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Funcionários

Títuloordem decrescente Código Data Descrição
Adair Monsores (1960-2015) _

Funcionário da PUC-Rio há 27 anos, Adair Monsores, 55, trabalhava na Fundação Padre Leonel Franca. Casado, pai de um filho também de 27 anos, faleceu no dia 12/11, na Clínica São Carlos, no Humaitá.

Adair, morador de Nova Iguaçu, era uma pessoa querida, alegre e descontraída, fazia dança de salão e, de acordo com seus familiares, se orgulhava de ter trabalhado por tantos anos na PUC-Rio. Pe. Pedro Magalhães Guimarães Ferreira S.J., presidente da Mantenedora e da Fundação Padre Leonel Franca, lembrou, em depoimento ao Jornal da PUC-Rio, que Adair, sempre feliz e disposto a ajudar a todos, deixou saudades.

(funcionário da Fundação Pe. Leonel Franca) (+12 de novembro de 2015)

Adalberto Antônio Salles Pereira (1941-2015) _

Por mais de 30 anos prefeito do campus da PUC-Rio, o Sr. Adalberto Antonio Salles Pereira faleceu em 23 de abril de 2015. Ele entrou na PUC-Rio em 1960.

O Vice-Reitor para Assuntos Comunitários, Prof. Augusto Sampaio, assim se expressou, no dia do ocorrido:

À Comunidade PUC-Rio,
Com muito pesar, a Vice-Reitoria Comunitária tomou conhecimento do falecimento do Sr. Adalberto, ex-Prefeito do campus, leal, dedicado e competente servidor da PUC por mais de 30 anos.
Prof. Augusto Sampaio, Vice-Reitor Comunitário.

A Profa. Patricia Tomei (ADM) também se manifestou: "[...] sempre me lembro da humildade e competência dele quando veio estudar aqui no nosso Departamento. Uma pessoa inesquecível!"

(Ex-Prefeito do Campus) (+23 de abril de 2015) 

Antonino Seghetto (1940-2014) _

O mineiro Antonino Seghetto, nascido na cidade de Ubá, sul de Minas Gerais, viveu no Rio e dedicou 34 anos de trabalho à PUC-Rio. Começando, em 1965, como servente na gráfica da PUC-Rio, tornou-se supervisor e, posteriormente, gerente, cargo no qual se aposentou em 1999.

Conhecido por sua dedicação ao setor e por sua liderança amiga e colaborativa, era uma gerente sempre disposto a ajudar.

Antonino deixou esposa, três filhas e quatro netos.

(Gerência de Serviços Gráficos) (+17 de julho de 2014)

Elson de Souza Borges (? - 2012) _

O funcionário Elson de Souza Borges faleceu aos 55 anos de idade. Há muito tempo lutava contra um câncer.

Segundo a repórter Nathalia Melo, do Jornal da PUC, “Elson foi admitido pela PUC-Rio em 1999, como guardador de veículos, e no ano seguinte assumiu o cargo de recepcionista, que exerceu durante os últimos 12 anos.”

“Elson trabalhava na recepção do Edifício Padre Leonel Franca. O funcionário Sérgio de Oliveira, que trabalha no mesmo local, conta que Elson era uma pessoa simples, tranquila, querida e conhecida na Universidade por jogar um bom futebol. ‘Ele não perdia um campeonato dos funcionários’, disse.”

“Maninho era o apelido dele na PUC. André da Penha, agente patrimonial e amigo próximo de Elson, lamenta a perda do amigo e diz que ele já faz falta no ambiente de trabalho. Segundo André, Elson era mesmo bom de bola, e costumava jogar futebol com Adílio, Andrade e Junior, jogadores do Flamengo da década de 80. ‘Não à toa, Adílio foi ao enterro dele’, conta.”

“A antiga função de Elson agora é ocupada por Ivan, seu cunhado. Ivan lembra a boa relação que Elson tinha com a Universidade. ‘Ele foi aposentado pela PUC há dois anos, mas, como gostava de trabalhar aqui, decidiu continuar’, diz”.

“Bom amigo, ótimo funcionário e bom de bola, Maninho vai fazer falta no campinho de futebol, na recepção do Edifício Padre Leonel Franca e na convivência do dia a dia na PUC-Rio.”

Itair Lomeu de Carvalho (1938 - 2013) _

Mineiro de Eugenópolis e morador do Cambuí, seu Itair começou a trabalhar na PUC-Rio como funcionário em 1986 e já estava aposentado quando morreu. Foi, por muitos anos, Auxiliar de Serviços Gerais. Sua ficha funcional nos fornece alguns dados sobre ele, mas é o depoimento de seus colegas que nos permite descobrir algumas coisas que não devem ser esquecidas sobre seu Itair. A primeira delas é que era flamenguista doente. Sempre calmo, solícito, amável e alegre, era melhor não puxar conversa sobre futebol na Oficina de Serviços Gerais da Prefeitura quando o Flamengo perdia um jogo.

