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Professores

Título Código Dataordem crescente Descrição
Manoel Luiz Salgado Guimarães (1952 - 2010) _

O Departamento de História da PUC-Rio une-se a toda a comunidade de historiadores brasileiros na dor pela perda do professor Manoel Luiz Salgado Guimarães.

Querido por todos os que foram seus colegas e alunos, o Professor Manoel Luiz Salgado Guimarães começou o curso de graduação em História na PUC-Rio; graduou-se na UFF (1977); era mestre em filosofia pela PUC-Rio – orientando do professor Eduardo Jardim de Moraes – (1982); era doutor em história pela Freie Universität de Berlin (1987); e era professor do Departamento de História da UFRJ e do Departamento de História da UERJ.

Todos os Departamentos de História do Rio de Janeiro, os Centros de Pesquisa em História do Rio de Janeiro, a Direção da Associação Nacional de História (ANPUH), que Manoel presidiu entre 2007 e 2009, a Regional da ANPUH-Rio de Janeiro, seus colegas, alunos e ex-alunos, seus amigos e sua família convidam para a Missa de 7º dia que será celebrada pelo Professor Manoel Luiz Salgado Guimarães no dia 4 de maio, terça feira, às 12:30 horas na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, no Campus da PUC-Rio, na rua Marquês de São Vicente 225 (Gávea), no Rio de Janeiro.

Carlos Gustavo Scheffer Migliora (? - 2011) _

O Prof. Gustavo era doutor em eletrofísica pelo Polytechnic Institute of New York e fez parte do Grupo de Radiopropagação do CETUC entre 1975 e 2006. Desenvolvia suas pesquisas na área de Antenas e Propagação, foi professor de graduação e de pós-graduação em engenharia elétrica e orientou diversos alunos de mestrado e doutorado no CETUC, além de participar dos programas pioneiros de pesquisa desenvolvidos em parceria com a Telebrás.

Para o Prof. Silva Mello, Gustavo “será lembrado pela diversidade de seus interesses, por ter sido um grande conhecedor de jazz, por seu companheirismo e por seu humor cáustico.”

Ricardo Oiticica (? - 2013) _

O Professor Ricardo Oiticica, diretor do Instituto Interdisciplinar de Leitura – IILER - da PUC-Rio, morreu subitamente no dia 20 de outubro, pouco mais de um mês depois de ter assumido essa função. Era graduado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1984), mestre (1988) e doutor (1997) em Letras pela PUC-Rio. Foi pesquisador da Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio e professor adjunto do Centro Universitário da Cidade. Foi Leitor da Université Stendall, em Grenoble (França), editor do jornal Verve e pesquisador da Fundação Biblioteca Nacional.

Mensagem do Reitor da PUC-Rio:

"A PUC-Rio manifesta seu sentimento de pesar pelo falecimento do nosso querido Professor Ricardo Oiticica, atual diretor do Instituto IILER, ocorrido na madrugada do dia 20 de outubro. A Universidade estende todo o apoio e solidariedade à sua família, além das orações para que o Senhor Deus o receba na pátria definitiva e eterna. A ele, nossa profunda gratidão pelo que fez em prol de nossa Universidade."

Prof. Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J.
Reitor da PUC-Rio

Andrea de Castro Coelho Cintra (1941-2015) _

A Professora Andrea Cintra, falecida em 31 de julho, estava aposentada desde 2006, após 40 anos de trabalho e dedicação ao Departamento de Psicologia da PUC-Rio como supervisora clínica, na área de criança, e professora da disciplina Psicoterapia Infantil. Em 1989, defendeu, no Departamento, a dissertação de Mestrado intituladaFantasia de doença e fantasia de cura: um estudo sobre a adolescência de classe popular, orientada pela Profa. Terezinha Féres-Carneiro.

A Profa. Flavia Sollero (PSI) lembrou traços da sua companheira de trabalho:

A Profa. Andrea Coelho Cintra foi minha “supervisora de emergência” várias vezes. Quando, no início da carreira, eu não sabia o que fazer, pedia socorro a ela, que jamais comentou sobre isso, com aquela elegância e aquele bom humor que lhe eram característicos! Não podemos nos esquecer de pessoas tão generosas como ela! Andrea foi uma grande supervisora de estágio, criativa, com tiradas de um bom humor surpreendente. E generosa colega de trabalho no SPA do Departamento de Psicologia.

A Profa. Maria Inês Garcia de Freitas Bittencourt (PSI) realçou, em depoimento, as qualidades de equilíbrio e simplicidade da Profa. Andrea, sua impecável postura ética e sua dedicação ao trabalho:

Foi uma professora exemplar, que conquistava os alunos com sua sabedoria, e uma colega queridíssima por todos os que conviveram com ela.

A ex-aluna Sonia Ferreira Vianna assim descreveu Andrea Cintra:

Andrea [...] foi minha professora na PUC-Rio em 1966, quando eu estava no 4º ano da faculdade. Nesta ocasião, dava aula de Técnica de Exames Psicológicos, mais especificamente testes de personalidade (teste de Rorschach), TAF (Thematic Apperception Test), CAT (Children Apperception Test) e muitos outros. Era uma professora dedicada e com grande capacidade de avaliação diagnóstica e de síntese. Ensinou-me com muita didática e clareza a fazer um diagnóstico diferencial entre psicose, neurose, psicopatia, sociopatia, etc. Isto me deu uma base sólida e segurança para a minha vida profissional.

(ex-professora do Departamento de Psicologia) (+31 de julho de 2015) 

Marcos Azevedo da Silveira (1952 – 2009) _

O Professor Marcos da Silveira fez a graduação em Matemática na PUC-Rio (1974) e o mestrado em Engenharia Elétrica também na PUC-Rio (1976). Desde seu regresso do doutorado na França (1981) era professor do Departamento de Engenharia Elétrica.

O Núcleo de Educação em Ciências e Engenharia (NECE) da PUC-Rio foi nomeado e sua homenagem em 2011.

Os depoimentos a seguir foram compilados pelo Professor Moisés Henrique Szwarcman, diretor do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio.

Marco Aurélio Pacheco, Professor do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio.

Prezados,

Quem nessa universidade não conhece Marcos da Silveira?  Mas é preciso que se diga algo.

Uma mente privilegiada, um raciocínio na velocidade da luz, um eloqüente interlocutor, um banco de informações  acadêmicas ambulante. Na verdade, o Marcos da Silveira bem podia ser comparado a uma tomografia computadorizada da PUC-Rio, tamanho e minucioso é o seu conhecimento sobre a universidade e as pessoas que nela trabalham.

Conversar com o Marcos é muito fácil,  só lhe cabe ouvir.
Um coisa sempre me chamou atenção. Quando se leva um assunto qualquer a ele, sua posição é colocada  com tanta clareza e profundidade que a sensação era de que ele tinha passado o dia anterior se preparando para conversar sobre o assunto com você.

Controverso, de posições muitas vezes criticas e de firmes opções pessoais, a que mais se destacou foi a sua opção por pensar a universidade e a engenharia.

Consagrado alpinista, Marcos escala agora uma montanha em direção a um cume onde ele acredita nada existir. Vai se enganar mas, como cientista vai por fim aceitar.

Marcos partiu mas ainda é "presente". Sua profusa oratória e conversas sem fim ainda ressoam nos corredores CTC; seu recente livro sobre Engenharia, nem de longe assimilado

Por tudo que o Marcos é para a PUC-Rio, nossos agradecimentos.

Tácio Mauro Pereira de Campos, Professor do Departamento de Engenharia Civil da PUC-Rio:

Caros

Existem e sempre existirão colegas que passam ou passarão, todos lembrados com muita saudade e afeição. Entretanto, poucos são e possivelmente serão os que não deixarão de permanecer, de forma indelével, em nosso meio. O Marcos da Elétrica é um destes poucos!
Motivos? Basta reler o escrito pelo colega Marco Aurélio para entender!

Foi um previlégio ter tido a oportunidade de conviver com o Marcos da Silveira!

Roland Scialom, Professor do Instituto de Computação da Unicamp:

Marcos é um camarada que ocupa na minha vida um lugar muito importante. Lamento não ter encontrado ele, recentemente, para dizer isso para ele, mais uma vez. Ele me inspirava amor, respeito e admiração. Foi um grande companheiro de aventuras intelectuais e esportivas. Nessas aventuras, ele era sempre vanguarda, e frequentemente era difícil acompanhá-lo. Gostaria de pensar que ele se foi para empreender a maior das aventuras dos homens, onde o espírito dos bravos se encontram depois de se libertar dos corpos.

PS: Dê uma olhada nessas duas fotos [ver fotos na coluna à direita] (Marcos da Silveira à esquerda e Roland Scialom à direita nas duas fotos; a primeira em Agulhas Negras, no Estado do Rio de Janeiro, e a segunda em Paris, França, ambas sem data).

Prof. José Eugenio Leal, Coordenador Setorial de Pós-Graduação do CTC:

Caros colegas:

Como colega e como Coordenador Setorial de Pós-graduação do CTC deixo aqui algumas palavras sobre a nossa perda do Marcos da Silveira.

Marcos da Silveira não teve muita interação comigo, como coordenador de Pós-Graduação.  Sua atuação mais direta foi relacionada a graduação, incluindo ai um excelente trabalho na criação de convênios de dupla-diplomação e intercâmbios. Na graduação trabalhou e contribuiu significativamente para a criação de um conceito de curso de engenharia moderno e adequado aos novos tempos, nas discussões internas, e com publicações, incluindo vários artigos em congressos  internacionais de ensino de engenharia e até orientando uma  tese de doutorado sobre o assunto.

No entanto, seu trabalho teve e terá impactos positivos profundos na nossa pós-graduação por muitos anos, pois ao dar a muitos dos  nossos melhores  alunos  uma oportunidade de expandir seus conhecimentos no exterior, ele os manteve na PUC e muitos deles fazem e farão a nossa pós-graduação com excelência.

Foi uma mente brilhante que buscava dar espaço a outras mentes brilhantes.

Ele deixa uma lacuna muito difícil de preencher e, não só por isso, será sempre lembrado no CTC e na nossa Universidade.

