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Professores

Título Código Dataordem crescente Descrição
Isaac Kerstenetzky (1926 - 1991) _

Para dados biográficos e mais informações, ver o perfil do Prof. Isaac publicado no site do IBGE.

Texto do Prof. Augusto Sampaio, Vice-Reitor Comunitário da PUC-Rio.

Está cada vez mais difícil encontrar, nos campi universitários, professores como o Isaac.

Encontram-se, quase sempre, excelentes especialistas nas várias áreas de saber, muitos com reconhecimento internacional dos seus trabalhos, cada vez sabendo mais sobre menos coisas... Esta se perdendo, com rapidez, a perspectiva do educador, do professor mestre insigne na sua matéria, capaz, no entanto, de conversar e de opinar sobre assuntos vários com sabedoria, ponderação e visão interdisciplinar do processo histórico onde, inclusive, a universidade e sua especialidade estão inseridas. Às gerações mais jovens esta extirpe de mestres, em extinção, consegue instigar nas mentes ainda não poluídas por ideologias e pragmatismos, a beleza do conhecimento, do rigor do método científico, da prazerosa convivência das múltiplas formas do saber humano, na perspectiva de que o importante é promover a vida em geral e a pessoa humana em particular, com seus mistérios e suas belezas complexas, muito próprias.

Tal atitude deve ser o estilo de conduta de todos os professores, do físico e do sociólogo, do filósofo e do engenheiro, do teólogo e do administrador. Só assim uma juventude, sem referências e, por vezes, desorientada, encontrará tranqüilidade na confiança que naturalmente depositarão em homens e mulheres que reconhecem pela integridade de suas vidas dedicadas à educação, à pesquisa, ao diálogo cordial. A garotada reconhece os verdadeiros professores e os procuram ávida, como orientadores e exemplos para as suas vidas, que começam a dedicar à procura da verdade, que sabem existir mas a quem nunca foram apresentados com honestidade e competência. Professores moldam, conduzem, orientam a vida de seus alunos, tornam-se referências permanentes de comportamento acadêmico integro - missão nobre pela responsabilidade que lhe é cometida. Rapazes e moças, em contato com personalidades como essas, despertam com atitude pessoal distinta ou para a vida acadêmica ou tornando-se profissionais diferenciados pelo comportamento que adotam no dia a dia de suas atividades.

Muitos professores dos dias de hoje são, apenas, empregados de empresas que vendem cursos e diplomas - cumprem tarefas segundo esquemas e horários pré-estabelecidos pelos seus empregadores. Isaac Kertenetzky, não. Homem de saber enciclopédico, inteligência rápida, humor cáustico, paciência infinita, era antes de mais nada, amigo de seus alunos. Preocupava-se com cada um, angustiava-se com os dramas juvenis que lhe eram narrados. Alegrava-se com as pequenas conquistas dos seus discípulos - uma dissertação, uma conversa proveitosa, uma tese defendida com sucesso, um livro ou artigo publicado.

Nasceu no Rio de Janeiro em agosto de 1926. Orgulhava-se de ter crescido em Vila Isabel, a terra de Noel Rosa e atribuía a este fato a sua sensibilidade musical. Estudou no Colégio Pedro II e formou-se pela antiga Universidade do Brasil, hoje a Federal do Rio de Janeiro, com 20 anos de idade. Foi aluno de Octávio Bulhões e Eugênio Gudin, que o conduziram para um mestrado na Universidade de McGuill, no Canadá, e logo em seguida para o Centro de Estudo Sociais de Haia. Voltando ao Brasil foi para a Fundação Getulio Vargas, para trabalhar no Centro de Contas Nacionais e lecionar na Escola de Pós-Graduação daquela Instituição.

Nestes mesmos anos, final dos anos de 1950, na PUC-RIO, o Pe. Fernando Bastos e Ávila S.J., fundava a Escola de Sociologia e Política que tinha, na sua estrutura, um Departamento de Economia. O Vice-Diretor era outro notável professor, Arthur Hehl Neiva, que convidou o Isaac para colaborar com a nova Escola que, pioneiramente, insistia, na sua proposta pedagógica, na necessidade de se tratar as ciências sociais de forma integrada - só assim o fenômeno social poderia ser melhor entendido. Era o que Isaac sonhara toda sua vida - aceitou na hora. Contava, rindo, que a única pergunta que lhe fora feita, pelo Professor Neiva, além do convite, era se vivia uma casamento estável... pois, na época, era um valor importante para uma Universidade Católica.

Foi Professor, Diretor do Departamento de Economia, colaborou com o professor Neiva na organização do sistema de créditos na escola de Sociologia, introduziu a idéia do ciclo básico, trouxe vários outros professores da FGV e do antigo BNDE para lecionarem economia, estatística, história econômica.

Em 1965, já seu aluno - uma turma de sete alunos - tínhamos aula na sua sala na Fundação, na verdade um pedaço de mesa de reuniões, antiga, perdida no meio de pilhas de revistas, livros, relatórios, todos lidos e anotados, muitas vezes fora do horário habitual, aos sábados pela manhã e à noite nos dias de semana. Foram momentos inesquecíveis de convivência e de aprendizado. Suas provas eram novidades - podíamos fazê-las com consulta a livros, ou ir até a biblioteca para uma pesquisa de última hora. Seus comentários, nas provas, eram verdadeiras cartas aconselhadoras, onde com extrema elegância e delicadeza apontava as "barbaridades" que muitas vezes eram escritas. Estava sempre disponível para conversar sobre tudo, inclusive sobre a sua matéria principal - Planejamento e Desenvolvimento Econômico. Até o final da sua vida, já adoentado, sua maior preocupação era não faltar a uma aula, chegar no horário, atender aos alunos, conversar.

Por sonhar com a possibilidade de forjar um Centro de Ciências Sociais, com real perspectiva interdisciplinar e nem sempre encontrar apoio para esta sua idéia, pelo desejo de radicalizar a convivência de especialistas dos vários ramos do estudo do homem vivendo em sociedade, acabou seus dias no Departamento de História, o grupo da PUC-RIO que mais estimulava a idéia da interdependência e a complementaridade das especialidades do saber social.

Escreveu pouco, muito pouco. Cada vez que pedíamos que colocasse aquelas conversas em forma de artigos, ou uma coletânea de artigos que pudesse se transformar em um livro dizia: "ah, outros já escreveram sobre isso, vocês é que não leram, eu já li isto, que acabei de falar, em algum lugar que não me lembro mais...".

Prof. Augusto Sampaio
Vice-Reitor Comunitário
Ex-aluno e amigo do Professor Isaac Kerstenetzky

Jürgen Walter Bernd Heye (1939 – 2011) _

Graduado em Tradução pela Dometschetschule Zürich (1963) e doutor em Linguística pela Georgetown University (1970), o Prof. Heye fez parte do quadro principal do Departamento de Letras desde 1972. Linguista de reconhecimento nacional e internacional formou gerações de mestres e doutores. Na PUC-Rio orientou 53 dissertações de mestrado e 8 teses de doutorado. Seus trabalhos de pesquisa têm ênfase em questões relativas ao Multilinguismo e Línguas de/em Contato. Sua produção acadêmica abarca, sobretudo, os seguintes temas: sociolinguística, bilinguismo, bilingualidade, línguas em contato, política e planificação linguística, diglossia e fonética.

Foi um grande colaborador da PUC-Rio, tanto por sua produção acadêmica e docência quanto por sua participação na administração do Departamento de Letras e do CTCH assim como nos órgãos colegiados da Universidade que, com sua morte, perde um excelente professor, pesquisador reconhecido por seus pares e um grande amigo.

Será sempre lembrado por todos na Universidade como um homem de coração tão grande quanto sua incontestável inteligência.

Rosa Maria Sá Costa Ribeiro (? - 2013) _

O Departamento de História perdeu a Professora Rosa Maria Sá Costa Ribeiro, ex-aluna e professora do Curso de Especialização em História da Arte e da Arquitetura, muito querida por todos os que tiveram o privilégio de conviver com ela.

Rosa era Licenciada em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Mestre em História Social da Cultura pela PUC-Rio. Casada com Carlos Costa Ribeiro, por muitos anos professor e pesquisador do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rosa tinha profundos laços intelectuais e familiares com a PUC-Rio. Seu cunhado Paulo Costa Ribeiro é Professor Emérito do Departamento de Física. Outro cunhado seu, Sérgio Costa Ribeiro, já falecido, foi por muitos anos também professor do Departamento de Física. Alguns dos 9 irmãos de seu marido Carlos estudaram na PUC-Rio e muitos dos sobrinhos de Rosa e Carlos, também foram alunos da PUC-Rio. E foi no Departamento de História que Rosa encontrou alguns de seus principais interlocutores acadêmicos e o espaço para desenvolver sua especialização em História da Arte e seu mestrado e para atuar como docente e pesquisadora.

As pesquisas que desenvolveu sobre arquitetura colonial religiosa no Brasil são de grande importância. Entre eles, destacam-se os estudos sobre as ruinas do convento de São Boaventura (século XVII) em Itaboraí e sobre o Convento de Santo Antonio, no Largo da Carioca (Rio de Janeiro).

Rosa lutou por 11 anos contra um câncer. Em sua missa de sétimo dia na Igreja do Sagrado Coração, no campus da PUC-Rio, o número de amigos, companheiros de trabalho e familiares presentes dava a escala do quanto era querida. Ao final da missa, um de seus quatro netos leu um texto de Guimarães Rosa que a avó gostava de ler para ele e seu marido Carlos encontrou forças para ler um belíssimo texto que escreveu sobre aquela que dividiu com ele 47 anos de uma vida de muita felicidade, mas também de dores profundas que incluíram a perda trágica de um filho de 21 anos.

Algumas das mensagens de seus colegas do Departamento de História mostram o quanto Rosa era querida:

“Prezados colegas,
"Nesta hora só nos ocorrem lugares comuns. Mas a Rosa era, de fato, a delicadeza em pessoa!”
Professor Ronaldo Brito Fernandes
Departamento de História

“Quem teve a satisfação de conviver com ela deve ter ficado envolvido com a sua delicadeza como o Ronaldo. Eu acrescentaria a doçura no trato das coisas da vida e a grandeza de um sorriso temido e abrangente. As pessoas interessantes são difíceis de serem descritas. Fica a saudade.”
Professor Antonio Edmilson Martins Rodrigues
Departamento de História

Rosa será sempre lembrada com carinho por aqueles que a conheceram.

Antônio da Silva Pereira (1928-2015) _

O Padre Antônio da Silva Pereira, ex-professor do Departamento de Teologia, faleceu no dia 10 de maio de 2015. O sacerdote, que residia no Rio de Janeiro desde 1968, era natural da freguesia de Santa Bárbara, no concelho da Ribeira Grande, ilha de São Miguel, nos Açores, onde nasceu a 2 de janeiro de 1928.

Doutorado em Direito Canônico, o sacerdote veio para o Brasil depois de ter desempenhado vários cargos na diocese e no seminário de Angra do Heroísmo, como Professor, Diretor Espiritual, Chanceler da Cúria Diocesana e Pároco. Foi também Diretor Espiritual do Colégio Português em Roma (1963 a 1967). No Brasil, foi Professor do Departamento de Teologia da PUC-Rio, Professor do Instituto Superior de Teologia dos Franciscanos em Petrópolis (1971 a 1980); Capelão do Instituto Social, das Irmãs da Sociedade das Filhas do Coração de Maria e Professor do Instituto Superior de Direito Canônico do Rio de Janeiro.

Pe. Pereira dedicou 40 anos de sua carreira ao Departamento de Teologia da PUC-Rio, ao lado dos Padres Manuel Bouzon e Alfonso Garcia Rubio, conforme nos conta a Profa. Tereza Cavalcanti (TEO). O sacerdote era especialista em Direito Canônico, e marcou a abertura eclesial em relação à participação dos leigos nas decisões da Igreja, tema que trabalhou em diversos artigos. Ao lado do Pe. Jesus Hortal S.J., auxiliou vários bispos que a ele recorreram para questões de Direito Eclesial e Direito Matrimonial.

