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Professores

Títuloordem crescente Código Data Descrição
Yara Wall (1935 - 2011) _

Um aneurisma foi a causa do falecimento de Yara Wall, ex-professora de Pedagogia da PUC-Rio. Aos 76 anos, a pedagoga era considerada por muitos uma mulher irreverente e agregadora.

A Profa. Emérita Maria Aparecida Mamed lembra de Yara como uma pessoa muito importante para o departamento e ressalta que a personalidade dela era muito marcante.

– Yara era amada por todos os departamentos porque ela sabia traduzir as necessidades de cada saber e o que ela podia oferecer em relação às práticas didáticas – afirma a professora.

Yara coordenou o curso de graduação de Pedagogia e deu aulas para vários professores que atuam hoje no Departamento de Educação. Na PUC-Rio, ela cursou mestrado em Educação e foi professora assistente durante 34 anos, até 2006.

A Profa. Maria Inês Marcondes, ex-aluna da pedagoga, hoje Coordenadora da Pós-Graduação, diz que Yara tinha uma maneira muito inovadora de dar aula e que agradava a todos.

– Ela sempre estava antenada e estudando os autores novos, trazendo novos questionamentos para a sala de aula. Quando fui aluna dela, achava muito interessante porque ela instigava muito bem o aluno – conta Maria Inês.

Para o Prof. Emérito José Carmello Carvalho, a presença de Yara foi essencial para a construção do departamento.

– Ela e outras professoras emblemáticas foram capazes de construir um departamento (de Educação) pequeno, mas de extrema importância.

Muitos professores do Departamento sentiram a morte dela, porque, segundo a Profa. Maria Rita Passeri, além de ser querida por todos, foi uma morte inesperada.

Luisa Paciullo e Júlia Morani
Publicado no Jornal da PUC no. 250, de 28/11/2011
Projeto Comunicar

Verônica Rodrigues (1957 - 2012) _

A Profa. Verônica era graduada em Arquitetura e Urbanismo pelo Instituto Metodista Bennett (1983) e mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2006). Foi consultora do projeto de criação do curso de Arquitetura em 2001 e desde 2002 atuava como professora da Universidade.

Seu pai, o arquiteto Sergio Rodrigues, de quem era sócia no escritório Sergio Rodrigues Design e Móveis, disse ao Jornal da PUC que desde pequena Verônica demonstrou interesse por arquitetura, frequentava sua loja de design e o auxiliava a arrumar os móveis dispostos na varanda do apartamento onde moravam. Dizia que gostava de morar numa casa diferente das demais.

Para o Prof. Fernando Betim, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo, “Verônica tinha sensibilidade em relação ao ensino. Lançava um olhar humanista em disciplinas mais formais e trazia a simplicidade. Ela tinha uma técnica muito apurada e sabia traduzir isso para a sala de aula. Sua doçura, competência e amizade foram marcas fundamentadoras da construção do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio.”

O Jornal da PUC apurou que “Verônica era apreciadora de música brasileira e de cinema, gostava de cozinhar e de cantar e participava de coros familiares. Leitora voraz, fazia doutorado em Letras pela PUC-Rio e em sua tese buscava associar a personalidade dos personagens de ficção ao interior de ambientes descritos nas obras. Verônica faleceu de câncer no dia 13 de março, dois dias antes de seu aniversário, aos 55 anos. Deixou duas filhas, uma designer e outra estudante de arquitetura.”

Sônia de Camargo (1928-2014) _

A Professora Emérita Sonia de Camargo foi fundamental para a implantação do curso de graduação em Relações Internacionais da PUC-Rio, primeiro do Brasil em sua área. Cientista política, fez graduação em Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (1964), mestrado em Ciência Política na Faculdad Latinoamericana de Ciencias Sociales (1972), doutorado em Ciência Política na Universidade de São Paulo (1981) e pós-doutorado na Asociación de Investigación y Especializacón En Temas Iberoamericanos (1990).

Professora da PUC-Rio desde 1977, a sua trajetória se mescla com a do Instituto de Relações Internacionais (IRI), criado em 1979, do qual foi diretora em duas oportunidades. Sonia de Camargo implementou também o doutorado em Relações Internacionais, pioneiro no país, e deixou a sua marca no nível de excelência alcançado pelo IRI, considerado um dos melhores do Brasil.

Em agosto de 2012, a professora foi homenageada com o fotolivro Sonia de Camargo e a PUC-Rio, desenvolvido pela equipe do Decanato do Centro de Ciências Sociais com imagens, fotos e depoimentos de amigos e companheiros da Universidade. Na ocasião, o Reitor Professor Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J. expressou o grande orgulho de tê-la na Universidade:

O apreço e o amor que tem por esta casa sempre acompanhou sua trajetória. Com uma semente pequena, Sônia apostou no trabalho e, determinada, fez com que a semente crescesse e virasse uma árvore grande com muitos frutos. Só tenho a agradecer por sua dedicação.

(Departamento Instituto de Relações Internacionais) (+23 de julho de 2014)

Sílvia Beatriz Alexandra Becher Costa (1954-2014) _

A Professora Sílvia Becher era graduada pela PUC-Rio em Letras - Português-Inglês (1976) e Tradutor/Intérprete - Português/Inglês (1977). Fez o mestrado em Letras em 1980 e o doutorado em Administração em 2006, ambos pela PUC-Rio. Foi também professora da UFRJ, desde 1987, e do Colégio Pedro II, desde 1981. Seu principal interesse de pesquisa tornou-se a linguagem e o desenvolvimento profissional, com ênfase em processos de coaching aos profissionais em formação em organizações empresariais e em sistemas escolares.

No Departamento de Letras da PUC-Rio, coordenava o grupo de pesquisa Práticas Discursivas em Orientação para o Desenvolvimento Profissional. Profissional entusiasmada com o seu trabalho, era também Diretora do Instituto Confucius.

(Departamento de Letras) (+12 de dezembro de 2014)

Sérgio Luiz Bonato (?-2015) _

O Prof. Bonato era graduado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (1979) e Mestre em Educação pela Uerj (1998). Atuava como professor pesquisador na área de educação comunitária e na Graduação no curso de Comunicação Social. Desde 2003, Bonato atuava no Núcleo de Comunicação Comunitária do Projeto Comunicar e organizava cursos e oficinas para agentes da Pastoral da Comunicação e moradores de favelas do Rio. Era também pesquisador pela Capes/UAB na área de Educação e Comunicação a Distância na Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), em projeto desenvolvido em conjunto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, Faperj.

Professor da PUC-Rio desde 1992, Bonato faleceu no dia 29 de maio. Filósofo e mestre em Educação, o professor foi um dos idealizadores do Fundo Emergencial de Solidariedade da PUC-Rio (Fesp), em 1997, para prestar auxílios de transporte e alimentação a alunos com bolsas comunitárias. Em 1996, foi um dos idealizadores da FEVUC - Feira de Valores da Universidade Católica.

A secretária Maria de Belém, da Pastoral Universitária Anchieta, enfatizou o engajamento de Bonato em trabalhos sociais e a importância da contribuição dele à Universidade por meio do Fesp:

Sérgio deixou para a universidade o Fundo Emergencial de Solidariedade, projeto que foi criado para alunos bolsistas sem renda para transporte e alimentação. No início, o projeto alcançava somente 30 pessoas, mas, com o passar do tempo, Sérgio sensibilizou a Universidade e, hoje, mais de 800 alunos estão inscritos. Desde 1997, ano inicial do projeto, muitas pessoas foram alcançadas. Sérgio era uma pessoa muito humilde. Todos que chegavam a ele com problemas e preocupações podiam contar com sua ajuda. Ele sempre arranjava uma maneira de minimizar ou até mesmo de chegar à solução de um problema.

Foi Presidente da Federação das Associações de Moradores do estado do Rio de Janeiro (Famerj) e dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT). Além de fundador da Central de Movimentos Populares (CMP), participou do movimento das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) dentro da Igreja Católica, e do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, tendo trabalhado em diversas ONGs com educação popular. Bonato teve grande atuação nos anos 1980 e 1990 em São João de Meriti e por toda a Baixada Fluminense.

O Prof. Augusto Sampaio, Vice-Reitor Comunitário da PUC-Rio, ressaltou o exemplo que Bonato representava para os jovens estudantes confrontados com a competitividade do mercado de trabalho:

Jovens são treinados para competir, e a solidariedade deixou de ser um componente importante no mundo. Hoje é tudo concorrência, competição e egoísmo. As pessoas são olhadas pelo cargo que ocupam, pelo restaurante que vão. O Bonato representava o oposto: solidariedade, cooperação.

(Departamento de Comunicação Social) (+29 de maio de 2015)

Santuza Cambraia Naves (1953-2012) _

Para seus colegas, alunos, orientandos e muitos amigos a morte tão inesperada da Profa. Santuza foi um choque e uma tristeza imensa. Alegre e cheia de vida, Santuza foi professora de antropologia do Departamento de Sociologia da PUC-Rio e pesquisadora de música popular, muito querida por seus alunos, pelos colegas do Departamento e por todos os que a conheciam na Universidade e se acostumaram a vê-la ilustrar suas intervenções em congressos e seminários sobre música brasileira cantando à capela com uma magnífica voz que enchia o auditório.

Santuza era casada com o poeta e tradutor Paulo Henriques Britto, também professor da PUC-Rio, do Departamento de Letras, que acabava de publicar um livro de poesia dedicado a ela.

Na missa celebrada em sua memória e presidida pelo Reitor, Prof. Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J., a Igreja da PUC-Rio repleta de alunos, professores e funcionários permitia ver o quanto Santuza era querida. Um de seus orientandos tocou ao violão suas músicas preferidas e alguns de seus amigos e colegas falaram sobre ela.

A Profa. Santuza publicou os livros Violão Azul: Modernismo e Música Popular, Da Bossa Nova à Tropicália, A MPB em Discussão – Entrevistas, Velô e Canção Popular no Brasil. Em suas pesquisas aprofundou a questão da ruptura da hierarquia entre o erudito e o popular na música brasileira, da bossa nova como um divisor de águas cultural e o conceito de canção crítica aplicado à música brasileira posterior aos anos 1950.

Dela disse o crítico, professor de literatura na USP e músico José Miguel Wisnik ao jornal A Folha de São Paulo: "Santuza acompanhou a música popular brasileira nas suas várias frentes, de maneira viva, generosa, atenta, inteligente. Abriu frentes de pesquisa, reuniu pessoas, soube extrair dos artistas os seus melhores depoimentos. Devemos ter isso bem claro e presente".

A sensibilidade, a inteligência, a generosidade, a voz e o sorriso de Santuza vão fazer falta à PUC-Rio e ao mundo.

Na missa de sétimo dia, concelebrada pelo Reitor da PUC-Rio, Prof. Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J. e pelo Pe. Luís Corrêa Lima S.J., professor do Departamento de Teologia, um de seus orientandos tocou suas músicas preferidas no violão e algumas de suas amigas, também cientistas sociais, e de seus alunos falaram sobre ela.  Transcrevemos abaixo o texto lido pela professora Dulce Chaves Pandolfi, do CPDOC/FGV:

De Santuza fui vizinha, amiga, madrinha, irmã e até mesmo, algumas vezes, um pouco mãe. Sem dúvida, ela era única. Aliás, foi a única Santuza que conheci. A voz, o sorriso, o cabelo, o gestual das mãos, o pigarro, a postura eram marcas registradas. Apesar de única, ela era tão grandiosa e radiosa que parecia várias. O que a movia era a paixão e por isso, as vezes, pecava pelo excesso. Apaixonada por Boa Esperança, sua terra natal, da mãe herdou a elegância e do pai, o lado mais boêmio. Muito charmosa e estilosa Santuza não gostava de modismos. Nada entendia de cozinha, nem era uma gourmet, mas adorava convidar os amigos para jantar na sua casa. Foi a única mineira que conheci que não gostava de queijo. Para ela não havia tempo ruim. Também parecia não haver meio termo. Num primeiro momento, as coisas eram muito belas ou muito feias, muito boas ou muito ruins. Felizmente as fronteiras entre esses opostos eram bastante tênues. Quando pintava a paixão, o que era feio se transformava no belo, o ruim no bom. Algumas vezes radical, era sempre profundamente generosa e conciliadora. Era um ser gregário, uma colecionadora de amigos. Por onde passava, deixava rastros. Entre os seus legados deixou um especial: “um modo Santuza de ser”.