Seu Itair formou junto com seu Valdelino uma dupla imbatível no que diz respeito à colocação de faixas e bandeiras no campus. Os dois conheciam como ninguém os segredos para pendurar faixas de todos os tamanhos nos lugares estratégicos para um determinado evento ou comemoração. A prefeitura já sabia que quando algum setor da Administração Geral, Departamento, Professor ou Representação Estudantil telefonava para pedir esse serviço, a conversa terminava sempre com o pedido “e, por favor, veja se é possível que o seu Itair e o seu Valdelino façam isso para nós”.

Seu Itair é lembrado com carinho pelos que trabalharam com ele. E deixa na PUC-Rio sua melhor herança: dois filhos seus são funcionários da Universidade. A filha Adriana é ascensoristas e o filho Rafael Lomeu continua o trabalho do pai na Oficina de Serviços Gerais da Prefeitura. Seu Itair agora deve andar pendurando faixas e bandeiras pelo céu afora.

Joana Brandão de Aguiar (1922 - 2003) _

D. Joana: a nossa rainha Njinga

A tradição oral angolana, as crônicas da colonização portuguesa na África e os registros da Companhia das Índias Ocidentais do século XVII relatam a existência de uma mulher extraordinária, de nome Ngola-Njinga, filha de Nzinga-a-Mbande-Ngola-Kiluaje, rei de Matamba.  Venerada por seu povo, foi reconhecida também pelos colonizadores europeus como uma mulher inteligente, hábil, majestosa, guerreira de coragem inigualável e sabedora dos segredos da luta e da festa.  Sobre aquela rainha Njinga africana escreveu Câmara Cascudo:

“Morreu (...) anciã venerada, andando vagarosa, cabeça firme, olhos (...) inquietos. Tinha 82 anos. Ninguém conseguiu esquecê-la.”[1] 

Pelos pilotis da PUC-Rio circulou, por muitos anos, uma mulher que bem poderia ser da linhagem daquela rainha africana, e, como à Njinga angolana, ninguém que a conheceu poderia esquecê-la.  Era Joana Brandão de Aguiar, a quem, em sinal de respeito, todos, do reitor ao mais jovem dos estudantes, chamavam de D. Joana.

D. Joana era maranhense, filha de Firmino Brandão e Vitória Maria Brandão, nascida no dia 24 de junho de 1922.  Quando Joana nasceu, portanto, as fogueiras de São João iluminavam a noite pelo Brasil afora, sem saber que festejavam, também, aquela vida nova, discretamente nascida em São Luís do Maranhão. Muito provavelmente, por ter nascido nesse dia, Firmino e Vitória batizaram a menina com o nome de Joana.  Com 36 anos foi contratada pela PUC por 90 dias. Seu primeiro Registro de empregado das Faculdades Católicas, hoje conservado nos arquivos do Departamento de Recursos Humanos, informa que desempenhava a função de servente, contratada para trabalhar de 7 às 16 horas, com direito a “uma hora de intervalo para refeição e descanso”. 

Aqueles primeiros 90 dias de seu contrato de 1958 multiplicaram-se até o dia em que D. Joana foi conviver mais de perto com o santo padroeiro da festa do dia de seu nascimento.  Aos 81 anos, D. Joana morreu no dia 16 de novembro de 2003, e era, na ocasião, funcionária do Departamento de Engenharia Civil, lotada no Laboratório de Estruturas, ainda que já não trabalhasse em razão de sua saúde precária.  Mas nunca passou pela cabeça de ninguém demitir ou aposentar a D. Joana.

Quem se lembra da figura ao mesmo tempo gigante e pequenina de D. Joaninha já idosa, os cabelos brancos sempre impecavelmente penteados, queridíssima por Deus e o mundo, o andar já lento pelo peso dos anos, a conversa gostosa, o olhar muito vivo e uma inesgotável disponibilidade para a vida sabe que a semelhança entre ela e a Njinga mítica não se esgota no retrato de ambas ao final da vida.

D. Joana gostava da vida e sabia viver.  A seu modo, foi uma guerreira admirável e não foram poucas as batalhas que soube vencer pela vida afora.  De vez em quando sua faceta de guerreira se revelava com mais intensidade, e ficava brava de verdade, sobretudo quando tinha que assinar o que quer que fosse, inclusive suas férias...