Profa. Ana Maria Abrantes Coelho, ex-aluna do curso de Física da PUC-Rio, formada em 1972, atualmente professora e pesquisadora do Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio de Janeiro (mensagem recebida em 07/04/2010):

Fiquei sabendo hoje, quase um ano depois do falecimento de meu antigo e querido amigo Marcos. Descobri seu livro na Internet, fui olhar as informações sobre o autor, e vi a data de nascimento ao lado da data de 2009. Minha primeira idéia foi a de que o site estava desatualizado!!!

Depois eu percebi o que não queria nem imaginar. Que tristeza. Fui sua colega e amiga de últimos anos de graduação. Ele me introduziu ao alpinismo, além de me deixar tonta com todas as sua idéias sobre tantos assuntos, imaginem o Marcos com 20 anos, quanto entusiasmo!

Meu abraço sentido para toda a sua família, se chegar a ler isso. Lembro muito bem de sua irmã, seu irmão e sua mãe. Pelo que li ele teve uma vida de sucesso na PUC, deixa o que contar. Lamento não ter encontrado com ele mais recentemente, para falarmos sobre nossa vida.

Fernando Luiz Vieira Duque (? - 2012) _

O Prof. Fernando Luiz Vieira Duque faleceu em 16/01/2012, aos 91 anos de idade.

O Prof. Vieira Duque era professor titular do curso de Angiologia da Escola Médica de Pós-Graduação, e chefe do serviço de Angiologia do Hospital Geral da Santa Cruz da Misericórdia do Rio de Janeiro.

Formado em Medicina pela UFRJ, em 1943, Vieira Duque cursou Angiologia, em Portugal e foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Angiologia. Em 1962 foi convidado pela Universidade para dar início ao curso de Angiologia da Escola Médica de Pós-Graduação da PUC-Rio, na qual trabalhou até sua morte.

“O professor Duque deixará muita saudade. Ele foi uma pessoa muito importante na sua área, ajudando a trazer a Angiologia para o Brasil”, disse ao Jornal da PUC o Dr. Ney Almeida, que assumiu a coordenação interina do curso.

Antonius Benkö S.J. (1920 - 2013) _

O Padre Benkö faz parte do grupo daqueles que podem ser reconhecidos como construtores da PUC-Rio, em especial daquilo que chamamos o modelo PUC, que pode ser caracterizado de muitas formas mas que, grosso modo, integra organicamente graduação e pós-graduação, ensino e pesquisa, excelência acadêmica e compromisso social, pioneirismo e tradição, colegialidade e participação, e unidade e diversidade.

Nascido em Pècs, na Hungria, estudou Teologia na Universidade Gregoriana de Roma e Filosofia e Psicologia na Universidade de Louvain, na Bélgica, onde também fez seu doutorado em Psicologia. Veio para o Brasil em 1954 e trabalhou na PUC-Rio entre 1957 e 1975, quando retornou à Europa na intenção de voltar para a Hungria. Impedido de voltar a seu país em função do fato de ter se naturalizado brasileiro em 1959, ficou na Áustria entre 1975 e 1996, quando finalmente conseguiu retornar ao país onde nascera e onde atuou como Professor da Universidade Católica Píter Rázmány até aposentar-se.

Na PUC-Rio, criou o Centro de Orientação Psico-Pedagógica, origem do SPA (Serviço de Psicologia Aplicada), em 1960; foi um dos construtores do Departamento de Psicologia, fundado em 1963; é também um dos fundadores, em 1965, do Mestrado em Educação, pioneiro no país e, em 1966, do Mestrado em Psicologia, igualmente pioneiro; fundou e dirigiu o Departamento de Teologia em 1968; foi o grande incentivador para que jovens professores fizessem seus doutorados em excelentes universidades do exterior e foi ainda um dos principais protagonistas da implantação da Reforma Universitária na PUC-Rio. Laboratório de experimentação para as reformas que se sucederam nas universidades brasileiras, a Reforma foi a grande responsável para que a PUC-Rio deixasse de ser apenas um excelente centro de formação de profissionais das diversas áreas do conhecimento para consolidar-se como uma universidade de pesquisa, com programas de pós-graduação, laboratórios, uma das melhores bibliotecas universitárias do país e intensa atividade de pesquisadores reunidos nos diversos Departamentos que, por sua vez, conformavam os Centros.

Respeitado por professores, funcionários e estudantes e dono de uma figura imponente, o Padre Benkö surpreendeu a todos ao participar como jogador de uma memorável partida de futebol em que se enfrentaram no antigo Ginásio um time formado por professores e outro por jesuítas, cujo capitão e craque principal era o Padre Viveiros de Castro S.J., que havia jogado no time juvenil do Botafogo. O Padre Benkö jogava de óculos, e consta que era meio perna de pau.

Homem de formação e sensibilidade interdisciplinar, o Padre Benkö teve grande influência na constituição do campo da Psicologia no Brasil. É dele a redação da proposta de criação da carreira de psicólogo no Brasil (1957) e, quando da criação oficial da carreira, foi o detentor do registro número 2 de psicólogo no Brasil (1962), documento que levou consigo na volta para a Hungria e que mostrava com prazer aos amigos brasileiros que o visitavam. Em 1964 tornou-se Presidente da Associação Brasileira de Psicologia Clínica, da qual foi também Vice-Presidente em 1967. Foi ainda Conselheiro e Vice-Presidente do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro entre 1974 e 1975.

Em 2005 voltou pela última vez ao Brasil, para as comemorações dos 40 anos do Programa de Pós-Graduação em Educação. Em janeiro de 2007 o Padre Benkö recebeu a visita de Silvia Ilg Byington, pesquisadora do Núcleo de Memória da PUC-Rio, na residência em que morava em Budapest e compareceu à entrevista solicitada vestindo a camisa da seleção brasileira de futebol. Neste ano de 2013, por ocasião dos 50 anos do Departamento de Psicologia gravou no dia 11 de novembro, 14 dias portanto antes de sua morte, via Skype, uma linda entrevista para o Departamento, disponível no youtube.

Todos aqueles que o conheceram como estudantes e que hoje são professores seniores das mais diversas áreas da PUC-Rio, se lembram dele com carinho e com admiração. Os que sabem de sua importância para a história da Universidade, mesmo sem tê-lo conhecido pessoalmente, partilham do mesmo respeito por ele, como atestam as mensagens reproduzidas abaixo. Na memória da PUC-Rio ele será sempre uma referência fundamental.

Mensagem do Professor J. Landeira-Fernandez, Diretor do Departamento de Psicologia:
"Prezados Colegas,
"Com pesar, comunicamos o falecimento do Pe. Antonius Benkö S.J., ocorrido em 24/11/2013, aos 93 anos, na cidade de Budapeste. Tivemos a oportunidade de entrevistá-lo, por Skype, por ocasião da comemoração dos 60 anos do Departamento. O Pe. Benko foi um dos responsáveis pela fundação do Departamento de Psicologia e o pioneiro na regulamentação da profissão do psicólogo no Brasil.”

Mensagem da Professora Margarida de Souza Neves, Coordenadora do Núcleo de Memória da PUC-Rio:
"Caros colegas do Departamento de Psicologia e de toda a PUC-Rio:
"O Núcleo de Memória quer unir-se a todos vocês na tristeza da perda do Padre Benkö e na alegria de tê-lo na vida e na memória da Universidade.
"Ontem, dia 25 de novembro, o Núcleo de Memória foi convidado para fazer uma apresentação na reunião convocada pela Reitoria e da qual participaram todos os que dirigem e coordenam os Departamentos, os Centros e a Administração Central da Universidade. Quando projetei uma fotografia do Padre Benkö, o Padre Josafá deu a notícia de sua morte e lembramos dele com muito carinho.
"Agradeço à Psicologia a divulgação da entrevista – provavelmente a última - que ele deu por ocasião dos 60 anos do Departamento. Gostaria de pedir autorização para por no site do Núcleo o link para essa entrevista. Quero também pedir a todos os que tenham fotografias ou depoimentos sobre o Padre Benkö que enviem esse material para o Núcleo de Memória (nucleodememoria@puc-rio.br) para que possamos tê-los no nosso site. As fotografias podem ser entregues na sala L263. Serão digitalizadas e devolvidas a seus donos.
"Um abraço a todos e que possamos chegar aos 93 anos - ou aos anos que nos caibam viver - com 'cabeça boa', como o Padre Benkö diz ter, na entrevista, e com o coração grande que ele sempre teve."

Mensagem do Professor José Carmelo, do Departamento de Educação:
"Colegas da PUC:
"Após ler as mensagens de Lucena, D´Abreu, Guida e dos demais colegas do CTCH, entendo que devo compartilhar com a comunidade PUC-Rio, a mensagem dirigida ao Pe. Benkö em 01/11/2013, no evento em que o Departamento de Psicologia homenageou seus ex-Diretores pelo 60º aniversário de sua criação.
"Para as novas gerações de puquianos é importante reconhecer o papel do Pe. Benko no contexto da reforma estrutural da PUC-Rio há meio século atrás.

Mensagem proferida no evento dos 60 anos de criação do Departamento de Psicologia em 01/11/2013:
"Ao representar o Pe. Benkö nesta homenagem, desejo que esta assembleia universitária - sobretudo os alunos mais jovens – vejam em mim, não apenas um amigo do homenageado.
"Desejo que me vejam sobretudo como alguém convocado pelo Pe. Benkö para participar do projeto de institucionalização da PUC-Rio, como universidade, como alma mater.
"Esta expressão tão comum nos EE.UU. – a universidade, como alma mater - expressa bem o processo quase MATRICIAL iniciado na década de 1960, por uma plêiade de scholars jesuítas, que moldaram naquele fase a PUC-Rio:
"- Röser, Hainberger, Cullen, Amaral Rosa, nas Ciências Exatas;
"- Ávila e Ozanam, nas Ciências Sociais;
"- Benkö, Schuab e Machado, nas Ciências Humanas.
"É neste contexto, que precisamente há 50 anos atrás - em setembro de 1963 - iniciava eu uma Pós-Graduação na Université Catholique de Louvain. Na mesma Louvain, em que Pe. Benkö se doutorou; na mesma Louvain em que Pe. Ávila coopta o Pe. Benkö para vir atuar na PUC-Rio.
"É sob este modelo de 'alma mater' - de uma matriz geradora na formação de novos quadros docentes e de pesquisadores, nos EE.UU. e em Louvain – que me percebo, como convocado pelo Pe. Benkö para participar de um projeto de institucionalização do modelo PUC-Rio de universidade, no qual dois outros momentos são muito marcantes para mim:
"- o primeiro momento ao final de 1965, quando Benkö, Aroldo Rodrigues e Eloiza Lopez Franco constituem o núcleo acadêmico do 1º Mestrado em Psicologia e em Educação no Brasil, e me torno então o seu Coordenador;
"- o segundo momento, em 1968, quando a PUC-Rio implementa sua reforma universitária, baseada no modelo norte-americano de Departamentos articulados em Centros. É neste momento em 1968, que um grupo de jovens professores é constituído pelo Pe. Benkö como os novos Diretores dos Departamentos do CTCH, e passam assim a ser denominados os BENKISTAS. Do mesmo modo que no CTC, sob a liderança do Pe. Amaral Rosa, outros jovens professores assumiram como Diretores os Departamentos do CTC, e eram denominados os AMARALISTAS...
"É portanto como um sincero benkista - alguém formado entre 1963-1968 sob a liderança do Pe. Benkö - que expresso a alegria imensa de ser o representante deste ilustre scholar jesuíta nesta assembleia universitária.
"Que bem longe daqui, lá na Hungria, na pacata cidadezinha de Pilisvorosvar, ecoe a minha saudação emocionada: obrigado, Pe. Benkö."