O Pe. Jesus Hortal Sànchez S.J. assim se pronunciou sobre o antigo companheiro:

Conheci o Pe. Pereira em Roma, quando ele era espiritual no Colégio Português e nós dois estávamos cursando o Doutorado em Direito Canônico, na Universidade Gregoriana. Reencontrei-o alguns anos depois, quando ele já estava na PUC-Rio e eu na PUC-RS. A partir de 1986, quando fui transferido para o Rio de Janeiro, convivemos no Departamento de Teologia. Fomos sócios-fundadores da Sociedade Brasileira de Canonistas, fui eleito Presidente e ele Vice-Presidente da entidade. Extraordinariamente meticuloso na preparação de suas aulas e artigos, talvez por essa meticulosidade seu volume de publicações tenha sido relativamente pequeno. Colaborou ativamente na REB (Revista Eclesiástica Brasileira).

Era muito apreciado pelos alunos, não só na PUC-Rio, mas também no Instituto de Direito Canônico do Rio de Janeiro. Seu caráter sempre foi marcado pela seriedade. Apaixonado pela verdade, repelia com veemência as posições discordantes. De saúde delicada, era um modelo de moderação na comida. Suas pesquisas, mais do que no campo do Direito Canônico, se desenvolveram no da Eclesiologia. Conhecia profundamente o Concílio Vaticano II e gostava de discutir sobre os documentos conciliares, especialmente a Lumen Gentium. Lembro-me de uma vez em que os alunos do Instituto promoveram uma discussão, entre ele e mim, sobre um tema polêmico, sabendo que as nossas posições eram discordantes. A sessão foi animada em extremo e, no fim, cada um continuou na sua e todos amigos. Trabalhador incansável, não suportava que o interrompessem nos seus estudos. Era um homem piedoso, extremamente observante de suas obrigações religiosas.

Pe. Pereira residia há alguns anos na Casa do Padre Cardeal Câmara. Há alguns meses encontrava-se doente, tendo falecido no Hospital Quinta D’Or aos 87 anos de idade.

(ex-professor do Departamento de Teologia) (+10 de maio de 2015) 

Sérgio Luiz Bonato (?-2015) _

O Prof. Bonato era graduado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (1979) e Mestre em Educação pela Uerj (1998). Atuava como professor pesquisador na área de educação comunitária e na Graduação no curso de Comunicação Social. Desde 2003, Bonato atuava no Núcleo de Comunicação Comunitária do Projeto Comunicar e organizava cursos e oficinas para agentes da Pastoral da Comunicação e moradores de favelas do Rio. Era também pesquisador pela Capes/UAB na área de Educação e Comunicação a Distância na Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), em projeto desenvolvido em conjunto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, Faperj.

Professor da PUC-Rio desde 1992, Bonato faleceu no dia 29 de maio. Filósofo e mestre em Educação, o professor foi um dos idealizadores do Fundo Emergencial de Solidariedade da PUC-Rio (Fesp), em 1997, para prestar auxílios de transporte e alimentação a alunos com bolsas comunitárias. Em 1996, foi um dos idealizadores da FEVUC - Feira de Valores da Universidade Católica.

A secretária Maria de Belém, da Pastoral Universitária Anchieta, enfatizou o engajamento de Bonato em trabalhos sociais e a importância da contribuição dele à Universidade por meio do Fesp:

Sérgio deixou para a universidade o Fundo Emergencial de Solidariedade, projeto que foi criado para alunos bolsistas sem renda para transporte e alimentação. No início, o projeto alcançava somente 30 pessoas, mas, com o passar do tempo, Sérgio sensibilizou a Universidade e, hoje, mais de 800 alunos estão inscritos. Desde 1997, ano inicial do projeto, muitas pessoas foram alcançadas. Sérgio era uma pessoa muito humilde. Todos que chegavam a ele com problemas e preocupações podiam contar com sua ajuda. Ele sempre arranjava uma maneira de minimizar ou até mesmo de chegar à solução de um problema.

Foi Presidente da Federação das Associações de Moradores do estado do Rio de Janeiro (Famerj) e dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT). Além de fundador da Central de Movimentos Populares (CMP), participou do movimento das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) dentro da Igreja Católica, e do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, tendo trabalhado em diversas ONGs com educação popular. Bonato teve grande atuação nos anos 1980 e 1990 em São João de Meriti e por toda a Baixada Fluminense.

O Prof. Augusto Sampaio, Vice-Reitor Comunitário da PUC-Rio, ressaltou o exemplo que Bonato representava para os jovens estudantes confrontados com a competitividade do mercado de trabalho:

Jovens são treinados para competir, e a solidariedade deixou de ser um componente importante no mundo. Hoje é tudo concorrência, competição e egoísmo. As pessoas são olhadas pelo cargo que ocupam, pelo restaurante que vão. O Bonato representava o oposto: solidariedade, cooperação.

(Departamento de Comunicação Social) (+29 de maio de 2015)

Luiz Cesar Monnerat Tardin (1953 - 2011) _

O Prof. Luiz César Tardin (13/05/1953 - 05/03/2011) formou-se em Direito pela PUC-Rio em 1978 e obteve o título de mestre em Ciências Jurídicas também pela PUC-Rio em 1985. Em 2000 formou-se em Teologia na PUC-Rio. Além de professor de Cultura Religiosa, desempenhava várias funções na PUC-Rio, tais como as de Coordenador Central de Estágios, Coordenador Geral do Projeto Unicom, Coordenador do Núcleo UniTrabalho da PUC-Rio, Coordenador Geral da Revista Virtual da revista ERGON, Membro do conselho diretor do Centro Loyola de Fé e Cultura e Diretor Administrativo da Revista Atualidade Teológica. Era ainda o representante da PUC-Rio no Conselho da Cidade do município do Rio de Janeiro na Câmara Trabalho e Emprego.

Depoimentos de amigos e ex-alunos do Professor Tardin:

A falta que faz o Prof. Luiz Cesar Monnerat Tardin

Caros Colegas, Professoras e Professores da PUC,

Diante da missa de sétimo dia amanhã para o Prof. Luiz Cesar Monnerat Tardin, um amigo que eu prezava muito, quero acrescentar a minha voz à dos colegas que fizeram elogios dele. Já o conheci quando ele era estudante de graduação, já naquela época uma pessoa que tinha idéias novas e boas que colocava em prática.

Como professor, fez muitas contribuições à Universidade. Ao longo dos anos, levou muitos alunos à Amazônia para que se sensibilizassem da realidade do País, da necessidade de ajudar os pobres. Organizou a atuação da comunidade da PUC na Rocinha. Diante dos desastres recentes na região serrana, articulou uma ação de socorro aos flagelados feita pela comunidade da PUC. Inventou a Mostra PUC, que divulga a PUC mais que qualquer outro evento, ajudando os alunos de obter estágios e trazendo muitos jovens bons a estudar na PUC. Sempre promovia ações para conscientizar as pessoas sobre tarefas urgentes para a sociedade, tais como o tema da última Mostra PUC, a limpeza da Baía de Guanabara.

Pensando de Luiz Cesar, me lembro de uma frase famosa de meu compatriota Robert Kennedy (que a atribuiu ao dramaturgo George Bernard Shaw), frase essa que para mim retrata o grande valor da vida e da atuação do nosso querido professor: "Some people see things as they are and say why? I dream things that never were and say why not?"

Luiz Cesar constantemente pensava de novas maneiras que ele poderia atuar para enriquecer e melhorar as vidas de todas as pessoas ao seu redor.

A PUC vai sentir muito a ausência de suas contribuições, de suas iniciativas, de suas idéas inovadoras. Que ele, junto ao Pai que nos criou, possa pedir por nós e pela Universidade que tanto amou e tanto serviu.

Agradeçamos a Deus pela presença tão importante que ele exerceu por tantos anos entre nós. Que o exemplo dele nos leve a imitá-lo em nossa atuação.

Um abraço solidário,
Prof. Pe. Paul Schweitzer S.J., Departamento de Matemática da PUC-Rio

 

Meu Caro Amigo

Dizem que ninguém é insubstituível. Mas dizem também que toda regra tem a sua exceção. O Professor Luiz César era provavelmente uma exceção a essa regra, assim como a muitas outras. Nosso Caro Amigo, como era carinhosamente chamado por alguns de seus pupilos, atendia também por Professor Tardin, César, Cesinha, Tardin, Luiz César e Monsieur.

A sua tripla e sólida formação – em Teologia, Direito e Música – esconde, de certo modo, a sua verdadeira tripla e forte atuação: como Educador, Empreendedor e Humanista. Além disso, sabia viver, e gostava de viver; era um verdadeiro bon vivant. Mas não perdia jamais a referência do fazer o bem, a quem quer que fosse, e de cultivar incansavelmente os mais importantes valores da fé cristã e da bondade humana.

Através da Igreja, encontrou sua vocação de Educador, e a tomou como principal Missão nesta vida terrestre. A veia Empreendedora era latente e presente em toda parte: na sua Fazenda, sem dúvida, com suas vaquinhas e sua paixão pelo café; mas também e, sobretudo, na PUC e na ONG Sociedade Brasileira para a Solidariedade, a SBS. O lado Humanista era transversal, presente, portanto, em todas estas e outras atividades, pessoais ou institucionais.

A Mostra PUC talvez seja o maior exemplo do cruzamento destas três virtudes do Professor Luiz César. Em poucos anos, ele conseguiu tornar a idéia de uma simples Feira de Estágios no maior evento da PUC-Rio, com ofertas de estágio, evidentemente, mas também workshops, palestras, e eventos artísticos, culturais e sociais, para toda a juventude, além de um Prêmio de dimensão internacional, para custeio de projetos acadêmicos voltados para as questões sociais. E sempre fez questão de deixar alunos da graduação na linha de frente da organização do evento, como forma de aprendizado através da vivência, o que, aliás, sempre estimulou, apesar do re-trabalho que certamente lhe dava todos os anos ao renovar a equipe coordenadora da Mostra PUC.

Grande admirador das Artes e da História, ele sabia tudo sobre as Grandes Guerras e os Grandes Imperadores, desde Alexandre o Grande, passando pelos Imperadores Romanos, seu xará César inclusive (Ave César!), até Napoleão Bonaparte. A admiração pela Arte da Guerra permitiu, por contradição, ironia, ou pura consciência, ser um grande estrategista para enfrentar a maior batalha dos dias de hoje: a Desigualdade Social. Mas ao contrário dos Grandes Imperadores, sua principal arma de batalha era o Amor. Através do Amor, era capaz de enfrentar a terrível violência que afronta o nosso País e, de maneira particular, a nossa Cidade do Rio de Janeiro. “Violência” certamente em sentido amplo: desde daquela gerada pelo tráfico de drogas nos morros, passando pela violência familiar, para chegar até a violência de oportunidade. “Oportunidade”. Taí uma palavra que o César muito apreciava. Ele certamente, neste instante, nos corrigiria: “Falta de Oportunidade, meu caro”.

A Falta de Oportunidade nos leva à Solidariedade, e aqui encontramos talvez o seu maior legado: a Consciência Social. Vivemos num mundo de muitos, dividido por poucos. A falta de acesso, a falta de oportunidade, a falta da falta, eram preocupações permanentes na vida do nosso Caro Amigo. Através da sua ONG SBS e do Projeto UNICOM promovia, no auge dos seus 1,60m, um agressivo programa de inclusão social. Reforço pedagógico, atendimento jurídico, atendimento psicológico, atendimento médico (geral, odontológico e geriátrico!), cursos profissionalizantes como Cozinhando o Futuro. O que a máquina do Estado teria a obrigação de fazer, o nosso Caro Amigo inventava a roda para oferecer de graça à população de baixa renda. Como repetia um de seus muitos pupilos: “nos pequenos frascos, encontramos os grandes perfumes”. Isto tudo instrumentalizado por uma forte veia política, que potencializava estas atividades, sem falar nas suas famosas, diversas e freqüentes campanhas de conscientização social: a Marcha pelo Trabalho, de Olho no Congresso, a Baia Nossa da Guanabara, a recente Campanha pelos desabrigados de Nova Friburgo, dentre tantas outras.