Inteligente, nos tempos da ditadura soube reconhecer na multidão de garis que, um dia, apareceu para varrer a PUC-Rio, agentes da repressão disfarçados.  D. Joana comandou uma tropa de funcionários, entre os quais o Sr. Moisés – um ascensorista igualmente inesquecível -, insuspeitos aos olhos dos garis do DOPS, na busca dos que chamava de “os meus meninos”, as lideranças do movimento estudantil.  Hábil, soube conduzir, por caminhos que só os funcionários antigos conheciam, aquele bando de jovens assustados, pelo meio da mata que existia onde hoje é um trecho da auto-estrada Lagoa-Barra, até a rua Visconde de Pirajá, de onde se escafederam no primeiro lotação Gávea-Leme que passou.  Da calçada do ponto de ônibus, uma D. Joana sorridente e majestosa acenava para os estudantes que ajudara a escapar.

Generosa, acolhia e criava qualquer criança de rua que encontrasse e soubesse não ter família.  Milagrosamente, fazia caber aquela família ampliada, cujos laços de parentesco ninguém jamais foi capaz de decodificar, em seu apartamento no prédio vizinho à PUC-Rio, construído conforme o projeto inovador do arquiteto Afonso Eduardo Reidy, e que a irreverência dos cariocas batizou de O Minhocão.  No final da vida, se alguém perguntasse quantos filhos adotara – todos sem papel passado – D. Joana dava uma risada gostosa e dizia:  “Contei até vinte, minha filha.  Depois perdi a conta!”  E qualquer estudante ou professor da PUC-Rio que por motivos políticos ou pessoais precisasse de um refúgio, sabia que a casa da D. Joaninha era porto seguro e fortaleza inexpugnável.  Reza a lenda que um ex-aluno da PUC-Rio, de notório protagonismo no cenário político do estado e do país, foi um dos que estiveram exilados nos territórios de D. Joana.

D. Joana tinha suas preferências: adorava beber uma cachacinha de boa qualidade, prova de que sabia apreciar as boas coisas da vida.  Quando a aposentadoria ficou curta para cobrir os gastos cotidianos e suas preferências etílicas, alguns dos “seus meninos” dos tempos da ditadura, já então transformados em ilustres doutores, pesquisadores respeitados e professores de programas de pós-graduação da PUC-Rio fizeram uma espécie de assembléia para instituir a chamada lista da D. Joana, a cuja titular era entregue, mensalmente, com grande reverência e discrição, uma quantidade razoável de garrafas de cachaça da melhor procedência.  Ela aceitava o presente com o sorriso de sempre e convidava, altaneira: “Apareça lá em casa com os outros meninos para tomar um trago.”

Sobre a memória viva da rainha Njinga ancestral nas tradições afro-brasileiras, em especial nos cantos e rituais do congado, observa Câmara Cascudo:

“Em cada navio [negreiro], invisível e lógica, embarcava a Rainha Jinga...”[2]

Que não nos esqueçamos de guardar um lugar de honra para D. Joana, a nossa Rainha Njinga, nos navios de liberdade em que os sonhos de futuro desta universidade cruzam os mares do tempo.

Margarida de Souza Neves
Departamento de História
Agosto de 2007


[1] Luis da Câmara CASCUDO.  Made in África.  (5ª ed.).  São Paulo: Global, 2001. p. 33.

[2] Idem. Ibidem. p. 40.

José Augusto Pereira Telles (1956 - 2008) _

Sobre o Telles

Ainda com o estômago embrulhado com a perda de um companheiro de trabalho e amigo, gostaria de relatar a minha visão sobre o Telles.

Tenho lidado com a equipe do RDC bastante nos últimos quatro anos. Muito tem sido feito e temos evoluído bastante. Mas isso não veio de graça. É uma conquista diária a base de muito esforço e criatividade. Sem querer desmerecer o resto da equipe do RDC, que é exemplar, grande parte desse sucesso se deve ao trabalho do Telles.

Aprendi a confiar nas soluções geniais e simples que ele sempre trazia. A Comunidade PUC-Rio talvez não se de conta de tudo que rola por trás para que a infra-estrutura de informática tenha um bom funcionamento. É preciso um trabalho de formiguinha de pessoas como o Telles para que isso aconteça de forma satisfatória e segura, apesar de todas as dificuldades de hardware que sofremos. Aliás, se conseguimos evoluir nisso, conseguindo um melhora substancial com gastos bastante razoáveis, muito se deve ao Telles.

Conversando com o Albino, que conhecia o Telles de longa data, ele me deu o testemunho que eu posso corroborar. Quando se tinha um problema muito complicado para resolver nessa área, não tinha outra alternativa: chama o Telles que ele resolve. Sempre com tranqüilidade e cordialidade.