Mensagem da Professora Maria Apparecida Mamede Neves, do Departamento de Educação:
"Colegas queridos de 45 anos de PUC.
"Ao ler a mensagem de Carmelo sobre o Padre Benkö, muitas lembranças me afloraram sobre meu contato com o Padre Benkö e de quanto ele foi generoso para comigo.
"Eu entrei na PUC-Rio exatamente em 1968 para fazer o mestrado em Educação nos moldes novos (para a época). Lembro-me muito bem das conversas que tive, sem ser infelizmente uma Benkiana, com o Pe. Benkö. A ele devo muitas das principais informações sobre a legalização da profissão de Psicólogo, a banca que foi constituída para avaliar os que já atuavam na área, enfim, dados preciosos que me valeram a conclusão da dissertação de Mestrado em Educação - uma pesquisa de campo sobre a Formação do Psicólogo no Brasil.
"Na época, contra muitos que se opunham a que eu realizasse esse trabalho investigativo, por temerem a possibilidade de trazer a tona dados que pudessem fortalecer a guerra deflagrada pelos médicos psiquiatras contra a recente profissão, Pe. Benkö e Carlos Paes de Barros me apoiaram e garantiram a liberdade de realizar minha pesquisa. Esse trabalho logrou ser a primeira dissertação (na época chamada de tese) de Mestrado em Educação no Brasil, defendida em um programa de universidade brasileira credenciado para tal.
"Assim, com ternura e emoção assisti sua fala por Skype nas comemorações do Departamento de Psicologia e, com a mesma emoção, rezo agora por ele. Que outros de nós possamos ter como exemplo a disponibilidade de Padre Benkö."

Mensagem da Professora Ana Waleska Pollo Mendonça, do Departamento de Educação:
"Caros colegas,
Pe. Benkö foi, sem dúvida, uma figura fundamental para que a PUC-Rio fosse o que é hoje. Foi pioneiro em várias coisas. Foi responsável pela criação da nossa pós-graduação (Educação), primeira do Brasil, nos idos de 1965. Aliás, foi o grande responsável pela implantação da pós-graduação na área das ciências humanas em geral nesta universidade, num momento em que esta era ainda privilégio das áreas tecnológicas. Quem o conheceu e teve o privilégio de conviver com ele, aprendia sempre muito. Obrigada a vocês da Psicologia por partilhar conosco essa entrevista, possivelmente a última, que retrata tão bem a sua figura serena e ainda tão lúcida aos 93 anos."

Mensagem da Professora Vera Candau, do Departamento de Educação:
"Amigos e amigas,
"O Pe. Benkö foi/é uma pessoa muito especial. Sereno, atencioso e com visão de futuro foi fundamental para a pós-graduação em Ciências Humanas da PUC-Rio. Lembro, ainda aluna da PUC, das conversas com ele, sempre procurando que cada pessoa desse o melhor de si e nos incentivando a seguir em frente com entusiasmo. Certamente sua pessoa foi muito importante para a minha formação pessoal e profissional. E não sou a única..."

Mensagem do Professor Luiz Brandão, Diretor do Departamento de Administração:
"Em nome do Departamento de Administração, prestamos nossas condolências e pêsames pelo falecimento do Pe. Benkö. Os nossos sentimentos estão com os familiares e amigos neste momento de pesar."

Mensagem do Professor Luiz Roberto Cunha, do Departamento de Economia, Decano do CCS:
"Conheci Pe. Benkö quando aluno de Economia em 1967, já namorando Bebel, aluna de Letras, fui procurá-la numa das salas do Leme. Como ela estava em aula, coloquei a cara no vidro para que ela me visse... Quem veio me dar um 'puxão de orelha' foi o Pe. Benkö, que estava dando a aula. Depois fizemos retiros coordenados por ele e em 1970 ele nos casou na capela da PUC-Rio...
"Há muitos anos atrás, quando ele veio ao Brasil fui procurá-lo para relembrar os 'velhos bons tempos', ele sempre muito interessado em saber sobre a PUC e a vida dos seus amigos e ex-alunos."

Mensagem do Professor Carlos José Pereira de Lucena, do Departamento de Informática:
"Não me surpreende a serenidade do Pe. Benkö. Ele era uma pessoa ímpar quando programávamos juntos um 'enorme' computador no início dos anos sessenta e quando ele nos casou com carinho, sotaque e enorme amizade quase há 50 anos. Enorme saudade."

Mensagem do Professor José Carlos D'Abreu, do Departamento de Engenharia de Materiais:
"Pe. Benkö, personalidade forte e grande figura humana! Sua mensagem de amor, ao batizar minha primeira filha, ainda está muito presente entre nós. Que Deus acolha este grande amigo e conselheiro."

Mensagem do Professor Fernando Rizzo, do Departamento de Engenharia de Materiais:
"Como parte da 'velha guarda' que teve a oportunidade de conviver com Pe. Benkö durante seus anos na PUC-Rio, gostaria de também contribuir com esta série de depoimentos, endossando o reconhecimento de uma figura singular de nossa trajetória, pois além da expressiva contribuição para a implantação de um novo modelo acadêmico na Universidade, caracterizou-se pela seriedade, dedicação e generosidade com que tratava seus alunos e colegas.
"Agradeço ao Núcleo de Memória da PUC-Rio por registrar para as próximas gerações a relevante participação do Pe. Benkö em nossa história."

Mensagem do Professor Fernando Tenório, do Departamento de Psicologia:
"Realmente foi uma alegria que o Departamento e os professores que o conheceram pessoalmente tenham podido homenageá-lo em vida. Ele deve ter ficado realmente muito contente com os 60 anos do Departamento e com a homenagem.
"Tem um samba do Nelson Cavaquinho que se chama 'Flores em vida' e que diz: 'me dê as flores em vida, o carinho e a mão amiga, para aliviar meus ais. Depois que eu me chamar saudade, não preciso de vaidade, quero preces e nada mais'.
"Parabéns a vocês que deram as flores em vida."

Mensagem da Professora Eliana Freire, do Departamento de Psicologia:
"Como eu disse há pouco ao Bernard Rangé, colega de turma da psicologia em 1967 [...], quem conviveu com essa imensa, forte, sabia, exigente e amorosa figura que foi o Pe. Benkö jamais esquecerá! Em sua última entrevista no Skype, muitas boas memórias me vieram com sua voz de barítono dramático ao fundo. Ai de nós alunos que ousássemos chegar um minuto atrasados! Velhos tempos!
"Lamento muito a perda de nosso mestre, mas certamente foi uma vida vivida plenamente. E este recado do amor que ele nos deixa, na entrevista no Skype, creio estar gravado a ferro e fogo em nossos corações.
"Somos mesmo abençoados por termos convivido com ele."

Mensagem da Professora Elizabeth Ribeiro, do Departamento de Psicologia:
"Vi o vídeo do Padre Benkö agora e fiquei profundamente emocionada. Padre Benkö foi meu primeiro professor e foi muito importante para mim. Foi muito bom ter esse depoimento dele. O Carmelo sempre dizia que ele estava bem, mas acabei nunca escrevendo para ele. Poder ouvir uma última vez as coisas que ele dizia - sobre a importância do outro - fez muito bem."

Mensagem da Professora Regina Murat, do Departamento de Psicologia:
"Tenho as fotos da festa de 40 anos do SPA (maio de 2000), quando Pe. Benkö esteve pela última vez no Brasil. Na época, eu era a Coordenadora do SPA. O Departamento já enviou estas fotos para vocês no Núcleo de Memória? Se não, posso levar na próxima semana."

Mensagem do Professor Augusto César Pinheiro da Silva, do Departamento de Geografia e Meio Ambiente:
"A apresentação e citação, pela Professora Margarida de Souza Neves, do Núcleo de Memória da PUC-Rio, do Pe. Benkö no evento ocorrido no dia 25 de novembro na Casa de Retiro de São Conrado foi uma homenagem muito bonita para uma personalidade fundante da instituição. Para quem não o conhecia a sua história como eu, essa homenagem ficará guardada na memória presente."

Luiz Fernando Gomes Soares (1954-2015) _

Luiz Fernando Gomes Soares, Professor Titular do Departamento de Informática e coordenador do Laboratório de Telemídia da PUC-Rio, faleceu no dia 8 de setembro, aos 61 anos, em decorrência de um ataque cardíaco. Líder do grupo que desenvolveu o middleware Ginga, um formato de interatividade para o sistema brasileiro de TV Digital, o professor conquistou o Prêmio Assespro 2008 como Personalidade do Ano, assim como o Prêmio Cientistas do Nosso Estado, como Pesquisador Inovador, no ano de 2005, e o Prêmio Newton Faller da Sociedade Brasileira de Computação, em 2006.
Luiz Fernando possuía Graduação e Mestrado em Engenharia Elétrica e Doutorado em Informática pela PUC-Rio. Cursou o Pós-Doutorado na École Nationale Supérieure des Télécommunications, na França, também em Informática. Publicou aproximadamente 200 artigos acadêmicos e orientou cerca de 90 alunos de Mestrado e Doutorado. Era pesquisador 1A do CNPq.