Ao fazer tudo isto, César semeava sonhos e esperança na juventude, e ensinava através de suas ações que nós não somos do tamanho da nossa altura, mas sim do tamanho da nossa imaginação, e daquilo que podemos enxergar, e fazia isso sendo ele próprio o exemplo.

No campo da relação entre a Vida e a Morte, encontramos mais uma grande lição. Sua inabalável fé cristã e elevada espiritualidade o permitiam lidar com muita naturalidade com este assunto. Durante seu curso de Ética Profissional, para os alunos de Direito, costuma separar uma aula por semestre para levar os alunos ao cemitério São João Batista: “na semana que vem, nossa aula será no cemitério São João Batista!”, dizia ele, para desespero da maioria. Evidentemente, muitos alunos não apareciam no dia. Diziam que era “maluquice”. Estavam preocupados em decorar as leis e os artigos dos códigos, ou então em chegar mais cedo nos seus sagrados estágios, nos mais renomados escritórios de advocacia. Mas uma parte dos alunos sempre comparecia ao cemitério, e não conhecemos um só que tenha se arrependido de ter ido. Alguns afirmam, aliás, que foi a aula mais marcante que tiveram durante a Faculdade de Direito. Na entrada do cemitério, ele dizia: “eu trouxe vocês aqui para vocês pensarem a relação entre a Vida, a Morte, e o Direito. Circulem pelo cemitério, e reflitam sobre esta relação, e daqui a pouco conversamos, nos encontramos aqui de volta em 30 minutos”. Na volta, os mais diferentes e interessantes relatos eram dados pelos alunos – desde depoimentos técnico-jurídicos a respeito de Sucessões e Direito de Família, até ricos relatos pessoais, engasgados muitas vezes pela correria do nosso dia-a-dia, e pela falta de espaço para tratar de questões tão essenciais como a “Vida e a Morte”.

E assim ele nos deixa, de forma prematura, desta vida terrestre. Alguns desavisados podem pensar “que pena, não tinha filhos, nem esposa, nem pais vivos, apenas uma irmã e primos”. Mas o engano é tamanho. Deixou herdeiros de todas as idades, de todas as cores, de todas as formas e formações. Herdeiros que hoje formam o seu Batalhão, e que continuarão sua Luta, com a sua poderosa arma do Amor, contra as injustiças e as desigualdades que assolam este Mundo, por vezes cruel, dos Homens na Terra.

Texto escrito por ex-alunos, e eternos pupilos, do Professor Tardin:

- Fernando Carvalho (Desenho Industrial)
- José Pedro Pradez (Engenharia)
- Leonardo Moreira (Informática)
- Marcos de Oliveira Gleich (Direito)
- Paulo Burnier da Silveira (Direito)
- Raphael Trindade (Direito)
- Ricardo Calheiros (Informática)

 

Lembrando Luiz Cesar Tardin

Conheci Luiz Cesar nos encontros do Movimento Universidade a Serviço do Povo-MUSP, iniciado pelo nosso saudoso Pe.Agostinho Castejon, nos anos 70, na PUC. Quando assumi a Coordenação Central de Estágios-CCESP, em dezembro de 1980, ele participava das atividades do MUSP, já incorporado à CCESP, para a melhoria da qualidade de vida em algumas comunidades de baixa renda. Acompanhava estagiários de direito, especialmente em Senador Camará e, mais tarde, em Acari.

Lembro-me das suas sugestões ousadas para as atividades internas da CCESP, que me assustavam, nos anos 80, mas que me levaram a indicá-lo para assumir esta Coordenação, quando dela me retirei para concluir minha Tese de Doutorado, em 1990. A originalidade, com que Luiz Cesar desenvolveu estas funções bem como o enriquecimento que elas trouxeram para a PUC nestes vinte anos, pode ser avaliada por todos nós que as acompanhamos e pelos alunos e ex-alunos que dela tem-se beneficiado. Como bem lembrou Pe. Paul, a concretude das atividades da CCESP, fez-se sentir, durante estes últimos anos, desde a Rocinha até toda a cidade do Rio de Janeiro e promoveram estágios de nossos alunos bem mais longe, na Amazônia. Isso aconteceu: quer em seu aspecto de atividade social em favor dos menos favorecidos junto com Jesuítas locais, quer para o reconhecimento da importância da ação de nossas forças armadas (especialmente do Exército, naqueles lugares de enorme importância nacional, mas distantes dos centros mais populosos), quer para o ingresso no mercado de trabalho, dos nossos jovens profissionais. A abrangência e variedade das ações puderam ser observadas pessoalmente por mim, desde a favela da Gávea, até o curso que fiz junto com alunos e professores da PUC-Rio, para a sobrevivência na Selva, em um dos muitos batalhões do Exército visitados, nos estados do Amazonas e Roraima, em 2003.

Também pude participar de perto, a seu convite, em 2010, das atividades por ele estimuladas, com o objetivo de ações múltiplas, para a melhoria física da nossa Baía da Guanabara. Como Raul Nunes, eu temia suas valentes incursões, neste caso, junto às escolas públicas das Secretarias Municipal e Estadual de Educação do Rio de Janeiro, importantes como campo de pesquisa para o Departamento de Educação da PUC-Rio. Confesso que, mesmo tendo constatado sempre que, no fim, tudo valeu a pena, o arrojo de Luiz Cesar, muitas vezes me assustava.

Enfim, dou Graças a Deus por Luiz Cesar ter vivido entre nós!

Abençoado seja o seu nome e perdoados os pecados que, porventura, tenha cometido na sua  ânsia de fazer o bem!

Hedy Silva Ramos de Vasconcellos
Professora Emérica do Departamento de Educação da PUC-Rio

 

Tardin – cidadão coragem

Prezados colegas,

Fui contemporâneo de graduação do Tardin, ele no Direito e eu na Física: ele no Movimento Pastoral e eu, no Estudantil; era o ano  de 1975. Desde esta época, o Tardin apresentava uma capacidade de liderança e dedicação a causas com temas abrangentes, e arriscados, como Justiça, Liberdade e Solidariedade. Para entender o jovem Tardin é preciso saber  que ele é de origem de um “clã” que tem um cardeal Tardini (assessor do papa João XXIII, Secretário de Estado e Presidente da Comissão Preparatória do Concílio Vaticano II) e uma militante de esquerda Elza Monnerat (do PC do B, integrante da guerrilha do Araguaia). Ele não falava sobre estas coisas, mas isto fazia parte de sua experiência de vida. Anos difíceis aqueles de nossa graduação... Mas, já nestes anos, o Tardin exibia a sua habilidade para tocar projetos sociais de natureza inclusiva, sem perder a visão política, mas também sem deixar que os mesmos fossem instrumentos de propaganda política de qualquer corrente interna ou externa à igreja católica. Ele era universal.

Para tentar ilustrar um pouco sobre o Tardin, cidadão coragem que muitos desconhecem, relato aqui dois momentos marcantes desta época envolvendo eu e o Tardin:

1.      Em 1976, participamos de um evento da FEUCAL (Federação de Estudantes Católicos da América Latina), que se realizou em Petrópolis: um estranho evento, com pouca divulgação, para o qual o Tardin insistiu em que eu participasse, mesmo não sendo católico praticante. Para me convencer a participar, ele afirmou, e repetiu isto muitas vezes, “que eu era mais católico do que muito católico”. Um grupo de alunos da PUC-Rio foi ao evento com o intuito de não deixar que envolvessem o nome da PUC-Rio em algo não fosse a expressão das idéias e compromissos de seu grupo Pastoral. Neste evento, encontramos um pequeno grupo de “estudantes” chilenos, argentinos e da católica de Campinas, cuja faixa etária era superior a dos demais, que faziam barulho e uma pregação vamos dizer assim conservadora e contra o que preconizava o Concílio Vaticano (seus discursos eram cheios de menções ao diabo e aos comunistas...). O grupo da PUC-Rio logo se destacou na contraposição às teses deste grupo e, em determinado momento, quando eu fazia uso da palavra, vieram para cima de mim com fúria, quase para o linchamento. Foi a intervenção do Tardin e demais companheiros que impediram a consumação do mesmo. Saímos dali protegidos por alguns amigos, mas satisfeitos por termos sido em parte vitoriosos. De volta ao Rio, vemos nos jornais o retrato falado dos sequestradores do bispo dom Adriano Hypólito. Estes retratos nos indicavam claramente que aquele grupo que estava neste evento tinha participado do sequestro de dom Adriano. O que fazer??? Lembro aqui que eram dias difíceis, isto aconteceu no final de 1976. Através do Tardin, fizemos chegar à CNBB e à OAB a informação sobre os  personagens do sequestro de dom Adriano. Não soube até hoje, e portanto nunca saberei, se a insistência do Tardin para que eu participasse do encontro teria sido reforçada por alguma “inside information” sobre o encontro da FEUCAL ou se foi apenas pela amizade e confiança que existia entre nós.

2.      Em 1977, estava em organização um Encontro Nacional de Estudantes, seria o primeiro após a extinção da UNE. Classificávamos este encontro como um movimento necessário no sentido de testar os limites do regime militar e de seu processo de abertura. Não controlávamos esta iniciativa, mas não podíamos ignorá-la. Estávamos preocupados com os desdobramentos possíveis de sua realização. Só para relembrar, naquele ano, um ano após o sequestro de dom Adriano, por determinação do Comandante do 1° Exército, foi cancelada uma conferência sobre Direitos Humanos, para constituição de uma Comissão de Justiça e Paz na Diocese de Nova Iguaçu (finalmente criada em 1978). Se uma iniciativa de uma diocese para tratar de direitos humanos havia sido proibida, o que poderíamos esperar de um encontro nacional de estudantes? Certamente algo pior... Um dos pontos da pauta do encontro era a criação da UNE, ponto este que éramos contra (os diretórios do CTC, então com a gestão da chapa da Unidade). Éramos contra naquele momento, pois não existiam diretórios nas universidades. Diante disto, esta era mais uma das razões pela qual não podíamos deixar de participar. Antes de partir para Belo Horizonte, nos reunimos com o Vice-Reitor Comunitário onde expomos nossas posições e preocupações. Avisamos a que horas partiríamos da Vila dos Diretórios da PUC-Rio para chegarmos a Belo Horizonte no início da manhã. Tarde da noite, no horário de nossa partida, a Vila cheia de estudantes, aparece para se despedir de nós, e manifestar preocupação com nossa viagem e com o evento, o Tardin e o Vice-Reitor Comunitário, o Pe. Mendes. Claro que o congresso não se realizou, fomos presos na estrada. Não só nós, mas todos os jovens que viajavam desacompanhados em ônibus, avião ou carro, foram retirados destes veículos e levados para a cadeia, muitos nem sabendo da existência do tal Encontro... Quando o primeiro de nós conseguiu sair da cadeia, avisou ao Tardin e este ao Vice-Reitor Comunitário, Pe. Mendes. Ao retornarmos de Belo Horizonte, soubemos que o Pe. Mendes, irmão do general Ivan de Souza Mendes, na época chefe do SNI, havia falado com seu irmão e recebido a notícia de que a situação estava sobre controle. A situação sobre controle significou que ninguém “foi desaparecido”. De fato a única consequência foi o enquadramento de alguns na lei de Segurança Nacional, processo este que acabou sendo arquivado com o avanço da “abertura”. Tardin, como sempre, por sua característica, acompanhou tudo sem aparecer muito e ainda ajudou a orientar os que foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional.

