Nascimento
1936
Falecimento
29/10/1992
Relação com a PUC
Jesuítas
Cargos e Funções

Vice-Reitor para Assuntos Acadêmicos, Coordenador Central de Estágios e Serviços Profissionais

Descrição

Matéria publicada no Jornal da PUC, novembro/1992, p. 3:

Agostinho Castejón, um operário da fé a serviço dos pobres

A comunidade PUC está de luto desde o dia 29 de outubro último com a morte do padre Agostinho Castejón Garcia S.J., Vice-Reitor Acadêmico no período de 1978 a 1980. Apesar do pouco tempo que permaneceu no cargo, padre Agostinho marcou sua presença como uma das personalidades mais dinâmicas e inovadoras que já passaram por esta Universidade.

Através da criação do Movimento Universidade a Serviço do Povo (MUSP), conscientizou professores e alunos de que a pesquisa e o trabalho universitários podem contribuir para a solução dos problemas dos menos favorecidos em nossa sociedade.

Agostinho Castejón morreu aos 58 anos, vítima de câncer no estômago. Já doente, ainda que sem saber da gravidade de seu estado, foi à Espanha, sua terra natal, em visita à família - onze irmãos e numerosos sobrinhos. Quando a doença foi finalmente diagnosticada, encontrou no carinho dos seus e na profunda fé em Cristo a força necessária para fazer frente ao mal que o acometia. 

Mas a vontade de retornar ao Brasil nunca o abandonou. No início de outubro juntou-se novamente aos vários amigos feitos ao longo dos 32 anos passados aqui e, especialmente, aos moradores do Morro Santa Marta, em Botafogo, com os quais havia desenvolvido uma intensa atividade social e pastoral nos últimos quatorze anos.

Filho de uma rica família da cidade de Oviedo, na região das Astúrias, Agostinho Castéjon teve o desprendimento de abandonar o fausto de sua condição social para abraçar a vida religiosa aos 18 anos, em 1952, quando ingressou no noviciado da Companhia de Jesus. “A sua vida foi uma lição de desapego aos bens materiais, de dedicação e de amor aos pobres”, afirma o Diretor do Departamento de Sociologia e Política, padre Luís Garcia de Sousa S.J..

Em 1956 chegava ao Brasil, onde daria início a uma formação acadêmica das mais sólidas, que incluía os cursos de Filosofia — feito na cidade de Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro — de Teologia e um Doutorado em Educação, estes concluídos durante os quatro anos passados nos Estados Unidos.

De volta ao País, em 1966, já então ordenado sacerdote jesuíta, passou a exercer a função de professor no Colégio Loyola, em Belo Horizonte, chegando posteriormente ao cargo de Reitor. Paralelamente, realizava atividades voltadas para as comunidades carentes da cidade. “O Agostinho acreditava na transformação da sociedade através da realização de trabalhos de base”, afirma a professora Hedy Silva Ramos de Vasconcelos, do Departamento de Educação.

Da capital mineira, Agostinho Castejón se transferiu em 1978, para o Rio de Janeiro, onde assumiu a Vice-Reitoria Acadêmica da PUC, a convite do então Reitor, padre João MacDowell S.J. Durante o período em que permaneceu no cargo fez com que a Universidade — na sua grande maioria integrada por estudantes vindos da elite brasileira — abrisse seus horizontes e se colocasse abertamente a serviço dos socialmente menos privilegiados.

Com o apoio do Reitor, organizou o Movimento Universidade a Serviço do Povo que, através da CCESP (Coordenação Central de Estágios Profissionalizantes) — órgão que viria a dirigir depois de deixar a Vice-Reitoria Acadêmica — incentivou o treinamento dos alunos em forma de serviços prestados junto a diversas favelas cariocas.

Mas o permanente compromisso para com os pobres e o carinho pela gente simples do Santa Marta — com a qual já vinha trabalhando desde sua chegada no Rio — fez com que Agostinho Castejón fosse viver num dos barracos do morro ainda quando trabalhava na PUC.

De lá só sairia para exercer importantes funções eclesiais em Brasília. Foi Presidente da Associação de Educação Católica do Brasil (AEC), Subsecretário de Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Secretário Nacional do Movimento de Educação de Base (MEB). Em 1988 foi convocado para o serviço de assistente do Superior Provincial da Companhia de Jesus na Província do Brasil Centro-Leste, com sede no Rio de Janeiro. Quando deixou a função recebeu a incumbência de coordenar as obras sociais da Província, bem como a direção do Centro João XXIII, cargos que, entretanto, não chegaria a assumir.

Em maio deste ano o câncer o impediria de dar continuidade à dedicação de toda uma vida voltada para “o serviço da fé indissociável do compromisso com a justiça” – preceito que a Companhia de Jesus assumiu como sua missão hoje. Os 58 anos em que permaneceu entre nós foram um verdadeiro exemplo de amor ao próximo e louvor a Deus. O suficiente para deixar plantada a semente de um trabalho que não pode perecer junto com ele.

A voz de quem ficou [mensagens de amigos]

O Agostinho era uma máquina de trabalho. Ele se dedicava profundamente a qualquer tipo de atividade com a qual se comprometesse. Fosse com o pessoal do Santa Marta, fosse na subsecretária geral da CNBB, o seu empenho era sempre o mesmo.

Maria Clara L. Bingemer, professora do Departamento de Teologia

É difícil falar do Agostinho. É difícil porque, como ele mesmo me ensinou, as palavras são curtas e limitadas quando há muito o que dizer: o Agostinho foi a antítese da retórica. Além disso, uma das coisas que mais impressionavam nele era uma enorme força de humanidade que se traduzia na sua qualidade de se relacionar autenticamente com as mais diferentes pessoas: o povo simples do Santa Marta, os intelectuais, os políticos... todos seus amigos.

Margarida de Souza Neves, professora do Departamento de História

Ele não era dado a grandes feitos aparentes ou a grandes discursos. Também era muito difícil escutá-lo dizendo eu, ele sempre dizia nós. Mas uma das coisas mais importantes nele era sua personalidade humana e sua extrema dedicação aos pobres do Brasil. Acho que a PUC deveria dar o seu nome a alguma parte da Universidade, como uma forma de ele e do seu trabalho serem lembrados para sempre.

Carlos Plastino, professor do Departamento de Direito

O Agostinho promovia uma combinação muito generosa de tradição cristã com um engajamento nos movimentos populares e nas camadas mais pobres da sociedade. Ele realizava essa fusão de uma maneira muito pessoal e feliz, com uma integridade que sensibilizava a todos que se aproximavam dele.

Leandro Konder, professor do Departamento de Educação

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Padre Agostinho Castejón Garcia S.J.
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