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Falecimento do Prof. Luiz Alberto Gómez de Souza

01/01/2021

Na madrugada do dia 30 de dezembro de 2020 Luiz Alberto Gómez de Souza nos deixou.

Quem viveu a PUC-Rio dos anos 1980, certamente se lembrará dele.  Professor do Departamento de Sociologia, Luiz Alberto transitava por vários departamentos, e sua competência múltipla, inteligência viva e sensibilidade indiscutível faziam dele um colega muito querido, um professor respeitado e um intelectual no verdadeiro sentido da palavra, capaz de ler o mundo e ajudar a encontrar respostas para os desafios de seu tempo. 

Luiz Alberto era “uma figura doce e solidária”, como dele se lembra o Professor Ilmar Rohloff de Mattos.  Era também forte e corajoso, sem que isso acarretasse em contradição.  E bastava que sua voz se fizesse ouvir (igualzinha à voz de seu irmão, o ator Paulo José) em algum seminário, aula, banca, conferência ou assembleia, para que tudo parecesse mais fácil e mais claro, ainda que ele nunca negasse o conflito ou simplificasse um argumento.

Quem viveu o ano de 1981 na PUC-Rio sabe que esse foi um ano muito duro e de muitos impasses.  Foi um momento de enfrentamentos entre o corpo docente e a administração central da Universidade, que resultou em uma longa greve, em muitos debates e em assembleias convocadas e presididas pela ADPUC (Associação dos Docentes da PUC-Rio), que soube imprimir direção às demandas dos docentes.  Em dado momento foi necessário que a Assembleia nomeasse uma Comissão de Negociação com a Reitoria e o Conselho Universitário.  Eram três professores por Centro, e um dos três representantes do CCS foi Luiz Alberto.

Com sua sensatez e a experiência adquirida nos debates do Movimento Estudantil, na CEPAL, na FAO, na assessoria a Dom Helder Câmara durante o Concílio Vaticano II, no Ministério da Educação, nas Comunidades Eclesiais de Base, e em tantos outros espaços da sociedade civil e do mundo eclesial, Luiz Alberto foi um negociador hábil e firme e ajudou muito na busca dos caminhos possíveis e na visão generosa e objetiva dos problemas e dos conflitos.

Quem viveu os tempos em que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e o CELAN (Conselho Episcopal Latino americano) assumiram a vanguarda da esperança no Brasil e na América Latina, as CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) se tornaram um espaço privilegiado para que o povo fosse o protagonista de uma fé comprometida com a justiça e a teologia da libertação buscou os fundamentos teóricos e teológicos dessa esperança e dessa fé, certamente ouviu muitas vezes, por todo o continente e pelo país inteiro, como assinala a Professora Maria Clara Bingemer, o eco das palavras desse incansável “andarilho”, como ele próprio se definiu no título de sua autobiografia.  

Por isso, a nota divulgada pela CNBB no dia de sua morte reconhece: “sempre convidado a dar cursos e palestras, Luiz Alberto tornou-se bem conhecido e muito respeitado na Igreja e no campo ecumênico”.

Quem viveu o movimento estudantil nos anos 60, a resistência à ditadura militar e a luta pela redemocratização do Brasil deve lembrar-se daquele jovem gaúcho que foi dirigente nacional da Juventude Universitária Católica (JUC), militou na AP (Ação Popular), foi secretário-geral da Juventude Estudantil Católica Internacional,  e viveu o exílio como tantos de sua geração.

Luiz Alberto sabia como poucos fazer a síntese entre a prática e a teoria, entre a ação e a reflexão.  Basta lembrar que para sua tese de doutorado em Sociologia, defendida na Sorbonne Nouvelle (Paris III), escolheu como objeto de estudo os estudantes católicos e a política no Brasil, um estudo rigoroso que é referência sobre o tema.

Quem teve a sorte de que seu caminho, em algum momento da vida, cruzasse com o caminho de Luiz Alberto sabe o tamanho do privilégio que esse encontro representa.  E sabe também que esse privilégio não pode deixar de se traduzir em compromisso com a justiça e na busca constante de um mundo melhor e mais humano para todos.

Luiz Alberto fez parte dos quadros docentes da PUC-Rio por poucos anos.  Mas ele não precisava de muito tempo para marcar para sempre as instituições em que atuou e as pessoas com quem trabalhou.

O Núcleo de Memória da PUC-Rio, nesse momento tão difícil para a família, quer dizer à Lúcia, sua companheira por mais de 60 anos de um casamento muito feliz, o que ela, melhor que ninguém, já sabe:  Luiz Alberto é insubstituível.  E queremos, como você, Lúcia, como os três filhos que tiveram juntos e os seus seis netos, manter viva a herança que ele deixa: a certeza de que um mundo diferente e melhor é possível.