Depois, já nos anos 80, no período pós anistia, Tardin participava de projetos associados à Comissão de Justiça e Paz e de Pastorais Penais. Em suas várias atividades sociais em comunidades tais como Dona Marta, Rocinha, Acari, Senador Camará, dentre outras, teve de conviver com a organização dos bicheiros e dos traficantes. No período do governo Brizola e sua “política de direitos humanos para a favela”, a polícia, já deformada pelo arbítrio do regime militar, foi muitas vezes utilizada como braço político de alguns. Esta polícia ao subir na favela, prendia pequenos traficantes, batia e depois avisava que isto não iria parar a menos que eles se tornassem “cabos eleitorais”. Em muitas subidas da polícia, o Tardin foi  acionado por membros da comunidade para comparecer à delegacia e tentar garantir que o preso não mais apanhasse. O incrível é que isto funcionava, e o Tardin teve que fazer isto muitas vezes. Mas, como sempre, ele pouco falava sobre isto.

Mais recentemente, já neste século, a convite do Tardin e por nomeação do Pe. Hortal, participei de uma comissão da PUC-Rio, cedida para a CNBB, com a missão de realizar um estudo sobre a viabilidade de se criar uma Instituição de Ensino Superior Católica na Amazônia. Neste período de realização do trabalho da comissão, tive a oportunidade de testemunhar o excelente trabalho que o Tardin realizava, principalmente em Manaus, junto à Diocese de lá, não somente em trabalhos sociais, mas também na área do direito junto à Pastoral Penal e à Comissão de Direitos Humanos. O Tardin, através do UniCom, ajudava a apoiar o trabalho legal destes grupos, organizando os processos dos presos e propiciando apoio àqueles que já haviam cumprido a sua pena, mas ainda se
encontravam presos, ou aos que estavam com seus processos parados por falta de apoio jurídico. Neste trabalho de estudo e prospecção sobre a viabilidade de constituição de uma IES Católica na Amazônia, pude perceber o enorme respeito dos bispos de Porto Velho, Manaus e Belém pelo Tardin, e também pela PUC-Rio. Pude perceber como a PUC-Rio era maior do que eu tinha noção e o quanto o Tardin era responsável por isto.

Talvez nem todos na PUC-Rio endossassem algumas de suas iniciativas, mas entendo que isto é uma questão menor relacionada com aqueles que não procuravam conhecer a dimensão e profundidade de seu trabalho. Não tenho dúvidas em afirmar que a universidade perdeu um grande empreendedor das causas da justiça, liberdade e solidariedade. Meu sentimento é de que a PUC-Rio ficou menor.

Finalmente, extremamente consternado com esta perda súbita, só consigo  pensar em como ele fará falta e em agradecer sua existência e de ter podido desfrutar de sua amizade.

Raul A. Nunes
Professor do Depto. de Engenharia de Materiais - PUC-Rio

 

 

Carlos Raja Gabaglia Moreira Penna (? - 2011) _

Carlos Raja Gabaglia Moreira Penna era professor do quadro complementar do Departamento de Engenharia Civil e ministrava a disciplina Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. É de sua autoria o livro O Estado do Planeta. Sociedade de consumo e degradação ambiental (1999). Foi ainda diretor técnico do Instituto Brasil PNUMA (Comitê das Nações Unidas para o Meio Ambiente), diretor da Associação de Amigos do Jardim Botânico, conselheiro de várias ONGs de conservação ambiental e sócio-gerente da Hólos Consultoria Ambiental.

Carlos Secchin, fotógrafo que participou com ele em vários trabalhos, escreveu sobre o professor Carlos: “Não havia limite para seu interesse sobre todas as formas de vida e sua preocupação com o nosso futuro próximo e sombrio, baseado, segundo ele, num sistema econômico montado sobre um crescimento crescente, ilimitado e insustentável.”

Veja aqui a homenagem do Instituto ((o))eco.

Carlos Dório Gonçalves Soares (1936 - 2013) _

O Prof. Carlos Dório morreu em consequência de complicações de uma pneumonia aos 77 anos.

Carlos Dório era natural de Vitória, no Espírito Santo, e atuou por muitos anos no Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio. Foi um dos professores responsáveis pela consolidação do Departamento e foi também coordenador do curso de Graduação. É autor do livro Delinquência juvenil na Guanabara, publicado em 1973. Foi também do quadro docente da UFRJ, nomeado como professor assistente em 30 de outubro de 1969.

O Departamento de Comunicação registrou a morte do Professor, já aposentado, através da Rádio PUC, registro esse que está disponível no Portal PUC-Rio Digital. Na entrevista feita com alguns professores que o conheceram, fica patente a importância de Carlos Dório em mais de 40 anos de colaboração com o Departamento de Comunicação. A Professora Angeluccia Bernardes Habert sublinhou seu caráter ao mesmo tempo tranquilo e firme e sua colaboração constante na administração do Departamento, onde soube inspirar confiança a alunos, funcionários e professores. Para ela a principal característica de Dório era a generosidade. A Professora Claudia Brutt Guimarães, que foi sua aluna, lembrou que o professor levou seus alunos de graduação para estagiar na Companhia Telefônica Brasileira, onde desenvolvia uma pesquisa sobre o uso dos orelhões (telefones públicos) pelos cariocas.

Seus colegas e alunos assinalam unanimemente a alegria como marca da personalidade de Carlos Dório, que caracterizam como um grande conversador e um homem que sabia viver.

Andrea de Castro Coelho Cintra (1941-2015) _

A Professora Andrea Cintra, falecida em 31 de julho, estava aposentada desde 2006, após 40 anos de trabalho e dedicação ao Departamento de Psicologia da PUC-Rio como supervisora clínica, na área de criança, e professora da disciplina Psicoterapia Infantil. Em 1989, defendeu, no Departamento, a dissertação de Mestrado intituladaFantasia de doença e fantasia de cura: um estudo sobre a adolescência de classe popular, orientada pela Profa. Terezinha Féres-Carneiro.

A Profa. Flavia Sollero (PSI) lembrou traços da sua companheira de trabalho:

A Profa. Andrea Coelho Cintra foi minha “supervisora de emergência” várias vezes. Quando, no início da carreira, eu não sabia o que fazer, pedia socorro a ela, que jamais comentou sobre isso, com aquela elegância e aquele bom humor que lhe eram característicos! Não podemos nos esquecer de pessoas tão generosas como ela! Andrea foi uma grande supervisora de estágio, criativa, com tiradas de um bom humor surpreendente. E generosa colega de trabalho no SPA do Departamento de Psicologia.

A Profa. Maria Inês Garcia de Freitas Bittencourt (PSI) realçou, em depoimento, as qualidades de equilíbrio e simplicidade da Profa. Andrea, sua impecável postura ética e sua dedicação ao trabalho:

Foi uma professora exemplar, que conquistava os alunos com sua sabedoria, e uma colega queridíssima por todos os que conviveram com ela.

A ex-aluna Sonia Ferreira Vianna assim descreveu Andrea Cintra:

Andrea [...] foi minha professora na PUC-Rio em 1966, quando eu estava no 4º ano da faculdade. Nesta ocasião, dava aula de Técnica de Exames Psicológicos, mais especificamente testes de personalidade (teste de Rorschach), TAF (Thematic Apperception Test), CAT (Children Apperception Test) e muitos outros. Era uma professora dedicada e com grande capacidade de avaliação diagnóstica e de síntese. Ensinou-me com muita didática e clareza a fazer um diagnóstico diferencial entre psicose, neurose, psicopatia, sociopatia, etc. Isto me deu uma base sólida e segurança para a minha vida profissional.

(ex-professora do Departamento de Psicologia) (+31 de julho de 2015) 

Manoel Luiz Salgado Guimarães (1952 - 2010) _

O Departamento de História da PUC-Rio une-se a toda a comunidade de historiadores brasileiros na dor pela perda do professor Manoel Luiz Salgado Guimarães.

Querido por todos os que foram seus colegas e alunos, o Professor Manoel Luiz Salgado Guimarães começou o curso de graduação em História na PUC-Rio; graduou-se na UFF (1977); era mestre em filosofia pela PUC-Rio – orientando do professor Eduardo Jardim de Moraes – (1982); era doutor em história pela Freie Universität de Berlin (1987); e era professor do Departamento de História da UFRJ e do Departamento de História da UERJ.

Todos os Departamentos de História do Rio de Janeiro, os Centros de Pesquisa em História do Rio de Janeiro, a Direção da Associação Nacional de História (ANPUH), que Manoel presidiu entre 2007 e 2009, a Regional da ANPUH-Rio de Janeiro, seus colegas, alunos e ex-alunos, seus amigos e sua família convidam para a Missa de 7º dia que será celebrada pelo Professor Manoel Luiz Salgado Guimarães no dia 4 de maio, terça feira, às 12:30 horas na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, no Campus da PUC-Rio, na rua Marquês de São Vicente 225 (Gávea), no Rio de Janeiro.

Carlos Gustavo Scheffer Migliora (? - 2011) _

O Prof. Gustavo era doutor em eletrofísica pelo Polytechnic Institute of New York e fez parte do Grupo de Radiopropagação do CETUC entre 1975 e 2006. Desenvolvia suas pesquisas na área de Antenas e Propagação, foi professor de graduação e de pós-graduação em engenharia elétrica e orientou diversos alunos de mestrado e doutorado no CETUC, além de participar dos programas pioneiros de pesquisa desenvolvidos em parceria com a Telebrás.

Para o Prof. Silva Mello, Gustavo “será lembrado pela diversidade de seus interesses, por ter sido um grande conhecedor de jazz, por seu companheirismo e por seu humor cáustico.”

Ricardo Oiticica (? - 2013) _

O Professor Ricardo Oiticica, diretor do Instituto Interdisciplinar de Leitura – IILER - da PUC-Rio, morreu subitamente no dia 20 de outubro, pouco mais de um mês depois de ter assumido essa função. Era graduado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1984), mestre (1988) e doutor (1997) em Letras pela PUC-Rio. Foi pesquisador da Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio e professor adjunto do Centro Universitário da Cidade. Foi Leitor da Université Stendall, em Grenoble (França), editor do jornal Verve e pesquisador da Fundação Biblioteca Nacional.

Mensagem do Reitor da PUC-Rio:

"A PUC-Rio manifesta seu sentimento de pesar pelo falecimento do nosso querido Professor Ricardo Oiticica, atual diretor do Instituto IILER, ocorrido na madrugada do dia 20 de outubro. A Universidade estende todo o apoio e solidariedade à sua família, além das orações para que o Senhor Deus o receba na pátria definitiva e eterna. A ele, nossa profunda gratidão pelo que fez em prol de nossa Universidade."

Prof. Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J.
Reitor da PUC-Rio

Luiz Fernando Gomes Soares (1954-2015) _

Luiz Fernando Gomes Soares, Professor Titular do Departamento de Informática e coordenador do Laboratório de Telemídia da PUC-Rio, faleceu no dia 8 de setembro, aos 61 anos, em decorrência de um ataque cardíaco. Líder do grupo que desenvolveu o middleware Ginga, um formato de interatividade para o sistema brasileiro de TV Digital, o professor conquistou o Prêmio Assespro 2008 como Personalidade do Ano, assim como o Prêmio Cientistas do Nosso Estado, como Pesquisador Inovador, no ano de 2005, e o Prêmio Newton Faller da Sociedade Brasileira de Computação, em 2006.
Luiz Fernando possuía Graduação e Mestrado em Engenharia Elétrica e Doutorado em Informática pela PUC-Rio. Cursou o Pós-Doutorado na École Nationale Supérieure des Télécommunications, na França, também em Informática. Publicou aproximadamente 200 artigos acadêmicos e orientou cerca de 90 alunos de Mestrado e Doutorado. Era pesquisador 1A do CNPq.

