missa de sétimo dia amanhã para o Prof. Luiz Cesar Monnerat Tardin, um amigo que eu prezava muito, quero acrescentar a minha voz à dos colegas que fizeram elogios dele. Já o conheci quando ele era estudante de graduação, já naquela época uma pessoa que tinha idéias novas e boas que colocava em prática.

Como professor, fez muitas contribuições à Universidade. Ao longo dos anos, levou muitos alunos à Amazônia para que se sensibilizassem da realidade do País, da necessidade de ajudar os pobres. Organizou a atuação da comunidade da PUC na Rocinha. Diante dos desastres recentes na região serrana, articulou uma ação de socorro aos flagelados feita pela comunidade da PUC. Inventou a Mostra PUC, que divulga a PUC mais que qualquer outro evento, ajudando os alunos de obter estágios e trazendo muitos jovens bons a estudar na PUC. Sempre promovia ações para conscientizar as pessoas sobre tarefas urgentes para a sociedade, tais como o tema da última Mostra PUC, a limpeza da Baía de Guanabara.

Pensando de Luiz Cesar, me lembro de uma frase famosa de meu compatriota Robert Kennedy (que a atribuiu ao dramaturgo George Bernard Shaw), frase essa que para mim retrata o grande valor da vida e da atuação do nosso querido professor: "Some people see things as they are and say why? I dream things that never were and say why not?"

Luiz Cesar constantemente pensava de novas maneiras que ele poderia atuar para enriquecer e melhorar as vidas de todas as pessoas ao seu redor.

A PUC vai sentir muito a ausência de suas contribuições, de suas iniciativas, de suas idéas inovadoras. Que ele, junto ao Pai que nos criou, possa pedir por nós e pela Universidade que tanto amou e tanto serviu.

Agradeçamos a Deus pela presença tão importante que ele exerceu por tantos anos entre nós. Que o exemplo dele nos leve a imitá-lo em nossa atuação.

Um abraço solidário,
Prof. Pe. Paul Schweitzer S.J., Departamento de Matemática da PUC-Rio

 

Meu Caro Amigo

Dizem que ninguém é insubstituível. Mas dizem também que toda regra tem a sua exceção. O Professor Luiz César era provavelmente uma exceção a essa regra, assim como a muitas outras. Nosso Caro Amigo, como era carinhosamente chamado por alguns de seus pupilos, atendia também por Professor Tardin, César, Cesinha, Tardin, Luiz César e Monsieur.

A sua tripla e sólida formação – em Teologia, Direito e Música – esconde, de certo modo, a sua verdadeira tripla e forte atuação: como Educador, Empreendedor e Humanista. Além disso, sabia viver, e gostava de viver; era um verdadeiro bon vivant. Mas não perdia jamais a referência do fazer o bem, a quem quer que fosse, e de cultivar incansavelmente os mais importantes valores da fé cristã e da bondade humana.

Através da Igreja, encontrou sua vocação de Educador, e a tomou como principal Missão nesta vida terrestre. A veia Empreendedora era latente e presente em toda parte: na sua Fazenda, sem dúvida, com suas vaquinhas e sua paixão pelo café; mas também e, sobretudo, na PUC e na ONG Sociedade Brasileira para a Solidariedade, a SBS. O lado Humanista era transversal, presente, portanto, em todas estas e outras atividades, pessoais ou institucionais.

A Mostra PUC talvez seja o maior exemplo do cruzamento destas três virtudes do Professor Luiz César. Em poucos anos, ele conseguiu tornar a idéia de uma simples Feira de Estágios no maior evento da PUC-Rio, com ofertas de estágio, evidentemente, mas também workshops, palestras, e eventos artísticos, culturais e sociais, para toda a juventude, além de um Prêmio de dimensão internacional, para custeio de projetos acadêmicos voltados para as questões sociais. E sempre fez questão de deixar alunos da graduação na linha de frente da organização do evento, como forma de aprendizado através da vivência, o que, aliás, sempre estimulou, apesar do re-trabalho que certamente lhe dava todos os anos ao renovar a equipe coordenadora da Mostra PUC.