Professor Luiz Fernando Martha
Departamento de Engenharia Civil
05 de setembro de 2008

José Carlos Teixeira de Oliveira (1938-2016) _

O ascensorista José Carlos Teixeira de Oliveira faleceu aos 78 anos, de pneumonia. Ele trabalhou na Universidade por 33 anos, era casado e tinha três filhos e três netos. (+ 27 de abril de 2016)

Mineiro, como era conhecido, deixou várias memórias alegres para seus colegas de trabalho e para a comunidade universitária. De temperamento extrovertido, José Carlos tinha o hábito de distribuir balas aos conhecidos e, por atitudes assim, marcou com alegria sua trajetória por nossa Universidade.

José Pedro Juvêncio (1956-2015) _

José Pedro Juvêncio trabalhou para a PUC-Rio durante 40 anos e marcou a todos com sua imensa alegria e disposição para ajudar e atender. (funcionário da Vice-Reitoria Acadêmica) (+18 de dezembro de 2015) 

Foram inúmeras as manifestações de pesar pelo seu falecimento, ocorrido em 18 de dezembro, e de boas lembranças e celebração de sua vida.

Nota dos Professores e Funcionários da Vice-Reitoria Acadêmica da PUC-Rio:

Em quase 40 anos dedicados à PUC-Rio e à Vice-Reitoria Acadêmica, Pedro, o nosso Pedrão, era conhecido por todos pelo lindo sorriso, a alegria contagiante, a gentileza e a disposição constante para atender e ajudar a todos. Mesmo nos momentos mais difíceis da longa luta que viveu contra sua doença, Pedrão nunca desanimou nem deixou de ser a mesma pessoa amável e prestativa.

Ele deixa uma enorme saudade entre os amigos e colegas, mas também belas lembranças pelo tempo que passou conosco.

Mensagens dos amigos da PUC-Rio:

Há algum tempo só vez por outra encontrávamos o Pedro na sala de entrada da Vice-Reitoria Acadêmica. Nessas ocasiões, cada vez mais raras, a alegria de vê-lo era sempre expressão da esperança teimosa de, um dia, tê-lo de volta com seu sorriso, seus olhos expressivos, sua discrição, sua eficiência, sua inteligência e aquela elegância só dele, com a qual sabia lidar com situações delicadas e com a rotina do dia a dia.

Vai ser difícil não encontrar nunca mais o Pedro ao abrir a porta da Vice-Reitoria Acadêmica. E vai ser mais difícil do que possa parecer nesse primeiro momento a vida na VRAc sem o Pedro.

Todos nós nos sabemos queridos pelos amigos que fazemos na PUC-Rio. Alguns são unanimemente queridos por todos na Universidade. O Pedro era uma dessas pessoas muito raras de quem todos gostávamos muito e a quem todos aprendemos a respeitar.

Tenho a certeza de que, aos poucos, as muitas lembranças boas vão curar a dor de agora. E que essa dor é o lado amargo do privilégio de ter tido uma pessoa tão luminosa entre nós.

Sou muito grata por poder dizer que o Pedro é um amigo muito querido que ganhei de presente da vida. À sua mulher, companheira de tantos anos, e à filha, de quem falava com tanto orgulho, todo o meu carinho.

Profa. Margarida de Souza Neves (HIS), Núcleo de Memória da PUC-Rio.

O céu estará muito mais alegre com a chegada do Pedrão, um homem que espalhou doçura por onde passou, com seu sorriso largo e constante, e pequenos gestos de gentileza.

Prof. Sérgio de Almeida Bruni, Vice-Reitor de Desenvolvimento.

Pedro foi dos melhores seres humanos que conheci, nunca esquecerei seu sorriso alvo.

Muita luz e paz para ele!

Maria José Teixeira Soares, Assessora da Vice-Reitoria de Desenvolvimento.

Como não se encantar com o sorriso mais do que simpático e bem-aventurado do Pedrão? Sinto muitíssimo e peço a Deus que o lugar dele seja o mais bonito e iluminado que exista na eternidade.

Prof. Augusto César Pinheiro da Silva (GEO), Coordenador Setorial de Graduação do CCS.

Literalmente à frente da VRAc durante todo esse tempo, Pedro deu-lhe uma identidade singular, a de um lugar de acolhimento.

Prof. Marco Aurélio Cavalcanti Pacheco, Departamento de Engenharia Elétrica.

O meu Pedro se foi, mas deixou pegadas muito fortes nos pilares que nos sustentam. Ai, Pedro!!

Profa. Flávia Schlee Eyler, Departamento de História.

Quero me juntar a todos que estão se manifestando pela perda do Pedro. Seu sorriso alegre e acolhedor ficará para sempre na minha memória. Que ele, que sabia nos acolher tão bem no balcão da Acadêmica, tenha sido acolhido com carinho nos braços do Pai. Disso eu tenho certeza.

Um grande abraço à sua família,

Profa. Ana Waleska Pollo Campos Mendonça, Departamento de Educação.