As pesquisas que desenvolveu sobre a linguagem NCL e o Ginga deram origem a duas Normas ABNT e a uma Recomendação ITU-T, fundamentais para a interatividade entre usuários e a TV Digital. Membro titular da Academia Nacional de Engenharia, além de atuar no Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital, Luiz Fernando Gomes Soares fazia parte do Comitê Gestor da Internet no Brasil e do Núcleo de Coordenação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Era também Conselheiro da Sociedade Brasileira de Computação, onde chegou a ocupar os cargos de presidente e vice-presidente, de 1999 a 2003.

No dia 9 de setembro a notícia se espalhou pelo campus da PUC-Rio e deixou todos perplexos e consternados. A mensagem do Professor Hugo Fuks, diretor do Departamento de Informática, não permitia dúvidas quanto ao que parecia impossível de acreditar, assim como deixava transparecer com toda a clareza a dor com que havia sido escrita:

É com imenso pesar que o Departamento de Informática comunica a perda do seu querido Professor Luiz Fernando Gomes Soares no dia de hoje. Em sua homenagem, todas as atividades do Departamento estão suspensas nesta quarta-feira, dia 09 de setembro de 2015.

Imediatamente as respostas se multiplicaram, vindas de todos os departamentos e centros, da Administração Central da Universidade, de dentro e de fora da PUC-Rio, de todas as agências acadêmicas e políticas ligadas à ciência em geral e à Informática em particular, inclusive do Governo Federal. Todas elas vinham carregadas de afeto e de respeito intelectual pelo Luiz Fernando. Nenhuma era formal ou protocolar. Cada uma punha de manifesto o vazio que essa morte tão inesperada deixa na Universidade, no país, na ciência e na vida de todos os que aprendemos a respeitá-lo intelectualmente e a querê-lo bem.

E quando seus alunos – que, na véspera, como faziam todos os dias, haviam almoçado com ele no restaurante da Universidade – desceram a rampa da Igreja e atravessaram o jardim do campus soluçando, enquanto carregavam seu corpo, o silêncio pesado da dor de todos nós falou mais alto que qualquer discurso, até que um aplauso prolongado tomasse seu lugar.

Luiz Fernando Gomes Soares, o LF, para seus amigos, fez toda a sua carreira acadêmica na PUC-Rio, da Graduação ao Doutorado, e nesta Universidade trabalhou a vida inteira, até que nos deixou tão cedo, aos 61 anos, e com tanto para contribuir para a ciência e para a vida.

Como poucos, o LF soube juntar prazer e ofício. Era um professor muito querido por seus alunos, um pesquisador de rara competência e também um cidadão empenhado em trabalhos sociais. Firme em suas posições, íntegro e generoso, era também divertidíssimo, como podem testemunhar seus companheiros do time de futebol – que, por décadas, ocupou a quadra do antigo Ginásio –, dos serões musicais, das festas onde dava provas de dançar como poucos. Ainda que isso não conste de seu curriculum Lattes, LF contava que tinha sido “os pés do Edson Celulari” nas cenas de dança da novela Kananga do Japão. Não sem razão, um de seus principais projetos acadêmicos, aquele que levou à criação de um middleware que define o padrão da TV digital no Brasil e em diversos países, recebeu o nome de Ginga.

(Departamento de Informática) (+8 de setembro de 2015)

Félix Pastor S.J. (1933 - 2011) _

O Núcleo de Memória da PUC-Rio recebeu, com tristeza, a notícia da morte do Pe. Félix Pastor S.J. (25/02/1933 - 11/07/2011) e quer se unir à tristeza do Departamento de Teologia de onde foi por muitos anos professor, da Companhia de Jesus e de seus muitos alunos, amigos e orientandos brasileiros.

Igreja perde Padre Felix Alejandro Pastor Piñeiro

Publicado em www.arquidiocese.org.br em 12/07/2011

Na última segunda-feira, 11 de julho, faleceu, aos 78 anos de idade, no Rio de Janeiro, o Padre Felix Alejandro Pastor Piñeiro, professor emérito da Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, onde lecionou Sacramento da Ordem e o Tratado sobre Deus.

Durante 44 anos, o Sacerdote também trabalhou no Pontifício Colégio Pio Brasileiro, em Roma, onde foi Diretor Espiritual, Prefeito dos Estudos e Bibliotecário, orientando os alunos na escolha dos cursos, auxiliando-os no aprofundamento das disciplinas e na preparação dos exames. Padre Alejandro atuou também na PUC-Rio e na Faculdade João Paulo II.

Durante seu luminoso ministério de professor, Padre Felix serviu generosamente à Igreja do Brasil e do mundo, orientando mais de 110 teses doutorais, dentre elas as de inúmeros Bispos, Arcebispos e Cardeais, como por exemplo, Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, e Dom José Policarpo, Patriarca de Lisboa, além de contribuir para uma sólida formação de muitas gerações de sacerdotes e leigos.

Todos os anos, o Sacerdote vinha da Europa para o Rio de Janeiro, onde dava aulas no curso de Teologia da PUC-Rio. Na última quinta-feira, ele chegou à cidade para ministrar seu curso e durante o final de semana fazia um retiro espiritual, quando, na manhã do dia 11, não apareceu para o café. Padre Alejandro foi encontrado sem vida pouco depois das 9h em seu quarto, na Residência Padre Leonel Franca, dos padres jesuítas, que trabalham na Universidade.

Padre Felix Pastor era espanhol, nascido no dia 25 de fevereiro de 1933. Entrou para a Companhia de Jesus (Jesuítas) em 1950 e foi ordenado Padre no dia 27 de agosto de 1963.

Arquidiocese do Rio de Janeiro
 

Pe. Felix Alejandro Pastor S.J.

Publicado no site www.ihu.unisinos.br

Faleceu dia 11 de julho, no Rio, o Pe. Felix Alejandro Pastor S.J.

Nascido em 1933 na Galícia, fez os votos religiosos na Companhia de Jesus em 1950.

Junto com outros jesuítas espanhóis foi destinado ao Brasil, aonde chegou jovem e fez seus estudos, tendo sido ordenado em 1963.

Possuindo notável vocação teológica após seu doutorado foi chamado a ser Professor da Pontifícia Universidade Gregoriana e Diretor de Estudos do Colégio Pio Brasileiro em Roma.

Durante décadas alternou suas funções em Roma com a participação, durante as férias do verão europeu, nas atividades de ensino no Departamento de Teologia da PUC - Rio, ministrando disciplinas de pós Graduação e mesmo de graduação. Distinguia-se por sua erudição e sólido conhecimento teológico, por um profundo amor a Igreja e um trato afável com os estudantes e colegas, muitos dos quais se tornaram amigos por toda a vida.

Autor de uma obra teológica vasta e consistente dirigiu mais de 150 teses de doutorado, tendo sido formador de um grande número de teólogos e teológas brasileiros, muitos dos quais foram chamados ao episcopado e mesmo ao cardinalato como D. Scherer, de São Paulo.

Sua contribuição para a Igreja do Brasil é inestimável.

Pe. Pastor tinha especial afeição pelo Rio de Janeiro. Chegou de Roma quinta feira dia 7 de julho para lecionar um seminário na Pós-Graduação da PUC-Rio entre os meses de agosto e setembro.

Sua morte deu-se no dia em que se abria o 24º Congresso da SOTER onde se encontram vários de seus orientandos e provocou grande consternação.

Paulo Fernando Carneiro de Andrade
Professor do Departamento de Teologia da PUC-Rio e Decano do CTCH
 

Felix Pastor, orientador e amigo (1933-2011)

Publicado no site www.ihu.unisinos.br

Nós, teólogos brasileiros, perdemos no dia 11 de julho um grande mestre e amigo. Deixou-nos o padre Felix Pastor, que tinha recém chegado de Roma para a sua temporada no Rio de Janeiro, onde também lecionava.

Não há como lembrar de sua presença senão com alegria e saudade e hoje, em especial, muita saudade. Foram inúmeros teólogos brasileiros e latino-americanos que passamos por sua competente e atenta orientação. Impressionante a sua capacidade de doação e a argúcia de seu método. Foi alguém que abriu as portas da Pontifícia Universidade Gregoriana para muitos dos teólogos pesquisadores que se encontram hoje atuando em Universidades e Institutos Teológicos no Brasil e tantas outras localidades. Como bem acentuou o cardeal Aloísio Lorscheider, no prefácio de obra em sua homenagem, Pastor “é um benemérito da Igreja universal e, de modo especial, da Igreja que está no Brasil. A Igreja do Brasil deve muito a este sacerdote zeloso e dedicado.
Várias gerações passaram por suas mãos” (O mistério e a história. São Paulo: Loyola, 2003).

Tive em particular essa alegria de poder conviver de perto com esse grande mestre. Um contato que começou quando era estudante do mestrado em teologia na PUC-Rio, numa época de grande florescimento da teologia, marcada pela presença de muitos jovens estudantes leigos.

Tinha nascido no período a idéia de trazer Felix Pastor para ajudar no ensino e na orientação dos estudantes de teologia. Sua vinda foi celebrada por todos, e assim nasceu uma parceria maravilhosa. A cada ano, Pastor dedicava um semestre ao ensino na Gregoriana e o outro na PUC-Rio.

Essa presença no Brasil foi geradora de muitas vocações teológicas. Muitos de nós, seus alunos na PUC, fomos recebidos por ele com afeto e alegria na Gregoriana, para os estudos doutorais. E isso também foi favorecido pela grande sensibilidade de Pastor aos temas candentes da teologia latino-americana, como a teologia da libertação, as comunidades eclesiais de base e as pastorais sociais. Estávamos diante de um teólogo apaixonado pelo tema do Reino e da História.

Num de seus livros, dedicados a esta questão, dizia com segurança: “Descobrindo a unidade teológica da história dos homens, criados a participar da salvação escatológica, a Teologia da Libertação descobre a unidade profunda do temporal e do espiritual, do escatológico e do histórico, do individual e do comunitário, do religioso e do político”. A teologia para ele estava diante de uma tarefa nova e fundamental: armar sua tenda na história dos humanos, sem perder jamais, a sedução do Mistério. A salvação deixa de ser uma questão extra-terrena e passa a ocupar o cenário das lutas do dia-a-dia: “A salvação cristã inclui a realidade do homem novo e da nova terra, em que habita a justiça. Postular a sua realização e lutar pelo seu advento não é uma usurpação prometeica, mas uma exigência da ética cristã”. Esse foi o aprendizado que dele recebemos, e que foi decisivo para as nossas trajetórias.