Fui apresentada a Santuza, em 1979, uma socióloga, recém- chegada de Brasília. Não perdi a oportunidade. Convidei-a para participar da entidade que estávamos tentando criar: a APSERJ, Associação Profissional dos Sociólogos do Rio de Janeiro. Rapidamente ela abraçou a causa. Depois das reuniões, a esticada no Lamas era obrigatória. E nos finais de semana, as conversas continuavam no Posto Nove. Em 1981, como representantes da APSERJ, viajamos para Santos para participar da I Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras, a I Conclat. Entusiasmada com a militância, Santuza não só entrou para o recente criado PT, como, durante um bom período, subia as favelas, em busca de novos filiados.

No Portelão, no prédio onde moramos por mais de 30 anos, criamos uma comunidade. Ali apresentei Santuza as minhas amigas. Em pouco tempo, elas se tornaram suas grandes amigas. Éramos todas “comadres”. Trocávamos açúcar, afeto, fraldas, filhos, choros e risos. Foi ali que Santuza criou uma frase que se tornou nosso hino de guerra, utilizado nos momentos de fraqueza do corpo ou da alma: “O Portelão não se rende jamais!”.

No início da sua vida no Rio, Santuza fazia transcrições de fita, condução para escola infantil e quase virou cantora profissional. Cantou em alguns teatros e bares da cidade. Tínhamos uma esperança que algum empresário a descobrisse e fizesse dela uma estrela.

Em 1983 ela ingressou no Museu Nacional, um marco fundamental. De forma magistral, conseguiu juntar a música, sua grande paixão, com a antropologia, sua nova paixão. Assumiu a profissão como uma vocação e fez dela mais uma paixão. A partir daí Santuza ganhou o mundo. Fez escola, criou as “santuzetes”.

Quando nos conhecemos, estávamos em momentos complemente diferentes das nossas vidas. Talvez, e, até mesmo por isso, muitas foram as trocas: eu iniciando o casamento com Agostinho e Santuza finalizando seu casamento com Tonico, seu primeiro marido, o pai do Felipe e do Julio. Depois da separação, vieram algumas paixões. Umas rápidas, outras mais longas. Todas passageiras.

Foi em 1986 que Santuza, pura paixão, conheceu Paulo, sua alma gêmea, mas que era pura razão. Ele passou a tomar conta de Santuza de forma integral. A casa entrou em outro ritmo. Tudo super organizado. Felipe e Julio passaram a ser, também, filhos do Paulo. Melhor do que ninguém, ele conseguia controlar as cervejas da Tuzinha: eram apenas três por noite. Confesso que no início senti ciúmes. Mas Paulo era um poeta diferente dos que eu havia conhecido: ele lavava louça, consertava computador, desentupia pia, trocava lâmpada. E o que era melhor: essas pequenas e fundamentais coisas que ele fazia na casa dele, ele também fazia na casa das amigas da Tuzinha. Aí Paulo nos conquistou. E aos poucos fomos descobrindo que Paulo havia vindo para ficar. Seria e, de fato, foi o maior e definitivo amor de Santuza.

Nos últimos dias, muitos de nós, acordamos e dormimos atormentados por uma questão: “como é viver num mundo sem Santuza?” Embora a experiência seja muito recente, já deu para perceber que o mundo sem Santuza é um mundo menos azul, com menos paixão, pouco violão e, certamente, com muito menos canção.

Diante de tudo isso só nos resta plagiar Paulo e repetir: para Santuza, sempre.

Alguns amigos da PUC-Rio compartilharam as mensagens publicadas a seguir:

"O Reitor da PUC-Rio  vem manifestar sua solidariedade  aos Departamentos de Sociologia e Política e Engenharia Civil pelo falecimento dos Professores Santuza Cambraia Naves e Erlane Ferreira Soares que colaboraram academicamente com a nossa Universidade.  Peço a Deus que conforte as famílias dos respectivos professores, na certeza de que os mesmos estarão intercedendo por todos nós na morada eterna."
Prof. Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J.
Reitor da PUC-Rio

"Caros colegas,
"Em nome dos professores, funcionários e alunos do Departamento de Letras venho expressar nossa profunda tristeza pelo falecimento da querida amiga e colega Santuza Cambraia Naves. Santuza foi e continuará sendo uma grande inspiração para nós pelo seu entusiasmo, dedicação e seriedade como professora e pesquisadora. Sentiremos muita falta da sua presença alegre, amistosa e instigante que tornava nossa vida acadêmica mais prazerosa e gratificante. Todo o nosso apoio e solidaridade ao professor Paulo Henriques Britto e à família neste momento tão difícil."
Prof. Karl Erik Schollhammer
Diretor do Departamento de Letras

"Tristeza profunda
"Caros Colegas,
"É com profundo pesar que soubemos do falecimento de nossa queridíssima colega e amiga Santuza Cambraia Naves. O Departamento de Sociologia e Política perde uma professora, pesquisadora e amiga insubstituível."
Profa. Maria Sarah da Silva Telles
Diretora do Departamento de Sociologia e Política da PUC-Rio

"Estou absolutamente chocada com o falecimento de Santuza. Brilhante professora, pesquisadora, autora e belíssima pessoa da mais alta qualidade humana.
É profunda a minha tristeza."
Profa. Tania Dauster
Departamento de Educação da PUC-Rio

"Surpresa e atônita!
"Conheci seu olhar arguto e sua a voz forte quando fazíamos mestrado e cursamos juntas uma disciplina. Desde então, respeitei seu trabalho e sua personalidade, acrescida sempre pelas intervenções lúcidas e agradáveis no Departamento de História.
"Meus sinceros sentimentos a todos aos que lhe eram mais próximos!"
Profa. Eunícia Barros Barcelos Fernandes
Departamento de História da PUC-Rio

"Aos colegas do departamento de Sociologia e Política envio o sincero pesar pelo falecimento da Profa. Naves."
Profa. Angela Wagener
Diretora do Departamento de Química da PUC-Rio

"Pêsames pelo falecimento da nossa querida colega Santuza. São os sentimentos de todos os professores e funcionários do Departamento de Serviço Social."
Profa. Luiza Helena Nunes Hermel
Diretora do Departamento de Serviço Social

Rosa Maria Sá Costa Ribeiro (? - 2013) _

O Departamento de História perdeu a Professora Rosa Maria Sá Costa Ribeiro, ex-aluna e professora do Curso de Especialização em História da Arte e da Arquitetura, muito querida por todos os que tiveram o privilégio de conviver com ela.

Rosa era Licenciada em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Mestre em História Social da Cultura pela PUC-Rio. Casada com Carlos Costa Ribeiro, por muitos anos professor e pesquisador do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rosa tinha profundos laços intelectuais e familiares com a PUC-Rio. Seu cunhado Paulo Costa Ribeiro é Professor Emérito do Departamento de Física. Outro cunhado seu, Sérgio Costa Ribeiro, já falecido, foi por muitos anos também professor do Departamento de Física. Alguns dos 9 irmãos de seu marido Carlos estudaram na PUC-Rio e muitos dos sobrinhos de Rosa e Carlos, também foram alunos da PUC-Rio. E foi no Departamento de História que Rosa encontrou alguns de seus principais interlocutores acadêmicos e o espaço para desenvolver sua especialização em História da Arte e seu mestrado e para atuar como docente e pesquisadora.

As pesquisas que desenvolveu sobre arquitetura colonial religiosa no Brasil são de grande importância. Entre eles, destacam-se os estudos sobre as ruinas do convento de São Boaventura (século XVII) em Itaboraí e sobre o Convento de Santo Antonio, no Largo da Carioca (Rio de Janeiro).

Rosa lutou por 11 anos contra um câncer. Em sua missa de sétimo dia na Igreja do Sagrado Coração, no campus da PUC-Rio, o número de amigos, companheiros de trabalho e familiares presentes dava a escala do quanto era querida. Ao final da missa, um de seus quatro netos leu um texto de Guimarães Rosa que a avó gostava de ler para ele e seu marido Carlos encontrou forças para ler um belíssimo texto que escreveu sobre aquela que dividiu com ele 47 anos de uma vida de muita felicidade, mas também de dores profundas que incluíram a perda trágica de um filho de 21 anos.

Algumas das mensagens de seus colegas do Departamento de História mostram o quanto Rosa era querida:

“Prezados colegas,
"Nesta hora só nos ocorrem lugares comuns. Mas a Rosa era, de fato, a delicadeza em pessoa!”
Professor Ronaldo Brito Fernandes
Departamento de História

“Quem teve a satisfação de conviver com ela deve ter ficado envolvido com a sua delicadeza como o Ronaldo. Eu acrescentaria a doçura no trato das coisas da vida e a grandeza de um sorriso temido e abrangente. As pessoas interessantes são difíceis de serem descritas. Fica a saudade.”
Professor Antonio Edmilson Martins Rodrigues
Departamento de História

Rosa será sempre lembrada com carinho por aqueles que a conheceram.

Ricardo Oiticica (? - 2013) _

O Professor Ricardo Oiticica, diretor do Instituto Interdisciplinar de Leitura – IILER - da PUC-Rio, morreu subitamente no dia 20 de outubro, pouco mais de um mês depois de ter assumido essa função. Era graduado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1984), mestre (1988) e doutor (1997) em Letras pela PUC-Rio. Foi pesquisador da Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio e professor adjunto do Centro Universitário da Cidade. Foi Leitor da Université Stendall, em Grenoble (França), editor do jornal Verve e pesquisador da Fundação Biblioteca Nacional.

Mensagem do Reitor da PUC-Rio:

"A PUC-Rio manifesta seu sentimento de pesar pelo falecimento do nosso querido Professor Ricardo Oiticica, atual diretor do Instituto IILER, ocorrido na madrugada do dia 20 de outubro. A Universidade estende todo o apoio e solidariedade à sua família, além das orações para que o Senhor Deus o receba na pátria definitiva e eterna. A ele, nossa profunda gratidão pelo que fez em prol de nossa Universidade."

Prof. Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J.
Reitor da PUC-Rio

Renata Cantanhede Amarantes (1970 - 2012) _

A Profa. Renata lecionava no Departamento de Comunicação Social e era subeditora do Núcleo de Jornalismo Impresso do Projeto Comunicar. Sua morte prematura e imprevista chocou colegas e alunos. Entre as muitas manifestações de pesar recebidas, o Núcleo de Memória selecionou a bela carta aberta enviada pelos ex-estagiários do Projeto Comunicar que trabalharam com ela.

“Carta aberta dos ex-estagiários

“A cena era relativamente comum: algum dos estagiários havia conseguido uma vaga em outro lugar 'lá fora' e ia se despedir do Jornal da PUC. Todos nós abraçávamos quem ia embora, genuinamente felizes por mais um passo alcançado na carreira do colega iniciante. É inevitável: o mercado costuma absorver com gosto quem passou pelo Projeto Comunicar. Quando esse estagiário resolvia dar tchau às chefes, abraçava uma emocionada Renata Cantanhede, que - não raro - estava com os olhos cheios de água.

“Logo a durona da Renata? Aquela que é tão rígida na hora de cobrar e de exigir o melhor de seus alunos e estagiários? Sim. Ela exigia porque sabia que seríamos capazes de fazer. E se não conseguíssemos, ela vinha para o nosso lado e nos fazia ser capazes. Explicava quantas vezes fossem necessárias. Nunca como chefe, sempre como professora. Aliás, gabaritada professora. Daquelas que explicam o porquê da regra gramatical como uma gramática falante, coisas que só uma Doutora em Letras poderia fazer.

“Muitas vezes ela também foi amiga. Sempre que o trabalho permitia, sentava conosco para rir e fazer piadas. E nas férias escolares, quando o ritmo é bem mais leve, disputava (e quase sempre vencia) as animadas partidas de ‘Perfil’ e ‘Stop’ que a gente organizava.

“As histórias, sua paixão, não ficavam só nos livros que lia e escrevia. Depois do lanche da tarde, chegava manso na redação com sua Coca-Cola e o típico olhar de Renata. Desconfiada e interessada, doida para saber o que os estagiários estavam aprontando. Antes de voltar às notinhas do PUC Urgente, havia tempo para o plágio que descobriu no último trabalho que passou em aula e a desculpa cara de pau do aluno fulano. O fulano, apesar de nossa insistência e para tristeza de todos, nunca tinha o nome revelado.