Junto-me a todos que louvam o exemplo de correção, acolhimento e simpatia que foi a longa e forte presença do Pedro na sala de entrada da Vice-Reitoria Acadêmica ao longo destas últimas décadas. Que seu exemplo nos inspire sempre no campo da excelência que buscamos para a PUC-Rio, apontando a importância desses valores, nele sempre presentes, para a vida humana.

Profa. Hedy Silva Ramos de Vasconcellos, Departamento de Educação.

O querido Pedro vai deixar muitas saudades. Encontrar com o Pedrão, mesmo por um instante, era sempre um bom encontro, desses que iluminam o cotidiano da universidade.

Profa. Denise Berruezo Portinari, Departamento de Artes e Design.

Vai, Pedrão! Vai encher de alegria e delicadeza outros mundos!!

Prof. Júlio Diniz (LET), Diretor do Instituto Confucius.

Myriam Leal Domingues Alonso _

A Sala Myriam Alonso

A sala de reuniões da Vice-Reitoria Acadêmica tem nome próprio. 

Na placa de identificação em sua porta, lê-se: SALA DE REUNIÃO MYRIAM ALONSO.  É uma justa homenagem a uma pessoa muito especial e que assessorou, por muitos anos, os vários professores que exerceram a função de Vice-Reitores para Assuntos Acadêmicos.  É também um exemplo expressivo do significado do mapa simbólico da memória da Universidade que a toponímia do campus da PUC-Rio traça ao nomear alguns de seus espaços com referências aos que fazem parte de sua história.

Dona Myriam, como todos a chamavam com carinho e com deferência, foi funcionária da PUC-Rio por mais de 40 anos.  Ao ingressar no quadro de funcionários da Universidade em 1962, secretariou a antiga Escola Politécnica. Posteriormente passou a atuar na Vice-Reitoria Acadêmica, onde sua capacidade de trabalho, sua generosidade e sua estatura humana fizeram dela uma assessora preciosa não apenas para os Vice-Reitores Acadêmicos, mas para todos os que procuravam nela a solução para os problemas que sempre aparecem no dia a dia da vida acadêmica.  D. Myriam atendia a todos da mesma forma, e punha o mesmo empenho em buscar a solução para um aluno que a procurasse para resolver um impasse de matrícula; para um funcionário de algum Departamento que telefonasse para assegurar-se se uma dada medida era compatível com as normas da PUC-Rio; para um professor que indagasse sobre o andamento de seu processo de promoção ou para o Vice-Reitor Acadêmico que a consultasse sobre a legislação federal a respeito de algum aspecto da vida acadêmica.

O segredo que fazia de D. Myriam o porto seguro onde era possível encontrar acolhida e informação certeira era a rara combinação de competência, discrição, e disponibilidade que nela se aliavam a uma memória prodigiosa. 

Todos os que interagiram com ela certamente se lembram de histórias que mostram como D. Myriam manejava sua chave secreta capaz de abrir, sem ruídos, portas por vezes emperradas.  Pessoalmente, me lembro muito bem de uma reunião na Vice-Reitoria que ela secretariava e na qual eu sugeri, diante do problema de teses defendidas por alunos estrangeiros e que vinham redigidas em uma língua levemente aparentada com o português, que os alunos pudessem apresentar suas teses e dissertações em qualquer língua, desde que a banca atestasse por escrito que aceitava ler o trabalho naquela língua.  D. Myriam, discretíssima, nada disse no momento em que fiz a proposta, e citei para sustentá-la o exemplo da Universidade de Louvain, que assim procedia há décadas.

Minutos depois do final da reunião ela me procurou e disse, como sempre com o cuidado de cumprir com esmero o protocolo acadêmico mesmo ao falar com alguém que ela conhecia muito bem desde que ingressara na PUC-Rio como aluna, aos 17 anos de idade: “professora, tenho a impressão que não vai ser possível implementar a sua idéia, porque existe uma norma do MEC que impede que teses e dissertações sejam defendidas no Brasil em outra língua que não o português” e, depois de citar sem titubear o número da tal norma, me entregou a cópia da legislação pertinente. 

É um acerto que a sala de reuniões da Vice-Reitoria Acadêmica tenha o nome de Myriam Alonso.  Ela seguramente merece emprestar seu nome a uma sala cuja vocação é reunir os que assessoram o Vice-Reitor; examinar processos que dizem respeito à carreira docente; atender alunos e professores; discutir a melhor forma de encaminhar o cotidiano acadêmico e onde se faz tudo isso sem deixar de oferecer um espaço em que os aniversários dos funcionários, dos coordenadores centrais e do Vice-Reitor são festejados e onde, todos os dias, é possível encontrar a disposição um cafezinho acolhedor.