Pastor foi também um grande teólogo, possuidor de invejável cultura teológica, mas que não ficava restrita a esse campo do saber. Impressionava sua abertura ao universo da literatura, do cinema e da arte em geral. Sua paixão teológica voltava-se, de modo particular, para dois grandes clássicos da teologia:Agostinho e Paul Tillich. A eles dedicou inúmeros cursos, conferências e muitos artigos, publicados em periódicos reconhecidos internacionalmente. Admirava igualmente Karl Rahner, e com grande maestria nos ajudava a desvendar as difíceis e sedutoras entranhas desse grande teólogo alemão. Não me esqueço de suas brilhantes e instigantes intervenções no seminário em torno do Curso fundamental da fé, de Karl Rahner, dado na Gregoriana. Foram aulas que abriram horizontes inesperados para reflexões futuras.

Nascido na Galícia, em 25 de fevereiro de 1933, entrou para a Companhia de Jesus em novembro de 1950. Os estudos de filosofia foram realizados na Universidade de Comillas, a partir de 1954, depois de formação em Letras Clássicas, Humanidades e Retórica no Colégio de Salamanca. Veio em seguida, em 1957, a destinação missionária para o Brasil, instalando-se na Província Jesuítica Goiano-Mineira, na época do padre João Bosco Penido Burnier.

O noviciado foi realizado em Itaici, São Paulo, e os trabalhos pedagógicos no Colégio Loyola de Belo Horizonte. Os estudos de teologia iniciaram-se em 1960, noColégio Máximo Cristo Rei, em São Leopoldo (RS), tendo prosseguimento na Alemanha, na Faculdade de Teologia da Hochschule Sankt-Georgen (Frankfurt/Main), onde concluiu seu bacharelado, em 1962.

Sua ordenação presbiteral aconteceu em 27 de agosto de 1963, na catedral de Frankfurt. Motivado pelo então provincial, Marcelo de Azevedo, foi cursar o doutorado em teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma), na época do evento conciliar. A conclusão do doutorado ocorreu em junho de 1967, com tese orientada por Donatien Mollat, SJ, versando sobre tema eclesiológico em E. Schweizer. Sua tese foi publicada em 1968 na prestigiosa coleção Analecta Gregoriana (vol. 168 – La eclesiología Juanea según E. Schweizer). A partir de outubro de 1967 ficou responsável pela direção espiritual do Colégio Pio Brasileiro, em Roma. E também a partir desse ano iniciou suas atividades acadêmicas na Gregoriana.

Dentre suas inúmeras publicações, destacam-se os livros: Existência e Evangelho (1973), O reino e a história (1982), Semântica do Mistério (1982) e a Lógica do inefável (1986 e 1989). 

No campo do ensino, dedicou-se em particular aos temas relacionados à Eclesiologia, ao Tratado de Deus e outras questões teológicas e ecumênicas. Merece destaque sua atenção à problemática teológica latino-americana, como bem destacado por Maria Clara L. Bingemer e Paulo Fernando Carneiro de Andrade: “Sua ligação com a América Latina e com a teologia produzida deste lado do mundo, juntamente com sua sensibilidade social e seu profundo sentido de justiça, fizeram igualmente do Pe. Pastor um exímio especialista e agudo crítico da teologia latino-americana, tendo ministrado cursos, publicado vários trabalhos e orientado diversas teses sobre o tema da relação entre Teologia e Práxis, e sobre as tendências mais atuais da teologia do continente”.

Pude também encontrar nele um importante apoio em momento delicado de meu retorno ao Brasil, quando titubeava o processo de autorização canônica para o meu retorno à PUC-Rio.

Ele veio prontamente em minha defesa, junto com Juan Alfaro, desanuviando os sombrios horizontes. Essa é uma marca importante na personalidade de Felix Pastor: o profundo respeito pela reflexão de seus orientandos. Mesmo que não partilhasse inteiramente das posições teológicas de seus alunos, incentivava a reflexão mantendo sempre acesa a imprescindível chama do direito à liberdade de expressão. É um dos exemplos mais bonitos que pude verificar nessa trajetória de caminhada comum e que busco manter vivo na experiência com meus alunos.

O toque decisivo de sua atuação estava no dom da orientação acadêmica. É difícil encontrar um orientador com tamanha capacidade de desbravar caminhos e horizontes. As dificuldades trazidas por seus orientandos ganhavam com ele sempre uma solução precisa. Os alunos entravam em seu gabinete preocupados com o destino de seu trabalho e saíam sorridentes com as soluções encaminhadas.

Era sobretudo um grande pedagogo, com impressionante experiência nesse campo de apoio, presença e orientação dos alunos. E essa prática vinha amparada por muitos anos de experiência com a análise psicanalítica. Seus cursos de metodologia ficam guardados na memória. Trouxe essa experiência em aulas memoráveis, sobretudo na PUC-RJ, mas também em outros centros de estudo como a Faculdades dos Jesuítas (FAJE) e a Universidade Federal de Juiz de Fora, onde também esteve presente algumas vezes para falar de sua experiência de orientação acadêmica.

É difícil precisar o número exato de seus orientandos no mestrado e no doutorado. Foram, certamente, mais de 350 estudantes que passaram por essa rica experiência. No âmbito do doutorado, foram mais de 90 teses por ele orientadas, das quais cerca de 55 de alunos brasileiros. Entre alguns dos doutores que passaram por sua orientação: Álvaro Barreiro e Alfonso Garcia Rúbio (1972-1973), Mário de França Miranda (1973-1974), Carlos Palacio (1975-1976), Juan A.R. de Gopegui (1976-1977), Ênio José da Costa Brito (1978-1979), Valdeli Carvalho da Costa (1980-1981), Faustino Teixeira e Antônio Jose de Almeida(1985-1986), Alexander Otten e Vitor G. Feller (1986-1987), Elias Leone, Maria Clara L. Bingemer e Paulo Fernando Carneiro de Andrade (1988-1989),Afonso Murad (1991-1992), Paulo Sérgio Lopes Gonçalves (1996-1997),Laudelino José Neto (1997-1998), Antônio Reges Brasil (2000-2001), Marcial Maçaneiro e Paulo César Barros (2000-2001) e muitos outros.

O bonito é perceber que ele deixou entre nós um exemplo vivo de paixão e testemunho, de maravilhosa abertura ao Mistério sempre maior. Dele guardamos o carinho e o largo sorriso, de um orientador, mas sobretudo um amigo sempre presente. Eu estava particularmente feliz ao poder reencontrar-me com ele num simpósio internacional de teologia, previsto para acontecer em setembro de 2011 na PUC-Rio. Não contava os dias para esse encontro. Infelizmente, esse diálogo adiado para mais adiante. Fico com a bela imagem de sua presença amiga, regada pela alegria de encontros maravilhosos, tanto no Brasil como na Itália. Seguindo uma pista de Walter Rauschenbusch, Pastor deixa-nos como herança “a graça de ter um coração valente, para que possamos caminhar por esta estrada com a cabeça levantada e com um sorriso no rosto”.

Faustino Teixeira
Professor no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF e ex-aluno do Programa de Pós-Graduação em Teologia da PUC-Rio
 

Myrtes de Aguiar Macedo (? - 2012) _

Myrtes de Aguiar Macêdo, formou-se em Serviço Social pela Universidade Estadual da Paraíba, concluiu o mestrado em Serviço Social na PUC-Rio em 1977. Sua dissertação intitulada Reconceptualização do Serviço Social foi publicada em livro e tornou-se uma referência importante no debate sobre o movimento de Reconceituação do Serviço Social na América Latina. Era Doutora em Política Social pela University of Manchester, na Inglaterra, onde foi docente do Programa de Doutorado em Política Social.

Ingressou na PUC-Rio como professora do quadro principal após sua aposentaria na Universidade Federal da Paraíba, e foi Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social em duas ocasiões. No Programa, integrou a Comissão responsável pela criação, em 1997, da revista O Social em Questão, periódico do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social.

A Profa. Myrtes exerceu a função de representante da área de serviço social junto ao CNPq e, na CAPES, integrou a Comissão de Avaliação dos Programas de Pós-Graduação de sua área.

Carlos Alberto Teixeira Serra (? - 2013) _

O Professor Serra formou-se em Geografia pela PUC-Rio e trabalhou na Universidade entre 1966 e 2000.

No início de suas atividades docentes, tal como em seu período como aluno de graduação, Geografia e História, ainda que constituindo dois departamentos separados, tinham um único Diretor e uma mesma estrutura administrativa. Por muitos anos Carlos Alberto Serra podia ser visto no quinto andar da Ala Frings, como professor de Geografia Humana, como Coordenador do Curso de Geografia e mais tarde como Diretor dos Departamentos de Geografia e História. Foi colaborador direto do Dr. Fábio Macedo Soares Guimarães quando este exerceu a direção dos dois Departamentos. Também atuou no Decanato do CCS por várias gestões, como Coordenador Setorial de Graduação e como membro da Comissão de Vestibular.

Serra, como era chamado por seus colegas, colaborou também com a PUC-Rio através da participação nos órgãos colegiados do Departamento de Geografia, do CCS, e da Administração Central.

São poucos hoje os professores do Departamento de Geografia que conviveram com o Professor Serra durante o seu longo período como docente da PUC-Rio, mas o livro publicado pelo Núcleo de Memória da PUC-Rio em comemoração dos 70 anos da Universidade estampa, em sua página 117, uma fotografia de 1971, pertencente ao acervo pessoal do funcionário José Paim, de um time de futebol composto por professores e funcionários no qual o Professor Serra, então um jovem de cabelos longos, aparece na primeira fila, à direita da foto, devidamente uniformizado como jogador do time ao lado de outros colegas tais como os Professores Augusto Sampaio, Clóvis Dottori e Ilmar Rohloff de Mattos.

Alfredo Luiz Porto de Britto (1936-2015) _

O arquiteto e urbanista Alfredo Britto, professor da PUC-Rio e um dos criadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade, além de um dos maiores especialistas brasileiros em patrimônio cultural, faleceu no Rio de Janeiro, aos 79 anos, em 25 de novembro.