Grande admirador das Artes e da História, ele sabia tudo sobre as Grandes Guerras e os Grandes Imperadores, desde Alexandre o Grande, passando pelos Imperadores Romanos, seu xará César inclusive (Ave César!), até Napoleão Bonaparte. A admiração pela Arte da Guerra permitiu, por contradição, ironia, ou pura consciência, ser um grande estrategista para enfrentar a maior batalha dos dias de hoje: a Desigualdade Social. Mas ao contrário dos Grandes Imperadores, sua principal arma de batalha era o Amor. Através do Amor, era capaz de enfrentar a terrível violência que afronta o nosso País e, de maneira particular, a nossa Cidade do Rio de Janeiro. “Violência” certamente em sentido amplo: desde daquela gerada pelo tráfico de drogas nos morros, passando pela violência familiar, para chegar até a violência de oportunidade. “Oportunidade”. Taí uma palavra que o César muito apreciava. Ele certamente, neste instante, nos corrigiria: “Falta de Oportunidade, meu caro”.

A Falta de Oportunidade nos leva à Solidariedade, e aqui encontramos talvez o seu maior legado: a Consciência Social. Vivemos num mundo de muitos, dividido por poucos. A falta de acesso, a falta de oportunidade, a falta da falta, eram preocupações permanentes na vida do nosso Caro Amigo. Através da sua ONG SBS e do Projeto UNICOM promovia, no auge dos seus 1,60m, um agressivo programa de inclusão social. Reforço pedagógico, atendimento jurídico, atendimento psicológico, atendimento médico (geral, odontológico e geriátrico!), cursos profissionalizantes como Cozinhando o Futuro. O que a máquina do Estado teria a obrigação de fazer, o nosso Caro Amigo inventava a roda para oferecer de graça à população de baixa renda. Como repetia um de seus muitos pupilos: “nos pequenos frascos, encontramos os grandes perfumes”. Isto tudo instrumentalizado por uma forte veia política, que potencializava estas atividades, sem falar nas suas famosas, diversas e freqüentes campanhas de conscientização social: a Marcha pelo Trabalho, de Olho no Congresso, a Baia Nossa da Guanabara, a recente Campanha pelos desabrigados de Nova Friburgo, dentre tantas outras.

Ao fazer tudo isto, César semeava sonhos e esperança na juventude, e ensinava através de suas ações que nós não somos do tamanho da nossa altura, mas sim do tamanho da nossa imaginação, e daquilo que podemos enxergar, e fazia isso sendo ele próprio o exemplo.

No campo da relação entre a Vida e a Morte, encontramos mais uma grande lição. Sua inabalável fé cristã e elevada espiritualidade o permitiam lidar com muita naturalidade com este assunto. Durante seu curso de Ética Profissional, para os alunos de Direito, costuma separar uma aula por semestre para levar os alunos ao cemitério São João Batista: “na semana que vem, nossa aula será no cemitério São João Batista!”, dizia ele, para desespero da maioria. Evidentemente, muitos alunos não apareciam no dia. Diziam que era “maluquice”. Estavam preocupados em decorar as leis e os artigos dos códigos, ou então em chegar mais cedo nos seus sagrados estágios, nos mais renomados escritórios de advocacia. Mas uma parte dos alunos sempre comparecia ao cemitério, e não conhecemos um só que tenha se arrependido de ter ido. Alguns afirmam, aliás, que foi a aula mais marcante que tiveram durante a Faculdade de Direito. Na entrada do cemitério, ele dizia: “eu trouxe vocês aqui para vocês pensarem a relação entre a Vida, a Morte, e o Direito. Circulem pelo cemitério, e reflitam sobre esta relação, e daqui a pouco conversamos, nos encontramos aqui de volta em 30 minutos”. Na volta, os mais diferentes e interessantes relatos eram dados pelos alunos – desde depoimentos técnico-jurídicos a respeito de Sucessões e Direito de Família, até ricos relatos pessoais, engasgados muitas vezes pela correria do nosso dia-a-dia, e pela falta de espaço para tratar de questões tão essenciais como a “Vida e a Morte”.

E assim ele nos deixa, de forma prematura, desta vida terrestre. Alguns desavisados podem pensar “que pena, não tinha filhos, nem esposa, nem pais vivos, apenas uma irmã e primos”. Mas o engano é tamanho. Deixou herdeiros de todas as idades, de todas as cores, de todas as formas e formações. Herdeiros que hoje formam o seu Batalhão, e que continuarão sua Luta, com a sua poderosa arma do Amor, contra as injustiças e as desigualdades que assolam este Mundo, por vezes cruel, dos Homens na Terra.