D. Myriam soube fazer tudo isso muito bem.  E é muito bom poder lembrar dela com carinho e com saudades quando cruzamos a porta da sala que leva seu nome.

Professora Margarida de Souza Neves
Departamento de História
Núcleo de Memória da PUC-Rio

 

Myriam Leal Domingues Alonso foi meu primeiro contato na PUC-Rio. Quando, em 1976, vim para minha entrevista de emprego, a Gerência de Pessoal me encaminhou para conversar com o vice-reitor à época, Padre João Augusto Mac Dowell S.J. Fui recebida pela sua assessora, Myriam Alonso, e posso dizer que foi amor à primeira vista. Ficamos amigas ali. Juntas, trabalhamos por mais de 25 anos, partilhamos muitas alegrias e, por que não dizer, tristezas. Ela foi uma grande mestra com quem aprendi muito.

Myriam tinha uma capacidade enorme de trabalho e de doação. Ajudava a todos sem distinção. Tinha uma memória prodigiosa e se orgulhava disso. Fez da PUC sua segunda casa, à qual dedicou 40 anos de trabalho competente. Conhecia a maioria dos professores desde quando eles cursavam a graduação, quando atuou como secretária da antiga Escola Politécnica de Engenharia, e reservava a todos sempre uma palavra de carinho.

Dedicou-se nos últimos vinte e cinco anos a estudar a legislação acadêmica. E como aprendeu! Dava a impressão, às vezes, de que tinha uma enciclopédia na cabeça, tamanha era a sua capacidade de lembrar normas, leis, fatos e nomes.

Ana Lúcia Einloft
Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos

 

Myriam Alonso – 40 anos de PUC-Rio

Todos nós, que trabalhamos ou já trabalhamos com a Myriam, queremos aproveitar este momento tão solene, e ao mesmo tempo tão íntimo e verdadeiro, para transmitir os sentimentos que neste instante nos dominam.

Queremos dizer-lhe, Myriam, quanto apreciamos a sua competência, o seu profundo conhecimento de tudo o que se refere ao ensino e à Universidade, o se bom senso e o sentido prático com que resolve todas as situações. Mas o que marca definitivamente o nosso convívio profissional, Myriam, é a generosidade com que compartilha os seus conhecimentos, a abnegação com que ensina, aconselha e ajuda a todos os que a si recorrem, desde o mais modesto funcionário ao mais categorizado professor.

É esta qualidade que faz de si, Myriam, uma pessoa insubstituível, não só para a Universidade, como para cada um de nós, que temos ou tivemos o privilégio de trabalhar consigo. Em nosso nome e no de todos os que ao longo destes 40 anos se tornaram seus amigos, queremos expressar o nosso apreço, a nossa admiração e o nosso agradecimento.

Rio de Janeiro, 12 de julho de 2000.

Texto escrito por Maria Fernanda Trigo de Negreiros, em nome dos professores e funcionários da Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos por ocasião da homenagem prestada a D. Myriam pelos seus 40 anos de PUC-Rio.

Silvia Maria Murtinho (? - 2013) _

Silvia era funcionária da PUC-Rio e exercia a função de supervisora de Serviços Gerais do Campus da Gávea e dos Pólos Avançados da Universidade. Sob sua responsabilidade estavam todos os serviços de limpeza e conservação do campus, as equipes de transporte de materiais e preparação de locais para eventos, o correio interno, os serviços de dedetização, os jardins do campus, o lixo extraordinário. Com ela trabalhava uma equipe numerosa de funcionários, 34 deles diretamente dirigidos por ela, que velava com zelo para manter a organização do campus como um todo e para atender as inúmeras solicitações que recebia diariamente.

O Jornal da PUC em sua Edição no 269 assinala sobre Silvia:

“A personalidade forte era algo marcante para quem conhecia Silvia Maria Murtinho. Ela estava sempre presente nos almoços e nas comemorações com os amigos. Mas, com a morte repentina, no dia 30 de abril, os colegas de trabalho ainda estão chocados e consternados e, garantem, ainda vão demorar a se acostumar com a falta dela nos encontros da equipe. [...]

Os amigos a descrevem como uma pessoa que era determinada, sincera, justa e, acima de tudo, companheira. Apesar de exigente, era vista como uma pessoa divertida.”

Silvia deixa três filhos e muitos amigos na PUC-Rio.

Suzana Gonçalves (1914 - 2010) _

D. Suzana Gonçalves foi Diretora da Divisão de Bibliotecas e Documentação da PUC-Rio entre 1975 e 1994, e antes, entre 1964 e 1966, presidente da CAPES.