As pesquisas que desenvolveu sobre a linguagem NCL e o Ginga deram origem a duas Normas ABNT e a uma Recomendação ITU-T, fundamentais para a interatividade entre usuários e a TV Digital. Membro titular da Academia Nacional de Engenharia, além de atuar no Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital, Luiz Fernando Gomes Soares fazia parte do Comitê Gestor da Internet no Brasil e do Núcleo de Coordenação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Era também Conselheiro da Sociedade Brasileira de Computação, onde chegou a ocupar os cargos de presidente e vice-presidente, de 1999 a 2003.

No dia 9 de setembro a notícia se espalhou pelo campus da PUC-Rio e deixou todos perplexos e consternados. A mensagem do Professor Hugo Fuks, diretor do Departamento de Informática, não permitia dúvidas quanto ao que parecia impossível de acreditar, assim como deixava transparecer com toda a clareza a dor com que havia sido escrita:

É com imenso pesar que o Departamento de Informática comunica a perda do seu querido Professor Luiz Fernando Gomes Soares no dia de hoje. Em sua homenagem, todas as atividades do Departamento estão suspensas nesta quarta-feira, dia 09 de setembro de 2015.

Imediatamente as respostas se multiplicaram, vindas de todos os departamentos e centros, da Administração Central da Universidade, de dentro e de fora da PUC-Rio, de todas as agências acadêmicas e políticas ligadas à ciência em geral e à Informática em particular, inclusive do Governo Federal. Todas elas vinham carregadas de afeto e de respeito intelectual pelo Luiz Fernando. Nenhuma era formal ou protocolar. Cada uma punha de manifesto o vazio que essa morte tão inesperada deixa na Universidade, no país, na ciência e na vida de todos os que aprendemos a respeitá-lo intelectualmente e a querê-lo bem.

E quando seus alunos – que, na véspera, como faziam todos os dias, haviam almoçado com ele no restaurante da Universidade – desceram a rampa da Igreja e atravessaram o jardim do campus soluçando, enquanto carregavam seu corpo, o silêncio pesado da dor de todos nós falou mais alto que qualquer discurso, até que um aplauso prolongado tomasse seu lugar.

Luiz Fernando Gomes Soares, o LF, para seus amigos, fez toda a sua carreira acadêmica na PUC-Rio, da Graduação ao Doutorado, e nesta Universidade trabalhou a vida inteira, até que nos deixou tão cedo, aos 61 anos, e com tanto para contribuir para a ciência e para a vida.

Como poucos, o LF soube juntar prazer e ofício. Era um professor muito querido por seus alunos, um pesquisador de rara competência e também um cidadão empenhado em trabalhos sociais. Firme em suas posições, íntegro e generoso, era também divertidíssimo, como podem testemunhar seus companheiros do time de futebol – que, por décadas, ocupou a quadra do antigo Ginásio –, dos serões musicais, das festas onde dava provas de dançar como poucos. Ainda que isso não conste de seu curriculum Lattes, LF contava que tinha sido “os pés do Edson Celulari” nas cenas de dança da novela Kananga do Japão. Não sem razão, um de seus principais projetos acadêmicos, aquele que levou à criação de um middleware que define o padrão da TV digital no Brasil e em diversos países, recebeu o nome de Ginga.

(Departamento de Informática) (+8 de setembro de 2015)

Marcos Azevedo da Silveira (1952 – 2009) _

O Professor Marcos da Silveira fez a graduação em Matemática na PUC-Rio (1974) e o mestrado em Engenharia Elétrica também na PUC-Rio (1976). Desde seu regresso do doutorado na França (1981) era professor do Departamento de Engenharia Elétrica.

O Núcleo de Educação em Ciências e Engenharia (NECE) da PUC-Rio foi nomeado e sua homenagem em 2011.

Os depoimentos a seguir foram compilados pelo Professor Moisés Henrique Szwarcman, diretor do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio.

Marco Aurélio Pacheco, Professor do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio.

Prezados,

Quem nessa universidade não conhece Marcos da Silveira?  Mas é preciso que se diga algo.

Uma mente privilegiada, um raciocínio na velocidade da luz, um eloqüente interlocutor, um banco de informações  acadêmicas ambulante. Na verdade, o Marcos da Silveira bem podia ser comparado a uma tomografia computadorizada da PUC-Rio, tamanho e minucioso é o seu conhecimento sobre a universidade e as pessoas que nela trabalham.

Conversar com o Marcos é muito fácil,  só lhe cabe ouvir.
Um coisa sempre me chamou atenção. Quando se leva um assunto qualquer a ele, sua posição é colocada  com tanta clareza e profundidade que a sensação era de que ele tinha passado o dia anterior se preparando para conversar sobre o assunto com você.

Controverso, de posições muitas vezes criticas e de firmes opções pessoais, a que mais se destacou foi a sua opção por pensar a universidade e a engenharia.

Consagrado alpinista, Marcos escala agora uma montanha em direção a um cume onde ele acredita nada existir. Vai se enganar mas, como cientista vai por fim aceitar.

Marcos partiu mas ainda é "presente". Sua profusa oratória e conversas sem fim ainda ressoam nos corredores CTC; seu recente livro sobre Engenharia, nem de longe assimilado

Por tudo que o Marcos é para a PUC-Rio, nossos agradecimentos.

Tácio Mauro Pereira de Campos, Professor do Departamento de Engenharia Civil da PUC-Rio:

Caros

Existem e sempre existirão colegas que passam ou passarão, todos lembrados com muita saudade e afeição. Entretanto, poucos são e possivelmente serão os que não deixarão de permanecer, de forma indelével, em nosso meio. O Marcos da Elétrica é um destes poucos!
Motivos? Basta reler o escrito pelo colega Marco Aurélio para entender!

Foi um previlégio ter tido a oportunidade de conviver com o Marcos da Silveira!

Roland Scialom, Professor do Instituto de Computação da Unicamp:

Marcos é um camarada que ocupa na minha vida um lugar muito importante. Lamento não ter encontrado ele, recentemente, para dizer isso para ele, mais uma vez. Ele me inspirava amor, respeito e admiração. Foi um grande companheiro de aventuras intelectuais e esportivas. Nessas aventuras, ele era sempre vanguarda, e frequentemente era difícil acompanhá-lo. Gostaria de pensar que ele se foi para empreender a maior das aventuras dos homens, onde o espírito dos bravos se encontram depois de se libertar dos corpos.

PS: Dê uma olhada nessas duas fotos [ver fotos na coluna à direita] (Marcos da Silveira à esquerda e Roland Scialom à direita nas duas fotos; a primeira em Agulhas Negras, no Estado do Rio de Janeiro, e a segunda em Paris, França, ambas sem data).

Prof. José Eugenio Leal, Coordenador Setorial de Pós-Graduação do CTC:

Caros colegas:

Como colega e como Coordenador Setorial de Pós-graduação do CTC deixo aqui algumas palavras sobre a nossa perda do Marcos da Silveira.

Marcos da Silveira não teve muita interação comigo, como coordenador de Pós-Graduação.  Sua atuação mais direta foi relacionada a graduação, incluindo ai um excelente trabalho na criação de convênios de dupla-diplomação e intercâmbios. Na graduação trabalhou e contribuiu significativamente para a criação de um conceito de curso de engenharia moderno e adequado aos novos tempos, nas discussões internas, e com publicações, incluindo vários artigos em congressos  internacionais de ensino de engenharia e até orientando uma  tese de doutorado sobre o assunto.

No entanto, seu trabalho teve e terá impactos positivos profundos na nossa pós-graduação por muitos anos, pois ao dar a muitos dos  nossos melhores  alunos  uma oportunidade de expandir seus conhecimentos no exterior, ele os manteve na PUC e muitos deles fazem e farão a nossa pós-graduação com excelência.

Foi uma mente brilhante que buscava dar espaço a outras mentes brilhantes.

Ele deixa uma lacuna muito difícil de preencher e, não só por isso, será sempre lembrado no CTC e na nossa Universidade.

Profa. Ana Maria Abrantes Coelho, ex-aluna do curso de Física da PUC-Rio, formada em 1972, atualmente professora e pesquisadora do Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio de Janeiro (mensagem recebida em 07/04/2010):

Fiquei sabendo hoje, quase um ano depois do falecimento de meu antigo e querido amigo Marcos. Descobri seu livro na Internet, fui olhar as informações sobre o autor, e vi a data de nascimento ao lado da data de 2009. Minha primeira idéia foi a de que o site estava desatualizado!!!

Depois eu percebi o que não queria nem imaginar. Que tristeza. Fui sua colega e amiga de últimos anos de graduação. Ele me introduziu ao alpinismo, além de me deixar tonta com todas as sua idéias sobre tantos assuntos, imaginem o Marcos com 20 anos, quanto entusiasmo!

Meu abraço sentido para toda a sua família, se chegar a ler isso. Lembro muito bem de sua irmã, seu irmão e sua mãe. Pelo que li ele teve uma vida de sucesso na PUC, deixa o que contar. Lamento não ter encontrado com ele mais recentemente, para falarmos sobre nossa vida.

Fernando Luiz Vieira Duque (? - 2012) _

O Prof. Fernando Luiz Vieira Duque faleceu em 16/01/2012, aos 91 anos de idade.

O Prof. Vieira Duque era professor titular do curso de Angiologia da Escola Médica de Pós-Graduação, e chefe do serviço de Angiologia do Hospital Geral da Santa Cruz da Misericórdia do Rio de Janeiro.

Formado em Medicina pela UFRJ, em 1943, Vieira Duque cursou Angiologia, em Portugal e foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Angiologia. Em 1962 foi convidado pela Universidade para dar início ao curso de Angiologia da Escola Médica de Pós-Graduação da PUC-Rio, na qual trabalhou até sua morte.

“O professor Duque deixará muita saudade. Ele foi uma pessoa muito importante na sua área, ajudando a trazer a Angiologia para o Brasil”, disse ao Jornal da PUC o Dr. Ney Almeida, que assumiu a coordenação interina do curso.

Antonius Benkö S.J. (1920 - 2013) _

O Padre Benkö faz parte do grupo daqueles que podem ser reconhecidos como construtores da PUC-Rio, em especial daquilo que chamamos o modelo PUC, que pode ser caracterizado de muitas formas mas que, grosso modo, integra organicamente graduação e pós-graduação, ensino e pesquisa, excelência acadêmica e compromisso social, pioneirismo e tradição, colegialidade e participação, e unidade e diversidade.

Nascido em Pècs, na Hungria, estudou Teologia na Universidade Gregoriana de Roma e Filosofia e Psicologia na Universidade de Louvain, na Bélgica, onde também fez seu doutorado em Psicologia. Veio para o Brasil em 1954 e trabalhou na PUC-Rio entre 1957 e 1975, quando retornou à Europa na intenção de voltar para a Hungria. Impedido de voltar a seu país em função do fato de ter se naturalizado brasileiro em 1959, ficou na Áustria entre 1975 e 1996, quando finalmente conseguiu retornar ao país onde nascera e onde atuou como Professor da Universidade Católica Píter Rázmány até aposentar-se.

Na PUC-Rio, criou o Centro de Orientação Psico-Pedagógica, origem do SPA (Serviço de Psicologia Aplicada), em 1960; foi um dos construtores do Departamento de Psicologia, fundado em 1963; é também um dos fundadores, em 1965, do Mestrado em Educação, pioneiro no país e, em 1966, do Mestrado em Psicologia, igualmente pioneiro; fundou e dirigiu o Departamento de Teologia em 1968; foi o grande incentivador para que jovens professores fizessem seus doutorados em excelentes universidades do exterior e foi ainda um dos principais protagonistas da implantação da Reforma Universitária na PUC-Rio. Laboratório de experimentação para as reformas que se sucederam nas universidades brasileiras, a Reforma foi a grande responsável para que a PUC-Rio deixasse de ser apenas um excelente centro de formação de profissionais das diversas áreas do conhecimento para consolidar-se como uma universidade de pesquisa, com programas de pós-graduação, laboratórios, uma das melhores bibliotecas universitárias do país e intensa atividade de pesquisadores reunidos nos diversos Departamentos que, por sua vez, conformavam os Centros.