Alfredo Britto construiu uma carreira com fortes bases sociais e seu nome ficará ligado a várias causas de interesse da cidade, como a campanha contra a demolição do Palácio Monroe. Trabalhou nas restaurações do Arquivo Nacional (1982) e do Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Morais (2004), projeto de Affonso Eduardo Reidy, conhecido como Pedregulho. Esse trabalho deu origem ao seu mais recente livro – Pedregulho, o sonho pioneiro da habitação popular no Brasil –, lançado em agosto, pouco antes de seu falecimento.

Secretário do IAB-RJ e membro da Direção Nacional do Instituto (1980 a 1983), por dez anos representou a seccional do Rio de Janeiro no Conselho Superior do Instituto de Arquitetos do Brasil.

O presidente do IAB, Sérgio Magalhães, recordou:

Alfredo Britto foi um dos formuladores do pioneiro e famoso Inquérito Nacional de Arquitetura, redator e diretor da revista Arquitetura [...]. Desde o início dos anos 1970, Alfredo foi titular do escritório GAP - Arquitetura e Planejamento, com larga produção edilícia, urbanística e de restauração de patrimônio, tendo recebido diversos prêmios, inclusive a 1ª Premiação Anual do IAB RJ, em 1963.

A arquiteta e secretária-geral do IAB, Fabiana Izaga, também lamentou a perda:

A arquitetura carioca teve em Alfredo Britto uma figura singular pelo seu envolvimento em várias faces da profissão: como professor e pesquisador, como profissional atuante, com destaque em projetos ligados ao patrimônio, e na militância profissional através do IAB.

Aos 79 anos, Alfredo Britto estava terminando um curso de Doutorado no Programa de Pós-Graduação em História Social da Cultura da PUC-Rio.

Em mensagem à Comunidade PUC-Rio, a Profa. Maria Fernanda Campos Lemos, Diretora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, assim registrou o falecimento:

É com enorme pesar que informo o falecimento de nosso querido professor e amigo Alfredo Luiz Porto de Britto. Alfredo Britto foi um dos professores envolvidos com a fundação do Curso de Arquitetura e Urbanismo e sentiremos muitíssimo a sua falta.

(Departamento de Arquitetura) (+25 de novembro de 2015) 

Fernando Bastos de Ávila S.J. (1918 - 2010) _

Carioca nascido no ano de 1918 no bairro de Copacabana; jesuíta desde 1935; ordenado sacerdote em 1948; doutor em ciências políticas e sociais pela Universidade de Louvain em 1954 com tese sobre a imigração como experiência de exílio; sociólogo e intelectual de primeira linha no cenário nacional e internacional; membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro desde 1995 e da Academia Brasileira de Letras desde 1997; organizador e coordenador do Departamento de Pastoral da Cultura da Diocese do Rio de Janeiro que promoveu debates entre intelectuais no Sumaré; nomeado pelo Papa João Paulo II para a Pontifícia Comissão Justiça e Paz; fundador em 1967 e diretor do IBRADES – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento -, o Padre Ávila chegou à PUC-Rio em 1954 e aqui trabalhou por muitos anos.

Quando a morte faz com que o Padre Ávila nos deixe na madrugada do dia 6 de novembro de 2010, aos 92 anos, a PUC-Rio sabe que perdeu um de seus professores mais brilhantes; o fundador, em 1954, do Instituto de Estudos Políticos e Sociais que viria a tornar-se a Escola de Sociologia e Política e, mais tarde, o atual Departamento de Ciências Sociais e seu diretor até 1967; o Vice-Reitor da Universidade em 1964; o incansável criador e editor da Revista SPES - Síntese Política, Econômica, Social -; o formador de gerações de sociólogos e cientistas do social; o intelectual de palavra sempre oportuna e escrita sedutora, com 15 livros publicados; o crítico arguto e sensível; o colaborador de tantos anos.  Mas sobretudo a PUC-Rio sabe que o Brasil e o cenário intelectual internacional perderam um homem com um coração do tamanho do mundo, uma inteligência extraordinária, um sentido crítico afiadíssimo e uma imensa sensibilidade social.

Os arquivos do Núcleo de Memória da PUC-Rio guardam fotografias do Padre Ávila.  Guardam também um número especial da Revista PUC-Ciência em homenagem a ele publicado em 1995 e que traz artigos de intelectuais como Helio Jaguaribe, Leandro Konder, Otávio Velho e Luiz Alberto Gómez de Souza; de amigos; de jesuítas e dele próprio.  Guardam ainda uma entrevista gravada em áudio e vídeo e feita por ocasião do cinqüentenário do campus da Gávea em 2005. E o primeiro número da Revista Desigualdade & Diversidade, do Departamento de Sociologia e Política – disponível on line – traz, em texto escrito e em áudio, um depoimento do Padre Ávila sobre sua vida e atuação na PUC-Rio.

Uma coisa é certa.  É um grande privilégio ter a vida do Padre Ávila na história da PUC-Rio.  E ele vai fazer muita falta na Universidade e no mundo.

Em memória do Pe. Ávila

No dia 6 de novembro, fez um ano da morte do Pe. Fernando Bastos de Ávila S.J., ocorrida em Belo Horizonte.

Jesuíta, padre, doutor em Sociologia, professor, pesquisador, escritor e o melhor amigo de centenas de pessoas que o conheceram. Não vou me estender sobre sua produção intelectual, nem sobre suas múltiplas atividades como professor e conferencista, tão pouco sobre a influência que teve, com seus livros e artigos, sobre a formação e a atuação da juventude cristã e dos partidos políticos de centro-esquerda, no Brasil, entre os anos de 1960 e 2000. Quero me restringir ao aspecto do sacerdote, sábio e humano, que a todos encantava com suas palavras, fina ironia, escritos belíssimos e, acima de tudo com seu sorriso e olhar – "o espelho da alma". Cada interlocutor tinha a absoluta certeza de que no momento em que conversava com o Pe. Ávila, sobre quaisquer assuntos, era apenas ele que existia para aquele padre, que concentrava toda a sua atenção e interesse em quem o procurava. Seu olhar impossível de descrever, sua expressão facial refletia empatia, interesse, expectativa, compreensão, espanto, total atenção, amor, alegria e tristeza. E quando sorria – sorria falando - então seu rosto era todo amizade e acolhimento, imagem do puro prazer do convívio.

Possuidor de perfeita lógica de raciocínio, exímio operador dos conceitos da filosofia, sabia explicar, induzir seus alunos e amigos em direção ao prazer da conquista de conhecimentos. Um sábio que percorria, com desenvoltura, a sociologia, a história, a antropologia, a psicologia, a teologia, os temas mais variados do seu tempo que acompanhava pela leitura e pelo diálogo permanente, numa prática acadêmica e de companheirismo em mais de meio século de pertinaz testemunho de serviço e de amor ao próximo.

Sacerdote que com carinho falava de Jesus e de Nossa Senhora com pessoas de todas as idades e das mais diversas formações intelectuais. O mistério de Deus deixava de ser mistério e a graça do Amor Divino perpassava o encontro com a tranqüilidade que a todos seduzia e encantava, criando as condições próprias para a conversão e a oração. Quando, nas missas, consagrava o pão e o vinho transfigurava-se em imagem de humilde e respeitosa comunhão com o sagrado e, então, o som do seu "est", como a veemência da voz de arauto fiel, proclamando a glória do Redentor e a certeza da Eucaristia, era ouvido por todos com total emoção de convencimento do ato central da fé católica, que ali se presenciava. Para quem era por ele atendido, em suas aflições existenciais, significava a certeza de receber o esperado abraço, a compreensão e a companhia amiga, também já angustiado com o problema que lhe estava sendo apresentado.

Mas não o provocassem, pois a reação viril e apologeticamente arrasadora se fazia sentir na hora. Percebia, no mesmo instante, uma maldade embutida num gesto ou numa palavra e isto não admitia – honestidade nas relações que estabelecia era o pressuposto da sua vida. Depois se arrependia e não se aquietava enquanto não pedia desculpas ao interlocutor aturdido pela contundência da resposta que recebera, como resultado da ousadia que cometera.

Adorava seus muitos amigos e amigas. Falava da política, das novidades da sociedade, do esporte, da musica – enternecia-se com a letra do "Chão de Estrelas" e cantava muito afinado – "... tu pisavas nos astros distraída..." para logo em seguida reger Carmina Burana ou ficar com os olhos marejados de lagrimas emocionadas com a Sinfonia a Kreutzer e dizia: "que diálogo extraordinário..."

Convivi com o Pe. Ávila por meio século. Foi meu mestre e amigo - me apresentava dizendo com imenso carinho – (lembranças que me enchem de emoção e imensas saudades), "o filho que não tive..."

Estou cada vez mais sozinho com o desaparecimento de queridas amigas e amigos. Restam, cada vez mais, as lembranças. Numa das ultimas visitas me disse baixinho e emocionado: "neste estado em que me encontro é mais fácil ficar calado rezando..., me preparando para o grande e definitivo encontro...".

Sorrindo, com os olhos brilhando de alegria, partiu para a experiência definitiva da eternidade que dizia ser, com convicção contagiante: "a incomensurável felicidade da contemplação de Deus na sua plenitude instantânea".

Prof. Eurico de Andrade Neves Borba
ex-aluno do Pe. Ávila
ex-Vice-Reitor de Desenvolvimento da PUC-Rio

 

Verônica Rodrigues (1957 - 2012) _

A Profa. Verônica era graduada em Arquitetura e Urbanismo pelo Instituto Metodista Bennett (1983) e mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2006). Foi consultora do projeto de criação do curso de Arquitetura em 2001 e desde 2002 atuava como professora da Universidade.

Seu pai, o arquiteto Sergio Rodrigues, de quem era sócia no escritório Sergio Rodrigues Design e Móveis, disse ao Jornal da PUC que desde pequena Verônica demonstrou interesse por arquitetura, frequentava sua loja de design e o auxiliava a arrumar os móveis dispostos na varanda do apartamento onde moravam. Dizia que gostava de morar numa casa diferente das demais.