Texto escrito por ex-alunos, e eternos pupilos, do Professor Tardin:

- Fernando Carvalho (Desenho Industrial)
- José Pedro Pradez (Engenharia)
- Leonardo Moreira (Informática)
- Marcos de Oliveira Gleich (Direito)
- Paulo Burnier da Silveira (Direito)
- Raphael Trindade (Direito)
- Ricardo Calheiros (Informática)

 

Lembrando Luiz Cesar Tardin

Conheci Luiz Cesar nos encontros do Movimento Universidade a Serviço do Povo-MUSP, iniciado pelo nosso saudoso Pe.Agostinho Castejon, nos anos 70, na PUC. Quando assumi a Coordenação Central de Estágios-CCESP, em dezembro de 1980, ele participava das atividades do MUSP, já incorporado à CCESP, para a melhoria da qualidade de vida em algumas comunidades de baixa renda. Acompanhava estagiários de direito, especialmente em Senador Camará e, mais tarde, em Acari.

Lembro-me das suas sugestões ousadas para as atividades internas da CCESP, que me assustavam, nos anos 80, mas que me levaram a indicá-lo para assumir esta Coordenação, quando dela me retirei para concluir minha Tese de Doutorado, em 1990. A originalidade, com que Luiz Cesar desenvolveu estas funções bem como o enriquecimento que elas trouxeram para a PUC nestes vinte anos, pode ser avaliada por todos nós que as acompanhamos e pelos alunos e ex-alunos que dela tem-se beneficiado. Como bem lembrou Pe. Paul, a concretude das atividades da CCESP, fez-se sentir, durante estes últimos anos, desde a Rocinha até toda a cidade do Rio de Janeiro e promoveram estágios de nossos alunos bem mais longe, na Amazônia. Isso aconteceu: quer em seu aspecto de atividade social em favor dos menos favorecidos junto com Jesuítas locais, quer para o reconhecimento da importância da ação de nossas forças armadas (especialmente do Exército, naqueles lugares de enorme importância nacional, mas distantes dos centros mais populosos), quer para o ingresso no mercado de trabalho, dos nossos jovens profissionais. A abrangência e variedade das ações puderam ser observadas pessoalmente por mim, desde a favela da Gávea, até o curso que fiz junto com alunos e professores da PUC-Rio, para a sobrevivência na Selva, em um dos muitos batalhões do Exército visitados, nos estados do Amazonas e Roraima, em 2003.

Também pude participar de perto, a seu convite, em 2010, das atividades por ele estimuladas, com o objetivo de ações múltiplas, para a melhoria física da nossa Baía da Guanabara. Como Raul Nunes, eu temia suas valentes incursões, neste caso, junto às escolas públicas das Secretarias Municipal e Estadual de Educação do Rio de Janeiro, importantes como campo de pesquisa para o Departamento de Educação da PUC-Rio. Confesso que, mesmo tendo constatado sempre que, no fim, tudo valeu a pena, o arrojo de Luiz Cesar, muitas vezes me assustava.

Enfim, dou Graças a Deus por Luiz Cesar ter vivido entre nós!

Abençoado seja o seu nome e perdoados os pecados que, porventura, tenha cometido na sua  ânsia de fazer o bem!

Hedy Silva Ramos de Vasconcellos
Professora Emérica do Departamento de Educação da PUC-Rio

 

Tardin – cidadão coragem

Prezados colegas,

Fui contemporâneo de graduação do Tardin, ele no Direito e eu na Física: ele no Movimento Pastoral e eu, no Estudantil; era o ano  de 1975. Desde esta época, o Tardin apresentava uma capacidade de liderança e dedicação a causas com temas abrangentes, e arriscados, como Justiça, Liberdade e Solidariedade. Para entender o jovem Tardin é preciso saber  que ele é de origem de um “clã” que tem um cardeal Tardini (assessor do papa João XXIII, Secretário de Estado e Presidente da Comissão Preparatória do Concílio Vaticano II) e uma militante de esquerda Elza Monnerat (do PC do B, integrante da guerrilha do Araguaia). Ele não falava sobre estas coisas, mas isto fazia parte de sua experiência de vida. Anos difíceis aqueles de nossa graduação... Mas, já nestes anos, o Tardin exibia a sua habilidade para tocar projetos sociais de natureza inclusiva, sem perder a visão política, mas também sem deixar que os mesmos fossem instrumentos de propaganda política de qualquer corrente interna ou externa à igreja católica. Ele era universal.