Respeitado por professores, funcionários e estudantes e dono de uma figura imponente, o Padre Benkö surpreendeu a todos ao participar como jogador de uma memorável partida de futebol em que se enfrentaram no antigo Ginásio um time formado por professores e outro por jesuítas, cujo capitão e craque principal era o Padre Viveiros de Castro S.J., que havia jogado no time juvenil do Botafogo. O Padre Benkö jogava de óculos, e consta que era meio perna de pau.

Homem de formação e sensibilidade interdisciplinar, o Padre Benkö teve grande influência na constituição do campo da Psicologia no Brasil. É dele a redação da proposta de criação da carreira de psicólogo no Brasil (1957) e, quando da criação oficial da carreira, foi o detentor do registro número 2 de psicólogo no Brasil (1962), documento que levou consigo na volta para a Hungria e que mostrava com prazer aos amigos brasileiros que o visitavam. Em 1964 tornou-se Presidente da Associação Brasileira de Psicologia Clínica, da qual foi também Vice-Presidente em 1967. Foi ainda Conselheiro e Vice-Presidente do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro entre 1974 e 1975.

Em 2005 voltou pela última vez ao Brasil, para as comemorações dos 40 anos do Programa de Pós-Graduação em Educação. Em janeiro de 2007 o Padre Benkö recebeu a visita de Silvia Ilg Byington, pesquisadora do Núcleo de Memória da PUC-Rio, na residência em que morava em Budapest e compareceu à entrevista solicitada vestindo a camisa da seleção brasileira de futebol. Neste ano de 2013, por ocasião dos 50 anos do Departamento de Psicologia gravou no dia 11 de novembro, 14 dias portanto antes de sua morte, via Skype, uma linda entrevista para o Departamento, disponível no youtube.

Todos aqueles que o conheceram como estudantes e que hoje são professores seniores das mais diversas áreas da PUC-Rio, se lembram dele com carinho e com admiração. Os que sabem de sua importância para a história da Universidade, mesmo sem tê-lo conhecido pessoalmente, partilham do mesmo respeito por ele, como atestam as mensagens reproduzidas abaixo. Na memória da PUC-Rio ele será sempre uma referência fundamental.

Mensagem do Professor J. Landeira-Fernandez, Diretor do Departamento de Psicologia:
"Prezados Colegas,
"Com pesar, comunicamos o falecimento do Pe. Antonius Benkö S.J., ocorrido em 24/11/2013, aos 93 anos, na cidade de Budapeste. Tivemos a oportunidade de entrevistá-lo, por Skype, por ocasião da comemoração dos 60 anos do Departamento. O Pe. Benko foi um dos responsáveis pela fundação do Departamento de Psicologia e o pioneiro na regulamentação da profissão do psicólogo no Brasil.”

Mensagem da Professora Margarida de Souza Neves, Coordenadora do Núcleo de Memória da PUC-Rio:
"Caros colegas do Departamento de Psicologia e de toda a PUC-Rio:
"O Núcleo de Memória quer unir-se a todos vocês na tristeza da perda do Padre Benkö e na alegria de tê-lo na vida e na memória da Universidade.
"Ontem, dia 25 de novembro, o Núcleo de Memória foi convidado para fazer uma apresentação na reunião convocada pela Reitoria e da qual participaram todos os que dirigem e coordenam os Departamentos, os Centros e a Administração Central da Universidade. Quando projetei uma fotografia do Padre Benkö, o Padre Josafá deu a notícia de sua morte e lembramos dele com muito carinho.
"Agradeço à Psicologia a divulgação da entrevista – provavelmente a última - que ele deu por ocasião dos 60 anos do Departamento. Gostaria de pedir autorização para por no site do Núcleo o link para essa entrevista. Quero também pedir a todos os que tenham fotografias ou depoimentos sobre o Padre Benkö que enviem esse material para o Núcleo de Memória (nucleodememoria@puc-rio.br) para que possamos tê-los no nosso site. As fotografias podem ser entregues na sala L263. Serão digitalizadas e devolvidas a seus donos.
"Um abraço a todos e que possamos chegar aos 93 anos - ou aos anos que nos caibam viver - com 'cabeça boa', como o Padre Benkö diz ter, na entrevista, e com o coração grande que ele sempre teve."

Mensagem do Professor José Carmelo, do Departamento de Educação:
"Colegas da PUC:
"Após ler as mensagens de Lucena, D´Abreu, Guida e dos demais colegas do CTCH, entendo que devo compartilhar com a comunidade PUC-Rio, a mensagem dirigida ao Pe. Benkö em 01/11/2013, no evento em que o Departamento de Psicologia homenageou seus ex-Diretores pelo 60º aniversário de sua criação.
"Para as novas gerações de puquianos é importante reconhecer o papel do Pe. Benko no contexto da reforma estrutural da PUC-Rio há meio século atrás.

Mensagem proferida no evento dos 60 anos de criação do Departamento de Psicologia em 01/11/2013:
"Ao representar o Pe. Benkö nesta homenagem, desejo que esta assembleia universitária - sobretudo os alunos mais jovens – vejam em mim, não apenas um amigo do homenageado.
"Desejo que me vejam sobretudo como alguém convocado pelo Pe. Benkö para participar do projeto de institucionalização da PUC-Rio, como universidade, como alma mater.
"Esta expressão tão comum nos EE.UU. – a universidade, como alma mater - expressa bem o processo quase MATRICIAL iniciado na década de 1960, por uma plêiade de scholars jesuítas, que moldaram naquele fase a PUC-Rio:
"- Röser, Hainberger, Cullen, Amaral Rosa, nas Ciências Exatas;
"- Ávila e Ozanam, nas Ciências Sociais;
"- Benkö, Schuab e Machado, nas Ciências Humanas.
"É neste contexto, que precisamente há 50 anos atrás - em setembro de 1963 - iniciava eu uma Pós-Graduação na Université Catholique de Louvain. Na mesma Louvain, em que Pe. Benkö se doutorou; na mesma Louvain em que Pe. Ávila coopta o Pe. Benkö para vir atuar na PUC-Rio.
"É sob este modelo de 'alma mater' - de uma matriz geradora na formação de novos quadros docentes e de pesquisadores, nos EE.UU. e em Louvain – que me percebo, como convocado pelo Pe. Benkö para participar de um projeto de institucionalização do modelo PUC-Rio de universidade, no qual dois outros momentos são muito marcantes para mim:
"- o primeiro momento ao final de 1965, quando Benkö, Aroldo Rodrigues e Eloiza Lopez Franco constituem o núcleo acadêmico do 1º Mestrado em Psicologia e em Educação no Brasil, e me torno então o seu Coordenador;
"- o segundo momento, em 1968, quando a PUC-Rio implementa sua reforma universitária, baseada no modelo norte-americano de Departamentos articulados em Centros. É neste momento em 1968, que um grupo de jovens professores é constituído pelo Pe. Benkö como os novos Diretores dos Departamentos do CTCH, e passam assim a ser denominados os BENKISTAS. Do mesmo modo que no CTC, sob a liderança do Pe. Amaral Rosa, outros jovens professores assumiram como Diretores os Departamentos do CTC, e eram denominados os AMARALISTAS...
"É portanto como um sincero benkista - alguém formado entre 1963-1968 sob a liderança do Pe. Benkö - que expresso a alegria imensa de ser o representante deste ilustre scholar jesuíta nesta assembleia universitária.
"Que bem longe daqui, lá na Hungria, na pacata cidadezinha de Pilisvorosvar, ecoe a minha saudação emocionada: obrigado, Pe. Benkö."

Mensagem da Professora Maria Apparecida Mamede Neves, do Departamento de Educação:
"Colegas queridos de 45 anos de PUC.
"Ao ler a mensagem de Carmelo sobre o Padre Benkö, muitas lembranças me afloraram sobre meu contato com o Padre Benkö e de quanto ele foi generoso para comigo.
"Eu entrei na PUC-Rio exatamente em 1968 para fazer o mestrado em Educação nos moldes novos (para a época). Lembro-me muito bem das conversas que tive, sem ser infelizmente uma Benkiana, com o Pe. Benkö. A ele devo muitas das principais informações sobre a legalização da profissão de Psicólogo, a banca que foi constituída para avaliar os que já atuavam na área, enfim, dados preciosos que me valeram a conclusão da dissertação de Mestrado em Educação - uma pesquisa de campo sobre a Formação do Psicólogo no Brasil.
"Na época, contra muitos que se opunham a que eu realizasse esse trabalho investigativo, por temerem a possibilidade de trazer a tona dados que pudessem fortalecer a guerra deflagrada pelos médicos psiquiatras contra a recente profissão, Pe. Benkö e Carlos Paes de Barros me apoiaram e garantiram a liberdade de realizar minha pesquisa. Esse trabalho logrou ser a primeira dissertação (na época chamada de tese) de Mestrado em Educação no Brasil, defendida em um programa de universidade brasileira credenciado para tal.
"Assim, com ternura e emoção assisti sua fala por Skype nas comemorações do Departamento de Psicologia e, com a mesma emoção, rezo agora por ele. Que outros de nós possamos ter como exemplo a disponibilidade de Padre Benkö."

Mensagem da Professora Ana Waleska Pollo Mendonça, do Departamento de Educação:
"Caros colegas,
Pe. Benkö foi, sem dúvida, uma figura fundamental para que a PUC-Rio fosse o que é hoje. Foi pioneiro em várias coisas. Foi responsável pela criação da nossa pós-graduação (Educação), primeira do Brasil, nos idos de 1965. Aliás, foi o grande responsável pela implantação da pós-graduação na área das ciências humanas em geral nesta universidade, num momento em que esta era ainda privilégio das áreas tecnológicas. Quem o conheceu e teve o privilégio de conviver com ele, aprendia sempre muito. Obrigada a vocês da Psicologia por partilhar conosco essa entrevista, possivelmente a última, que retrata tão bem a sua figura serena e ainda tão lúcida aos 93 anos."

Mensagem da Professora Vera Candau, do Departamento de Educação:
"Amigos e amigas,
"O Pe. Benkö foi/é uma pessoa muito especial. Sereno, atencioso e com visão de futuro foi fundamental para a pós-graduação em Ciências Humanas da PUC-Rio. Lembro, ainda aluna da PUC, das conversas com ele, sempre procurando que cada pessoa desse o melhor de si e nos incentivando a seguir em frente com entusiasmo. Certamente sua pessoa foi muito importante para a minha formação pessoal e profissional. E não sou a única..."

Mensagem do Professor Luiz Brandão, Diretor do Departamento de Administração:
"Em nome do Departamento de Administração, prestamos nossas condolências e pêsames pelo falecimento do Pe. Benkö. Os nossos sentimentos estão com os familiares e amigos neste momento de pesar."

Mensagem do Professor Luiz Roberto Cunha, do Departamento de Economia, Decano do CCS:
"Conheci Pe. Benkö quando aluno de Economia em 1967, já namorando Bebel, aluna de Letras, fui procurá-la numa das salas do Leme. Como ela estava em aula, coloquei a cara no vidro para que ela me visse... Quem veio me dar um 'puxão de orelha' foi o Pe. Benkö, que estava dando a aula. Depois fizemos retiros coordenados por ele e em 1970 ele nos casou na capela da PUC-Rio...
"Há muitos anos atrás, quando ele veio ao Brasil fui procurá-lo para relembrar os 'velhos bons tempos', ele sempre muito interessado em saber sobre a PUC e a vida dos seus amigos e ex-alunos."

