Nascimento
16/10/1921
Falecimento
20/01/2003
Relação com a PUC
Jesuítas
Cargos e Funções

Vice-reitor para Assuntos Acadêmicos

Descrição

Texto do Reitor pe. Jesús Hortal Sànchez S.J., publicado no Jornal da PUC. 03/04/2003, p. 2.

Um desbravador de caminhos

Tinha espírito de pioneiro. Gostava do desafio e da inovação. Tinha a coragem de arriscar, mesmo sabendo que podia errar. Assim era o padre Amaral. Talvez porque a vida lhe foi dura desde bem cedo, quando ficou órfão ainda criança. Empreendeu um caminho árduo, ao mesmo tempo que entrava na adolescência, ingressando na Escola Apostólica do Colégio Anchieta de Nova Friburgo, em 1933. Prosseguiu-o até fim, na sua consagração religiosa como jesuíta. A cidade serrana seria, para ele um centro de referência obrigatória. Lá fez o noviciado, de 1938 a 1940. Lá também conheceu os mestres que o acompanhariam, mais tarde, na PUC, os padres Hainberger e Roser, e que plantaram nele a semente científica.

Após os anos de Filosofia, em Nova Friburgo, e de Magistério no Colégio São Luís, em São Paulo, foi cursar Teologia na Universidade Javeriana, na Colômbia, onde se ordenou sacerdote em 1952. Rumou então para os Estados Unidos, onde se dedicou ao estudo da Física, primeiro na universidade jesuítica de Fordham, em Nova York e depois na de Stanford.

Voltou ao Brasil em 1958 e no ano seguinte já estava engajado na PUC, onde ajudou a montar os laboratórios do então Instituto de Física. Foi, também o primeiro diretor do centro de processamento de dados, uma novidade absoluta em universidades da América Latina. É lá, no lugar onde hoje está a capela, que foi instalado na PUC o primeiro "cérebro eletrônico" do subcontinente. A paixão pela informática não o abandonaria nunca mais. Padre Amaral assumiu a Vice-Reitoria Acadêmica de 1967 a 1970, num dos momentos decisivos da nossa Universidade. Coube a ele implantar a reforma universitária, transformando por inteiro a estrutura acadêmica: as escolas e faculdades desapareceram, dando lugar a centros e departamentos; o professor catedrático, quase que dono da sua área, passou a ser uma lembrança histórica; as turmas se diluíram e ficou implantado o sistema de créditos, com uma flexibilidade nunca antes sonhada; a Universidade passou a ser um verdadeiro universo científico e não uma série de compartimentos estanques. Acima de tudo, com essa reforma, a PUC se lançou decididamente pelos rumos da pesquisa, concebida como uma tarefa institucional e não apenas como a aventura de alguns cientistas sonhadores. Padre Amaral lançou as bases da pós-graduação nas diversas áreas científico-tecnológicas, não isolada numa redoma de vidro, mas integrada e dando alma à graduação. Tanta mudança exigia novos textos normativos e o padre Amaral colaborou muito ativamente na elaboração dos novos Estatuto e Regimento. A reforma implantada na PUC virou paradigma para o que deveria ser feito nas universidades públicas.

É claro que nem todos os sonhos se realizaram. Já nos anos setenta, começou a crônica defasagem entre o que as instâncias governamentais prometiam e o que, de fato, realizavam. Houve dificuldades e uma renovação na equipe dirigente da PUC. Padre Amaral, convidado a dar uma ajuda na reorganização da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), transferiu-se para o Recife no final de 1972, para uma "breve temporada". Ficou treze anos. [na UNICAP] Foi Vice-Reitor Acadêmico, de 1972 a 1978, e Reitor, de 1978 a 1985. Deixou uma marca duradoura.

Em 1985 voltou ao Rio, onde foi, por pouco tempo, assessor especial da Reitoria e, depois Vice-Reitor Acadêmico, de 1985 a 1992. Nessa época, foi também, durante seis anos, membro do então Conselho Federal de Educação. A saudade do Recife bateu às suas portas, e de novo se transferiu para o Nordeste, em fins de 1992, ficando lá outros dez anos, até a morte, ocorrida no dia 20 de janeiro de 2003.

Como o padre Peters, Reitor da UNICAP, falou na homilia da missa de corpo presente: padre Amaral "conhecia e amava a instituição universitária e nela acreditava... assinou, com sua vida e empenho, sua crença, seu testemunho, sua qualidade humana e espiritual. Convicto, manteve sempre o otimismo e a esperança acesa de avançar no caminho da melhor qualidade em tudo o que assumia". Ficará sempre unido à nossa história, à história da PUC. Que Deus lhe recompense todo o bem que fez!

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Padre Antônio Geraldo Amaral Rosa S.J.
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