Para tentar ilustrar um pouco sobre o Tardin, cidadão coragem que muitos desconhecem, relato aqui dois momentos marcantes desta época envolvendo eu e o Tardin:

1.      Em 1976, participamos de um evento da FEUCAL (Federação de Estudantes Católicos da América Latina), que se realizou em Petrópolis: um estranho evento, com pouca divulgação, para o qual o Tardin insistiu em que eu participasse, mesmo não sendo católico praticante. Para me convencer a participar, ele afirmou, e repetiu isto muitas vezes, “que eu era mais católico do que muito católico”. Um grupo de alunos da PUC-Rio foi ao evento com o intuito de não deixar que envolvessem o nome da PUC-Rio em algo não fosse a expressão das idéias e compromissos de seu grupo Pastoral. Neste evento, encontramos um pequeno grupo de “estudantes” chilenos, argentinos e da católica de Campinas, cuja faixa etária era superior a dos demais, que faziam barulho e uma pregação vamos dizer assim conservadora e contra o que preconizava o Concílio Vaticano (seus discursos eram cheios de menções ao diabo e aos comunistas...). O grupo da PUC-Rio logo se destacou na contraposição às teses deste grupo e, em determinado momento, quando eu fazia uso da palavra, vieram para cima de mim com fúria, quase para o linchamento. Foi a intervenção do Tardin e demais companheiros que impediram a consumação do mesmo. Saímos dali protegidos por alguns amigos, mas satisfeitos por termos sido em parte vitoriosos. De volta ao Rio, vemos nos jornais o retrato falado dos sequestradores do bispo dom Adriano Hypólito. Estes retratos nos indicavam claramente que aquele grupo que estava neste evento tinha participado do sequestro de dom Adriano. O que fazer??? Lembro aqui que eram dias difíceis, isto aconteceu no final de 1976. Através do Tardin, fizemos chegar à CNBB e à OAB a informação sobre os  personagens do sequestro de dom Adriano. Não soube até hoje, e portanto nunca saberei, se a insistência do Tardin para que eu participasse do encontro teria sido reforçada por alguma “inside information” sobre o encontro da FEUCAL ou se foi apenas pela amizade e confiança que existia entre nós.

2.      Em 1977, estava em organização um Encontro Nacional de Estudantes, seria o primeiro após a extinção da UNE. Classificávamos este encontro como um movimento necessário no sentido de testar os limites do regime militar e de seu processo de abertura. Não controlávamos esta iniciativa, mas não podíamos ignorá-la. Estávamos preocupados com os desdobramentos possíveis de sua realização. Só para relembrar, naquele ano, um ano após o sequestro de dom Adriano, por determinação do Comandante do 1° Exército, foi cancelada uma conferência sobre Direitos Humanos, para constituição de uma Comissão de Justiça e Paz na Diocese de Nova Iguaçu (finalmente criada em 1978). Se uma iniciativa de uma diocese para tratar de direitos humanos havia sido proibida, o que poderíamos esperar de um encontro nacional de estudantes? Certamente algo pior... Um dos pontos da pauta do encontro era a criação da UNE, ponto este que éramos contra (os diretórios do CTC, então com a gestão da chapa da Unidade). Éramos contra naquele momento, pois não existiam diretórios nas universidades. Diante disto, esta era mais uma das razões pela qual não podíamos deixar de participar. Antes de partir para Belo Horizonte, nos reunimos com o Vice-Reitor Comunitário onde expomos nossas posições e preocupações. Avisamos a que horas partiríamos da Vila dos Diretórios da PUC-Rio para chegarmos a Belo Horizonte no início da manhã. Tarde da noite, no horário de nossa partida, a Vila cheia de estudantes, aparece para se despedir de nós, e manifestar preocupação com nossa viagem e com o evento, o Tardin e o Vice-Reitor Comunitário, o Pe. Mendes. Claro que o congresso não se realizou, fomos presos na estrada. Não só nós, mas todos os jovens que viajavam desacompanhados em ônibus, avião ou carro, foram retirados destes veículos e levados para a cadeia, muitos nem sabendo da existência do tal Encontro... Quando o primeiro de nós conseguiu sair da cadeia, avisou ao Tardin e este ao Vice-Reitor Comunitário, Pe. Mendes. Ao retornarmos de Belo Horizonte, soubemos que o Pe. Mendes, irmão do general Ivan de Souza Mendes, na época chefe do SNI, havia falado com seu irmão e recebido a notícia de que a situação estava sobre controle. A situação sobre controle significou que ninguém “foi desaparecido”. De fato a única consequência foi o enquadramento de alguns na lei de Segurança Nacional, processo este que acabou sendo arquivado com o avanço da “abertura”. Tardin, como sempre, por sua característica, acompanhou tudo sem aparecer muito e ainda ajudou a orientar os que foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional.