"Em 1945 começou a atuar na Ação Católica, ministrando aulas nos cursos do Instituto Feminino, vinculado à PUC-Rio. Lecionou no Colégio Jacobina e no Colégio Santa Úrsula, assessorou a reitoria da PUC-Rio na divulgação das atividades da universidade. Foi diretora-executiva da Capes entre abril de 1964 e maio de 1966. Em 1967, juntamente com o Padre Antônio Geraldo Amaral Rosa S.J. e o Professor Paulo de Assis Ribeiro, implementou nova estrutura na PUC-Rio, onde mais tarde chefiaria a Biblioteca Central (1975-1994)." Fonte: FERREIRA, Marieta de Moraes, MOREIRA, Regina da Luz (org.). Capes, 50 anos. Depoimentos ao CPDOC/FGV. Brasília: Capes, 2002. 343 p.

Veja aqui a matéria sobre D. Suzana publicada no Jornal da PUC.

A seguir, texto da Profa. Ana Waleska Pollo Campos Mendonça, do Departamento de Educação da PUC-Rio.

Encontros com Suzana Gonçalves (D. Suzana)

A vida é feita de encontros (e também desencontros...). Muitas pessoas passam pelas nossas vidas; com algumas nos encontramos e alguns desses encontros deixam marcas indeléveis.

É a partir de ao menos dois encontros desses que marcam, que vou tentar traçar um perfil de D. Suzana. Tarefa difícil, dada a riqueza da sua personalidade, encoberta por uma discrição e uma simplicidade raras.

O primeiro encontro.  Conheci D. Suzana em 1969. Eu acabara de ingressar como professora no recém-criado Departamento de Educação da PUC, apenas concluídos os créditos do curso de Mestrado, que também se iniciava (tinha apenas três anos de funcionamento), na área de Planejamento Educacional.  Jovem professora, fui convidada com duas outras também jovens professoras: Rosina Fernandes (depois, Wagner) e Stella Cecília Duarte (depois, Segenreich), para colaborarmos em uma experiência pioneira da Assessoria de Planejamento da Reitoria.  Tratava-se, nos idos dos anos de 1960, de implementar na universidade a metodologia de Orçamento-Programa.  À frente da experiência, o professor Paulo de Assis Ribeiro, economista renomado, que, à época, dava aulas também no nosso Mestrado, na área de Planejamento Educacional, e D. Suzana Gonçalves, que acabara de deixar a direção da CAPES [1]. Lembro-me bem do forte contraste físico entre os dois: Dr Paulo, um homenzarrão enorme, e D. Suzana, miudinha, aparentemente frágil. Os dois trocavam idéias, acaloradamente, todo o tempo, gesticulavam e discutiam muito e, nessas horas, D. Suzana, surpreendentemente, crescia...  Reuníamo-nos com frequência e nos horários mais díspares, algumas vezes, na própria residência do Dr. Paulo. Era um clima intenso de trabalho e entregamo-nos animadamente às tarefas que nos eram atribuídas. No entanto, a experiência meio prematura não foi muito à frente. Mas, assim conheci D. Suzana e começamos uma relação sempre amistosa.

Da Assessoria de Planejamento, D. Suzana foi para a direção da Biblioteca Central da PUC. Ficou um longo tempo à sua frente e a universidade deve a ela esse trabalho fantástico de organização dessa que é, hoje, sem dúvida, uma das melhores bibliotecas universitárias do país. Cruzávamo-nos, frequentemente, nos pilotis do “prédio novo”, e ela, sempre correndo, não deixava de dar uma “paradinha” para papearmos um pouco, começando sempre por um “minha filha, como vão as coisas?”.

O segundo encontro: 30 anos depois. D. Suzana já se aposentara da PUC. Eu iniciava uma pesquisa sobre os anos iniciais de funcionamento da CAPES, sob a gestão de Anísio Teixeira, e fui entrevistá-la, já que fora ela quem substituíra Anísio, após a sua demissão pelo governo militar, “a bem do serviço público”.

Como morávamos proximamente, costumava encontrá-la pela rua, sempre apressada, quase correndo, mas jamais deixando de lado a habitual “paradinha”.  E lá vinha o indefectível “minha filha”...  Lembro-me bem que, numa dessas vezes, contou-me que tinha um grupo de amigas igualmente aposentadas, entre as quais D. Lourdes, ex- secretária do Reitor, outra das figuras centrais dos meus primeiros anos de PUC, e que costumavam sair juntas, ir ao teatro, ao cinema e assim aproveitavam o tempo e continuavam a cultivar os laços construídos no espaço da universidade, central na vida de todas elas.

Combinamos que a entrevista seria na sua própria residência e D. Suzana fez-me duas exigências: que eu fosse sozinha - pois lhe propusera, inicialmente, levar o grupo de pesquisa - e que não gravasse a entrevista. Carreguei apenas um caderninho onde fiz as anotações que guardo até hoje. D. Suzana recebeu-me animadamente, e entre uma Coca-Cola e muitos biscoitinhos da Gerbô (confeitaria tradicional de Copacabana), ficamos uma tarde inteira numa longa conversa que foi se desdobrando sem que eu tivesse que intervir muito.