“Nossas experiências do Jornal da PUC vão nos marcar para sempre. E é indiscutível que as lições da Renata foram fundamentais para isso. Das reuniões de pauta às aulas de português. Na família Comunicar, a Renata era uma irmã mais velha. Jovem há mais tempo, tinha a expertise para nos ensinar os atalhos e ajudar a prevenir os erros. Quando entramos pela porta cinza do 4º andar pela primeira vez, estávamos crus. Saímos preparados para enfrentar os desafios que o mundo real nos apresentava. Talvez fosse essa mudança que a deixasse tão emocionada com a despedida. E agora, que dizemos adeus, nos emocionamos também. Afinal, nos damos conta que para toda nossa vida pessoal e profissional carregaremos um pouco da Renata conosco.”.

Reinaldo Calixto de Campos (1955 - 2012) _

O Prof. Calixto era doutor em Química pela PUC-Rio e integrava o quadro de docentes desde 1977. Era decano do CTC desde 2006, e fora antes vice-decano de Graduação. Faleceu em decorrência de um câncer diagnosticado há alguns meses. Tinha 57 anos, e faleceu o dia 07/02/2012.

Veja mais em matéria no Portal PUC-Rio Digital.

Alguns amigos da PUC-Rio compartilharam as mensagens publicadas a seguir:

"Prezados professores, alunos e funcionários da comunidade universitária da PUC-Rio,
"Foi com tristeza que recebemos a notícia do falecimento de nosso amigo, professor e decano do CTC, Prof. Reinaldo Calixto. Já faz alguns meses que temos acompanhado a sua luta contra o câncer e os sucessivos exames e cirurgias. Infelizmente as inúmeras tentativas em vencer a doença não produziram os resultados esperados, vindo assim a falecer na noite de ontem, 7 de fevereiro. Com espírito de fé e solidariedade, unamos nossas preces a ele e a seus familiares. Que junto de Deus ele possa interceder por nós e a nossa instituição.
"Abraço fraterno,"
Prof. Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J.
Reitor da PUC-Rio

"Com enorme tristeza e não sem certa surpresa recebi a notí­cia do falecimento do nosso querido Professor e Decano, Reinaldo Calixto. Além de admirá-lo pelas suas qualidades e talentos profissionais, aprendi a apreciar ainda mais a sua 'humanidade', sabedoria e bondade, durante o perí­odo da sua doença e aparente recuperação. À sua família o nosso pesar e as nossas orações."
Pe. Francisco Ivern S.J.
Vice-Reitor da PUC-Rio

"Caros colegas,
"Em nome da Vice-Reitoria Acadêmica, e em meu próprio nome, venho expressar o sentimento de profunda consternação pela perda precoce do Prof. Reinaldo Calixto de Campos, cujo caráter, profissionalismo, competência e dedicação já foram tão bem exaltados nas palavras de seus pares e funcionários, que faço minhas também.
"À família do Prof. Calixto, toda a nossa solidariedade e o desejo de paz e serenidade para enfrentar tão dura e inesperada perda."
Prof. Jose Ricardo Bergmann
Vice-Reitor Acadêmico da PUC-Rio

"Não imaginava há poucos dias atrás.... parece que havia esperança. Foi o tipo de câncer que também vitimou o saudoso prof. Bocater. Para todos nós que aprendemos a apreciar suas inúmeras qualidades, fica a saudade...
"A seus familiares, os votos de conforto espiritual, na fé e esperança da vida eterna."
Pe. Pedro M. Guimarães Ferreira S.J.
Presidente da Fundação Padre Leonel Franca e professor emérito da PUC-Rio

"Prezados colegas
"Com enorme tristeza informo o falecimento no final da noite de ontem, 3ª feira, do Decano do CTC, Reinaldo Calixto de Campos.
"Perdem a PUC e o CTC um pesquisador brilhante, um educador apaixonado e uma importante liderança. Perdemos nós um querido amigo e colega, de forma prematura e mesmo inesperada.
"À sua esposa e filhos, com quem estive até há pouco, transmito em nome dos amigos da PUC/Rio o nosso profundo pesar."
Prof. Luiz da Silva Mello
CTC-PUC-Rio - Coordenação Central de Planejamento e Avaliação - CCPA / VRAc

"O desaparecimento do grande amigo e colega Reinaldo é um golpe duríssimo para todos nós. Que o entusiasmo e o otimismo com que ele sempre nos contagiou, em sua incansável dedicação à PUC, possa nos servir de permanente inspiração. À sua esposa, filhos e demais parentes, em nome de toda a CCPG, o nosso sentimento de profundo pesar."
Prof. Paulo Cesar Duque Estrada
Coordenador da CCPG/PUC-Rio

"Prezados Colegas e familiares do Prof. Reinaldo Calixto, Decano do CTC
"Foi com enorme tristeza que recebemos a noticia do falecimento do Prof. Calixto. Durante tantos anos de convivência em nossa Universidade sempre admiramos nele, alem de seu saber técnico, sua visão humanista e seu amor a Universidade. É para todos nós uma grande perda e transmitimos a seus familiares, em nome de todo o Centro de Teologia e Ciências Humanas, nosso profundo pesar."
Prof. Paulo Fernando Carneiro de Andrade
Decano do CTCH/PUC-Rio

"Nosso Reinaldo C. Campos
"Caros Colegas
"Foram necessárias algumas horas para reencontrar o rumo depois de tomar conhecimento de que nosso colega e amigo Reinaldo havia nos deixado, completando a sua caminhada neste ciclo de vida.
"Reinaldo não se destacou apenas como excelente Professor e Pesquisador, mas, como mostram as várias mensagens de pesar de colegas de tantas e diferente áreas do saber, era um cidadão preocupado com as questões sociais, a política, a pobreza, as injustiças. Por mais que se pudesse discordar de qualquer de suas opiniões, sempre foi impossível deixar de admirar a forma lúcida com que as expunha, mostrando o hábito da leitura e da reflexão. Reinaldo iniciou sua carreira como Professor no departamento de Química da PUC-Rio em março de 1989, após concluir seu doutorado nesta instituição em 1988. Além de ter conduzido com criatividade e competência a pesquisa, tornando-se uma referência no país na área de espectrometria atômica, sempre mostrou grande preocupação com as questões voltadas ao ensino e à aprendizagem. Sua contribuição para o departamento de Química não se encerra nas dissertações (45) e teses (40) orientadas, nem tampouco nos 120 trabalhos publicados em periódicos, mas vai muito mais além, como mostra a participação sempre ativa em discussões sobre estratégias e caminhos para crescimento e destaque do departamento no cenário nacional e internacional. Sua dedicação ao trabalho, conhecida por muitos em seu período como Decano do CTC, era admirada por colegas, seus alunos e colaboradores. Ontem mesmo, ainda passava orientações por telefone a sua equipe no laboratório, revisava tese de doutorado de uma de suas alunas e discutia futuras publicações.
"Reinaldo nos deixa um exemplo de coragem e espírito positivo admirável. Em nenhum momento da penosa caminhada, desde a descoberta da doença, o vimos abatido, queixando-se ou deprimido. Lutou pela vida até o fim com estoicismo e elegância ao lado da família amorosa que soube construir.
"O departamento de Química se une à Tereza, sua esposa, aos seus filhos e demais familiares neste momento de tristeza. Fica uma grande saudade daquele que enxergava céus luminosos mesmo ao cair da noite."
Profa. Angela Wagener
Diretora do Departamento de Química da PUC-Rio

"Reinaldo Calixto - dois registros adicionais sobre um mestre compromissado com a causa do ensino
"Embora sem ter partilhado de uma convivência maior com Reinaldo Calixto, tive a felicidade de dividir com ele dois momentos bem reveladores, que expressam ser ele um MESTRE, enquanto cidadão e profissional muito além do bom professor nos limites do seu Departamento e do CTC:
"- em 2001, quando tentávamos consolidar o projeto das Licenciaturas Especiais - infelizmente sem sobrevivência na PUC - nos foi dado perceber o enorme compromisso de um docente de Química perante a triste realidade do ensino-aprendizagem das Ciências, especialmente na rede pública do ensino...
"- em 2006, quando Calixto, incentivou - inclusive com bolsas de iniciação científica - a bacharelandos do CB/CTC, oriundos dos Pré-Vestibulares Comunitários, a estudarem uma proposta de ensino baseada sobre a matriz do ENEM, e a lecionarem depois em Classes de Pré-Vestibular Comunitário.
"São apenas dois registros, mas que mostram um MESTRE compromissado para bem além do Departamento de Química e do CTC.
"Com saudades imensas por ter compartilhado tão pouco da vida acadêmica de Reinaldo Calixto."
Prof. José Carmelo
Departamento de Educação da PUC-Rio

"Reinaldo estará para sempre conosco. Preservemos seus inúmeros exemplos de vida e solidariedade cotidianos."
Profs. Selma Rinaldi de Mattos e Ilmar Rohlofff de Mattos
Departamento de História da PUC-Rio

"Hoje mais restabelecida pela triste notícia de falecimento do Prof. Reinaldo, me permito dizer algumas palavras.
"Tendo acompanhado por alguns anos sua trajetória no departamento de Química e sua valiosa contribuição à PUC, como Professor e Decano, tenho a imensa certeza de que perdemos um ser humano de muita potencialidade, e para todos que conviveram de perto sabem a falta que ele nos fará, Amigo e Colega que foi. Louvo sua inteligência e sabedoria. Atribuo-lhe várias qualidades que não encontrei em muitos de meus formadores. Posso nomear algumas de suas virtudes: forma ímpar de ensinar, político ao extremo procurando sempre conciliar divergências, preocupação com o social, elegância discreta ao tratar de assuntos de interesse geral. E, principalmente, um grande administrador e líder, certeza essa pela minha experiência em participar por alguns anos, como membro representante dos funcionários no Conselho Departamental.
"Eu e meus colegas expressamos no imenso pesar pela perda do "Grande Rei", como alguns o chamavam. Descanse em paz, vida que segue!!!"
Fátima Almeida
Funcionária do Departamento de Química da PUC-Rio

"Gostaria de expressar meus profundos sentimentos à família do Prof. Reinaldo Calixto, assim como aos seus amigos e colegas de trabalho. Ele foi realmente uma pessoa brilhante, parceiro em várias atividades acadêmicas e um amigo muito especial. Todos sentiremos a sua falta enormemente.
"Perdemos essa semana um grande homem, e a PUC um de seus melhores profissionais."
Profa. Rosa Marina de Brito Meyer, Prof. Ricardo Borges Alencar e equipe do CCCI/PUC-Rio.

"Certamente que nosso amigo Reinaldo, na nova experiência que ora inicia, obterá o mesmo sucesso da que acabou de finalizar!
"À sua familia, a solidariedade de mais um colega do CTC."
Professor José Carlos D´Abreu
Departamento de Engenharia de Materiais da PUC-Rio

"Notícias do Reinaldo Calixto de Campos
"Querido Reinaldo,
"Estou compartilhando com a comunidade PUC-Rio uma das últimas mensagens que trocamos, na qual você estava confiante no seu tratamento e na sua recuperação.
"Quero, aqui em público, te agradecer por todo o carinho, CONFIANÇA TOTAL e amizade que você depositou em mim durante todos esses anos que trabalhamos juntos.
"Onde quer que você esteja, fique em PAZ! E zele por todos nós!
"Um grande beijo,"
Santana Maria Patrício Braga dos Santos
Decanato do CTC

De: Reinaldo Calixto
Data: 28 de janeiro de 2012 10:37
Assunto: RES: Notícias
"Oi, Santana.
"Obrigado pelas notícias e atenção. Olha, as coisas da operação vão melhorando, com as cicatrizes doendo cada vez menos. Tenho feito consultas médicas intermitentes, e está tudo legal. Estou fazendo alguns exames, ainda, mas fazem parte. O que mais me incomoda é que ainda não consegui recuperar meu ritmo alimentar. Estou ainda muito magro, perdi peso, claro, mas o aparelho digestivo ainda na funciona OK, e eu não consigo ganhar peso como esperado. Sempre que se sai do Hospital, o peso desce um pouco, mas depois entra em ascendente, e eu ainda não entrei neste ascendente. Mas todos os exames deram legais. Foi uma operação grande, e estes desconcertos são esperados. Como você falou, vou ter que ter paciência, para ir voltando ao normal. Pode deixar que tenho. Bom saber que o SM voltou. Vou entrar em contato com ele. Que bom que o ED vai de vento em popa, e tenha certeza que não seria assim se não fosse você, pois agora todos querem o apoio da Santana. Imagina, trazer o Ney, que sucesso.
"Olha eu tenho a água benta na minha mesa de trabalho (foi o Padre Paul que a benzeu, não foi?). Mas eu não sabia que tinha que passar diariamente. Achei que era para deixar perto de mim, para receber seus bons fluidos.
"Bem, agora sei."
Reinaldo