Depois, já nos anos 80, no período pós anistia, Tardin participava de projetos associados à Comissão de Justiça e Paz e de Pastorais Penais. Em suas várias atividades sociais em comunidades tais como Dona Marta, Rocinha, Acari, Senador Camará, dentre outras, teve de conviver com a organização dos bicheiros e dos traficantes. No período do governo Brizola e sua “política de direitos humanos para a favela”, a polícia, já deformada pelo arbítrio do regime militar, foi muitas vezes utilizada como braço político de alguns. Esta polícia ao subir na favela, prendia pequenos traficantes, batia e depois avisava que isto não iria parar a menos que eles se tornassem “cabos eleitorais”. Em muitas subidas da polícia, o Tardin foi  acionado por membros da comunidade para comparecer à delegacia e tentar garantir que o preso não mais apanhasse. O incrível é que isto funcionava, e o Tardin teve que fazer isto muitas vezes. Mas, como sempre, ele pouco falava sobre isto.

Mais recentemente, já neste século, a convite do Tardin e por nomeação do Pe. Hortal, participei de uma comissão da PUC-Rio, cedida para a CNBB, com a missão de realizar um estudo sobre a viabilidade de se criar uma Instituição de Ensino Superior Católica na Amazônia. Neste período de realização do trabalho da comissão, tive a oportunidade de testemunhar o excelente trabalho que o Tardin realizava, principalmente em Manaus, junto à Diocese de lá, não somente em trabalhos sociais, mas também na área do direito junto à Pastoral Penal e à Comissão de Direitos Humanos. O Tardin, através do UniCom, ajudava a apoiar o trabalho legal destes grupos, organizando os processos dos presos e propiciando apoio àqueles que já haviam cumprido a sua pena, mas ainda se
encontravam presos, ou aos que estavam com seus processos parados por falta de apoio jurídico. Neste trabalho de estudo e prospecção sobre a viabilidade de constituição de uma IES Católica na Amazônia, pude perceber o enorme respeito dos bispos de Porto Velho, Manaus e Belém pelo Tardin, e também pela PUC-Rio. Pude perceber como a PUC-Rio era maior do que eu tinha noção e o quanto o Tardin era responsável por isto.

Talvez nem todos na PUC-Rio endossassem algumas de suas iniciativas, mas entendo que isto é uma questão menor relacionada com aqueles que não procuravam conhecer a dimensão e profundidade de seu trabalho. Não tenho dúvidas em afirmar que a universidade perdeu um grande empreendedor das causas da justiça, liberdade e solidariedade. Meu sentimento é de que a PUC-Rio ficou menor.

Finalmente, extremamente consternado com esta perda súbita, só consigo  pensar em como ele fará falta e em agradecer sua existência e de ter podido desfrutar de sua amizade.

Raul A. Nunes
Professor do Depto. de Engenharia de Materiais - PUC-Rio

 

 

Carlos Raja Gabaglia Moreira Penna (? - 2011) _

Carlos Raja Gabaglia Moreira Penna era professor do quadro complementar do Departamento de Engenharia Civil e ministrava a disciplina Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. É de sua autoria o livro O Estado do Planeta. Sociedade de consumo e degradação ambiental (1999). Foi ainda diretor técnico do Instituto Brasil PNUMA (Comitê das Nações Unidas para o Meio Ambiente), diretor da Associação de Amigos do Jardim Botânico, conselheiro de várias ONGs de conservação ambiental e sócio-gerente da Hólos Consultoria Ambiental.

Carlos Secchin, fotógrafo que participou com ele em vários trabalhos, escreveu sobre o professor Carlos: “Não havia limite para seu interesse sobre todas as formas de vida e sua preocupação com o nosso futuro próximo e sombrio, baseado, segundo ele, num sistema econômico montado sobre um crescimento crescente, ilimitado e insustentável.”

Veja aqui a homenagem do Instituto ((o))eco.