Para o Prof. Fernando Betim, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo, “Verônica tinha sensibilidade em relação ao ensino. Lançava um olhar humanista em disciplinas mais formais e trazia a simplicidade. Ela tinha uma técnica muito apurada e sabia traduzir isso para a sala de aula. Sua doçura, competência e amizade foram marcas fundamentadoras da construção do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio.”

O Jornal da PUC apurou que “Verônica era apreciadora de música brasileira e de cinema, gostava de cozinhar e de cantar e participava de coros familiares. Leitora voraz, fazia doutorado em Letras pela PUC-Rio e em sua tese buscava associar a personalidade dos personagens de ficção ao interior de ambientes descritos nas obras. Verônica faleceu de câncer no dia 13 de março, dois dias antes de seu aniversário, aos 55 anos. Deixou duas filhas, uma designer e outra estudante de arquitetura.”

Anamaria de Moraes (1942 - 2012) _

A nota do Departamento de Artes e Design da PUC-Rio com a comunicação da morte da professora Anamaria, ocorrida durante um Congresso de sua área de pesquisa, comoveu a todos:

“É com pesar que comunicamos o falecimento de nossa grande mestra Anamaria de Moraes. Titular da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, lotada no Departamento de Artes & Design, a Doutora Anamaria de Moraes fez sua graduação em História na Universidade Federal do Rio de Janeiro e em Desenho Industrial na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

“Obteve seu título de mestre em Engenharia de Produção na Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorou-se em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Com especialização em Ergonomia pela Fundação Getúlio Vargas, foi docente da Universidade da Cidade e da ESDI-UERJ. Foi colaboradora de diversas instituições de ensino superior, dentre as quais a Universidade Federal de Pernambuco, Universidade do Estado da Bahia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Universidade Estadual Paulista-Campus Bauru.

“Foi Bolsista de Pesquisa do CNPq e Coordenadora da Área de Arquitetura, Urbanismo e Design do Comitê Assessor da CAPES.

“A Doutora Anamaria notabilizou-se pela atuação em Ergonomia, com ênfase em Ergodesign e Usabilidade. Teve participação ativa em vários órgãos científicos, entre eles a AEND-Brasil - Associação de Ensino/Pesquisa de Nível Superior em Design do Brasil e a ABERGO – Associação Brasileira de Ergonomia.

“Foi uma das mentoras na criação de periódicos em Design como a Revista Estudos em Design. Esteve à frente de organismos científicos ligados ao Design, como o P&D e a ERGODESIGN e USIHC.

“Recebeu muitas homenagens em sua vida acadêmica, entre elas, o troféu de melhor docente da área de Ergonomia pela Universidade Estadual Paulista. Foi homenageada no 6º Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade, Design de Interfaces e Interação Homem-computador pela Universidade de Bauru. Foi também homenageada pela IEA Fellows, IEA - Internacional Ergonomics Association. Em 2011 recebeu uma homenagem especial no VI Congresso Internacional de Pesquisa em Design - CIPED, em Lisboa.

“A professora Anamaria de Moraes faleceu no Recife durante a realização da 11ª edição do ERGODESIGN e USIHC.

“Os docentes, funcionários e alunos do Departamento de Artes & Design da PUC-Rio prestam aqui a homenagem à sua grande mestra, que foi um exemplo de sabedoria, energia e perseverança na luta pelas conquistas acadêmicas do Design e na superação dos desafios impostos por dificuldades de saúde. Anamaria de Moraes foi uma estudiosa exemplar que nos deixa muitos ensinamentos.”

João Batista Libanio S.J. (1932-2014) _

Jesuíta reconhecido internacionalmente por seu profundo conhecimento teológico e por sua ação pastoral, Padre João Batista Libanio S.J. foi um respeitado acadêmico, um dos teólogos da Teologia da Libertação e um dos primeiros professores e diretores do Departamento de Teologia da PUC-Rio.

Formado pela Hochschule Sankt Georgen, em Frankfurt, Alemanha, fez doutorado na Universidade Gregoriana (PUG), de Roma. Foi professor de teologia da PUC-Rio, da PUC Minas Gerais e da UNISINOS, no Rio Grande do Sul, e lecionava na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), em Belo Horizonte. Sua vasta produção acadêmica se traduz em 36 livros e mais de uma centena de colaborações em diversas outras obras, além de artigos, colunas, cursos e palestras em congressos e simpósios no Brasil e no mundo. As grandes questões que o motivavam como teólogo e pensador poderiam ser resumidas, como ele mesmo apontava, nas duas palavras que davam nome à linha de pesquisa que coordenava: Fé e contemporaneidade.

Homem de seu tempo, sua morte aos 81 anos, causada por um infarto, em Curitiba, onde coordenava um retiro para professores, surpreendeu a amigos e admiradores. Padre Libanio morava em Minas Gerais e era vigário da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Vespasiano, na Grande Belo Horizonte, onde foi enterrado. Um site dedicado a sua obra reúne textos, homilias, palestras, vídeos e um memorial com contribuições de todos que o admiravam no endereço http://jblibanio.org.br

Trecho do texto em homenagem ao Padre Libanio escrito pela Professora Maria Clara Bingemer, do Departamento de Teologia da PUC-Rio, em artigo publicado no Jornal do Brasil em 06/02/2014:

Libanio querido [...]
Você foi o primeiro de quem ouvi falar em Teologia da Libertação, em opção preferencial pelos pobres, em tudo aquilo que enchia nossos corações de fogo e de desejo enquanto estudávamos teologia. E eu o segui ao longo dessa longa e rica vida, sempre fiel a essa opção e a essa teologia. Vai ser difícil a comunidade teológica brasileira viver sem você. Sem sua mente clara, sua presença sábia, sua crítica pertinente no momento certo, sua inspirada criatividade.

(Departamento de Teologia) (+30 de janeiro de 2014) 

Paulo de Assis Ribeiro (1906 - 1974) _

Há 43 anos, o processo de institucionalização da Pós-Graduação em Educação deu-se na PUC-Rio através da estratégia política de se iniciar um curso "lato-sensu" de Especialização; a fim de se consolidar paulatinamente seus quadros docentes e sua proposta curricular; com a gênese mais à frente do curso de Mestrado. Com efeito, em abril de 1965, o Diretor da Faculdade de Filosofia, o jesuíta húngaro Pe. Antonius Benkö, que era também consultor do MEC, articula um convênio com a Diretoria do Ensino Secundário e a CADES (Campanha de Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Secundário) para promoção do Curso de Especialização em Planejamento da Educação Brasileira.

Naquele momento, o contexto político-ideológico de uma Especialização em Planejamento Educacional era bastante conflituoso. De um lado, no âmbito do INEP / MEC predominava o "Social Demand Approach" da UNESCO e de sua Missão Técnica no Brasil, propondo uma política descentralizada, a partir dos CEOSEs (Colóquios Estaduais de Organização do Sistema de Ensino). De outro lado, o viés econômico do "Manpower Approach" predominava no recém-criado IPEA - Instituto de Planejamento Econômico Aplicado/ MINIPLAN - considerando-se a área educacional como um substrato da economia. Embora tendendo mais à abordagem da UNESCO e do INEP, o Curso de Especialização em Educação da PUC-Rio agregou igualmente aportes da Economia da Educação, através de dois consultores da CAPES: José Zacharias Sá Carvalho e Paulo Horta Novaes (este também vinculado à PUC, criador do IAG e assessor da Reitoria,), além do economista Isaac Kerstenetizty, da FVG mas também docente na PUC. Mas foi Paulo de Assis Ribeiro quem melhor promoveu os diálogos entre as abordagens sócio-demográficas e econômico-financeiras na área de Planejamento Educacional no Mestrado da PUC-Rio. Com efeito, o papel central de Paulo de Assis Ribeiro no incipiente Mestrado em Educação consolidou-se por sua estreita vinculação à Reitoria da PUC, para quem elaborara em 1963 o diagnóstico técnico "Reforma das Estruturas da PUC-Rio", e se materializou mais ainda em 1969-1970, através do "Plano Diretor da Reforma da PUC-Rio", inclusive agregando diversos pós-graduandos do incipiente programa de Mestrado.

Três memórias sobre Paulo de Assis Ribeiro *: do congresso estudantil em 1963; aos impactos do Ato Institucional nº 5 na PUC; e à coordenação da área de Planejamento Educacional em 1970.

1 - Minha primeira memória de Paulo de Assis Ribeiro deu-se no incandescente período político de 1962-1963, como presidente do Diretório Acadêmico Jackson Figueiredo, da Faculdade de Filosofia da PUC. No início de 1963, programávamos a "Semana Social sobre a Realidade Brasileira", fervilhante programação de debates que lotava o antigo ginásio esportivo da PUC. Uma equipe de representantes dos Diretórios Acadêmicos da PUC reuniu-se com Assis Ribeiro, em sua casa em Botafogo. Mas "o que é a realidade brasileira?" insistia sempre . Ai, a cada resposta cheia de certezas dada pelos dirigentes estudantis, como que maiêuticamente Assis Ribeiro retrucava com uma bateria de dados estatísticos sobre a economia, a geografia, a educação, etc, diagnosticando, a partir de suas densas bases empíricas, complexas equações envolvendo tantas outras facetas e implicações, muito além das nossas sumárias interpretações político-ideológicas. Este primeiro diálogo, iniciado às 20 horas de um dia, teve a duração de seis horas de dúvidas e questionamentos. Marcou indelevelmente a figura do intelectual que foi Assis Ribeiro. Antes de ingressar como docente na PUC em 1965, acompanhei, através da revista SPES: Síntese Política, Econômica e Social, da PUC-Rio, diversos estudos de Assis Ribeiro na equipe coordenada pelo sociólogo jesuíta Fernando Bastos de Ávila, mentor de iniciativas sobre o Solidarismo no Brasil, como uma possível terceira via brasileira entre o Capitalismo e o Socialismo.