Margarida de Souza Neves
Janeiro de 2021

Notícia publicada no jornal O Globo em 03/01/2021:

Morre o sociólogo Luiz Alberto Gómez e Souza, aos 85 anos, vítima de câncer linfático

Morreu nesta quarta-feira o sociólogo Luiz Alberto Gómez e Souza, de 85 anos, em decorrência de um câncer linfático. Segundo a família, ele está sendo velado em casa, em Juiz de Fora, e seu corpo será cremado. Deixa esposa, três filhos e seis netos. 

Católico com militância em movimentos sociais, escreveu o livro de memórias "Um andarilho entre duas fidelidades: religião e sociedade", publicado em 2015.

Luiz Alberto nasceu em Lavras do Sul (RS) em 1935 numa família de cinco irmãos — entre eles, o ator Paulo José. Era bacharel em Direito pela PUC-RS, mestre em Ciência Política pela Escola Latino-Americana de Ciência Política e Administração Pública (ELACP), de Santiago do Chile, e doutor em Sociologia pela Universidade de Paris III Sorbonne Nouvelle, com a tese “Os estudantes católicos e a política”.

Em nota, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou nota afirmando que "deixa o legado de uma vida marcada pelo diálogo entre a fé e o compromisso social, utilizando-se para tanto de seu profundo conhecimento na área das ciências sociais, aliado à firme consciência do laicato como sujeito eclesial".

Amigo de Luiz Alberto, Frei Betto afirma que ele juntou "uma grande vida intelectual com militância".

— Ia para a rua, se movimentava, ia para a base, rodava o Brasil fazendo muita palestra, assessorava encontros de movimentos pastorais de igrejas. Era um cara aberto — afirma. 

Pelas redes sociais, o teólogo Leonardo Boff lamentou a morte do amigo: "Despediu-se de nós no alvorecer de hoje Luiz Alberto Gomez de Souza para cair nos braços de Deus Pai e Mãe para o abraço infinito do amor e da paz. Cientista político e profundamente cristão sempre esteve do lado do povo, das causas da justiça e da libertação", escreveu.

Em 2018, Luiz Alberto recebeu o título de Doutor Honoris Causa em Teologia, pela FAJE, de Belo Horizonte, por sua relevante contribuição no campo do Cristianismo.

Entre inúmeras funções que ocupou durante a vida, foi dirigente nacional da Juventude Universitária Católica (1956-1958), Secretário-geral da Juventude Estudantil Católica Internacional, em Paris (1959-1961), assessor de Dom Hélder Câmara durante do Concílio Vaticano II, assessor do ministro da Educação Paulo de Tarso dos Santos (1963), professor na UFRJ, UERJ, PUC-Rio e IUPERJ (1978-1997), assessor do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBRADES), professor visitante e assessor em vários países da América Latina e nos EUA (1966-1997).

Foi também funcionário da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL-ONU), em Santiago do Chile e no México (1969-1977), diretor do Escritório da América Latina e do Caribe no Departamento de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) (1982-1985), diretor executivo do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (CERIS) (1997-2005). Sua militância na sociedade levou-o ao exílio.

Nota da CNBB:

Luiz Alberto Gómez e Souza faleceu na madrugada desta quarta-feira, dia 30 de dezembro, em Juiz de Fora (MG), em decorrência de um câncer linfático. Ele está sendo velado em casa e seu corpo será cremado.

Casado desde 1959 com Lúcia Ribeiro, Luiz Alberto deixa uma filha, dois filhos, cinco netos e uma neta. Nascido em Lavras do Sul (RS) em 1935, era bacharel em Direito pela PUC-RS, mestre em Ciência Política pela Escola Latino-Americana de Ciência Política e Administração Pública (ELACP), de Santiago do Chile, e doutor em Sociologia pela Universidade de Paris III Sorbonne Nouvelle, com a tese “Os estudantes católicos e a política”. Em 2018 recebeu o título de Doutor Honoris Causa em Teologia, pela FAJE, de Belo Horizonte, por sua relevante contribuição no campo do Cristianismo.