Começou me dizendo que ficou sabendo da sua nomeação para a CAPES, pelo rádio, e que levou um susto enorme. Mas aceitou o desafio.

 No seu primeiro dia de trabalho, defrontou-se com uma mesa vazia e em cima dela o processo administrativo através do qual se pretendia incriminar Anísio Teixeira, acusado de malversação de verbas. Disse-me que, simplesmente, engavetou-o e que assim o processo permaneceu durante todo o tempo em que esteve à frente do órgão.

Anísio foi depois inocentado das acusações que lhe eram dirigidas e, algum tempo mais tarde, quando do seu retorno ao Brasil, após um período de semi-exílio, em que atuou a convite como professor visitante nas universidades de Chicago e de Colúmbia, enviou para D. Suzana, segundo ela própria, um exemplar do seu livro Educação para a Democracia. Em uma dedicatória por ele escrita e assinada, agradecia-lhe ter preservado a CAPES, que ajudara a criar, e cuja sobrevivência sabia que estivera, de fato, em risco.

É significativo que das duas importantes instituições que Anísio criou ou ajudou a criar nos anos 1950-1960, no âmbito do MEC - além da CAPES, o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE) e sua rede de centros regionais - apenas a primeira tenha conseguido permanecer após os anos 1970 e constituir-se no principal órgão responsável pela instituição no país de um sistema de ensino pós-graduado nos moldes das melhores universidades européias e norte-americanas. Se por um lado essa sobrevivência se deu, sem dúvida, porque o órgão atendia, em parte, aos interesses da política de ensino superior desenvolvida pelo governo militar, por outro, a CAPES, organizada sob a forma de Campanha, tinha uma institucionalização mais precária que o CBPE e, já anteriormente a 1964, sofrera uma forte oposição de outros órgãos da própria burocracia estatal, como a COSUPI [2], de feição mais imediatista e pragmática. 

 D. Suzana comentou comigo que não chegara a conhecer pessoalmente Anísio, mas mostrou-me o livro com a dedicatória que guardava com carinho.

Lembrei-me de situação que vivenciara, muitos anos antes, e que, talvez, agora adquirisse sentido. Quando ingressei no curso de Mestrado da PUC, em 1968, obtive uma bolsa da CAPES, que me permitiu dedicar-me integralmente ao curso.  Apenas três bolsas foram concedidas aquele ano pela CAPES ao curso. Logo depois, soubemos, a instituição entrou em crise, culminando com a saída da D. Suzana da sua direção. Eram anos nebulosos, de endurecimento do regime militar, e avalio, hoje, que talvez as atitudes firmes de D. Suzana lhe tenham custado o cargo...

Pois são essas algumas das lembranças que trago dessa figura ímpar: pequenina, discreta, mas íntegra e à qual devemos muito, não só a PUC, mas a universidade brasileira.

 

[1] Atual Fundação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior, órgão responsável pela política de pós-graduação do MEC, criada inicialmente sob a forma de Campanha.

[2] Comissão Supervisora do Plano dos Institutos, criada para implementar os institutos tecnológicos nas universidades.

Vera Lúcia Gonçalves Moreira (1956-2013) _

Vera Lúcia foi contratada como funcionária da PUC-Rio em junho de 1983 e sua primeira função foi secretariar o Decanato do CTC, onde posteriormente passou a assessorar o Ciclo Básico do Centro e trabalhou com a coordenadora do Ciclo Básico, a Professora Leila Vilela bem como com a Vice-Decana de Graduação, a Professora Noemi de La Rocque.

Vera, muito alegre, adorava dançar e por cinco anos, juntamente com o marido João Rodrigues, deu aulas no Ginásio da PUC-Rio para professores e funcionários que dividiam com ela o entusiasmo pela dança.

Mãe de duas filhas, Vera era uma jovem avó de uma menina de 12 anos, e tinha sua segunda neta a caminho quando morreu. Corajosa, travou uma longa batalha contra um câncer, diagnosticado em 2007, que a obrigou a afastar-se do trabalho e de suas aulas de dança nos dois últimos anos. Seu marido, João Rodrigues, disse ao Jornal da PUC que ela soube ter fé e determinação para enfrentar um longo e doloroso tratamento e, quando encontrava forças, saia com ele para dançar nos finais de semana. Seus amigos asseguram que mesmo nos momentos mais difíceis ela transmitia a todos seu amor à vida.

A PUC-Rio guardará sua lembrança e manifesta à família sua solidariedade.