"Surpresa e tristeza se misturam
"Professor Reinaldo materializava a integração universitária - o que o fato de conhecê-lo sendo professora do Departamento de História e de relativa recente contratação (no conjunto geral de nosso quadro) é exemplo - e trazia sempre consigo, disseminando entre os colegas, uma expectativa aberta ao mundo. Há um vazio.
"Meus sinceros sentimentos aos colegas mais próximos e à família."
Profa. Eunícia Barros Fernandes
Depto. de História da PUC-Rio

"Prezados Amigos e Familiares do Prof Reinaldo Calixto,
"O Departamento de Psicologia, profundamente consternado, gostaria de enviar um abraço e sinceros sentimentos aos familiares e amigos do Prof. Reinaldo Calixto."
Profa. Maria Elizabeth Ribeiro dos Santos
Diretora do Departamento de Psicologia da PUC-Rio

"É uma grande perda para todos nós. Além das qualidades profissionais, Reinaldo se caracterizava pela gentileza no trato com os colegas, o bom humor e pela tolerância. Ele parte mas ficará sempre lembrado por sua generosidade."
Prof. Gustavo Sénéchal de Goffredo
Assessor Jurídico da Reitoria da PUC-Rio

"Em nome do Departamento de Serviço Social da PUC-Rio venho manifestar o nosso sentimento de perda de um grande professor, administrador e entusiasta pelo trabalho interdisciplinar. Nossos pêsames à família, ao Departamento de Química e ao CTC."
Profa. Luiza Helena Nunes Hermel
Diretora do Departamento de Serviço Social da PUC-Rio

"Prezados colegas,
"Concordo com a Angela, estamos todos, não só no departamento, mas em toda a PUC, chocados com essa triste e totalmente inesperada notícia. Tive a infeliz missão de dar a notícia para o Adilson, que foi orientador do Reinaldo, e ele enviou a mensagem abaixo para ser transmitida aos amigos e à família."
Profa. Tatiana Dillenburg Saint'Pierre
Departamento de Química das PUC-Rio

"Carta aberta ao Reinaldo Calixto de Campos
"Florianópolis, 8 de fevereiro de 2012.
"Oi Reinaldo,
"Que pressa em partir, rapaz! Sei que a pressa não deve ter sido sua, mas receber a notícia assim, de repente, sem uma preparação, é dureza.
"Sinto que perdi um tesouro. Estou me sentindo muito mais pobre e sozinho. Reinaldo, que bom que tivemos a oportunidade de conviver, de trocar experiências, de dar risadas e de fazer planos, durante vários anos de trabalho em conjunto. Durante a nossa longa e proveitosa convivência, tanto como meu aluno e como meu colega na PUC-Rio e na UFRRJ, não me lembro de nenhuma desavença entre nós. Fico com a impressão de que foram anos dourados.
"Sempre preocupado com o lado social da química, a sua escolha pela química analítica ambiental foi bem coerente com seus princípios, não foi? A sua dedicação ao mercúrio, já no mestrado, apontava para este caminho. O seu lado contestador e audacioso também foi revelado no mestrado. Você se lembra da jardineira que vestiu durante a defesa? Na época, gerou um bafafá. Lembro muito dos bons tempos em que passamos na Alemanha, você fazendo o seu doutorado sanduíche em Dortmund e eu o meu pós-doutorado em Überlingen. A sua visita com a família ao lago de Constança foi memorável e inesquecível. Com o seu bom humor e entusiasmo, o difícil se tornava fácil.
"O seu gosto pela leitura foi outra característica muito marcante. Descobri o “1808” em uma reunião do CNPq em Brasília, quando atuávamos como membros do Comitê Assessor e vi o livro em suas mãos. Via você dedicando horas a inspecionar os stands das livrarias nos congressos, sempre interessado em livros, não somente nos de química analítica.
"Nos anos 90, nos separamos geograficamente. Não, não foi nenhuma briga entre nós, que resultou na minha mudança. Resolvi voltar para o meu Estado para ficar mais perto dos meus pais. Você deu continuidade ao nosso laboratório de AAS no Rio. Ao longo dos anos, conseguiu ampliá-lo e atualizá-lo com outras técnicas. Está deixando um excelente laboratório, que ainda irá render muitas teses e dissertações no futuro. Seus ex-alunos, certamente, irão dar continuidade a sua brilhante trajetória.
"Você conseguiu organizar com muita dedicação, reuniões científicas nacionais e internacionais, saindo-se melhor do que a encomenda e tornando-se um dos mais prestigiados pesquisadores de química analítica.
"Não vou esquecer a sua animação, bem como a da Teresa durante a realização do Colloquium Spectroscopicum Internationale, no ano passado, em Búzios.
"Nem vou esquecer a sua preocupação com a história da espectrometria atômica, tão bem mostrada na ocasião.
"Dia triste este. Que falta que você faz!
"Até qualquer dia, meu grande e carinhoso amigo."
Prof. Adilson José Curtius, Departamento de Química da Universidade Federal de Santa Catarina.

"Prezados Colegas
"É com consternação que recebo a triste notícia do falecimento do Prof. Reinaldo Calixto. Uma grande perda para a PUC e para todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo. Estendo os meus sinceros pêsames à famí¬lia e que a lembrança da pessoa que ele foi ajude a consolá-los neste momento de dor."
Prof. Luiz Brandão
IAG - Departamento de Administração da PUC-Rio

"Os professores do Departamento de Filosofia lamentam profundamente o precoce falecimento de Reinaldo Calixto. Além de tudo aquilo que os colegas já afirmaram, e para o que chamaram a atenção a seu respeito, acrescento que ele sempre se mostrou atento e interessado pela melhor maneira pela qual o ensino da Filosofia poderia ser aproveitado pelos diversos cursos do CTC. Os coordenadores de graduação de nosso Departamento reconheciam, e se sentiam profundamente gratos por isso, o apoio e cuidado que ele sempre manifestou relativamente ao ensino da Filosofia.
"Aos seus colegas mais próximos e à família enviamos nossos sinceros pêsames."
Profa. Vera Cristina Gonçalves de Andrade Bueno
Diretora do Departamento de Filosofia da PUC-Rio

"Em nome do Departamento de Sociologia e Política venho me juntar às inúmeras manifestações de pesar pelo falecimento do Decano do CTC, Prof. Reinaldo Calixto.
"Nossos sentimentos vão especialmente para o Departamento de Química e para seus familiares."
Profa. Maria Sarah da Silva Telles
Diretora do Departamento de Sociologia e Política da PUC-Rio

"Caros,
"A perplexidade que vai em nossos corações, muito bem expressa nas palavras do Tácio, me animou a escrever e lembrar um pouco a nossa imensa fragilidade. Como somos tolos ao perseguir moinhos de vento e futilidades!!! Nossa vida é curta e ao esquecermos deste fato, nos tornamos mesquinhos, deixamos de ser generosos. Nestes instantes, estas pessoas especiais servem de farol, de exemplo.
"Gostaria de ter tido tempo de agradecer ao Reinaldo pela condução firme e iluminada do Decanato do CTC, gostaria de poder agradecer a ele por tornar melhor a nossa Universidade e de tabela, nos tornar melhor, por meio das suas ações, por meio do seu belo testemunho de vida.
"Na sua falta, cresceremos mais um pouco, sem dúvida. Muito triste. Rezo a Deus para que Ele ilumine sua família.
"Meus agradecimentos aos colegas que conseguiram expressar melhor nossos sentimentos neste momento de tristeza."
Prof. Washington Braga
Diretor da DAR - Diretoria de Admissão e Registro da PUC-Rio

"Gostaria de externar a minha tristeza pelo falecimento prematuro do Reinaldo com quem convivi mais proximamente no CEP. Ele sempre se caracterizou pelo bom senso, capacidade de trabalho, espírito cooperativo e refinado humor.
"É uma perda lastimável para a nossa Universidade."
Prof. Júlio Cesar Valladão Diniz
Departamento de Letras da PUC-Rio

"Prezados colegas, e familiares do Reinaldo,
"Gostaria de compartilhar com vocês minha tristeza pela perda do Reinaldo. Alem de servir como o catalisador do centro, excelente profissional e pesquisador, era uma pessoa fantástica. Sentiremos muito sua falta."
Profa. Karin K. Breitman
Departamento de Informática da PUC-Rio

"Alô Reinaldo!
"Recentemente enviei um alô para o Reinaldo quando soube da sua primeira cirurgia. Aproveitei para lhe dizer o quanto eu o admirava e que estava torcendo pela sua recuperação.
"Sua resposta, que eu revelo a vocês logo abaixo, pode inspirar-nos. Com muita sinceridade, reconheço que admirava e amava o Reinaldo como amigo e colega pelo ser humano especialíssimo que ele era.
"Peço a Deus que console seus filhos, esposa, familiares e a nós mesmos."
Prof. Marco Aurélio C. Pacheco
Coordenador do Curso de Engenharia em Nanotecnologia da PUC-Rio

"Poxa Marco, obrigado pelos elogios e mais ainda pelas orações. Vou me recuperar sim, mas vai ser devagar. A operação foi grande e o retorno à normalidade vai ser bem gradativo. Já tirei uns pontos, terça tiro outros, o sistema digestivo está começando a funcionar melhor, e vou indo, tendo que ter paciência, com muito apoio da família. O que procurei como Decano foi ouvir a todos, não tratar ninguém com pré-conceito e procurar ver o melhor de cada um. Temos um centro muito rico, de pessoas e ideias.
"Procurei incentivar que as ideias tivessem campo para se transformarem em realidade, e colocar o Decanato a serviço da comunidade do CTC. E, é claro, não emprenhar pelos ouvidos, mas ouvir todos os pontos de vista. E a gente termina aprendendo que todos têm razão, em algum nível, e nosso papel é ajustar estas razões.
"Um Feliz 2012 para você e os seus."
Reinaldo

"Prezados colegas,
"Somando os mandatos, foram 12 anos de convívio. Tempo suficiente para apreciar suas tantas qualidades, dentre as quais destaco seu dinamismo, inteligência, constante bom-humor, paixão pelo ensino e pesquisa, e sua inteira dedicação ao trabalho e à família (nunca deixando que tal se tornasse paradoxal).
"Perdemos um colega, um profissional brilhante, e, muitos de nós, um grande amigo."
Prof. José Alberto dos Reis Parise
Departamento de Engenharia Mecânica da PUC-Rio

"Caros colegas,
"O Departamento de Física vem manifestar seu profundo pesar pela perda tão prematura do Prof. Reinaldo, que sempre se mostrou um amigo do nosso Departamento em inúmeras situações, sendo uma voz de conciliação e incentivo. Para muitos de nós que tivemos a chance de interagir proximamente com ele, fica uma grande dor.
"Nossas melhores intenções para com a família."
Profa. Carla Göbel Burlamaqui de Mello
Diretora em exercício do Departamento de Física da PUC-Rio

"Caros colegas e familiares do meu prezado Reinaldo,
"É com grande pesar que recebo esta mensagem.
"Reinaldo sempre foi muito colaborador nos vários aspectos das atividades acadêmicas, administrativas e de orientação na PUC-Rio. Sem falar dos debates sobre o Botafogo.
"Sempre disponível e com uma marca de elegância, inteligência e respeito para com todos. Eu sentirei muito a sua ausência no dia a dia da Universidade.
"Solidarizo-me com todos e, em especial, com os familiares do Reinaldo."
Prof. Maurício Leonardo Torem
Departamento de Engenharia de Materiais da PUC-Rio

"Reinaldo querido,
"Passei o dia todo hoje, tentando uma tarefa muito difícil para mim: me despedir temporariamente de você.
"Nossos destinos se cruzaram no dia em que nos inscrevemos para o exame de seleção em Química Analítica Inorgânica na turma que se iniciou em março de 1977. Daí em diante tornamo-nos colegas e rapidamente amigos, em um convívio quase ininterrupto por estes 35 anos.
"Tivemos muitos trabalhos conjuntos, projetos, muita coisa que concordávamos e poucas que discordávamos. Foi um período muito marcante em nossas vidas. Reinaldo, descanse em paz!
"Meu afeto à Tereza, filhos e familiares e para você muitas saudades."
Profa. Judith Felcman
Departamento de Química da PUC-Rio