Mensagem do Professor Carlos José Pereira de Lucena, do Departamento de Informática:
"Não me surpreende a serenidade do Pe. Benkö. Ele era uma pessoa ímpar quando programávamos juntos um 'enorme' computador no início dos anos sessenta e quando ele nos casou com carinho, sotaque e enorme amizade quase há 50 anos. Enorme saudade."

Mensagem do Professor José Carlos D'Abreu, do Departamento de Engenharia de Materiais:
"Pe. Benkö, personalidade forte e grande figura humana! Sua mensagem de amor, ao batizar minha primeira filha, ainda está muito presente entre nós. Que Deus acolha este grande amigo e conselheiro."

Mensagem do Professor Fernando Rizzo, do Departamento de Engenharia de Materiais:
"Como parte da 'velha guarda' que teve a oportunidade de conviver com Pe. Benkö durante seus anos na PUC-Rio, gostaria de também contribuir com esta série de depoimentos, endossando o reconhecimento de uma figura singular de nossa trajetória, pois além da expressiva contribuição para a implantação de um novo modelo acadêmico na Universidade, caracterizou-se pela seriedade, dedicação e generosidade com que tratava seus alunos e colegas.
"Agradeço ao Núcleo de Memória da PUC-Rio por registrar para as próximas gerações a relevante participação do Pe. Benkö em nossa história."

Mensagem do Professor Fernando Tenório, do Departamento de Psicologia:
"Realmente foi uma alegria que o Departamento e os professores que o conheceram pessoalmente tenham podido homenageá-lo em vida. Ele deve ter ficado realmente muito contente com os 60 anos do Departamento e com a homenagem.
"Tem um samba do Nelson Cavaquinho que se chama 'Flores em vida' e que diz: 'me dê as flores em vida, o carinho e a mão amiga, para aliviar meus ais. Depois que eu me chamar saudade, não preciso de vaidade, quero preces e nada mais'.
"Parabéns a vocês que deram as flores em vida."

Mensagem da Professora Eliana Freire, do Departamento de Psicologia:
"Como eu disse há pouco ao Bernard Rangé, colega de turma da psicologia em 1967 [...], quem conviveu com essa imensa, forte, sabia, exigente e amorosa figura que foi o Pe. Benkö jamais esquecerá! Em sua última entrevista no Skype, muitas boas memórias me vieram com sua voz de barítono dramático ao fundo. Ai de nós alunos que ousássemos chegar um minuto atrasados! Velhos tempos!
"Lamento muito a perda de nosso mestre, mas certamente foi uma vida vivida plenamente. E este recado do amor que ele nos deixa, na entrevista no Skype, creio estar gravado a ferro e fogo em nossos corações.
"Somos mesmo abençoados por termos convivido com ele."

Mensagem da Professora Elizabeth Ribeiro, do Departamento de Psicologia:
"Vi o vídeo do Padre Benkö agora e fiquei profundamente emocionada. Padre Benkö foi meu primeiro professor e foi muito importante para mim. Foi muito bom ter esse depoimento dele. O Carmelo sempre dizia que ele estava bem, mas acabei nunca escrevendo para ele. Poder ouvir uma última vez as coisas que ele dizia - sobre a importância do outro - fez muito bem."

Mensagem da Professora Regina Murat, do Departamento de Psicologia:
"Tenho as fotos da festa de 40 anos do SPA (maio de 2000), quando Pe. Benkö esteve pela última vez no Brasil. Na época, eu era a Coordenadora do SPA. O Departamento já enviou estas fotos para vocês no Núcleo de Memória? Se não, posso levar na próxima semana."

Mensagem do Professor Augusto César Pinheiro da Silva, do Departamento de Geografia e Meio Ambiente:
"A apresentação e citação, pela Professora Margarida de Souza Neves, do Núcleo de Memória da PUC-Rio, do Pe. Benkö no evento ocorrido no dia 25 de novembro na Casa de Retiro de São Conrado foi uma homenagem muito bonita para uma personalidade fundante da instituição. Para quem não o conhecia a sua história como eu, essa homenagem ficará guardada na memória presente."

Alfredo Luiz Porto de Britto (1936-2015) _

O arquiteto e urbanista Alfredo Britto, professor da PUC-Rio e um dos criadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade, além de um dos maiores especialistas brasileiros em patrimônio cultural, faleceu no Rio de Janeiro, aos 79 anos, em 25 de novembro.

Alfredo Britto construiu uma carreira com fortes bases sociais e seu nome ficará ligado a várias causas de interesse da cidade, como a campanha contra a demolição do Palácio Monroe. Trabalhou nas restaurações do Arquivo Nacional (1982) e do Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Morais (2004), projeto de Affonso Eduardo Reidy, conhecido como Pedregulho. Esse trabalho deu origem ao seu mais recente livro – Pedregulho, o sonho pioneiro da habitação popular no Brasil –, lançado em agosto, pouco antes de seu falecimento.

Secretário do IAB-RJ e membro da Direção Nacional do Instituto (1980 a 1983), por dez anos representou a seccional do Rio de Janeiro no Conselho Superior do Instituto de Arquitetos do Brasil.

O presidente do IAB, Sérgio Magalhães, recordou:

Alfredo Britto foi um dos formuladores do pioneiro e famoso Inquérito Nacional de Arquitetura, redator e diretor da revista Arquitetura [...]. Desde o início dos anos 1970, Alfredo foi titular do escritório GAP - Arquitetura e Planejamento, com larga produção edilícia, urbanística e de restauração de patrimônio, tendo recebido diversos prêmios, inclusive a 1ª Premiação Anual do IAB RJ, em 1963.

A arquiteta e secretária-geral do IAB, Fabiana Izaga, também lamentou a perda:

A arquitetura carioca teve em Alfredo Britto uma figura singular pelo seu envolvimento em várias faces da profissão: como professor e pesquisador, como profissional atuante, com destaque em projetos ligados ao patrimônio, e na militância profissional através do IAB.

Aos 79 anos, Alfredo Britto estava terminando um curso de Doutorado no Programa de Pós-Graduação em História Social da Cultura da PUC-Rio.

Em mensagem à Comunidade PUC-Rio, a Profa. Maria Fernanda Campos Lemos, Diretora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, assim registrou o falecimento:

É com enorme pesar que informo o falecimento de nosso querido professor e amigo Alfredo Luiz Porto de Britto. Alfredo Britto foi um dos professores envolvidos com a fundação do Curso de Arquitetura e Urbanismo e sentiremos muitíssimo a sua falta.

(Departamento de Arquitetura) (+25 de novembro de 2015) 

Félix Pastor S.J. (1933 - 2011) _

O Núcleo de Memória da PUC-Rio recebeu, com tristeza, a notícia da morte do Pe. Félix Pastor S.J. (25/02/1933 - 11/07/2011) e quer se unir à tristeza do Departamento de Teologia de onde foi por muitos anos professor, da Companhia de Jesus e de seus muitos alunos, amigos e orientandos brasileiros.

Igreja perde Padre Felix Alejandro Pastor Piñeiro

Publicado em www.arquidiocese.org.br em 12/07/2011

Na última segunda-feira, 11 de julho, faleceu, aos 78 anos de idade, no Rio de Janeiro, o Padre Felix Alejandro Pastor Piñeiro, professor emérito da Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, onde lecionou Sacramento da Ordem e o Tratado sobre Deus.

Durante 44 anos, o Sacerdote também trabalhou no Pontifício Colégio Pio Brasileiro, em Roma, onde foi Diretor Espiritual, Prefeito dos Estudos e Bibliotecário, orientando os alunos na escolha dos cursos, auxiliando-os no aprofundamento das disciplinas e na preparação dos exames. Padre Alejandro atuou também na PUC-Rio e na Faculdade João Paulo II.

Durante seu luminoso ministério de professor, Padre Felix serviu generosamente à Igreja do Brasil e do mundo, orientando mais de 110 teses doutorais, dentre elas as de inúmeros Bispos, Arcebispos e Cardeais, como por exemplo, Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, e Dom José Policarpo, Patriarca de Lisboa, além de contribuir para uma sólida formação de muitas gerações de sacerdotes e leigos.

Todos os anos, o Sacerdote vinha da Europa para o Rio de Janeiro, onde dava aulas no curso de Teologia da PUC-Rio. Na última quinta-feira, ele chegou à cidade para ministrar seu curso e durante o final de semana fazia um retiro espiritual, quando, na manhã do dia 11, não apareceu para o café. Padre Alejandro foi encontrado sem vida pouco depois das 9h em seu quarto, na Residência Padre Leonel Franca, dos padres jesuítas, que trabalham na Universidade.

Padre Felix Pastor era espanhol, nascido no dia 25 de fevereiro de 1933. Entrou para a Companhia de Jesus (Jesuítas) em 1950 e foi ordenado Padre no dia 27 de agosto de 1963.

Arquidiocese do Rio de Janeiro
 

Pe. Felix Alejandro Pastor S.J.

Publicado no site www.ihu.unisinos.br

Faleceu dia 11 de julho, no Rio, o Pe. Felix Alejandro Pastor S.J.

Nascido em 1933 na Galícia, fez os votos religiosos na Companhia de Jesus em 1950.

Junto com outros jesuítas espanhóis foi destinado ao Brasil, aonde chegou jovem e fez seus estudos, tendo sido ordenado em 1963.

Possuindo notável vocação teológica após seu doutorado foi chamado a ser Professor da Pontifícia Universidade Gregoriana e Diretor de Estudos do Colégio Pio Brasileiro em Roma.

Durante décadas alternou suas funções em Roma com a participação, durante as férias do verão europeu, nas atividades de ensino no Departamento de Teologia da PUC - Rio, ministrando disciplinas de pós Graduação e mesmo de graduação. Distinguia-se por sua erudição e sólido conhecimento teológico, por um profundo amor a Igreja e um trato afável com os estudantes e colegas, muitos dos quais se tornaram amigos por toda a vida.

Autor de uma obra teológica vasta e consistente dirigiu mais de 150 teses de doutorado, tendo sido formador de um grande número de teólogos e teológas brasileiros, muitos dos quais foram chamados ao episcopado e mesmo ao cardinalato como D. Scherer, de São Paulo.

Sua contribuição para a Igreja do Brasil é inestimável.

Pe. Pastor tinha especial afeição pelo Rio de Janeiro. Chegou de Roma quinta feira dia 7 de julho para lecionar um seminário na Pós-Graduação da PUC-Rio entre os meses de agosto e setembro.

Sua morte deu-se no dia em que se abria o 24º Congresso da SOTER onde se encontram vários de seus orientandos e provocou grande consternação.

Paulo Fernando Carneiro de Andrade
Professor do Departamento de Teologia da PUC-Rio e Decano do CTCH
 

Felix Pastor, orientador e amigo (1933-2011)

Publicado no site www.ihu.unisinos.br

Nós, teólogos brasileiros, perdemos no dia 11 de julho um grande mestre e amigo. Deixou-nos o padre Felix Pastor, que tinha recém chegado de Roma para a sua temporada no Rio de Janeiro, onde também lecionava.

Não há como lembrar de sua presença senão com alegria e saudade e hoje, em especial, muita saudade. Foram inúmeros teólogos brasileiros e latino-americanos que passamos por sua competente e atenta orientação. Impressionante a sua capacidade de doação e a argúcia de seu método. Foi alguém que abriu as portas da Pontifícia Universidade Gregoriana para muitos dos teólogos pesquisadores que se encontram hoje atuando em Universidades e Institutos Teológicos no Brasil e tantas outras localidades. Como bem acentuou o cardeal Aloísio Lorscheider, no prefácio de obra em sua homenagem, Pastor “é um benemérito da Igreja universal e, de modo especial, da Igreja que está no Brasil. A Igreja do Brasil deve muito a este sacerdote zeloso e dedicado.
Várias gerações passaram por suas mãos” (O mistério e a história. São Paulo: Loyola, 2003).