Sua vida foi por ele definida como de um “andarilho entre duas fidelidades: religião e sociedade”, título de seu livro de memórias, publicado em 2015. Sua fidelidade à Igreja concretizou-se desde a juventude. Foi dirigente nacional da Juventude Universitária Católica (1956-1958), Secretário-geral da Juventude Estudantil Católica Internacional, em Paris (1959-1961), assessor de Dom Hélder Câmara durante do Concílio Vaticano II, assessor do ministro da Educação Paulo de Tarso dos Santos (1963), assessor de movimentos sociais, pastorais, CEBs e da CNBB, professor na ELACP, em Santiago do Chile (1968-1969), professor na UFRJ, UERJ, PUC-Rio e IUPERJ (1978-1997), assessor do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBRADES), professor visitante e assessor em vários países da América Latina e nos EUA (1966-1997). Foi também funcionário da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL-ONU), em Santiago do Chile e no México (1969-1977), diretor do Escritório da América Latina e do Caribe no Departamento de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) (1982-1985), diretor executivo do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (CERIS) (1997-2005). Sua militância na sociedade levou-o ao exílio.

Luiz Alberto percorreu o Brasil dando cursos de formação a agentes de pastoral, geralmente fazendo dupla com o Padre J. B. Libânio. Sempre convidado a dar cursos e palestras, Luiz Alberto tornou-se bem conhecido e muito respeitado na Igreja e no campo ecumênico. Sua última atividade nesse campo foi como diretor do CERIS (Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais).

Atualmente dirigia o Programa de Estudos Avançados em Ciência e Religião da Universidade Cândido Mendes. Era autor de mais de uma centena de artigos em diversas línguas sobre educação, Igreja e sociedade, política, ciência e religião, e de vários livros.

Inúmeras vezes prestou assessorias à CNBB, ajudando-a a caminhar nos caminhos da profecia e da fidelidade ao Evangelho. A CNBB manifesta aos familiares e aos inúmeros amigos de Luiz Alberto o seu mais profundo pesar, na certeza da vida plena, agora vivida por ele, junto a Deus, a quem serviu e amou.

CNBB - Nota de pesar pelo falecimento do prof. Luiz Alberto Gómez de Souza

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifesta seu pesar pelo falecimento do sociólogo Luiz Alberto Gómez de Souza, ocorrido hoje, 30 de dezembro de 2020, em Juiz de Fora, MG.

Gaúcho, nascido em 19/12/1935, deixa o legado de uma vida marcada pelo diálogo entre a fé e o compromisso social, utilizando-se para tanto de seu profundo conhecimento na área das ciências sociais, aliado à firme consciência do laicato como sujeito eclesial.

Com vasta e conhecida biografia, testemunhou que, “como cristãos, somos chamados a viver como discípulos de Jesus Cristo em nosso dia a dia. A partir da sua vocação específica os cristãos leigos e leigas vivem o seguimento de Jesus na família, na comunidade eclesial, no trabalho profissional, na multiforme participação na sociedade civil, colaborando assim na construção de uma sociedade justa, solidária e pacífica, que seja sinal do Reino de Deus inaugurado por Jesus de Nazaré”. (CNBB, Doc. 105, n. 11)

A CNBB se solidariza com a família e os amigos mais próximos do Prof. Luiz Alberto e pede a Deus que o laicato brasileiro se consolide cada vez mais no serviço à paz, à justiça, ao bem comum e à democracia.

Brasília, DF, 30 de dezembro de 2020

D. Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte, MG, Presidente

D. Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre, RS, 1º Vice-Presidente

D. Mário Antônio da Silva, Bispo de Roraima, RR, 2º Vice-Presidente

D. Joel Portella Amado, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ, Secretário-Geral

Texto da profa. Maria Clara Bingemer (TEO) publicado no Jornal do Brasil On-line:

Luiz Alberto Gómez de Souza: um Quixote da fé e da justiça

Conheci o brilhante sociólogo Luiz Alberto Gómez de Souza quando ainda era estudante de graduação em teologia. Em reuniões e eventos da Igreja naqueles tempos de ouro da Teologia da Libertação, sua inteligência profunda se destacava com análises lúcidas e simpatia irradiante. Presença encantadora e amável, sempre conversava com os mais jovens, prestando-lhes toda a atenção própria dos verdadeiros mestres. Assim foi no início de nossa amizade.

Depois que terminei o doutorado, nos anos 1990, tive oportunidade de conviver mais com ele, já que fomos colegas de trabalho no Centro João XXIII – IBRADES, situado na rua Bambina 115. Enquanto eu criava e organizava o projeto diálogo fé e cultura, Luiz Alberto era o intelectual sênior da equipe pluridisciplinar de pesquisadores, presença indispensável nos seminários de peritos de gratíssima memória que o Centro promovia sob a batuta dos padres Francisco Ivern S.J. e João Mac Dowell S.J..