"Prezados colegas,
"Também muito abalado com a notícia, venho rememorando a minha convivência com o Reinaldo desde os tempos de APG. Nestas lembranças sempre estão presentes a generosidade e a inteligência do nosso querido Reinaldo.
"Inteligência e generosidade com a grandeza e intensidade presentes no Reinaldo é algo muito raro e portanto sinto um grande pesar por esta perda."
Prof. Raul Nunes
Departamento de Engenharia de Materiais da PUC-Rio

"Prezados Colegas,
"Durante alguns poucos anos tive o prazer de exercer a função de decana do CCS enquanto Reinaldo Calixto exercia a mesma função no âmbito do CTC. "Eficiência, gentileza, companheirismo, respeito à diferença marcaram a sua atuação. A PUC-Rio perde um belo companheiro.
"Aos seus colegas do CTC e família, a minha homenagem."
Profa. Gisele Guimarães Cittadino
Departamento de Direito

"Diante da perda de um colega tão querido, nos restam memórias. Um rastro de ações, visíveis e invisíveis, abrigam e alimentam não o tempo que sempre se esvai, mas aquele que é devir e pleno de valores que nosso amigo nos oferece como presente.
"Obrigada por tamanho legado."
Profa. Flávia Maria Schlee Eyler
Departamento de História da PUC-Rio

"Quero me juntar a todos nesse momento tão triste para registrar que a PUC perde um dos seus melhores quadros. Convivi pouco com o Calixto, sempre nas reuniões ampliadas ou nos planejamentos de Itaipava, mas o bastante para admirar sua competência na compreensão da universidade e seu entusiasmo como professor e pesquisador.
"Estamos todos muito tristes."
Profa. Angela Randolpho Paiva
Departamento de Sociologia e Política da PUC-Rio

"Estamos todos de luto - as belas qualidades do Prof. Calixto e seu compromisso com a Universidade são fortes o bastante para continuar nos inspirando. Que seus entes queridos e amigos encontrem todo o conforto."
Prof. Adriano Pilatti
Departamento de Direito da PUC-Rio

"Em nome do Departamento de Engenharia Civil, expressamos sentimentos de profundo pesar pelo falecimento prematuro do Prof. Reinaldo Calixto de Campos, cuja atuação frente ao Decanato do CTC, será sempre por nós lembrada pela competência e dedicação demonstradas na busca incessante do aperfeiçoamento acadêmico de nossa PUC-Rio.
"Neste momento difícil nossa solidariedade vai especialmente à família do Prof. Reinaldo Calixto de Campos."
Prof. Celso Romanel
Diretor em exercício do Departamento de Engenharia Civil da PUC-Rio

"Prezados colegas,
"É muito difícil receber tal notícia estando tão longe, nos Estados Unidos, e não podendo participar das homenagens feitas ao nosso querido Prof. Reinaldo Calixto de Campos, que sempre se dedicou para o bem estar do Departamento de Química, do nosso CTC, e de nossa PUC-Rio.
"Neste momento difícil, mesmo após não me recuperar completamente do baque, sinto que devo compartilhar os meus sinceros elogios para aquele que foi uma das pessoas que mais me apoiou como pesquisador, professor, e coordenador de curso, sempre disposto a conversar, aconselhar e apoiar em todas as minhas empreitadas desde que me tornei professor da PUC-Rio.
"Apesar da dureza da notícia, fica em nossas memórias a delicadeza no trato com todos os colegas de nossa instituição, sem contar o positivismo, bom humor... enfim, tudo de bom.
"Certamente, a PUC-Rio perde um excelente professor, pesquisador, e administrador, que sempre zelou pela contribuição social e ambiental de nossa instituição.
Estas são as palavras e sentimentos que gostaria de compartilhar com os colegas e, principalmente, com os familiares do Prof. Reinaldo Calixto de Campos."
Prof. André Silva Pimentel
Departamento de Química da PUC-Rio

"Prezados,
"Estou 5 h na frente no fuso horário. Vi a notícia logo cedo ao acessar minha caixa. Passei o dia agarrado na esperança da notícia ter sido apenas coisa de noite mal dormida e que eu iria acordar e descobrir que tudo estaria bem.
"Estamos (eu e Andréia) muito tristes em perder um grande amigo nessa circunstância. Nos parecia que a situação estava controlada e que a sua melhora era certa.
"Deixo meu pesar para Teresa, filhos, mãe e irmã.
"A perda é irreparável."
Prof. Ricardo Queiroz Aucélio
Departamento de Química da PUC-Rio

"É com profunda tristeza que nós do Departamento de Administração recebemos a notícia do falecimento do nosso querido colega Prof. Reinaldo Calixto.
Perdemos um excelente profissional com inúmeras qualidades demonstradas durante seu período a frente do Decanato do CTC.
"Expressamos nossa solidariedade e consternação aos seus familiares."
Direção do Departamento de Administração - IAG - PUC-Rio

"Prezados,
"O que mais me encantou no Reinaldo foi seu empenho permanente em procurar o melhor dentro de cada um com quem convivia.
Pessoas como o Reinaldo deveriam viver para sempre!"
Prof. Raul Queiroz Feitosa
Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio

"É com enorme pesar que não poderei prestar esta última homenagem ao amigo Calixto por me encontrar fora do país. Ficará na nossa lembrança a figura de um professor modelo da PUC."
Prof. Carlos José Pereira de Lucena
Departamento de Informática da PUC-Rio

"Hans e eu não poderemos comparecer a cerimônia por estarmos fora do país. Guardo comigo a memória do final da Congregação do CTC, no final do ano, com todos nós de pé aplaudindo a apresentação do Reinaldo.
"Jamais poderíamos pensar que estávamos lhe prestando uma ultima homenagem.
"Nosso carinho a família, teremos uma grande saudade."
Profa. Djenane Cordeiro Pamplona
Departamento de Engenharia Civil da PUC-Rio

"Lamento profundamente não ter podido estar presente ao enterro de Reinaldo, um grande companheiro de trabalho, modelo de professor e pesquisador na luta pela valorização da função da universidade na formação de professores. Doença grave de minha mãe impediu-me de estar presente e homenagear esse amigo tão querido e leal à nossa universidade."
Profa. Isabel Alice Oswald Monteiro Lelis
Departamento de Educação da PUC-Rio

"Foi um dia muito difícil, não sei se poderei comparecer amanhã para prestar uma ultima homenagem ao meu xará e grande amigo. Quero mais uma vez registrar meus sentimentos por esta perda irreparável que a nossa Universidade teve com a passagem do meu querido xará. Que Deus dê a ele o descanso eterno e todo conforto para sua família."
Prof. Reinaldo Castro Souza
Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio

"Caros colegas,
"Em nome do Departamento de Direito manifesto meus sentimentos pelo falecimento do Professor e Decano do CTC Reinaldo Calixto, uma grande perda para nossa PUC-Rio.
"A dedicação entusiasmada que demonstrava pela docência e com a qual a praticava é um exemplo para todos nós."
Prof. Francisco de Guimaraens
Diretor do Departamento de Direito da PUC-Rio

"Prezados colegas,
"Não há muito o que acrescentar às múltiplas mensagens de homenagem ao querido amigo que partiu, deixando uma obra admirável, como pesquisador, docente e gestor. Como tive o privilégio de conviver com o Reinaldo durante vários anos, no Decanato do CTC, pude conhecer melhor seu lado humano, que a todos cativava, com sua forma elegante e educada de argumentar, respeitando sempre outros pontos de vista, na busca de pontos de convergência e caminhos para a construção de soluções. Sua contribuição para a Universidade foi expressiva e certamente ele será lembrado como uma das grandes figuras na história da PUC-Rio.
"Aproveito para expressar meu pesar e solidariedade à sua estimada família, a quem ele sempre se dedicou e que representava um justo motivo de orgulho e alegria em sua vida."
Prof. Fernando Cosme Rizzo Assunção
Departamento de Engenharia de Materiais da PUC-Rio

"Colegas,
"Estou fora do Rio e não posso - como gostaria - de comparecer ao velório do estimado amigo e colega Reinaldo.
"Seu excelente trabalho como pesquisador, professor e administrador é bem conhecido por todos nós.
"Meus sentimentos à esposa e familiares."
Prof. Enio Frota da Silveira
Departamento de Física da PUC-Rio

"Nos poucos momentos de convívio que tive com o Prof. Calixto na CSCD pude perceber várias das qualidades apontadas nas mensagens ao longo do dia. Hoje foi um dia triste, descanse em paz Professor.
"No dia 9 de dezembro tive a felicidade de trocar duas mensagens com o Reinaldo Calixto e de poder dizer-lhe, em vida, da sua determinação na condução de uma gestão agregadora do CTC, uma percepção comum de todo o Centro, hoje comprovada pelas muitas mensagens de solidariedade ao nosso saudoso Decano. Ciente da gravidade do seu estado impressionou-me a descrição madura que fez da sua doença e a convicção de que seria capaz de superar 'Creio que só vou estar voltando, devagarinho, em março, assim se expressou. Mesmo debilitado não deixou de fazer reflexões sobre a excelência da universidade e do nosso 'lugar diferenciado de trabalho' e de apoiar a Química Verde, tema de cooperação da Metrologia com a Química. Reinaldo nos deixa um grande legado, sábias lições de compreensão, entendimento, cordialidade, respeito às posições, fraternidade, amor e determinação."
Prof. Maurício Nogueira Frota
Programa de Pós-Graduação em Metrologia da PUC-Rio

Regina Maria de Oliveira Borges (? - 2013) _

No final do mês de janeiro a PUC-Rio perdeu a Profa. Regina Maria de Oliveira Borges, do Departamento de Teologia, que foi por muitos anos encarregada de turmas de disciplinas de Cultura Religiosa.

Regina tinha uma longa história na Universidade. Antes de titular-se em Teologia, havia feito o curso de graduação em Pedagogia na década de 1960. Mas foi como teóloga que atuou como professora por mais de uma década.

Discreta, Regina conhecia bem os alunos de vários Departamentos. Muitos de seus colegas do Departamento de Teologia e vários professores de outros Departamentos manifestaram seu pesar com a morte de Regina.

A Profa. Lúcia Pedrosa, do Departamento de Teologia, que trabalhou com ela por muitos anos e era sua grande amiga destacou sua força interior para enfrentar com fé, com disposição de luta e sem deixar-se abater pela penosa doença que se manifestou no início de 2012 e a levou um ano depois. A PUC-Rio manifesta toda a solidariedade a seu marido, a toda sua família e a seus amigos.

Paulo Fiúza Bocater (1952 - 1999) _

Dois prédios do conjunto do IAG foram inaugurados no mesmo dia 10/12/2003, um nomeado em homenagem ao Prof. Padre Francisco Leme Lopes S.J., falecido em 1983, e o outro ao Prof. Paulo Fiúza Bocater, falecido em 1999.

Paulo Bocater formou-se em Economia na PUC-Rio em 1975, e logo que entrou, em 1976, no recém-criado mestrado do IAG, foi convidado para ser professor na graduação em Administração. Retornou ao IAG após o doutorado na New York University e assumiu a coordenação da pós-graduação. Em 1987 foi nomeado Vice-Reitor Administrativo, cargo que ocupou até seu falecimento.

A virada para os anos 1990 foi um período especialmente difícil na gestão da Universidade. Em tempos tão duros, a atuação de Bocater, como descreve o Prof. Jorge Vianna Monteiro, do Departamento de Economia, foi marcante: “Seu jeito elegantemente discreto e atencioso o predispunha a sempre ser um porto seguro para ouvir e ajudar – embora, curiosamente, fosse isso mesmo que, às vezes, o fizesse parecer a alguns tão sério, ameaçador e rigoroso no julgamento.”

Uma relativa estabilidade financeira em meados dos anos 1990 permitiu que Bocater atuasse na renovação e expansão da estrutura física do campus. Um desses novos espaços foi o que recebeu seu nome, uma homenagem ao administrador, professor e aluno da PUC-Rio.