2 - Minha segunda memória de Assis Ribeiro dá-se sobre seu papel na formulação do Plano Diretor da PUC-Rio em 1968-1970, e as estreitas vinculações que tivemos seja como Diretor do recém-criado Departamento de Educação, em especial pela integração de três jovens docentes da Pedagogia - Ana Waleska, Rosina e Stella - na equipe de Planejamento do Plano Diretor, seja pela sua crescente importância como o principal professor da área de Planejamento Educacional no Mestrado. Apesar de suas inúmeras ocupações, as aulas de Assis Ribeiro eram calcadas em apostilas escritas previamente, e que constituíram um importante acervo de material técnico submetido ao CNPq e ao Conselho Federal de Educação em 1970, no processo de credenciamento do primeiro Mestrado em Educação no Brasil. Entretanto, será nos primeiros meses de 1969, em função dos impactos provocados pelo Ato Institucional nº 5, de 13 / 12 / 1968, que a figura humana de Assis Ribeiro fica profundamente marcada em minha memória. Diversos dirigentes do Centro Técnico Científico da PUC, também docentes do Instituto Militar de Engenharia (IME) levaram ao Conselho Universitário a moção de que a PUC-Rio, por ser beneficiária de recursos federais do MEC, CNPq, FINEP, etc, deveria cumprir o artigo 6º do AI 5, suspendendo os contratos de docentes e pesquisadores que já haviam sido previamente punidos em suas estabilidade e vitaliciedade na UFRJ. Foi um sessão memorável do Conselho Universitário, no qual era o representante docente eleito pelo CTCH. Diante de tamanha tensão político-ideológica nos debates entre os integrantes do Conselho Universitário, o então Reitor - Padre Laércio Dias de Moura, que gabava ser "um genuíno representante político do PSD mineiro" - tenta evitar a ebulição completa no Conselho Universitário, promovendo uma pausa para café. A suspensão da reunião apenas acirrou mais ainda os ânimos dos conselheiros. Neste momento, procuro o Prof. Paulo de Assis Ribeiro, que em seguida falaria sobre o projeto do Plano Diretor da PUC, instando-o a opor-se ao voto de censura dos favoráveis à aplicação do AI 5 na PUC. Neste ato, Assis Ribeiro respondeu-me: "Professor, meu pai era diretor da Rede Ferroviária Nacional no Governo Getúlio Vargas, quando o Presidente Vargas orientou-o a afastar um técnico, por motivação política. Meu pai, sim, é quem se demitiu. Igualmente, eu me afastarei da PUC, se for aprovada a aplicação aqui do AI - 5".
Quando a sessão do Conselho Universitário é retomada, Assis Ribeiro inicia a sua exposição sobre o Plano Diretor usando o retroprojetor para reproduzir na tela um foco enorme de luz, e comentar: "a Doutrina Social da Igreja é como este foco de luz: há posições mais centrais, mais à esquerda e à direita; acima ou abaixo. Entretanto, desde que esteja dentro deste foco de luz, está de acordo com a DSI. Não há, portanto, condição de se afastar um professo e pesquisador da PUC por razões do Ai - 5, sempre que suas opções políticas se coloquem dentro do foco abrangente da Doutrina Social da Igreja". Em minha vida profissional, foi um dos momentos mais marcantes de uma personalidade que aprendi a admirar.

3 - Minha terceira memória sobre Paulo de Assis Ribeiro ocorre em 1970, quando uma equipe bastante politizada de mestrandos se opõe à linha de Planejamento da Educação desenvolvida pelo mestre, a partir de sua leitura bastante técnica das articulações entre as abordagens "Social Demand Approach" de bases sócio-demográficas, e "Manpower Approach" articulada às concepções de formação de recursos humanos.
Vivíamos então a plena efervescência do movimento estudantil desencadeado em 1968, pela passeata dos 100 mil em protesto às invasões dos "campi" universitários (apenas o campus da PUC sofrera três invasões do PARASAR), e ao incipiente pensamento marxista no mundo acadêmico através da Teoria da Dependência. O núcleo mais politizado dos mestrandos da área de Planejamento Educacional questionava a orientação técnico-metodológica de planejamento desenvolvida por Assis Ribeiro. Em nossos diálogos no segundo semestre de 1970 - ele como docente, eu como coordenador de estudos da área de Planejamento - lembrava-me dos primeiros diálogos tidos com Assis Ribeiro em 1963: quão complexa é a equação da assim chamada "realidade brasileira", e como responder a esses diagnósticos e proposições através do planejamento educacional, face à urgência dos pós-graduandos por reformas estruturais aqui e agora no Brasil. Mas lá estava o pesquisador socioeconômico, buscando bases mais sólidas de alternativas embasadas em conhecimentos mais objetivados. Lá estava Assis Ribeiro, um "guru" da Terceira Via, do Solidarismo, um desenvolvimentista da cepa de Celso Furtado, amparado por um corpo de conhecimentos científicos não redutíveis a fórmulas ideológicas simplificadoras, mas buscando sempre uma sólida empiria para o desenvolvimento do planejamento educacional.
Sem dúvida, Assis Ribeiro foi um grande mestre!
A ele devemos um sólido desencadear da área de Planejamento Educacional no Mestrado de Educação, tanto quanto a própria PUC-Rio muito lhe deve pela formulação do I Plano Diretor da Universidade desenvolvido entre 1968-1970.

Prof. José Carmello Braz de Carvalho
Departamento de Educação
Setembro de 2007
 
 
* Como referência biográfica sobre Paulo de Assis Ribeiro, pode-se consultar "Apontamentos sobre a Vida e a Obra de uma Apóstolo do Humanismo e da Cultura" , de C. J. de Assis Ribeiro. Rio: 1975, Edit IBGE, 249 p.

Maria Helena Novaes Mira (1926 - 2012) _

A Profa. Maria Helena Novaes Mira, falecida no dia 17/09/2012, além de professora e pesquisadora reconhecida em todo o meio acadêmico era uma pessoa muito querida por todos aqueles que tiveram a sorte de conhecê-la mais de perto.

Maria Helena era professora emérita do Departamento de Psicologia e contribuía ativamente com o NEAM (Núcleo de Estudos e Ação sobre o Menor).

Inúmeros professores, ex-alunos, diretores de Departamentos do CTCH e de outros Centros manifestaram seu pesar ao saber da morte da professora Maria Helena, todos eles sublinhando sua competência profissional, sua presença marcante na vida da Universidade, sua importância na área de Psicologia e sua cordialidade e elegância.

A seu respeito afirmou o Reitor da PUC-Rio, Prof. Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J. em mensagem divulgada pela rede:

“O Reitor e a Comunidade Educativa da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro manifestam solidariedade aos familiares e amigos pelo falecimento da querida Professora, Pesquisadora e Emérita Maria Helena Novaes Mira, que sempre marcou esta Universidade com sua participação na vida acadêmica e no cotidiano desta Casa.
"Peço a Deus nosso Senhor para que a acolha na sua misericórdia e conforte a família na fé e na esperança.”

O Prof. Paulo Fernando Carneiro de Andrade, Decano do CTCH, Centro no qual se inscreve o Departamento de Psicologia, assim se manifestou:

“Em nome de todo o CTCH apresento minhas condolências à família e aos amigos da saudosa professora Maria Helena. Professora de grande relevo por seu conhecimento, dedicação e elegância foi sempre para toda a Universidade fonte de inspiração.”

Por sua vez, o Prof. Luiz da Silva Mello, Decano do CTC, escreveu:

“Em nome do CTC expresso nosso pesar pelo falecimento da professora Maria Helena Novaes Mira. Pessoalmente tive algumas oportunidades de interagir com ela quando na CCPA, poucas mas suficientes para admirar sua inteligência, entusiasmo e dedicação ao ensino, à pesquisa e à PUC-Rio.”

Em artigo publicado em na Revista Psicologia Escolar e Educacional (Campinas: Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional) em junho de 2008 a professora Eunice Maria Lima Soriano de Alencar, da Universidade Católica de Brasília, afirma que Maria Helena Novaes é um dos três pioneiros brasileiros no campo da psicologia escolar. Seu reconhecimento na área, já desde muitos anos, não se limitavam portanto à admiração de seus colegas, alunos e ex-alunos da PUC-Rio.

Veja aqui a página sobre Maria Helena Novaes no site do CNPq.

Veja aqui a matéria no Jornal da PUC.

Dionísio Dias Carneiro (1945 - 2010) _

As notícias na imprensa destacam a importância do Professor Dionísio para a área acadêmica da Economia, para a história da economia brasileira e destacam como um de seus traços mais marcantes ter sido um grande professor, formador de gerações, como destaca Miriam Leitão em O Globo de 30 de julho de 2010.

Seus amigos sabem que Dionísio vai fazer muita falta como profissional exemplar e como uma pessoa muito rara por suas muitas qualidades, entre elas seu bom humor, sua inteligência e uma extraordinária coragem nos momentos duros que a vida não lhe poupou.

A PUC-Rio se sente honrada por tê-lo tido, ao longo de tantos anos, em seus quadros docentes.

Veja aqui a matéria publicada no Portal PUC-Rio Digital em 30/07/2010.

Leia aqui o depoimento do Professor Dionísio ao CPDOC/FGV.

Em 2013 foi lançado livro em homenagem a Dionísio.

Veja abaixo (Arquivo) o texto do Professor Rogério Furquim Werneck, do Departamento de Economia da PUC-Rio, publicado na página Opinião do jornal O Globo, 06/08/2010, p. 6.

Antonio Duro Ferreira (1943-2014) _

Formado pela Escola Nacional de Educação Física, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1965, elaborou e implantou neste mesmo ano o projeto de educação física da PUC-Rio. Foi criador também da Coordenação de Educação Física da Universidade, que liderou por vinte anos.

O Professor Antonio Duro Ferreira fez pós-graduação em Administração Esportiva, de 1971 a 1972, na Alemanha. Em parceria com o IAG, em 1978, organizou na PUC-Rio o Curso de Administração de Entidades Esportivas, então único no país. Foi um dos precursores no Brasil em ações voltadas para a importância da administração profissional dos clubes de futebol.

Participante ativo do dia a dia da Universidade, foi também assessor de quatro Vice-Reitores Comunitários, entre eles o atual Vice-Reitor, Professor Augusto Sampaio. Ferreira foi presidente da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e coordenou a Comissão Disciplinar da PUC-Rio.

O Professor Renato Callado Ferreira, atual coordenador de Educação Física e Esportes e de Atividades Estudantis da Universidade, filho do Professor Antonio Ferreira, relatou ao Jornal da PUC a paixão do pai, falecido aos 71 anos, por todos os esportes e por suas atividades com alunos e colegas da PUC-Rio.

(Vice-Reitoria Comunitária) (+19 de fevereiro de 2014) 

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