Tive em particular essa alegria de poder conviver de perto com esse grande mestre. Um contato que começou quando era estudante do mestrado em teologia na PUC-Rio, numa época de grande florescimento da teologia, marcada pela presença de muitos jovens estudantes leigos.

Tinha nascido no período a idéia de trazer Felix Pastor para ajudar no ensino e na orientação dos estudantes de teologia. Sua vinda foi celebrada por todos, e assim nasceu uma parceria maravilhosa. A cada ano, Pastor dedicava um semestre ao ensino na Gregoriana e o outro na PUC-Rio.

Essa presença no Brasil foi geradora de muitas vocações teológicas. Muitos de nós, seus alunos na PUC, fomos recebidos por ele com afeto e alegria na Gregoriana, para os estudos doutorais. E isso também foi favorecido pela grande sensibilidade de Pastor aos temas candentes da teologia latino-americana, como a teologia da libertação, as comunidades eclesiais de base e as pastorais sociais. Estávamos diante de um teólogo apaixonado pelo tema do Reino e da História.

Num de seus livros, dedicados a esta questão, dizia com segurança: “Descobrindo a unidade teológica da história dos homens, criados a participar da salvação escatológica, a Teologia da Libertação descobre a unidade profunda do temporal e do espiritual, do escatológico e do histórico, do individual e do comunitário, do religioso e do político”. A teologia para ele estava diante de uma tarefa nova e fundamental: armar sua tenda na história dos humanos, sem perder jamais, a sedução do Mistério. A salvação deixa de ser uma questão extra-terrena e passa a ocupar o cenário das lutas do dia-a-dia: “A salvação cristã inclui a realidade do homem novo e da nova terra, em que habita a justiça. Postular a sua realização e lutar pelo seu advento não é uma usurpação prometeica, mas uma exigência da ética cristã”. Esse foi o aprendizado que dele recebemos, e que foi decisivo para as nossas trajetórias.

Pastor foi também um grande teólogo, possuidor de invejável cultura teológica, mas que não ficava restrita a esse campo do saber. Impressionava sua abertura ao universo da literatura, do cinema e da arte em geral. Sua paixão teológica voltava-se, de modo particular, para dois grandes clássicos da teologia:Agostinho e Paul Tillich. A eles dedicou inúmeros cursos, conferências e muitos artigos, publicados em periódicos reconhecidos internacionalmente. Admirava igualmente Karl Rahner, e com grande maestria nos ajudava a desvendar as difíceis e sedutoras entranhas desse grande teólogo alemão. Não me esqueço de suas brilhantes e instigantes intervenções no seminário em torno do Curso fundamental da fé, de Karl Rahner, dado na Gregoriana. Foram aulas que abriram horizontes inesperados para reflexões futuras.

Nascido na Galícia, em 25 de fevereiro de 1933, entrou para a Companhia de Jesus em novembro de 1950. Os estudos de filosofia foram realizados na Universidade de Comillas, a partir de 1954, depois de formação em Letras Clássicas, Humanidades e Retórica no Colégio de Salamanca. Veio em seguida, em 1957, a destinação missionária para o Brasil, instalando-se na Província Jesuítica Goiano-Mineira, na época do padre João Bosco Penido Burnier.

O noviciado foi realizado em Itaici, São Paulo, e os trabalhos pedagógicos no Colégio Loyola de Belo Horizonte. Os estudos de teologia iniciaram-se em 1960, noColégio Máximo Cristo Rei, em São Leopoldo (RS), tendo prosseguimento na Alemanha, na Faculdade de Teologia da Hochschule Sankt-Georgen (Frankfurt/Main), onde concluiu seu bacharelado, em 1962.

Sua ordenação presbiteral aconteceu em 27 de agosto de 1963, na catedral de Frankfurt. Motivado pelo então provincial, Marcelo de Azevedo, foi cursar o doutorado em teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma), na época do evento conciliar. A conclusão do doutorado ocorreu em junho de 1967, com tese orientada por Donatien Mollat, SJ, versando sobre tema eclesiológico em E. Schweizer. Sua tese foi publicada em 1968 na prestigiosa coleção Analecta Gregoriana (vol. 168 – La eclesiología Juanea según E. Schweizer). A partir de outubro de 1967 ficou responsável pela direção espiritual do Colégio Pio Brasileiro, em Roma. E também a partir desse ano iniciou suas atividades acadêmicas na Gregoriana.

Dentre suas inúmeras publicações, destacam-se os livros: Existência e Evangelho (1973), O reino e a história (1982), Semântica do Mistério (1982) e a Lógica do inefável (1986 e 1989). 

No campo do ensino, dedicou-se em particular aos temas relacionados à Eclesiologia, ao Tratado de Deus e outras questões teológicas e ecumênicas. Merece destaque sua atenção à problemática teológica latino-americana, como bem destacado por Maria Clara L. Bingemer e Paulo Fernando Carneiro de Andrade: “Sua ligação com a América Latina e com a teologia produzida deste lado do mundo, juntamente com sua sensibilidade social e seu profundo sentido de justiça, fizeram igualmente do Pe. Pastor um exímio especialista e agudo crítico da teologia latino-americana, tendo ministrado cursos, publicado vários trabalhos e orientado diversas teses sobre o tema da relação entre Teologia e Práxis, e sobre as tendências mais atuais da teologia do continente”.

Pude também encontrar nele um importante apoio em momento delicado de meu retorno ao Brasil, quando titubeava o processo de autorização canônica para o meu retorno à PUC-Rio.

Ele veio prontamente em minha defesa, junto com Juan Alfaro, desanuviando os sombrios horizontes. Essa é uma marca importante na personalidade de Felix Pastor: o profundo respeito pela reflexão de seus orientandos. Mesmo que não partilhasse inteiramente das posições teológicas de seus alunos, incentivava a reflexão mantendo sempre acesa a imprescindível chama do direito à liberdade de expressão. É um dos exemplos mais bonitos que pude verificar nessa trajetória de caminhada comum e que busco manter vivo na experiência com meus alunos.

O toque decisivo de sua atuação estava no dom da orientação acadêmica. É difícil encontrar um orientador com tamanha capacidade de desbravar caminhos e horizontes. As dificuldades trazidas por seus orientandos ganhavam com ele sempre uma solução precisa. Os alunos entravam em seu gabinete preocupados com o destino de seu trabalho e saíam sorridentes com as soluções encaminhadas.

Era sobretudo um grande pedagogo, com impressionante experiência nesse campo de apoio, presença e orientação dos alunos. E essa prática vinha amparada por muitos anos de experiência com a análise psicanalítica. Seus cursos de metodologia ficam guardados na memória. Trouxe essa experiência em aulas memoráveis, sobretudo na PUC-RJ, mas também em outros centros de estudo como a Faculdades dos Jesuítas (FAJE) e a Universidade Federal de Juiz de Fora, onde também esteve presente algumas vezes para falar de sua experiência de orientação acadêmica.

É difícil precisar o número exato de seus orientandos no mestrado e no doutorado. Foram, certamente, mais de 350 estudantes que passaram por essa rica experiência. No âmbito do doutorado, foram mais de 90 teses por ele orientadas, das quais cerca de 55 de alunos brasileiros. Entre alguns dos doutores que passaram por sua orientação: Álvaro Barreiro e Alfonso Garcia Rúbio (1972-1973), Mário de França Miranda (1973-1974), Carlos Palacio (1975-1976), Juan A.R. de Gopegui (1976-1977), Ênio José da Costa Brito (1978-1979), Valdeli Carvalho da Costa (1980-1981), Faustino Teixeira e Antônio Jose de Almeida(1985-1986), Alexander Otten e Vitor G. Feller (1986-1987), Elias Leone, Maria Clara L. Bingemer e Paulo Fernando Carneiro de Andrade (1988-1989),Afonso Murad (1991-1992), Paulo Sérgio Lopes Gonçalves (1996-1997),Laudelino José Neto (1997-1998), Antônio Reges Brasil (2000-2001), Marcial Maçaneiro e Paulo César Barros (2000-2001) e muitos outros.

O bonito é perceber que ele deixou entre nós um exemplo vivo de paixão e testemunho, de maravilhosa abertura ao Mistério sempre maior. Dele guardamos o carinho e o largo sorriso, de um orientador, mas sobretudo um amigo sempre presente. Eu estava particularmente feliz ao poder reencontrar-me com ele num simpósio internacional de teologia, previsto para acontecer em setembro de 2011 na PUC-Rio. Não contava os dias para esse encontro. Infelizmente, esse diálogo adiado para mais adiante. Fico com a bela imagem de sua presença amiga, regada pela alegria de encontros maravilhosos, tanto no Brasil como na Itália. Seguindo uma pista de Walter Rauschenbusch, Pastor deixa-nos como herança “a graça de ter um coração valente, para que possamos caminhar por esta estrada com a cabeça levantada e com um sorriso no rosto”.

Faustino Teixeira
Professor no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF e ex-aluno do Programa de Pós-Graduação em Teologia da PUC-Rio
 

Myrtes de Aguiar Macedo (? - 2012) _

Myrtes de Aguiar Macêdo, formou-se em Serviço Social pela Universidade Estadual da Paraíba, concluiu o mestrado em Serviço Social na PUC-Rio em 1977. Sua dissertação intitulada Reconceptualização do Serviço Social foi publicada em livro e tornou-se uma referência importante no debate sobre o movimento de Reconceituação do Serviço Social na América Latina. Era Doutora em Política Social pela University of Manchester, na Inglaterra, onde foi docente do Programa de Doutorado em Política Social.

Ingressou na PUC-Rio como professora do quadro principal após sua aposentaria na Universidade Federal da Paraíba, e foi Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social em duas ocasiões. No Programa, integrou a Comissão responsável pela criação, em 1997, da revista O Social em Questão, periódico do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social.

A Profa. Myrtes exerceu a função de representante da área de serviço social junto ao CNPq e, na CAPES, integrou a Comissão de Avaliação dos Programas de Pós-Graduação de sua área.

Carlos Alberto Teixeira Serra (? - 2013) _

O Professor Serra formou-se em Geografia pela PUC-Rio e trabalhou na Universidade entre 1966 e 2000.

No início de suas atividades docentes, tal como em seu período como aluno de graduação, Geografia e História, ainda que constituindo dois departamentos separados, tinham um único Diretor e uma mesma estrutura administrativa. Por muitos anos Carlos Alberto Serra podia ser visto no quinto andar da Ala Frings, como professor de Geografia Humana, como Coordenador do Curso de Geografia e mais tarde como Diretor dos Departamentos de Geografia e História. Foi colaborador direto do Dr. Fábio Macedo Soares Guimarães quando este exerceu a direção dos dois Departamentos. Também atuou no Decanato do CCS por várias gestões, como Coordenador Setorial de Graduação e como membro da Comissão de Vestibular.

Serra, como era chamado por seus colegas, colaborou também com a PUC-Rio através da participação nos órgãos colegiados do Departamento de Geografia, do CCS, e da Administração Central.

São poucos hoje os professores do Departamento de Geografia que conviveram com o Professor Serra durante o seu longo período como docente da PUC-Rio, mas o livro publicado pelo Núcleo de Memória da PUC-Rio em comemoração dos 70 anos da Universidade estampa, em sua página 117, uma fotografia de 1971, pertencente ao acervo pessoal do funcionário José Paim, de um time de futebol composto por professores e funcionários no qual o Professor Serra, então um jovem de cabelos longos, aparece na primeira fila, à direita da foto, devidamente uniformizado como jogador do time ao lado de outros colegas tais como os Professores Augusto Sampaio, Clóvis Dottori e Ilmar Rohloff de Mattos.

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