Ali conheci várias facetas (não todas) da riquíssima personalidade de Luiz Alberto. Além da sólida formação e do brilho intelectual, sua figura testemunhava uma riqueza rara tecida pelas muitas experiências internacionais que vivera. Essas abrangiam a FAO, em Roma; Cuernavaca no México, trabalhando com o brilhante e inovador Ivan Illitch; e toda, absolutamente toda a América Latina, do México ao Uruguai e à Antártida argentina. Isso pôde ser comprovado em todas as vezes que viajei a trabalho pelo continente. Tempos mais tarde, meu marido, igualmente grande apreciador de Luiz Alberto, teve a mesma experiência: não havia ninguém na Igreja da Pátria Grande que não conhecesse e apreciasse profundamente o sociólogo gaúcho.

No Centro João XXIII, juntamente com os momentos de trabalho, tivemos grandes conversas. Revelavam-se o indomável entusiasmo do homem de fé e o largo horizonte de visão do intelectual que enxergava mais além do que se podia ver simplesmente a olho nu. Quando mais tarde, participando do mesmo grupo de reflexão que ele, o Grupo de Emaus, ouvi que o chamavam de Quixote, acreditei não haver denominação mais adequada para esse filho de espanhola ardente e apaixonado e para esse sonhador jamais esmorecido em seus desejos e esperanças.

Há pessoas que é bom não ouvir em tempos de desânimo e depressão. Agravam nossa falta de vibração e nos fazem ver tudo ainda mais sem perspectiva. Com Luiz Alberto era diferente. As crises lhe espicaçavam a inteligência e o coração, fazendo-o sonhar alto e perseguir ideais e desejos que quanto mais altos e impossíveis, mais o atraíam. E com isso contagiava todos que com ele conviviam.

Quando o Centro João XXIII foi transferido para Brasília, Luiz Alberto passou pelo CERIS como presidente; depois foi para a Universidade Cândido Mendes, onde organizava seminários de alto nível sobre o diálogo da religião com a secularidade e a diversidade do mundo de hoje. Recordo especialmente quando trouxe ao Brasil o grande filósofo canadense Charles Taylor, que falou para um auditório lotado de forma admirável. Ali na UCAM, além dos seminários, Luiz Alberto patrocinava todo o processo de escolha e outorga do prêmio Alceu de Amoroso Lima e outros, concedidos a indivíduos e entidades que defendem os direitos humanos.

Há ainda um outro traço da personalidade multifacetada de Luiz Alberto que acrescenta ao seu perfil de Quixote: seu amor fiel, apaixonado e constante por Lúcia, sua mulher ao longo de 62 anos. Ao falar dela seu rosto brilhava e seus olhos cresciam de espanto diante da beleza da amada. Lembro de um aniversário de Lúcia em sua casa de Laranjeiras, quando ele se aproximou de mim e elogiou a beleza da esposa. Disse: “Eu acho a coisa mais linda do mundo ela andando com esse vestido branco com franjas que se movem”. Não é comum ouvir isso de um homem em relação à mulher com quem estava casado já há mais de cinquenta anos, e com a qual tinha filhos e netos. Seu enamoramento me encantou o coração. Luiz Alberto não existia sem Lúcia e a recíproca era verdadeira.

O Quixote também amou Dulcineia até o último suspiro e seu amor por ela foi sempre revestido de enorme encantamento, admiração, devoção. Assim Luiz Alberto amava Lúcia. E dizia com orgulho que ambos se haviam dado o matrimônio quando ainda eram muito jovens. E mostrava as fotos com ambos realmente jovens e apaixonados.

Assim era esse Quixote, inquebrantável em suas fidelidades constitutivas: ao Deus defensor do pobre, da viúva, do órfão e do estrangeiro; à Igreja, povo de Deus do qual se sentia membro crítico e amoroso; à sociedade pela qual lutava a fim de ajudar que a paz e a justiça nela reinassem. E atravessando essas fidelidades, em amorosa e iluminadora unção, a Lúcia e por ela, e através dela a seus filhos e netos.

O dia 30 de dezembro do dificílimo ano de 2020 foi marcado pela partida de Luiz Alberto de suas andanças por este mundo. Mas ele permanece conosco, no legado que deixou e também dentro de todos nós, que um dia fomos inspirados por sua pessoa e honrados com o dom de sua amizade e seu afeto. Descanse em paz, amigo. E continue inspirando-nos lá de cima, ensinando-nos sempre a importância de sermos Quixotes que não se conformam com este mundo e lutam pelo Reino de Deus.

Prof. Luiz Alberto Gómez de Souza
Prof. Luiz Alberto Gómez de Souza