Professor Paulo Fiúza Bocater: Um “general prussiano” de alma doce

Do alto de seus quase um metro e noventa, com longos bigodes louros, aquela figura altiva e de porte elevado, cheia de dinamismo e atenta a tudo e a todos, colocava o dever acima de tudo, ajudava a “comandar” uma PUC num período de muitas crises, fazia lembrar um “general prussiano”. Mas sua alma era doce, seu humor era saudável, sua vida era feliz... Sua preocupação, dedicação e compromisso com a instituição, em muitos momentos acima até de sua saúde nos longos meses de sofrimento, sendo consumido pela doença, mas sempre presente, mostravam realmente quem era o professor Bocater.

Sua vida foi dedicada à “nossa” PUC. Entrou para o curso de economia em 1971, após concluir o 2º grau no Santo Inácio. Nos seus primeiros anos na economia, dividiu os estudos quantitativos com as aulas de religião, que ministrava no antigo colégio. A partir de 1973, mais envolvido com a PUC e o com o departamento de economia, foi monitor, passando a se integrar cada vez mais no dia a dia da universidade. Aqueles eram outros tempos... O numero de professores de “horário integral” no CCS era ainda pequeno e, como as tarefas eram muitas, monitores mais dedicados e comprometidos integravam-se também às atividades acadêmico-administrativas, participavam das discussões sobre o futuro da instituição. Estava se iniciando o curso de mestrado em administração de empresas, e Bocater optou pela pós-graduação em administração em 1976. Ainda no mestrado, é contratado como professor-auxiliar de “horário integral” e, além das aulas, passa a colaborar também na administração acadêmica do departamento, sendo a partir de julho 1976 coordenador de graduação

Em 1977, na Igreja da Glória do Outeiro, oficiado por seu prefeito no colégio Santo Inácio, Pe. Guy Ruffier, casa-se com Maria Isabel do Prado, advogada, que além de João e Marília, lhe deu uma nova área de interesse, as questões jurídicas...

No final de 1979, licencia-se para fazer o doutorado na NYU. Retorna em no 2º. semestre de 1983, passando a atuar no departamento de administração. Logo volta a se integrar na administração acadêmico-administrativa da Universidade, em agosto de 1985, quando os cursos de extensão foram desvinculados das atividades de extensão, é nomeado Coordenador dos Cursos de Extensão (CCE).

Em junho de 1987 assume a Vice-reitoria Administrativa. Foram quase treze anos no cargo. Treze anos que marcaram profundamente a Universidade. No inicio, foram tempos difíceis, especialmente no começo dos anos 90, quando enfrentou junto com a reitoria e o apoio dos decanos, uma conjuntura econômica desordenada, onde problemas administrativos e trabalhistas acumulados ao longo de anos, levaram a PUC a um período de muitas discussões, negociações e ajustes financeiro-administrativos. O desafio para o Vice-reitor Administrativo era enorme, pois se de um lado era necessário adequar o orçamento, de outro só com o crescimento a instituição poderia sobreviver. Nas reuniões dos conselhos e comissões, sob a orientação do Pe. Laércio e depois do Pe. Hortal, sua presença era marcante. O professor Bocater teve um papel importante no processo de definição dos rumos da Universidade, sempre com uma preocupação de futuro, sempre entendendo, como um acadêmico, as características diferenciadas do “modelo-PUC”.

Passada a crise, vemos o professor Bocater exercer outro papel que lhe dava gosto e prazer, “comandar” a renovação do campus... Com sua figura marcante, destacava-se sempre ao vistoriar as obras, como novas salas de aula e laboratórios para cursos de graduação, e pelas alamedas ajardinadas, o “Paseo de Bocater”...

Paulo foi sempre um grande amigo de todos nós, em todas as unidades sua lembrança está sempre presente. Já em sua turma de graduação, destacava-se por suas muitas qualidades, que iam além do excelente aluno. Nos primórdios do departamento de economia lembro-me de suas idéias e de seu compromisso com o futuro da instituição. Nos tempos de crise, visitá-lo ao fim de um dia longo para trocar idéias sobre a ‘nossa’ PUC, era sempre um prazer, pois do alto de sua voz marcante, mesmo nos assuntos difíceis, a conversa era boa, os assuntos fluíam, as decisões eram tomadas. Nas horas de lazer, na companhia de Bebel, os ‘papos’ eram sempre animados, a visão do mundo era otimista, positiva.
Paulo, nós todos sentimos muito a sua falta.

16 de setembro de 2007
Luiz Roberto Cunha
amigo, admirador, professor, paraninfo, antecessor e sucessor na administração da “nossa” PUC

Paulo de Assis Ribeiro (1906 - 1974) _

Há 43 anos, o processo de institucionalização da Pós-Graduação em Educação deu-se na PUC-Rio através da estratégia política de se iniciar um curso "lato-sensu" de Especialização; a fim de se consolidar paulatinamente seus quadros docentes e sua proposta curricular; com a gênese mais à frente do curso de Mestrado. Com efeito, em abril de 1965, o Diretor da Faculdade de Filosofia, o jesuíta húngaro Pe. Antonius Benkö, que era também consultor do MEC, articula um convênio com a Diretoria do Ensino Secundário e a CADES (Campanha de Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Secundário) para promoção do Curso de Especialização em Planejamento da Educação Brasileira.

Naquele momento, o contexto político-ideológico de uma Especialização em Planejamento Educacional era bastante conflituoso. De um lado, no âmbito do INEP / MEC predominava o "Social Demand Approach" da UNESCO e de sua Missão Técnica no Brasil, propondo uma política descentralizada, a partir dos CEOSEs (Colóquios Estaduais de Organização do Sistema de Ensino). De outro lado, o viés econômico do "Manpower Approach" predominava no recém-criado IPEA - Instituto de Planejamento Econômico Aplicado/ MINIPLAN - considerando-se a área educacional como um substrato da economia. Embora tendendo mais à abordagem da UNESCO e do INEP, o Curso de Especialização em Educação da PUC-Rio agregou igualmente aportes da Economia da Educação, através de dois consultores da CAPES: José Zacharias Sá Carvalho e Paulo Horta Novaes (este também vinculado à PUC, criador do IAG e assessor da Reitoria,), além do economista Isaac Kerstenetizty, da FVG mas também docente na PUC. Mas foi Paulo de Assis Ribeiro quem melhor promoveu os diálogos entre as abordagens sócio-demográficas e econômico-financeiras na área de Planejamento Educacional no Mestrado da PUC-Rio. Com efeito, o papel central de Paulo de Assis Ribeiro no incipiente Mestrado em Educação consolidou-se por sua estreita vinculação à Reitoria da PUC, para quem elaborara em 1963 o diagnóstico técnico "Reforma das Estruturas da PUC-Rio", e se materializou mais ainda em 1969-1970, através do "Plano Diretor da Reforma da PUC-Rio", inclusive agregando diversos pós-graduandos do incipiente programa de Mestrado.

Três memórias sobre Paulo de Assis Ribeiro *: do congresso estudantil em 1963; aos impactos do Ato Institucional nº 5 na PUC; e à coordenação da área de Planejamento Educacional em 1970.

1 - Minha primeira memória de Paulo de Assis Ribeiro deu-se no incandescente período político de 1962-1963, como presidente do Diretório Acadêmico Jackson Figueiredo, da Faculdade de Filosofia da PUC. No início de 1963, programávamos a "Semana Social sobre a Realidade Brasileira", fervilhante programação de debates que lotava o antigo ginásio esportivo da PUC. Uma equipe de representantes dos Diretórios Acadêmicos da PUC reuniu-se com Assis Ribeiro, em sua casa em Botafogo. Mas "o que é a realidade brasileira?" insistia sempre . Ai, a cada resposta cheia de certezas dada pelos dirigentes estudantis, como que maiêuticamente Assis Ribeiro retrucava com uma bateria de dados estatísticos sobre a economia, a geografia, a educação, etc, diagnosticando, a partir de suas densas bases empíricas, complexas equações envolvendo tantas outras facetas e implicações, muito além das nossas sumárias interpretações político-ideológicas. Este primeiro diálogo, iniciado às 20 horas de um dia, teve a duração de seis horas de dúvidas e questionamentos. Marcou indelevelmente a figura do intelectual que foi Assis Ribeiro. Antes de ingressar como docente na PUC em 1965, acompanhei, através da revista SPES: Síntese Política, Econômica e Social, da PUC-Rio, diversos estudos de Assis Ribeiro na equipe coordenada pelo sociólogo jesuíta Fernando Bastos de Ávila, mentor de iniciativas sobre o Solidarismo no Brasil, como uma possível terceira via brasileira entre o Capitalismo e o Socialismo.

2 - Minha segunda memória de Assis Ribeiro dá-se sobre seu papel na formulação do Plano Diretor da PUC-Rio em 1968-1970, e as estreitas vinculações que tivemos seja como Diretor do recém-criado Departamento de Educação, em especial pela integração de três jovens docentes da Pedagogia - Ana Waleska, Rosina e Stella - na equipe de Planejamento do Plano Diretor, seja pela sua crescente importância como o principal professor da área de Planejamento Educacional no Mestrado. Apesar de suas inúmeras ocupações, as aulas de Assis Ribeiro eram calcadas em apostilas escritas previamente, e que constituíram um importante acervo de material técnico submetido ao CNPq e ao Conselho Federal de Educação em 1970, no processo de credenciamento do primeiro Mestrado em Educação no Brasil. Entretanto, será nos primeiros meses de 1969, em função dos impactos provocados pelo Ato Institucional nº 5, de 13 / 12 / 1968, que a figura humana de Assis Ribeiro fica profundamente marcada em minha memória. Diversos dirigentes do Centro Técnico Científico da PUC, também docentes do Instituto Militar de Engenharia (IME) levaram ao Conselho Universitário a moção de que a PUC-Rio, por ser beneficiária de recursos federais do MEC, CNPq, FINEP, etc, deveria cumprir o artigo 6º do AI 5, suspendendo os contratos de docentes e pesquisadores que já haviam sido previamente punidos em suas estabilidade e vitaliciedade na UFRJ. Foi um sessão memorável do Conselho Universitário, no qual era o representante docente eleito pelo CTCH. Diante de tamanha tensão político-ideológica nos debates entre os integrantes do Conselho Universitário, o então Reitor - Padre Laércio Dias de Moura, que gabava ser "um genuíno representante político do PSD mineiro" - tenta evitar a ebulição completa no Conselho Universitário, promovendo uma pausa para café. A suspensão da reunião apenas acirrou mais ainda os ânimos dos conselheiros. Neste momento, procuro o Prof. Paulo de Assis Ribeiro, que em seguida falaria sobre o projeto do Plano Diretor da PUC, instando-o a opor-se ao voto de censura dos favoráveis à aplicação do AI 5 na PUC. Neste ato, Assis Ribeiro respondeu-me: "Professor, meu pai era diretor da Rede Ferroviária Nacional no Governo Getúlio Vargas, quando o Presidente Vargas orientou-o a afastar um técnico, por motivação política. Meu pai, sim, é quem se demitiu. Igualmente, eu me afastarei da PUC, se for aprovada a aplicação aqui do AI - 5".
Quando a sessão do Conselho Universitário é retomada, Assis Ribeiro inicia a sua exposição sobre o Plano Diretor usando o retroprojetor para reproduzir na tela um foco enorme de luz, e comentar: "a Doutrina Social da Igreja é como este foco de luz: há posições mais centrais, mais à esquerda e à direita; acima ou abaixo. Entretanto, desde que esteja dentro deste foco de luz, está de acordo com a DSI. Não há, portanto, condição de se afastar um professo e pesquisador da PUC por razões do Ai - 5, sempre que suas opções políticas se coloquem dentro do foco abrangente da Doutrina Social da Igreja". Em minha vida profissional, foi um dos momentos mais marcantes de uma personalidade que aprendi a admirar.