Carlos Dório Gonçalves Soares (1936 - 2013) _

O Prof. Carlos Dório morreu em consequência de complicações de uma pneumonia aos 77 anos.

Carlos Dório era natural de Vitória, no Espírito Santo, e atuou por muitos anos no Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio. Foi um dos professores responsáveis pela consolidação do Departamento e foi também coordenador do curso de Graduação. É autor do livro Delinquência juvenil na Guanabara, publicado em 1973. Foi também do quadro docente da UFRJ, nomeado como professor assistente em 30 de outubro de 1969.

O Departamento de Comunicação registrou a morte do Professor, já aposentado, através da Rádio PUC, registro esse que está disponível no Portal PUC-Rio Digital. Na entrevista feita com alguns professores que o conheceram, fica patente a importância de Carlos Dório em mais de 40 anos de colaboração com o Departamento de Comunicação. A Professora Angeluccia Bernardes Habert sublinhou seu caráter ao mesmo tempo tranquilo e firme e sua colaboração constante na administração do Departamento, onde soube inspirar confiança a alunos, funcionários e professores. Para ela a principal característica de Dório era a generosidade. A Professora Claudia Brutt Guimarães, que foi sua aluna, lembrou que o professor levou seus alunos de graduação para estagiar na Companhia Telefônica Brasileira, onde desenvolvia uma pesquisa sobre o uso dos orelhões (telefones públicos) pelos cariocas.

Seus colegas e alunos assinalam unanimemente a alegria como marca da personalidade de Carlos Dório, que caracterizam como um grande conversador e um homem que sabia viver.

Sérgio Luiz Bonato (?-2015) _

O Prof. Bonato era graduado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (1979) e Mestre em Educação pela Uerj (1998). Atuava como professor pesquisador na área de educação comunitária e na Graduação no curso de Comunicação Social. Desde 2003, Bonato atuava no Núcleo de Comunicação Comunitária do Projeto Comunicar e organizava cursos e oficinas para agentes da Pastoral da Comunicação e moradores de favelas do Rio. Era também pesquisador pela Capes/UAB na área de Educação e Comunicação a Distância na Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), em projeto desenvolvido em conjunto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, Faperj.

Professor da PUC-Rio desde 1992, Bonato faleceu no dia 29 de maio. Filósofo e mestre em Educação, o professor foi um dos idealizadores do Fundo Emergencial de Solidariedade da PUC-Rio (Fesp), em 1997, para prestar auxílios de transporte e alimentação a alunos com bolsas comunitárias. Em 1996, foi um dos idealizadores da FEVUC - Feira de Valores da Universidade Católica.

A secretária Maria de Belém, da Pastoral Universitária Anchieta, enfatizou o engajamento de Bonato em trabalhos sociais e a importância da contribuição dele à Universidade por meio do Fesp:

Sérgio deixou para a universidade o Fundo Emergencial de Solidariedade, projeto que foi criado para alunos bolsistas sem renda para transporte e alimentação. No início, o projeto alcançava somente 30 pessoas, mas, com o passar do tempo, Sérgio sensibilizou a Universidade e, hoje, mais de 800 alunos estão inscritos. Desde 1997, ano inicial do projeto, muitas pessoas foram alcançadas. Sérgio era uma pessoa muito humilde. Todos que chegavam a ele com problemas e preocupações podiam contar com sua ajuda. Ele sempre arranjava uma maneira de minimizar ou até mesmo de chegar à solução de um problema.

Foi Presidente da Federação das Associações de Moradores do estado do Rio de Janeiro (Famerj) e dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT). Além de fundador da Central de Movimentos Populares (CMP), participou do movimento das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) dentro da Igreja Católica, e do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, tendo trabalhado em diversas ONGs com educação popular. Bonato teve grande atuação nos anos 1980 e 1990 em São João de Meriti e por toda a Baixada Fluminense.

O Prof. Augusto Sampaio, Vice-Reitor Comunitário da PUC-Rio, ressaltou o exemplo que Bonato representava para os jovens estudantes confrontados com a competitividade do mercado de trabalho:

Jovens são treinados para competir, e a solidariedade deixou de ser um componente importante no mundo. Hoje é tudo concorrência, competição e egoísmo. As pessoas são olhadas pelo cargo que ocupam, pelo restaurante que vão. O Bonato representava o oposto: solidariedade, cooperação.

(Departamento de Comunicação Social) (+29 de maio de 2015)

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