3 - Minha terceira memória sobre Paulo de Assis Ribeiro ocorre em 1970, quando uma equipe bastante politizada de mestrandos se opõe à linha de Planejamento da Educação desenvolvida pelo mestre, a partir de sua leitura bastante técnica das articulações entre as abordagens "Social Demand Approach" de bases sócio-demográficas, e "Manpower Approach" articulada às concepções de formação de recursos humanos.
Vivíamos então a plena efervescência do movimento estudantil desencadeado em 1968, pela passeata dos 100 mil em protesto às invasões dos "campi" universitários (apenas o campus da PUC sofrera três invasões do PARASAR), e ao incipiente pensamento marxista no mundo acadêmico através da Teoria da Dependência. O núcleo mais politizado dos mestrandos da área de Planejamento Educacional questionava a orientação técnico-metodológica de planejamento desenvolvida por Assis Ribeiro. Em nossos diálogos no segundo semestre de 1970 - ele como docente, eu como coordenador de estudos da área de Planejamento - lembrava-me dos primeiros diálogos tidos com Assis Ribeiro em 1963: quão complexa é a equação da assim chamada "realidade brasileira", e como responder a esses diagnósticos e proposições através do planejamento educacional, face à urgência dos pós-graduandos por reformas estruturais aqui e agora no Brasil. Mas lá estava o pesquisador socioeconômico, buscando bases mais sólidas de alternativas embasadas em conhecimentos mais objetivados. Lá estava Assis Ribeiro, um "guru" da Terceira Via, do Solidarismo, um desenvolvimentista da cepa de Celso Furtado, amparado por um corpo de conhecimentos científicos não redutíveis a fórmulas ideológicas simplificadoras, mas buscando sempre uma sólida empiria para o desenvolvimento do planejamento educacional.
Sem dúvida, Assis Ribeiro foi um grande mestre!
A ele devemos um sólido desencadear da área de Planejamento Educacional no Mestrado de Educação, tanto quanto a própria PUC-Rio muito lhe deve pela formulação do I Plano Diretor da Universidade desenvolvido entre 1968-1970.

Prof. José Carmello Braz de Carvalho
Departamento de Educação
Setembro de 2007
 
 
* Como referência biográfica sobre Paulo de Assis Ribeiro, pode-se consultar "Apontamentos sobre a Vida e a Obra de uma Apóstolo do Humanismo e da Cultura" , de C. J. de Assis Ribeiro. Rio: 1975, Edit IBGE, 249 p.

Norbert Fritz Miekeley (1939 - 2013) _

O Professor Miekeley, por muitos anos professor do Departamento de Química, era mestre em Química e Físico-Química pela Freie Universität de Berlim e doutor em Química Nuclear e Físico-Química pela Technische Universität de Berlim. Suas pesquisas na área de Química, com ênfase em Análise de Traços e em Química Ambiental faziam dele um pesquisador com atuação interdisciplinar.

Foi um dos primeiros professores do Departamento, para onde veio a convite do Prof. Pe. Leopoldo Hainberger S.J., fundador do Departamento de Química da PUC-Rio. Foi Coordenador de Pós-Graduação e Pesquisa do Departamento de Química e participou em vários órgãos colegiados do Departamento e do CTC. Com ampla experiência internacional de pesquisa, foi Membro convidado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), coordenador do projeto internacional "Poços de Caldas" que teve participação da Suécia, Suíça, Inglaterra, Estados Unidos e do Brasil e foi responsável pelos laboratórios de Espectrometria de Massas (ICP-MS), Espectrometria Nuclear e Espectrometria de Emissão Atômica do Departamento de Química. Foi ainda bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, pesquisador do Centro de Pesquisas Nucleares de Jülich (KFA), Alemanha, pesquisador convidado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), no âmbito do acordo bilateral Brasil/Alemanha e pesquisador do Instituto Hahn Meitner de Berlim.

Sua morte é uma grande perda para a PUC-Rio e, em particular, para o Departamento de Química, tal como resume a Diretora do Departamento Química em mensagem que fez circular pela rede interna da Universidade:

"Norbert Miekeley, Colega e Amigo de mais de 30 anos, partiu hoje para sua viagem final, após muitos meses de luta contra um câncer. O Professor Miekeley foi um dos primeiros a chegar ao Departamento de Química através do programa de cooperação com a Alemanha. Veio para ficar, amava o Rio, o Brasil, e dedicou sua vida de trabalho em ciência e ensino à PUC-Rio. Foi responsável pela implantação da área de Química Nuclear no Departamento e mais tarde, pioneiro no Brasil em desenvolvimentos de métodos espectrométricos avançados usando ICP-MS. Apesar de já estar aposentado, continuou a colaborar como Pesquisador Conveniado à frente de projetos de pesquisa em parceria com o CENPES/Petrobras. Foi orientador de inúmeras teses e dissertações e era reconhecido no país e no exterior como especialista de primeira linha na espectrometria.

O Departamento de Química está de luto pela perda de mais um de seus membros preciosos e se solidariza com a família do Professor Miekeley nesta hora de tristeza.

Professora Ângela Wagener
Diretora do Departamento de Química”

Além da mensagem da Professora Ângela, muitas outras de colegas da Química e amigos de toda a Universidade circularam pela rede, todas elas atestando sua importância para a comunidade acadêmica dos químicos e para a PUC-Rio.

Myrtes de Aguiar Macedo (? - 2012) _

Myrtes de Aguiar Macêdo, formou-se em Serviço Social pela Universidade Estadual da Paraíba, concluiu o mestrado em Serviço Social na PUC-Rio em 1977. Sua dissertação intitulada Reconceptualização do Serviço Social foi publicada em livro e tornou-se uma referência importante no debate sobre o movimento de Reconceituação do Serviço Social na América Latina. Era Doutora em Política Social pela University of Manchester, na Inglaterra, onde foi docente do Programa de Doutorado em Política Social.

Ingressou na PUC-Rio como professora do quadro principal após sua aposentaria na Universidade Federal da Paraíba, e foi Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social em duas ocasiões. No Programa, integrou a Comissão responsável pela criação, em 1997, da revista O Social em Questão, periódico do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social.

A Profa. Myrtes exerceu a função de representante da área de serviço social junto ao CNPq e, na CAPES, integrou a Comissão de Avaliação dos Programas de Pós-Graduação de sua área.

Maria Helena Novaes Mira (1926 - 2012) _

A Profa. Maria Helena Novaes Mira, falecida no dia 17/09/2012, além de professora e pesquisadora reconhecida em todo o meio acadêmico era uma pessoa muito querida por todos aqueles que tiveram a sorte de conhecê-la mais de perto.

Maria Helena era professora emérita do Departamento de Psicologia e contribuía ativamente com o NEAM (Núcleo de Estudos e Ação sobre o Menor).

Inúmeros professores, ex-alunos, diretores de Departamentos do CTCH e de outros Centros manifestaram seu pesar ao saber da morte da professora Maria Helena, todos eles sublinhando sua competência profissional, sua presença marcante na vida da Universidade, sua importância na área de Psicologia e sua cordialidade e elegância.

A seu respeito afirmou o Reitor da PUC-Rio, Prof. Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J. em mensagem divulgada pela rede:

“O Reitor e a Comunidade Educativa da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro manifestam solidariedade aos familiares e amigos pelo falecimento da querida Professora, Pesquisadora e Emérita Maria Helena Novaes Mira, que sempre marcou esta Universidade com sua participação na vida acadêmica e no cotidiano desta Casa.
"Peço a Deus nosso Senhor para que a acolha na sua misericórdia e conforte a família na fé e na esperança.”

O Prof. Paulo Fernando Carneiro de Andrade, Decano do CTCH, Centro no qual se inscreve o Departamento de Psicologia, assim se manifestou:

“Em nome de todo o CTCH apresento minhas condolências à família e aos amigos da saudosa professora Maria Helena. Professora de grande relevo por seu conhecimento, dedicação e elegância foi sempre para toda a Universidade fonte de inspiração.”

Por sua vez, o Prof. Luiz da Silva Mello, Decano do CTC, escreveu:

“Em nome do CTC expresso nosso pesar pelo falecimento da professora Maria Helena Novaes Mira. Pessoalmente tive algumas oportunidades de interagir com ela quando na CCPA, poucas mas suficientes para admirar sua inteligência, entusiasmo e dedicação ao ensino, à pesquisa e à PUC-Rio.”

Em artigo publicado em na Revista Psicologia Escolar e Educacional (Campinas: Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional) em junho de 2008 a professora Eunice Maria Lima Soriano de Alencar, da Universidade Católica de Brasília, afirma que Maria Helena Novaes é um dos três pioneiros brasileiros no campo da psicologia escolar. Seu reconhecimento na área, já desde muitos anos, não se limitavam portanto à admiração de seus colegas, alunos e ex-alunos da PUC-Rio.

Veja aqui a página sobre Maria Helena Novaes no site do CNPq.

Veja aqui a matéria no Jornal da PUC.

Marcos Azevedo da Silveira (1952 – 2009) _

O Professor Marcos da Silveira fez a graduação em Matemática na PUC-Rio (1974) e o mestrado em Engenharia Elétrica também na PUC-Rio (1976). Desde seu regresso do doutorado na França (1981) era professor do Departamento de Engenharia Elétrica.

O Núcleo de Educação em Ciências e Engenharia (NECE) da PUC-Rio foi nomeado e sua homenagem em 2011.

Os depoimentos a seguir foram compilados pelo Professor Moisés Henrique Szwarcman, diretor do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio.

Marco Aurélio Pacheco, Professor do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio.

Prezados,

Quem nessa universidade não conhece Marcos da Silveira?  Mas é preciso que se diga algo.

Uma mente privilegiada, um raciocínio na velocidade da luz, um eloqüente interlocutor, um banco de informações  acadêmicas ambulante. Na verdade, o Marcos da Silveira bem podia ser comparado a uma tomografia computadorizada da PUC-Rio, tamanho e minucioso é o seu conhecimento sobre a universidade e as pessoas que nela trabalham.

Conversar com o Marcos é muito fácil,  só lhe cabe ouvir.
Um coisa sempre me chamou atenção. Quando se leva um assunto qualquer a ele, sua posição é colocada  com tanta clareza e profundidade que a sensação era de que ele tinha passado o dia anterior se preparando para conversar sobre o assunto com você.

Controverso, de posições muitas vezes criticas e de firmes opções pessoais, a que mais se destacou foi a sua opção por pensar a universidade e a engenharia.

Consagrado alpinista, Marcos escala agora uma montanha em direção a um cume onde ele acredita nada existir. Vai se enganar mas, como cientista vai por fim aceitar.

Marcos partiu mas ainda é "presente". Sua profusa oratória e conversas sem fim ainda ressoam nos corredores CTC; seu recente livro sobre Engenharia, nem de longe assimilado

Por tudo que o Marcos é para a PUC-Rio, nossos agradecimentos.

Tácio Mauro Pereira de Campos, Professor do Departamento de Engenharia Civil da PUC-Rio:

Caros

Existem e sempre existirão colegas que passam ou passarão, todos lembrados com muita saudade e afeição. Entretanto, poucos são e possivelmente serão os que não deixarão de permanecer, de forma indelével, em nosso meio. O Marcos da Elétrica é um destes poucos!
Motivos? Basta reler o escrito pelo colega Marco Aurélio para entender!

Foi um previlégio ter tido a oportunidade de conviver com o Marcos da Silveira!

Roland Scialom, Professor do Instituto de Computação da Unicamp:

Marcos é um camarada que ocupa na minha vida um lugar muito importante. Lamento não ter encontrado ele, recentemente, para dizer isso para ele, mais uma vez. Ele me inspirava amor, respeito e admiração. Foi um grande companheiro de aventuras intelectuais e esportivas. Nessas aventuras, ele era sempre vanguarda, e frequentemente era difícil acompanhá-lo. Gostaria de pensar que ele se foi para empreender a maior das aventuras dos homens, onde o espírito dos bravos se encontram depois de se libertar dos corpos.

PS: Dê uma olhada nessas duas fotos [ver fotos na coluna à direita] (Marcos da Silveira à esquerda e Roland Scialom à direita nas duas fotos; a primeira em Agulhas Negras, no Estado do Rio de Janeiro, e a segunda em Paris, França, ambas sem data).

Prof. José Eugenio Leal, Coordenador Setorial de Pós-Graduação do CTC:

Caros colegas:

Como colega e como Coordenador Setorial de Pós-graduação do CTC deixo aqui algumas palavras sobre a nossa perda do Marcos da Silveira.

Marcos da Silveira não teve muita interação comigo, como coordenador de Pós-Graduação.  Sua atuação mais direta foi relacionada a graduação, incluindo ai um excelente trabalho na criação de convênios de dupla-diplomação e intercâmbios. Na graduação trabalhou e contribuiu significativamente para a criação de um conceito de curso de engenharia moderno e adequado aos novos tempos, nas discussões internas, e com publicações, incluindo vários artigos em congressos  internacionais de ensino de engenharia e até orientando uma  tese de doutorado sobre o assunto.

No entanto, seu trabalho teve e terá impactos positivos profundos na nossa pós-graduação por muitos anos, pois ao dar a muitos dos  nossos melhores  alunos  uma oportunidade de expandir seus conhecimentos no exterior, ele os manteve na PUC e muitos deles fazem e farão a nossa pós-graduação com excelência.

Foi uma mente brilhante que buscava dar espaço a outras mentes brilhantes.

Ele deixa uma lacuna muito difícil de preencher e, não só por isso, será sempre lembrado no CTC e na nossa Universidade.

Profa. Ana Maria Abrantes Coelho, ex-aluna do curso de Física da PUC-Rio, formada em 1972, atualmente professora e pesquisadora do Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio de Janeiro (mensagem recebida em 07/04/2010):

Fiquei sabendo hoje, quase um ano depois do falecimento de meu antigo e querido amigo Marcos. Descobri seu livro na Internet, fui olhar as informações sobre o autor, e vi a data de nascimento ao lado da data de 2009. Minha primeira idéia foi a de que o site estava desatualizado!!!

Depois eu percebi o que não queria nem imaginar. Que tristeza. Fui sua colega e amiga de últimos anos de graduação. Ele me introduziu ao alpinismo, além de me deixar tonta com todas as sua idéias sobre tantos assuntos, imaginem o Marcos com 20 anos, quanto entusiasmo!

Meu abraço sentido para toda a sua família, se chegar a ler isso. Lembro muito bem de sua irmã, seu irmão e sua mãe. Pelo que li ele teve uma vida de sucesso na PUC, deixa o que contar. Lamento não ter encontrado com ele mais recentemente, para falarmos sobre nossa vida.

Manoel Luiz Salgado Guimarães (1952 - 2010) _

O Departamento de História da PUC-Rio une-se a toda a comunidade de historiadores brasileiros na dor pela perda do professor Manoel Luiz Salgado Guimarães.

Querido por todos os que foram seus colegas e alunos, o Professor Manoel Luiz Salgado Guimarães começou o curso de graduação em História na PUC-Rio; graduou-se na UFF (1977); era mestre em filosofia pela PUC-Rio – orientando do professor Eduardo Jardim de Moraes – (1982); era doutor em história pela Freie Universität de Berlin (1987); e era professor do Departamento de História da UFRJ e do Departamento de História da UERJ.

Todos os Departamentos de História do Rio de Janeiro, os Centros de Pesquisa em História do Rio de Janeiro, a Direção da Associação Nacional de História (ANPUH), que Manoel presidiu entre 2007 e 2009, a Regional da ANPUH-Rio de Janeiro, seus colegas, alunos e ex-alunos, seus amigos e sua família convidam para a Missa de 7º dia que será celebrada pelo Professor Manoel Luiz Salgado Guimarães no dia 4 de maio, terça feira, às 12:30 horas na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, no Campus da PUC-Rio, na rua Marquês de São Vicente 225 (Gávea), no Rio de Janeiro.

Manoel Herrington Wambier (1942 - 1993) _

Wambier, menino do Rio, da TV e do rádio

Crônica publicada em 16/10/2012 no Jornal da PUC, Edição 262

Nesta série de artigos sobre as pessoas que emprestam seus nomes a espaços do campus da PUC-Rio os denominadores comuns são o reconhecimento do papel desempenhado na Universidade e a saudade.

Esse é o caso da homenagem ao professor Manoel Wambier, que batiza os laboratórios de rádio e TV do Departamento de Comunicação da PUC-Rio desde 1998.

Amigos de diversas épocas e lugares publicaram relatos que ajudaram a compreender melhor a personalidade de Wambier. Nesses relatos e em matérias publicadas no Jornal da PUC surge a figura do “menino do Rio”, da praia, das festas, da música. No depoimento do professor Miguel Pereira, que o trouxe para o Departamento de Comunicação em 1981, aparece o professor muito próximo aos alunos e ao mesmo tempo muito rigoroso. No discurso da profa. Lenira Alcure na inauguração dos laboratórios, ela resume: “Eterno menino do Rio, com seu jeitinho malandro e doce de quem nunca abandonou a infância, dá sentido à inauguração dos nossos estúdios de rádio e TV, pois foi ele o seu primeiro idealizador.” Ressalta ainda o “espírito conciliador e a coragem de enfrentar os maiores desafios”. Um amigo dos anos 1970, Luiz Sergio Nacinovic, assim descreve Wambier: “cara de bugre saído de quadro clássico de Almeida Júnior”, resultado da mistura da bisavó índia com imigrantes alemães.

Manoel Herrington Wambier, nascido em Ponta Grossa, Paraná, em 1942, iniciou sua carreira como locutor de rádio em Curitiba, onde estudava Filosofia.  Em 1963 já apresentava o principal telejornal da TV Paraná. Um episódio definiu sua saída de Curitiba e a vinda para o Rio: no telejornal, ao preparar-se para ler uma notícia sobre uma greve de gráficos e jornalistas duramente reprimida, viu que o texto era tendencioso e traduzia a visão do grupo empresarial que incluía jornais e o canal de TV no qual trabalhava. Ao vivo, o jovem locutor com espírito de menino que vê e fala, declarou “isso eu não leio, porque não é verdade”. Perdeu o emprego.

Veio para o Rio e trabalhou como locutor e depois redator-chefe da Rádio Globo, onde conheceu o prof. Miguel Pereira, que pesquisava nos arquivos do jornal O Globo. Wambier completou o curso de Filosofia na UFRJ em 1969, um período conturbado da vida nacional. Foi para a Alemanha onde passou sete anos, dominou a língua e trabalhou como locutor, redator e tradutor para a Deutsche Welle, e como tradutor e dublador de filmes.

Ao chegar na Alemanha foi recebido com suspeita pela comunidade de exilados brasileiros por não ter um passado de militância política explícita. Ganhou o apelido de "O Espião de Colônia", história contada pelo jornalista Osvaldo Peralva em livro que reuniu crônicas publicadas nos anos 1980. Logo o menino que fazia amigos com a facilidade da infância superou a desconfiança, que deu lugar a reuniões para as quais Wambier preparava “uma sopa de lentilhas para chef germânico nenhum botar defeito”, seguindo a tradição de boa cozinha transmitida por sua mãe.

Voltou para o Brasil, foi diretor da Rádio Roquette Pinto, do jornalismo da TV Bandeirantes no Rio de Janeiro e do núcleo de programas especiais da Rede Manchete. No Departamento de Comunicação da PUC-Rio ajudou a definir as disciplinas relacionadas a rádio e TV e a montar os laboratórios. Coordenava os programas de rádio e depois de TV produzidos pelo Departamento.

Se da mãe herdou a habilidade culinária, com o pai aprendeu a mexer com eletrônica. Era capaz de construir e consertar rádios. Na PUC-Rio desenvolveu um pequeno transmissor e fez experiências para implantar uma rádio que transmitisse a programação produzida pelos alunos de Comunicação. Testou a transmissão do sinal de rádio do alto do Edifício Cardeal Leme para os outros prédios da Universidade. Não foi possível colocar a rádio no ar por limitações técnicas e legais, por isso criou e coordenou uma rádio transmitida nos pilotis através de alto-falantes. Havia na programação radionovelas, música e programas produzidos pelos alunos.

Wambier faleceu em 1993. O sentimento da jornalista Dalva Ventura é de que ele foi plenamente feliz no Rio de Janeiro: “Não perdia uma praia, sempre no final da tarde e, nos finais de semana, preparava almoços antológicos para nós e uma galera de agregados. Que eram muitos.” Os amigos da PUC-Rio estavam entre eles, presentes naqueles dias de sol de Ipanema e atentos às orientações do professor próximo, mas exigente, que dizia sem hesitar: “Isso não está certo. Corrija”.

É justo que essa edição comemorativa dos 60 anos do curso de jornalismo na PUC-Rio volte a homenagear o professor Wambier e que todos nós relembremos que os laboratórios de rádio e TV do Departamento de Comunicação da PUC-Rio levam seu nome.

Clóvis Gorgônio
Núcleo de Memória da PUC-Rio

Luiz Fernando Gomes Soares (1954-2015) _

Luiz Fernando Gomes Soares, Professor Titular do Departamento de Informática e coordenador do Laboratório de Telemídia da PUC-Rio, faleceu no dia 8 de setembro, aos 61 anos, em decorrência de um ataque cardíaco. Líder do grupo que desenvolveu o middleware Ginga, um formato de interatividade para o sistema brasileiro de TV Digital, o professor conquistou o Prêmio Assespro 2008 como Personalidade do Ano, assim como o Prêmio Cientistas do Nosso Estado, como Pesquisador Inovador, no ano de 2005, e o Prêmio Newton Faller da Sociedade Brasileira de Computação, em 2006.
Luiz Fernando possuía Graduação e Mestrado em Engenharia Elétrica e Doutorado em Informática pela PUC-Rio. Cursou o Pós-Doutorado na École Nationale Supérieure des Télécommunications, na França, também em Informática. Publicou aproximadamente 200 artigos acadêmicos e orientou cerca de 90 alunos de Mestrado e Doutorado. Era pesquisador 1A do CNPq.

As pesquisas que desenvolveu sobre a linguagem NCL e o Ginga deram origem a duas Normas ABNT e a uma Recomendação ITU-T, fundamentais para a interatividade entre usuários e a TV Digital. Membro titular da Academia Nacional de Engenharia, além de atuar no Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital, Luiz Fernando Gomes Soares fazia parte do Comitê Gestor da Internet no Brasil e do Núcleo de Coordenação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Era também Conselheiro da Sociedade Brasileira de Computação, onde chegou a ocupar os cargos de presidente e vice-presidente, de 1999 a 2003.

No dia 9 de setembro a notícia se espalhou pelo campus da PUC-Rio e deixou todos perplexos e consternados. A mensagem do Professor Hugo Fuks, diretor do Departamento de Informática, não permitia dúvidas quanto ao que parecia impossível de acreditar, assim como deixava transparecer com toda a clareza a dor com que havia sido escrita:

É com imenso pesar que o Departamento de Informática comunica a perda do seu querido Professor Luiz Fernando Gomes Soares no dia de hoje. Em sua homenagem, todas as atividades do Departamento estão suspensas nesta quarta-feira, dia 09 de setembro de 2015.

Imediatamente as respostas se multiplicaram, vindas de todos os departamentos e centros, da Administração Central da Universidade, de dentro e de fora da PUC-Rio, de todas as agências acadêmicas e políticas ligadas à ciência em geral e à Informática em particular, inclusive do Governo Federal. Todas elas vinham carregadas de afeto e de respeito intelectual pelo Luiz Fernando. Nenhuma era formal ou protocolar. Cada uma punha de manifesto o vazio que essa morte tão inesperada deixa na Universidade, no país, na ciência e na vida de todos os que aprendemos a respeitá-lo intelectualmente e a querê-lo bem.

E quando seus alunos – que, na véspera, como faziam todos os dias, haviam almoçado com ele no restaurante da Universidade – desceram a rampa da Igreja e atravessaram o jardim do campus soluçando, enquanto carregavam seu corpo, o silêncio pesado da dor de todos nós falou mais alto que qualquer discurso, até que um aplauso prolongado tomasse seu lugar.

Luiz Fernando Gomes Soares, o LF, para seus amigos, fez toda a sua carreira acadêmica na PUC-Rio, da Graduação ao Doutorado, e nesta Universidade trabalhou a vida inteira, até que nos deixou tão cedo, aos 61 anos, e com tanto para contribuir para a ciência e para a vida.

Como poucos, o LF soube juntar prazer e ofício. Era um professor muito querido por seus alunos, um pesquisador de rara competência e também um cidadão empenhado em trabalhos sociais. Firme em suas posições, íntegro e generoso, era também divertidíssimo, como podem testemunhar seus companheiros do time de futebol – que, por décadas, ocupou a quadra do antigo Ginásio –, dos serões musicais, das festas onde dava provas de dançar como poucos. Ainda que isso não conste de seu curriculum Lattes, LF contava que tinha sido “os pés do Edson Celulari” nas cenas de dança da novela Kananga do Japão. Não sem razão, um de seus principais projetos acadêmicos, aquele que levou à criação de um middleware que define o padrão da TV digital no Brasil e em diversos países, recebeu o nome de Ginga.

(Departamento de Informática) (+8 de setembro de 2015)

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